2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo tem como objetivo apresentar o ‘estado da arte’ sobre formulação da estratégia, alinhamento, implementação da estratégia, FTA, foresight, origens e conceitos dos Cenários, seus principais métodos, aplicação dos Cenários na área da educação, ‘Systems Thinking’;
Teoria dos Conjuntos e Diagrama de Venn a fim de contextualizar o objetivo proposto dessa pesquisa.
da estratégia são relacionadas e interdependentes, em que cada atividade pode ser diferenciada e discutida separadamente. Porém, na lógica, segundo os autores, a implementação segue a formulação, considerando que não se pode implementar algo antes do planejamento. Ainda, segundo Hrebiniak (2008), essa interdependência entre formulação e implementação da estratégia sugere que a conexão entre os ‘planejadores’ e ‘executores’ melhore a probabilidade de sucesso da implementação.
Cocks (2010) expõe que o sucesso organizacional requer constante conexão entre a formulação da estratégia e sua implementação. O autor mostra através da Teoria dos Conjuntos o link necessário entre a formulação e execução da estratégia, conforme Figura abaixo.
Figura 2. Link da formulação da estratégia com a execução.
Fonte: Cocks (2010)
Assim, para Cocks (2010) a formulação da estratégia precisa ‘inputs’ do nível operacional para trazer ‘insights’ de confiança sobre as capacidades organizacionais e restrições de recursos. Ainda, segundo Hubbard et al. (1996 apud Cocks 2010), se o processo de planejamento estratégico é realizado apenas pela equipe executiva, o nível operacional não estará entusiasmado para implementar algo que eles não tiveram voz no desenvolvimento.
Por fim, Gandellini, Pezzi e Venanzi (2013, p.10) expõem que ‘a criação de estratégias eficazes conectam as pessoas em uma organização que formulam estratégias com as pessoas que implementam estratégias’. Para os autores, o desenvolvimento da estratégia é um pré- requisito para sua implementação, porém, na prática, a separação entre o ‘pensar’ e ‘agir’ é caracterizada pelo fato dos gerentes formularem a estratégia e os níveis mais baixos serem responsáveis pela sua implementação.
Existem trabalhos, envolvendo muitos métodos e escolas de pensamento sobre a formulação e desenvolvimento da estratégia. Entre os de maior destaque incluem-se as abordagens de posicionamento (associada a Michel Porter); visão baseada em recursos (resorce-based-view),
competências essenciais (core competencies), gestão baseada em valor (value-based management), lucro oriundo do núcleo (profit-from-the core), oceano azul (blue ocean), estratégia emergente (emergent estrategy), co-criação de experiências (experience cocreation) e inovação disruptiva (disruptive inovation) (KAPLAN e NORTON, 2008).
Para Kaplan e Norton (2008, p. 57), ‘não importa qual seja a metodologia, o resultado de qualquer ferramenta de formulação da estratégia é desenvolver um roteiro que diferencie a posição e as ofertas da empresa em relação às dos concorrentes, de modo a criar vantagem competitiva sustentável que gere desempenho financeiro superior’.
Destaca-se também às dez escolas de formulação da estratégia da obra Safári de Estratégia de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010), são elas: escola de design; escola do planejamento;
escola do posicionamento; escola empreendedora; escola cognitiva; escola de aprendizado;
escola de poder; escola cultural; escola ambiental e escola de configuração, apresentado no Quadro 3 (Escolas de formulação da estratégia).
Escolas Formulação de
Estratégia como: Estratégia como:
Prescritiv a
Escola do Design Processo de concepção Perspectiva planejada Escola do Planejamento Processo formal Planos (ou posições) decompostos Escola do Posicionamento Processo analítico Posições genéricas planejadas, também
manobras
Descritiva
Escola Empreendedora Processo visionário Perspectiva única (visão)
Escola Cognitiva Processo mental Perspectiva mental
Escola de Aprendizado Processo emergente Padrões aprendidos Escola do Poder Processo de negociação Posições e padrões cooperativos e
políticos, também manobras estratégicas Escola Cultural Processo coletivo Perspectiva coletiva
Escola Ambiental Processo reativo Posições genéricas específicas (nichos) Escola de Configuração Processo de transformação Quaisquer das anteriores, em contexto.
