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PARTILHA DE BENS ENTRE HERDEIROS MAIORES E CAPAZES 17

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 30-35)

CAPÍTULO 1........................................................................................ 4

1.2 PARTILHA DE BENS ENTRE HERDEIROS MAIORES E CAPAZES 17

Silvio de Salvo Venosa23, leciona no seguinte sentido:

Quando todos os herdeiros são maiores e capazes, apresentando eles o plano de partilha, assim será homologado, porque não há qualquer dissensão a ser discutida. Estar-se-á atendendo a um interesse comum. Havendo incapazes, a partilha dependerá sempre da deliberação do juiz, ainda que acolha esboço formulado pelos interessados.

Entende-se que sendo todos maiores e capazes, havendo acordo mediante a apresentação do plano de partilha, o juiz simplesmente homologa o acordo, por ser de interesse de todos. No caso de existirem menores e/ou incapazes, se faz necessário o procedimento judicial, uma vez que a oitiva do Ministério Público é indispensável.

Ainda segundo Silvio de Salvo Venosa24:

O Art. 2.026 (antigo, art. 1.774) exige que a partilha seja sempre judicial, se os herdeiros divergirem, assim como se algum deles for menor ou incapaz. Se havendo incapaz quando da morte, quando da partilha já for capaz, tal não impede a partilha amigável. O momento da prática do ato é que rege a capacidade. Quando da partilha judicial, já terão ocorrido as colações e o pagamento ou separação de bens, para garantir dívidas do espólio. Cabe ao partidor organizar o esboço da partilha, de acordo com orientação dada na deliberação do juiz (art. 1.023 do CPC, que fala em “decisão”).

23 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito das Sucessões, Volume VII, 4ª Ed. Atlas. São Paulo, p399.

24 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito das Sucessões, Volume VII, 4ª Ed. Atlas. São Paulo, p399.

Mesmo judicial a partilha, se o inventariante ou qualquer interessado apresentar plano aprovado por todos, torna-se desnecessária a intervenção do partidor. Na prática, ocorrem situações de difícil deslinde, quando as partes não chegam a um ponto comum. Lembre-se que, quando há incapazes, o Ministério Público obrigatoriamente deve opinar.

1.3 PLANO DE PARTILHA

Nas palavras da Professora Maria Helena Diniz25:

O Inventariante, uma vez nomeado, prestará compromisso, (RT, 490:87), e, dentro de 20 dias contados da data em que o prestou, deverá fazer as primeiras declarações (Ciência Jurídica, 64:126), que constituem a base do processo de divisão da herança, que serão reduzidas a termo, que, pelo Código de Processo Civil, art. 997, conterá:

I - o nome, estado, idade e domicílio do autor da herança, dia e lugar em que faleceu e bem ainda se deixou testamento, prova relativa ao seu nome, ao seu casamento ou a filiação e, ainda, dos herdeiros, porventura exigida pelo juiz;

II - o nome, estado, idade e residência dos herdeiros e, havendo cônjuge supérstite, o regime de bens do casamento;

III - a qualidade dos herdeiros e o grau de seu parentesco com o inventariado;

IV - a relação completa e individuada de todos os bens do espólio que estavam no domínio e posse do auctor successinis ao tempo de seu óbito, situados no Brasil ou no estrangeiro, e dos alheios que nele forem encontrados, designando seus proprietários, se conhecidos – tais bens, apesar de mencionados nas declarações preliminares, estão excluídos do inventário (AJ, 87:2821) – descrevendo-se:

25 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro, V6. 17 Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. p.

a) os imóveis, com as suas especificações, nomeadamente local em que se encontram, extensão da área, limites, confrontações, benfeitorias, origem dos títulos, números das transcrições aquisitivas e ônus que os gravam;

b) os móveis, com os sinais característicos;

c) os semoventes, seu número, espécies, marcas e sinais distintivos;

d) o dinheiro, as jóias, os objetos de ouro e prata, e as pedras preciosas, declarando-se-lhes especificadamente a qualidade, o peso e a importância;

e) os títulos da dívida pública, bem como as ações, cotas e títulos de sociedade, mencionando-se-lhes o número, o valor e a data;

f) as dívidas ativas e passivas, indicando-se-lhes as datas, títulos, origem da obrigação, bem como os nomes dos credores e dos devedores;

g) direitos e ações;

h) o valor corrente de cada um dos bens do espólio.

