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Sustentável da Organização das Nações Unidas e os estudos de Manuel Castells (2018) relacionados à nova dinâmica social contemporânea.

O presente capítulo irá analisar o atual cenário das políticas públicas dos municípios brasileiros de incentivo e apoio à ciência, tecnologia e inovação — no que tange as novas políticas, bem como os incentivos já comumente utilizados de concessão de bolsas, auxílios, subvenções, dentre outros —, levando em consideração as novas perspectivas da economia do compartilhamento e os possíveis impactos pós-pandemia de 2020 (SARS CoV 2).

Como evidências preliminares, constata-se uma política de inovação que coloca as necessidades locais à margem da discussão e não enquadra as municipalidades como protagonistas das ações voltadas para o incentivo à inovação no Brasil. Considerando a importância do papel da inovação nas cidades para impulsionar um desenvolvimento urbano sustentável no enfrentamento de desafios sociais, para que a sociedade brasileira não só seja usuária das novas tecnologias, mas também possa desenvolver e produzir sua própria tecnologia, as cidades devem ter papel fundamental nessa estratégia de médio e longo prazo.

diz respeito ao papel desempenhado, às ações e às demais atividades minimamente esperadas de cada um daqueles.

Em relação ao governo, está-se tratando especificamente do fator político da tríade. É o governo que efetivamente propõe o direcionamento da política de Estado relacionada ao tema, desempenhando o papel de guia de investimentos, uma vez que, por meio deste ator, áreas específicas são priorizadas, conforme a necessidade do Estado, o que impacta na criação, disseminação e produção de conhecimento nas universidades, por meio da pesquisa, e, também, por meio do investimento de empresas que transformam o conhecimento em produtos ou serviços. Apesar de ser uma figura importante na tríade, com capacidade de induzir o investimento privado para áreas específicas, o governo não necessariamente terá as rédeas do conjunto do sistema de pesquisa, pois trata-se de dinâmica colaborativa e interdependente entre os atores.

De forma convergente com as ideias de Leydesdorff e Etzkowitz (2001), o eixo estruturante do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) divide os principais atores do sistema em políticos, agências de fomento e operadores de CT&I. Tal verificação é extraída da publicação de 2018 do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS, 2018), Organização Social supervisionada pelo atual Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

A forma escolhida para a apresentação dos principais atores realizada pelo CGEE agrega nos três conjuntos principais mencionados a figura do governo, da universidade/institutos de pesquisa e de empresas, tendo ainda outras instituições da sociedade que não necessariamente estão dentro da estrutura proposta por Leydesdorff e Etzkowitz (op. cit.). Tal escolha de apresentação não necessariamente contradiz a proposta dos autores, mas, sim, diz respeito à forma como a cultura tecnológica pode se recombinar, reconstituindo as fronteiras das comunidades, o que é fatalmente decorrente do novo modo de produção do conhecimento que redefine continuamente suas fronteiras (ibid.).

No Brasil, seguindo a inteligência do SNCTI (CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS, op. cit.), os atores políticos são materializados no Poder Executivo Federal, sobretudo por meio do próprio MCTI, além de outros ministérios e agências reguladoras. Já no âmbito estadual e municipal, são as respectivas Secretarias Estaduais e Municipais que versam sobre a matéria. Há, ainda, a figura do Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) e o Consecti (Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação), que completam tal governança.

Ainda, dentre os atores políticos, destaca-se a figura do Poder Legislativo, por meio do Congresso Nacional, adicionalmente às Assembleias Estaduais. Especificamente, em âmbito nacional, existem duas comissões de mesmo nome “Comissão Permanente de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática” (CCTCI), tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, que objetivam discutir e votar os projetos de lei apresentados.

Em âmbito estadual, a criação de comissões específicas é competência da respectiva casa legislativa e poderá ser criada comissão permanente para tratar do tema, o que atualmente não se observa em apenas três das 27 unidades da federação, conforme pesquisa nos respectivos sítios eletrônicos das casas legislativas24.

