Grande parte dos doutrinadores detém o empregado, como sendo a parte fragilizada da relação de trabalho. Sendo assim, os homens se unem para enfrentar essas dificuldades.
Por conta dessa eterna submissão aos mandos e desmandos do patrão é que começaram a surgir em nosso país pequenas organizações de operários que buscavam melhorias nas condições
176 PALERMO, Carlos Eduardo de Castro. A função social da empresa e o novo Código Civil.
Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3763> Acesso em: 22 abr. 2010.
177BODNAR, Zenildo. A responsabilidade tributária do
sócio administrador. Curitiba: Juruá, 2005, p. 172.
de trabalho. Esse era o embrião daquilo que é hoje conhecido como sindicato178.
Superados todos os percalços históricos e com a atual CRFB/88, o sindicato ganhou seu espaço com a respectiva previsão legal: incomum.
A lei maior prevê requisitos genéricos para a criação de sindicatos de trabalhadores cujo propósito deve ser o de representar as diversas classes trabalhadoras. Além disso, é importante destacar que a lei maior também assegura a liberdade de associação do empregado que somente será filiado ao sindicato de sua categoria se quiser.179 Neste Norte, Sergio Pinto Martins180 entende que o sindicato tem a “função de representação, de representar a categoria ou seus membros em juízo ou extrajudicialmente”. O sindicato tem a função de regulamentação das normas coletivas nas convenções e acordos coletivos de trabalho. Recebem receitas para a manutenção de suas atividades.
A principal função (e prerrogativa) dos sindicatos é a de representação, no sentido amplo, de suas bases trabalhistas. "O sindicato organiza- se para falar e agir em nome de sua categoria; para defender seus interesses no plano da relação de trabalho e, até mesmo, em plano social mais largo181”.
Henrique Macedo Hinz182 destaca que:
O art. 513, d, da CLT, ao atribuir ao sindicato o papel de colaborador com o Estado no estudo e solução de problemas relacionados com a categoria que representa, demonstra encontrar-se, ainda, o sindicalismo brasileiro fundado na concepção corporativa de Estado, em que se busca a supressão dos conflitos entre o capital e o trabalho, bem como a colaboração entre os interlocutores sociais e o Estado, com vistas no progresso da nação.
178 SANTIAGO, Leonardo. Função social do sindicato. Disponível em:
<http://buenoecostanze.adv.br/index.php?option=com_content&task=view&id=5658&Itemid=27>
Acesso em: 26 fev. 2010.
179 SANTIAGO, Leonardo. Função social do sindicato. Disponível em:
<http://buenoecostanze.adv.br/index.php?option=com_content&task=view&id=5658&Itemid=27>
Acesso em: 26 fev. 2010.
180 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 695.
181 GRÜNWALD, Marcelo Ricardo. Prerrogativas e poderes sindicais. relação jurídica interna.
proteção do trabalhador sindicalizado na empresa e controle contra discriminação anti-sindicais.
Disponível em:
<http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/view/23593> Acesso em: 22 mar.
2010.
182 HINZ, Henrique Macedo. Direito coletivo do trabalho. p. 1.
A sindicalização é facultada aos que exercem uma atividade profissional. Os sindicatos profissionais detêm a defesa dos interesses econômicos, industriais e agrícolas, formados por pessoas que exerçam a mesma profissão, ofícios similares ou profissões conexas.
Ao sindicato devem ser garantidos os meios para o desenvolvimento da sua ação destinada a atingir os fins para os quais foi constituído.
De nada adiantaria a lei garantir a existência de sindicatos e negar os meios para os quais as suas funções pudessem ser cumpridas. 183 Sergio Pinto Martins184 observa que “(...) A Justiça do Trabalho será competente para analisar questão relativa a contribuições sindicais, como na hipótese em que o sindicato pretende cobrar de empregador a contribuição ou discutir a base territorial”.
O mesmo autor185 informa que as funções do sindicato se dividem em Função de representação, Função negocial e Função econômica:
Função de representação é assegurada na alínea a do art. 513 da CLT, em que se verifica a prerrogativa do sindicato de representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses da categoria ou os interesses individuais dos associados relativos à atividade ou profissão exercida. (...) Função negocial do sindicato é a que se observa na prática das convenções e acordos coletivos de trabalho O sindicato participa das negociações coletivas que irão culminar com a concretização de normas coletivas (acordos ou convenções coletivas de trabalho), a serem aplicadas à categoria.
(...) O art. 564 da CLT veda, entretanto, ao sindicato, direta ou indiretamente, o exercício de atividade econômica. (...) Os arts. 578 a 610 da CLT versaram de maneira sistematizada sobre a contribuição sindical. (...) Pretendeu-se extinguir a contribuição sindical por meio das Medidas Provisórias n° 236, 258 e 275/90, que n ão foram convertidas em lei. O Congresso Nacional apresentou um Projeto de Lei de Conversão, de n° 58/90, estabelecendo a exti nção gradativa da contribuição em comentário, em cinco anos. Esse projeto de lei foi aprovado pelo Congresso Nacional, porém foi vetado pelo Presidente da República, estando ainda em vigor os arts. 578 a 610 da CLT.
183 GRÜNWALD, Marcelo Ricardo. Prerrogativas e poderes sindicais. relação jurídica interna.
proteção do trabalhador sindicalizado na empresa e controle contra discriminação anti-sindicais Disponível em:<http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/view/23593>
Acesso em: 22 mar. 2010.
184 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense, modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 27. ed. atual. até 31 de dezembro de 2007. São Paulo: Atlas, 2007. p. 115
185 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 723.