O Código de Processo Civil, no art. 993, parágrafo único, estatui que o magistrado determinará que se proceda:

I - ao balanço do estabelecimento, se o de cujus era comerciante em nome individual;

II - a apuração de haveres, se o autor da herança era sócio de sociedade que não anônima. (...)

Todas essas declarações do inventariante poderão ser prestadas por procurador com poderes especiais e serão acreditadas em juízo até prova em contrário.

Após as primeiras declarações, com a ouvida dos interessados, dissolvidas as questões argüidas, proceder-se-á a avaliação dos bens por perito nomeado do juiz, se não houver avaliador judicial na Comarca, nos termos do art. 1.003, do CPC.

Essa avaliação tem por escopo, como observa Caio Mário da Silva Pereira26:

perpetuar a estimativa da massa partível, pois quando concluída e aprovada servirá de base a todos os atos subseqüentes, como cálculo de imposto de transmissão causa mortis, partilha de bens, venda judicial ou adjudicação dos que se destinem ao pagamento das dívidas, ou não possam ser divididos comodamente.

A avaliação é, portanto, a determinação feita pelo avaliador do justo preço dos bens do espólio.

No entendimento do doutrinador José da Silva Pacheco27:

As Declarações de Bens no Inventário. As primeiras declarações relativamente aos bens. Deve o inventariante, nas primeiras declarações relacionar, completa e minuciosamente, todos os bens do espólio e dos alheios que nele forem encontrados. A descrição dos bens. Deve o inventariante descrever: a) os imóveis, com as suas especificações, nomeadamente local em que se encontram extensão da área, limites, confrontações benfeitorias, origem dos títulos, números das transcrições aquisitivas e ônus que os gravam; b) os móveis com os sinais característicos; c) os semoventes, seu número espécies, marcas e sinais distintivos; d) o dinheiro, as jóias, os objetos de ouro e prata, e as pedras preciosas,

26 PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil. v. 6. Rio de Janeiro: Forense, 2002.

27 PACHECO, José da Silva. Inventários e Partilhas na Sucessão Legítima e Testamentária.

P.437.

declarando-se-lhes especificadamente a qualidade, o peso e a importância; e) os títulos da dívida pública, bem como as ações, cotas e títulos de sociedade, mencionando-se-lhes o número, o valor e a data; as dívidas ativas e passivas indicando-se-lhes as datas, títulos, origem da obrigação, bem como os nomes dos credores e dos devedores; g) direitos e ações; h) o valor corrente de cada um dos bens do espólio.

Uma vez aceito o laudo, ou solucionadas as contestações levantadas ao seu respeito, lavrar-se-á o termo de últimas declarações, cujo inventariante, pode ainda, emendar, aditar, ou completar as primeiras, com informações que se fizerem necessárias.

Nelas, o inventariante poderá indicar e descrever: a) os bens anteriormente omitidos ou descritos de forma incompleta ou errada; b) os frutos e rendimentos apurados até essa data; c) os bens a serem separados para atendimento de impostos, custas ou dívidas.

Silvio de Salvo Venosa28 nos ensina desta forma:

O inventariante tem prazo de 20 dias, a partir da data de seu compromisso, para apresentar as primeiras declarações, lavrando-se termo circunstanciado. Trata-se de ato crucial do processo. Nessas declarações, descrever-se-ão o estado da herança, ativo e passivo, herdeiros e legatários, com todos os pormenores possíveis. Da descrição dos imóveis aí feita é que dependerá o sucesso do registro do formal de partilha ou da carta de adjudicação, assim como o recolhimento de tributos e atribuição dos bens na partilha.