Nas unidades da federação onde há comissão específica para CT&I, muitas vezes há a conjugação do tema com diversos outros, como em Mato Grosso, onde foi criada a “Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto”, e no Rio Grande do Norte, com a

“Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Socioeconômico, Meio Ambiente e Turismo”. Tal dinâmica poderia demonstrar certa superficialidade no tratamento do assunto, ou mesmo o desconhecimento da casa legislativa com a temática que é notadamente ampla, pois trata-se de assunto transversal, que merece abordagem em foco, como se propõe as comissões das casas legislativas de São Paulo (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação) e do Rio de Janeiro (Comissão de Ciência e Tecnologia).

Em continuidade, verifica-se que na respectiva publicação do CGEE (CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS, 2018), o Poder Executivo municipal está inserido no Sistema Nacional. Contudo, no que diz respeito ao Poder Legislativo, as Câmaras Municipais não foram incluídas, o que merece maior análise. Apesar da disposição do art. 24, IX da Constituição Federal de 1988, que dispõe sobre competência legislativa, não incluir os municípios em competência concorrente, o art. 23, V da Constituição dispõe sobre a competência comum da União, Estados, do Distrito Federal e Municípios para “proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação”

(BRASIL, [20--a].). Sendo assim, a Câmara Municipal poderia criar comissões e mecanismos específicos para garantir o cumprimento do referido inciso do art. 23, bem como assegurar que as políticas públicas municipais tenham interface com as políticas públicas de CT&I municipais.

24 Pesquisa realizada pelo próprio autor até o dia 27 de abril de 2022. As informações foram coletadas nos respectivos sítios oficiais das assembleias legislativas e da câmara legislativa do Distrito Federal. Das 27 unidades da federação, apenas os estados do Pará, Paraíba e Piauí não possuíam, até a data da pesquisa realizada, comissões permanentes com a temática específica de ciência, tecnologia e inovação (foi considerada também a existência de qualquer uma dessas palavras separadamente nas comissões dedicadas).

Adicionalmente ao Poder Executivo e ao Legislativo, alguns atores políticos da sociedade também contribuem com o SNCTI. Dentre eles está a Academia Brasileira de Ciências, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Confederação Nacional da Indústria, as Centrais Sindicais e associações de classe, conforme a referida publicação (CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS, 2018).

Os demais atores do Sistema Nacional, conforme a publicação do CGEE (ibid.), são as agências de fomento e os operadores de CT&I. As agências de fomento estão ligadas aos governos federal e estaduais, seja na forma de fundações (a exemplo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq; da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes; e das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) ou empresas públicas (como a Financiadora de Estudos e Projetos – Finep; e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, dentre outras).

Conforme anteriormente abordado, a presente dissertação traz como parâmetro de identificação dos principais atores a tríplice hélice composta por governo, universidade e empresas. Uma vez que o CGEE traz uma categorização diversa, é possível tratar a classificação abordada no parágrafo anterior como também integrante do ator “governo”, uma vez que tais agências nada mais são que o meio pelo qual os governos dispõem para viabilizar financeiramente as suas políticas públicas em CT&I.

Na sequência, o CGEE (ibid.) traz a figura dos operadores de CT&I. É possível verificar que neste grupo foram englobados os outros dois atores da tríplice hélice (universidade e empresas), o que indica que o CGEE optou por tratar esses dois atores em conjunto, como operadores de CT&I. Segundo a publicação, são operadores de CT&I no Brasil as universidades, os institutos federais e estaduais de CT&I, os Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT), os parques tecnológicos, os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), as empresas e incubadoras, dentre outros.

Os operadores de CT&I são aqueles que viabilizam, de forma fática, a ciência, a tecnologia e a inovação por meio de concepções científicas, e seu desenvolvimento em forma de tecnologia, principalmente no âmbito das universidades e dos institutos operadores de CT&I e da aplicação na forma de produtos e serviços pelas empresas que, por sua vez, aplicam e exploram comercialmente aquilo que fora desenvolvido no seio da universidade.

Importante destacar que as próprias empresas também são parte no processo de criação e desenvolvimento de tecnologia e inovações, notadamente à medida em que se lançam a tal empreitada na busca da solução para seus próprios desafios.

Conhecendo os principais atores do ambiente de CT&I, é possível avançar para os instrumentos de apoio mais utilizados que de forma direta viabilizam as ações nesta área, o que implica na necessária existência de recursos, notadamente aqueles de ordem financeira, com o objetivo de viabilizar a política pública de CT&I, conforme será abordado no tópico seguinte.