O sindicato possui como função social, defender seus associados perante os empregadores. O sindicato deve ser criado em obediência às normas vigentes e principalmente possuir e cumprir o objetivo de sua criação.
Desta forma, a função social do sindicato é representar o empregado diante do empregador nas convenções e acordos coletivos de trabalho de maneira a produzir uma melhor negociação entre as partes.
A pesquisa tem por objetivo a “Função Social do Sindicato na Atual Sociedade” com a função de representar a categoria ou seus membros em juízo ou extrajudicialmente, os objetivos foram: institucional, produzir uma monografia para obtenção do grau de bacharel em Direito, pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI; geral, discorrer sobre aspectos gerais do sindicato, bem como fundamentos da organização sindical, para entendimento das práticas antissindicais; específicos: demonstrar a sociedade a real função social dos sindicatos, e, as ocorrências das práticas antissindicais.
Para tanto o trabalho foi dividido em três capítulos, sendo que o primeiro tratou dos aspectos gerais do sindicato, abordou o surgimento e a evolução histórica durante a revolução de 1930, que ocorreu com a união de trabalhadores formando associações de trabalhadores. Neste contexto, conceituando sindicatos como sendo a associação de pessoas físicas ou jurídicas visando a defesa dos interesses coletivos e individuais da sua categoria, e, os princípios aplicáveis aos sindicatos, como o da razoabilidade esclarece que o ser humano deve proceder conforme a razão, proteção que trata da superioridade econômica do empregador em relação ao empregado, da irrenunciabilidade, os direitos dos trabalhadores são irrenunciáveis, entre outros.
Ademais, a natureza jurídica sendo à base de estudo sobre sindicatos, pois trata da associação privada de caráter coletivo, com funções de defesa dos interesses profissionais e econômicos de seu representados. Registro e criação dos sindicatos que incumbe ao Ministério do Trabalho proceder ao registro das entidades sindicais. A Constituição de 1988 atribuiu a empregados e empregadores a possibilidade de criar entidades sindicais. Além disso, a unicidade sindical, pois impõe que não é permitida a criação de mais de uma organização sindical na mesma base territorial, e não poderá ser inferior a área de um município.
O segundo capítulo, por sua vez, relatou sobre a organização internacional do trabalho que surge com a Revolução Industrial, em consideração as condições de trabalho e higiene dos trabalhadores, ainda, a estrutura da OIT, única
agência do sistema das Nações Unidas com uma estrutura tripartite, ou seja, participam em situação de igualdade representantes do governo, de empregadores e trabalhadores.
Deste modo, apontaram-se as convenções da OIT, tendo como principais a Convenção de no 87, assegura a liberdade sindical em relação aos poderes públicos, e a de no 98, objetiva proteger os direitos sindicais dos trabalhadores frente aos empregadores e respectivas organizações, assegura a independência das associações sindicais de trabalhadores em face às de empregadores, e vice-versa. Para finalizar, a liberdade sindical que compreende o direito de ingressar e retirar-se dos sindicatos, trabalhadores e empregadores podem se organizarem livremente, sem que sofram interferência ou intervenção do Estado.
E o terceiro e último capítulo, verificou-se as garantias e estabilidade do dirigente sindical que nasce com o registro da candidatura do empregado ao cargo de direção ou representação sindical. Diante disto, as práticas antissindicais, que ocorre quando os atos prejudicam indevidamente um titular de direitos sindicais no exercício da atividade sindical ou por causa desta ou aqueles atos mediante os quais lhe são negadas, prerrogativas necessárias ao normal desempenho da ação coletiva.
Além disso, a função social do direito, que é promover o bem comum, entregar a quem seja titular aquilo que já o era na ordem natural das coisas e dos acontecimentos, ou seja, devem atender aos fins descritos em seu conteúdo.
Já a função social da pessoa jurídica, atende as prerrogativas de preocupação com a sociedade, meio ambiente, questões tributárias e emprego. Desta maneira, tornando-se base de estudo para a função social do sindicato.
Concluindo o terceiro capítulo com a função social do sindicato elencada no artigo 8o da CRFB/88, que é a de representação, no sentido amplo, para defender os interesses no plano da relação de trabalho, e, até mesmo, no plano social. Tem a função de regulamentação das normas coletivas nas convenções e acordos coletivos de trabalho.
Por fim, retomam-se as três hipóteses básicas da pesquisa e que assim foram alcançadas: a) restou confirmada. Está disposto no artigo 8o da CRFB/88 quanto à unicidade sindical, que consiste na possibilidade de criação de apenas um sindicato para cada categoria profissional ou econômica na mesma base territorial. b) está parcialmente confirmada. A liberdade sindical é direito dos trabalhadores e empregadores se organizarem e constituírem agremiações. Significa que o sindicato pode ser constituído livremente, sem autorização, sem constrangimento e adquirir, de plano, direito, personalidade jurídica, vedadas ao Poder Público à interferência e a intervenção na organização sindical. c) restou confirmada. É uma prerrogativa importante dos sindicatos, pela qual, lhes cabe representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal, ou os interesses individuais dos associados e, especialmente, celebrar convenções coletivas de trabalho. Dispõe o artigo 8o, VI da CRFB/88 que é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.
Pode-se concluir que o tema tem muito a ser discutido, pois a função social do sindicato é de representar o empregado diante do empregador, o que deve respeitar a Constituição Federal, para que não ocorram as práticas antissindicais. Há necessidade de mais pesquisa, análise, sugestões e debates que visem o aperfeiçoamento da função social do sindicato e a trabalhos que diminuam ou eliminem as práticas antissindicais que vem ocorrendo.
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