Portando, as primeiras declarações são a chave do sucesso do inventário, uma vez que representa a descrição completa do ativo e passivo do espólio, os seus credores, herdeiros (legítimos e testamentários), legatários.

28 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito das Sucessões, Volume VII, 4ª Ed. Atlas. São Paulo, p.347.

INSTRUMENTO PÚBLICO

2.1 FÉ PÚBLICA

Para Julenildo Vasconcelos29: “O Estado, no desenvolvimento de sua atividade pluralista, como representante dogmático de povo, atribui constitucionalmente a determinados cidadãos, o direito de determinadas tarefas, e eles contribuem para a paz social que todo Estado de Direito Democrático procura.” Chamam-se Oficial Registrador Público, o Escrivão, o Notário, o Serventuário da Justiça, o Oficial de Justiça, entre outros.

A conclusão do Tabelião de Notas de Campos do Jordão em São Paulo, Julenildo Vasconcelos30 é sucinta nesse sentido:

(...) a fé pública atribuída a essas pessoas o foi em decorrência de um mandamento legal, em cumprimento de algumas e sérias formalidades, bem como de especificidades naturais que regram o acolhimento do indivíduo como representante formal desse Estado para determinado labor. Especificamente essa crença atribuída, por exemplo, ao Notário, é a mesma que o Estado recebeu de seu povo, mas restrita a garantir e certificar uma segurança nas relações sociais (atos jurídicos) que todos desejam como princípio de justeza e certeza daquilo quanto ao efetivamente ajustado, escriturado e trasladado. A fé pública nesta conjuntura individualizada na figura do notário é uma das mais amplas já conhecidas, pois ao detentor dessa atribuição cabe a expressão da verdade, ou seja, vige a crença popular

29 VASCONCELOS, Julenildo Nunes. Direito Notarial – Teoria e Prática. 1ª Ed, 2000. Ed. Juarez de Oliveira, p. 1.

30 VASCONCELOS, Julenildo Nunes. Direito Notarial – Teoria e Prática. 1ª Ed, 2000. Ed. Juarez de Oliveira, p. 1.

de ser correto e autêntico em tudo aquilo que dita e escreve, salvo incontestável prova em contrário, já que a sociedade não pode ser traída em nenhuma hipótese. (...) Assim ele é depositário da fé pública.

A fé pública é a prerrogativa atribuída a certas pessoas, legitimadas para tal ato, que conferem a expressão da verdade, naquilo a que são questionados, ou para os atos que praticam. Pressupõe, a idéia de que o que lhe foi apresentado, está revestido das formalidades legais, e/ou características extrínsecas para a validação ao ato jurídico que se pretende formar. Mas que garante o contraditório. A essa característica, assiste o mesmo poder de uma lei, frente ao que alegam, ou declaram os particulares em suas relações.

Roberto J. Pugliese31 discorre sobre o tema:

A idéia de fé tem como notas características a sinceridade de quem afirma e a adesão confiante do espírito de quem recebe a afirmação. O ato jurídico com a fé pública se tem POR AUTÊNTICO, palavra derivada do grego que significa: CERTO – VERDADEIRO o que há de ser crido, o que é fidedigno;

portanto, afirma-se a sua certeza como se presente fosse, ao ditar a lei, o preceito, a sentença, na celebração do ato ou do contrato (...) Fé pública é pois a necessidade que o direito, na sua realização, tem de impor ao corpo social a crença de verdadeiros, atos que especifica em sua forma e modo. Trata- se de dogma jurídico, pois prevalece enquanto não provado o contrário, impondo a sociedade o dever de crer na legalidade, legitimidade, fidedignidade et allis. Fé pública é a crença na sociedade. A crença imposta pelo direito.

31 PUGLIESE, Roberto J. Direito Notarial Brasileiro. 1989. São Paulo. Ed. Leud. P.71

Para Ricardo Guimarães Kollet32

Fé pública é uma qualidade de ordem pública que, mediante a intervenção do oficial público, concede a certos documentos o caráter de autênticos e eficazes (MUSTAPICH).