Quadro 3. Escolas de formulação da estratégia
Fonte: Adaptado de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010).
As escolas: do design, planejamento e posicionamento, surgiram a partir dos anos 70 e 80, são de natureza prescritiva, ou seja, estão mais preocupadas com a formulação da estratégia. A escola de design é vista pelos autores como a mais influente do processo de formulação da estratégia, a qual inicia por uma avaliação externa (ameaças e oportunidades) e interna (forças e fraquezas), buscando um alinhamento entre organização e ambiente para implementação da estratégia. A escola de planejamento tem como premissas: o planejamento formal; o executivo principal é o responsável por esse processo e as estratégias surgem deste processo.
No entanto, apresentam-se três avanços recentes nessa abordagem: Planejamento de Cenários;
opções reais (equivalente administrativo da teoria das opções em finanças) e controle estratégico. A escola de posicionamento enfatizou a importância do conteúdo das estratégias.
Suas premissas são: as estratégias são identificáveis no mercado; o mercado é econômico e competitivo; formulação de estratégias a partir da seleção das posições genéricas; papel importante dos analistas e a estrutura do mercado dirigem as estratégias (MINTZBERG, AHLSTRAND e LAMPEL, 2010).
Já as escolas: empreendedora, cognitiva, aprendizado, do poder, cultural e ambiental, evoluíram a partir dos anos 90, tornando o campo mais eclético, as quais tem focado sua atenção com a descrição e buscam entender como as estratégias são formuladas. A escola empreendedora formula suas estratégias a partir da experiência e intuição do líder, caracterizando desta forma uma visão estratégica e organização maleável. A escola cognitiva busca sondar a mente do estrategista, uma vez que a formulação da estratégia ocorre na mente deste. Já na escola de aprendizado, a formulação da estratégia precisa assumir a forma de um processo de aprendizado com o tempo, na qual, formulação e implementação não sejam separadas. Na escola de poder a formulação da estratégia é influenciada pelo poder e política de acordo com determinados interesses. Ressalta-se que as estratégias resultantes deste processo tendem a ser emergentes. A escola cultural caracteriza a formulação da estratégia como sendo um processo de interação social enraizado na força social da cultura, promovendo mudanças de posição dentro da perspectiva estratégica global da organização. Na escola ambiental o ambiente é o agente principal para formulação das estratégias e a organização é considerada passiva frente às ações do ambiente externo. Ao longo do tempo, a liderança torna-se incapaz de influenciar o desempenho da organização. Por fim, a escola de configuração se distingue por seu caráter abrangente, a qual combina todas as premissas apresentadas pelas escolas anteriores, cada uma em um contexto bem definido (MINTZBERG, AHLSTRAND e LAMPEL, 2010).
Desta forma, os autores concluem que a formulação da estratégia deve combinar os aspectos das dez escolas, tendo em vista que todas olham para o mesmo processo, porém, cada uma do seu jeito. Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2010, p.355), ‘a formulação de estratégia é um espaço complexo’, sendo assim, é preciso levar em consideração a avaliação do ambiente interno e externo, o controle estratégico e conteúdo da estratégia, a intuição do líder e a mente do estrategista, o aprendizado emergente, a negociação e a interação social, a fim de dar
resposta ao ambiente exigente. Assim, as melhores estratégias podem ser aquelas que combinam os diversos aspectos, não levando em consideração um único ponto de vista.
A seguir, apresentam-se os temas ‘alinhamento’ e ‘implementação da estratégia’, os quais estão inter-relacionados com a formulação da estratégia. Destaca-se que em função de alguns modelos apresentados serem chamados de modelos de implementação e alinhamento e por haver uma abordagem do ‘alinhamento’ dentro do item ‘implementação da estratégia’, nesta tese, optou-se em apresentar primeiro o ‘alinhamento’ e em seguida a ‘implementação da estratégia’, a fim de facilitar o entendimento para o leitor.