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FORMA DOS ATOS NOTARIAIS

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 43-47)

CAPÍTULO 2...................................................................................... 22

2.2 FORMA DOS ATOS NOTARIAIS

que expeçam nessa condição, correspondendo a especial confiança atribuída por lei ao que estes declarem ou procedam, no exercício da função, com presunção urbi et orbi (na cidade e no universo, em todo o lugar).

Ainda para a fé pública, encontramos disposição no CNCGJ/SC, no art. 519: “Os notários e registradores são dotados de fé pública, razão pela qual devem pautar-se pela correção em seu exercício profissional, a fim de garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos em que intervém.”

partes para o instrumento, revestindo as declarações de forma instrumental”.

Ainda de acordo com Ricardo Guimarães Kollet43,

As formas: maneira pela qual a vontade se manifesta, são essenciais para a existência dos atos jurídicos, servindo também como meio de prova dos mesmos. Em geral a forma é livre, conforme prevê o artigo 107 do Código Civil Brasileiro podendo, entretanto, a lei exigir que certos atos revistam-se de formas especiais por ela determinados. Diante destas constatações, sucintamente, podemos classifica-las em:

Não Solenes

São exatamente as formas livres, ou seja, quando a lei não estabelece que as declarações de vontade devam revestir-se de forma especial (Art. 107 – CC/2002). Geralmente as manifestações de vontade não solenes são formalizadas através de palavras, gestos, sinais mímicos, ou comportamentos voluntários que denotam manifestação inclusive o próprio silêncio.

Solenes

Dizem-se formais ou solenes os atos que requerem determinada forma, fixada por lei (art.108, CC/2002) ou pela vontade das partes (art. 109, CC/2002), sem o qual a eficácia do ato fica comprometida. Dentre as formas solenes podemos destacar:

b1) Escritos particulares – são os escritos feitos e assinados pela parte ou partes que provam as obrigações convencionais de qualquer calor (art. 221, CC). Observe-se que contrariamente ao que dispunha o Código Civil de 1916

43 KOLLET, Ricardo Guimarães. Tabelionato de Notas para Concursos. 2003. Norton Livreiro.

Porto Alegre. P. 27.

(art.135) o documento particular, para produzir efeito entre as partes, não mais necessita de assinatura de testemunhas.

b2) Escrituras públicas notariais – são os atos onde há intervenção de um oficial público (delegado notarial) o qual transpõe a vontade dos agentes para o documento público, mediante a verificação da sua adequação ao ordenamento jurídico. Este documento gera presunção de veracidade fazendo prova plena de seu conteúdo (art. 215, CC/2002). A lei determina que certos atos, para terem eficácia, devem revestir a forma pública, a exemplo dos artigos 108, 1.640, parágrafo único e 1.864, inciso I.

b3) Documentos públicos – podemos enquadrar nesta categoria os atos administrativos ditos enunciativos, emanados dos agentes públicos, diretos ou indiretos que no exercício da função expedem documentos os quais, devido a sua proveniência, são considerados públicos sem, entretanto, se confundirem com os notariais. (e.x., atestado médico de óbito, certidão de tempo de serviço).

O artigo 108 (antes citado), do Código Civil encerra a regra geral da forma instrumentária essencial à validade dos negócios imobiliários, ao dizer: "Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.

Para Valestan Milhomem da Costa44:

Dita norma tem grande relevância no campo dos negócios jurídicos imobiliários, exigindo indivisa atenção dos profissionais do direito, sobretudo daqueles que mourejam nas

44 COSTA, Valestan Milhomem da. A indispensabilidade da escritura pública na essência do art.

108 do Código Civil. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 1181, 25/09/2006. Disponível em:

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8964>. Acesso em: 24 out. 2006.

atividades notariais e registrais, pois baliza forma indispensável à produção dos efeitos pretendidos sempre que o negócio se referir aos direitos reais sobre imóveis, onde a regra é a escritura pública, excetuando-se os casos previstos em lei especial - sendo especial, não é aplicável a hipóteses não contempladas - e os casos em que o valor do imóvel não ultrapassar a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País.

Fora isso, nenhum negócio envolvendo direitos reais sobre imóveis pode ser realizado sem escritura pública, sob pena de ser tido como não realizado, por inobservância da forma prescrita em lei, essencial à validade do negócio, não podendo, inclusive, e a toda evidência, ser registrado no Cartório do Registro de Imóveis, por submissão ao princípio da legalidade.

Na lição de Márcia Elisa Comassetto Santos45, “Dentre as atribuições principais do notário, está a elaboração do instrumento público, conforme artigo 7°, incisos I, II e III da Lei n° 8.935/94. O notário toma conhecimento das informações das partes, especificamente da finalidade que as partes pretendem com a prática de determinado ato, e depois formaliza juridicamente esta vontade, através do instrumento público.”

Ainda para Márcia Elisa Comassetto Santos 46:

O instrumento público, portanto, por expressa disposição legal, é de autoria do tabelião. É uma função eminentemente técnica, através da qual o tabelião confere a forma jurídica ao ato solicitado pelas partes, sob sua exclusiva responsabilidade.

Vários dispositivos legais, hoje, trazem exceções à regra geral da exigência do instrumento público para a validade de atos

45 SANTOS. Macia Elisa Comassetto. Fundamentos tóricos e práticos das funções notarial e registral imobiliária. Porto Alegre: Norton Editor, 2004. p. 30.

46 SANTOS. Macia Elisa Comassetto. Fundamentos tóricos e práticos das funções notarial e registral imobiliária. Porto Alegre: Norton Editor, 2004. p. 30.

translativos, onerosos, modificativos ou extintivos da propriedade imobiliária, como o anteriormente citado artigo 108, do CC/2002, contratos do SFH (Lei n° 4.380), contratos do SFI (Lei n° 9.514), transmissão de imóveis através das certidões do Registro de Comércio, dentre outros.

O tabelião como autor do instrumento público não está vinculado a minutas apresentadas pelas partes, podendo dar a redação que entender melhor ao ato, sempre pressupondo, é claro, a autorização das partes. (...) Gimenez-Arnau citado por Cláudio Martins afirma que o instrumento produzido pelo notário tem a finalidade de provar fatos, solenizar ou dar forma a atos ou negócios jurídicos e assegurar a eficácia de seus efeitos.

Ainda Segundo Marcia Elisa Comassetto Santos47, “A elaboração do instrumento público deve atender a requisitos especiais...”.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 43-47)

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