Leonardo Brandelli33 define o caráter público da função, senão vejamos:

Função Pública é aquela atividade própria e característica do Estado, pela razão de que a comunidade está interessada de maneira direta em sua organização e em seu cumprimento regular e contínuo. É aquela função que, devido a sua importância para a coletividade, a todos interessa diretamente tê-la prestada de forma eficiente e contínua, sendo ela, pois exercida sob o manto estatal, que visa a garanti-la.

Fé pública é então, a expressão da verdade. É a qualidade de verdade pelo que afirmam e atestam. É a presunção legítima, e originária do poder de atestar a autenticidade do que se está sendo dito, ou escrito, salvo incontestável prova em contrário.

2.1.1 Fé Pública Notarial

A Fé Pública Notarial é descrita sinteticamente por Leonardo Brandelli34:

32 KOLLET, Ricardo Guimarães. Tabelionato de Notas para Concursos. 2003. Norton Livreiro.

Porto Alegre. P. 23.

33 BRANDELLI, Leonardo. Teoria Geral do Direito Notarial. Porto Alegre. Livraria do Advogado, 1998. p. 131.

A função a cargo do notário é pública, posto que, embora ela seja exercida sobre direitos provados, atende a um interesse da coletividade traduzido pela necessidade de afirmar a soberania do direito garantindo a legalidade e a prova dotada de fé sobre os atos e fatos que são erigidos pelas relações privadas. Ao Estado cumpre tal mister, porém, este o exerce através da instituição notarial.

Leciona vastamente sobre o assunto o Tabelião Julenildo Nunes Vasconcelos35:

Enquanto depositários da fé pública, os notários exercem uma função que não pode quedar-se alheia aos preceitos de liberdade, justiça, segurança jurídica, igualdade e demais valores institucionalizados. Dentre as exigências que a sociedade impõe, tanto no momento da criação de uma norma ou da validação de atos jurídicos, como em seu desenvolvimento e aplicação, sobressai, como se afirmou a segurança jurídica. Sem dúvida, esta aspiração constitui-se num dos fundamentos da forma das normas quanto às ações individuais, visando a uma legalidade perante os cartórios, cujos pressupostos, requisitos e efeitos tendem, entre outros afins, à garantia e à certeza dessas relações. Entre as normas destaca-se, de maneira intensiva e mesmo decisiva, a finalidade que o corpo social e a lei atribuem aos providos de fé pública.

O âmbito do desenvolvimento da fé pública é tão amplo como o das relações jurídicas, que se refere a toda atividade humana, razão pela qual há distintas formas, a geral e especial, a judicial e administrativa, a extrajudicial, tendo esta última, como depositário dominante, o Notário, embora existam outras pessoas que desempenham a fé pública em atividade notarial, como por exemplo, os Cônsules, os militares, entre outros. Esta diversidade não é obstáculo para afirmar que todos os tipos

34 BRANDELLI, Leonardo. Teoria Geral do Direito Notarial. Porto Alegre. Livraria do Advogado, 1998. p. 132.

35 VASCONCELOS, Julenildo Nunes. Direito Notarial – Teoria e Prática. 1ª Ed, 2000. Ed. Juarez de Oliveira, p. 1.

respondem a um conceito e finalidade idênticos. São manifestações de fé pública que procuram dotar as relações jurídicas de certeza e estabilidade, de autenticidade e indiscutibilidade.

No entanto, a fé pública não tem apenas o significado de representação exata e correta da realidade, de certeza ideológica, mas também um sentido jurídico, ou seja, evidência e força probante atribuída pelo ordenamento quanto à intervenção do oficial público em determinados atos ou documentos.

Os oficiais, especialmente os Notários, possuem atuação, a serviço da justiça, de equilíbrio, e tem como finalidade a exclusão de futuro litígio, entre as partes, sem ser um mero colaborador instrumental, na preparação de processos. Este é na verdade um verdadeiro consultor jurídico das partes, na formação e exteriorização da vontade juridicamente válida e possível.

Para o nosso Professor Willian Garcia de Souza36:

O notário no desenvolvimento de sua função e no cumprimento das tarefas que lhes são atribuídas pelo Estado, através de representação delegada, necessita garantir e certificar uma segurança nos atos jurídicos que pratica. Esta segurança jurídica é uma exigência da própria sociedade, que necessita de estabilidade em suas relações.

A participação destes profissionais nos atos que pratica são marcantes e plenas de responsabilidades, uma vez que suas atividades estão perfeitamente estribadas em ditames legais, isentas de quaisquer dúvidas, até prova em contrário.

36 SOUZA, Wilian Garcia de. Escritura Pública de Compra e Venda, Aspectos Práticos e Doutrinários. São Paulo: Forense, 2007 (no prelo).

A principal característica da função notarial é a conferência da fé-pública nos atos que pratica, documentando a vida social das partes, prestando serviço fundamental a serviço da justiça, conferindo a segurança jurídica que rege as relações negociais.

2.1.1.1 Da Natureza da Fé Pública Notarial

Vai mais além o entendimento do Tabelião Julenildo Vasconcelos37:

Por sua própria natureza, a fé pública é uma instituição jurídico- pública, tendo necessariamente um “sinal público” autorizado pelo Estado, de modo que o qualificativo de público compreende a “fé”, significando que o notário é uma autoridade da sociedade nesse setor, vindo a garantir a certeza e autenticidade naquilo que exara.

A fé pública exarada pelo notário, nos atos que pratica, é dotada de fé pública, e faz prova plena, nos termos do artigo 215 do Código Civil brasileiro. Goza, portanto, de presunção legal de autenticidade.

Marcia Elisa Comassetto dos Santos38 é taxativa:

Presumem-se autênticos os atos emanados do tabelião;

embora esta presunção seja relativa (juris tantum) em nosso sistema brasileiro, admitindo prova em contrário, faz com que

37 VASCONCELOS, Julenildo Nunes. Direito Notarial – Teoria e Prática. 1ª Ed, 2000. Ed. Juarez de Oliveira, p. 2.

38 SANTOS. Macia Elisa Comassetto. Fundamentos tóricos e práticos das funções notarial e registral imobiliária. Porto Alegre: Norton Editor, 2004. p. 36.

aquele que tem em suas mãos um instrumento lavrado pelo tabelião, tenha a presunção de autenticidade em seu favor. Fé pública notarial é, portanto, a autonomia que exercem os notários, para que a requerimento das partes, e revestido de algumas formalidades legais, assegure a verdade de fatos e atos jurídicos que lhe sejam apresentados, com a presunção legítima para as suas afirmações e testemunhos, de serem tidos por verdadeiros, até que prova inconteste a repute falsa.

Portanto, a fé pública não provém do Estado, mas de um atributo da qualidade do profissional do notário. Assim expõe Márcia Elisa Comassetto Santos39:

A fé pública é atribuída constitucionalmente ao Notário, que atua como representante do Estado na sua atividade profissional. A fé pública é atribuída por lei e "afirma a certeza e a verdade dos assentamentos que o notário e oficial de registro pratiquem e das certidões que expeçam nessa condição”, com as qualidades referidas no art. 1° da Lei n. 8.935/94 (publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos).

A Lei n° 8.935/94, que regulamenta o artigo 236, da CRFB/88, prevê:

Art. 3º Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro.

39 SANTOS. Macia Elisa Comassetto. Fundamentos tóricos e práticos das funções notarial e registral imobiliária. Porto Alegre: Norton Editor, 2004. p. 36.

Percebem-se, na fé pública três categorias distintas, a fé pública administrativa, que tem por função certificar atos da administração pública; a fé pública judicial, envolvendo procedimentos judiciais, na área puramente litigiosa; e a fé pública notarial, inerente à função dos notários.

Segundo Walter Ceneviva40:

A fé pública notarial, "corresponde à especial confiança atribuída por lei ao que o delegado declare ou faça, no exercício da função, com presunção de verdade; afirma a eficácia de negócio jurídico ajustado com base no declarado ou praticado pelo registrador e pelo notário.

A lei atribui aos Notários e Registradores a fé pública, mas por outro lado impõe um regime severo de responsabilidades civis, administrativas e criminais, apurados mediante fiscalização do Judiciário. A fé pública é inerente à função notarial, dela sendo indissociável.

A fé pública além de exigir pessoa autorizada a praticar a função notarial, requer o atendimento aos requisitos formais exigidos em cada ato notarial, para que seja assegurada.

O serviço prestado pelos notários, tendo a finalidade de segurança jurídica de seus atos, se perfaz através de sua fé pública, como forma de dar eficácia à vontade das partes, que buscam uma maneira mais ágil e eficaz de justiça, de forma a prevenir a instauração de um processo judicial, para garantir a tutela de seus direitos subjetivos.

A fé pública, afirma a certeza, e a verdade dos atos e registros que o Notário e o Registrador Público pratiquem, e das certidões

40 CENEVIVA, Walter. Lei dos notários e registradores comentada (Lei n. 8.935/94). 4. ed. ver.

Ampl. e atual. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 30.

que expeçam nessa condição, correspondendo a especial confiança atribuída por lei ao que estes declarem ou procedam, no exercício da função, com presunção urbi et orbi (na cidade e no universo, em todo o lugar).

Ainda para a fé pública, encontramos disposição no CNCGJ/SC, no art. 519: “Os notários e registradores são dotados de fé pública, razão pela qual devem pautar-se pela correção em seu exercício profissional, a fim de garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos em que intervém.”

2.2 FORMA DOS ATOS NOTARIAIS

A forma pública dos atos notariais é essencial a sua formalização, estando revestida de juridicidade, ou seja, adequada às normas de direito. Para Walter Ceneviva41 “os atos notariais devem ser praticados por profissionais habilitados, em livros próprios, sempre de modo a preservar a intenção e a verdade da manifestação neles contida.”

A inobservância do requisito formal dos atos notariais pode gerar a nulidade, em casos como a lavratura de testamento público, do pacto antenupcial, e a anulabilidade conforme o caso.

Para Ricardo Guimarães Kollet42, “o notário, ao qualificar determinado ato jurídico, se orienta no sentido de proceder à documentação do mesmo, transpondo a manifestação de vontade das

41 CENEVIVA, Walter. Lei dos notários e registradores comentada (Lei n. 8.935/94). 4. ed. ver.

Ampl. e atual. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 31.

42 KOLLET, Ricardo Guimarães. Tabelionato de Notas para Concursos. 2003. Norton Livreiro.

Porto Alegre. P. 27.

partes para o instrumento, revestindo as declarações de forma instrumental”.

Ainda de acordo com Ricardo Guimarães Kollet43,

As formas: maneira pela qual a vontade se manifesta, são essenciais para a existência dos atos jurídicos, servindo também como meio de prova dos mesmos. Em geral a forma é livre, conforme prevê o artigo 107 do Código Civil Brasileiro podendo, entretanto, a lei exigir que certos atos revistam-se de formas especiais por ela determinados. Diante destas constatações, sucintamente, podemos classifica-las em:

Não Solenes

São exatamente as formas livres, ou seja, quando a lei não estabelece que as declarações de vontade devam revestir-se de forma especial (Art. 107 – CC/2002). Geralmente as manifestações de vontade não solenes são formalizadas através de palavras, gestos, sinais mímicos, ou comportamentos voluntários que denotam manifestação inclusive o próprio silêncio.

Solenes

Dizem-se formais ou solenes os atos que requerem determinada forma, fixada por lei (art.108, CC/2002) ou pela vontade das partes (art. 109, CC/2002), sem o qual a eficácia do ato fica comprometida. Dentre as formas solenes podemos destacar:

b1) Escritos particulares – são os escritos feitos e assinados pela parte ou partes que provam as obrigações convencionais de qualquer calor (art. 221, CC). Observe-se que contrariamente ao que dispunha o Código Civil de 1916

43 KOLLET, Ricardo Guimarães. Tabelionato de Notas para Concursos. 2003. Norton Livreiro.

Porto Alegre. P. 27.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 30-35)

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