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lhe assegura a estabilidade, visto que inaplicável a regra do § 3º do art. 543 da Consolidação das Leis do Trabalho. (ex-OJ nº 35 - Inserida em 14.03.1994)136.

Conforme Sergio Pinto Martins137 é essencial que seja realizada a comunicação formal do registro da candidatura do dirigente sindical para o empregador:

A comunicação do sindicato à empresa, quanto ao registro da candidatura do empregado ao cargo de dirigente sindical, é imprescindível para a validade do ato jurídico, que tem de atender a forma prescrita em lei (art. 104 do CC). Ao contrário, se descumprida a formalidade que prevê a comunicação, fica prejudicado o direito à garantia de emprego. (...) O ato jurídico só se completará quando todas as finalidades jurídicas e formalidades legais forem observadas, para os fins que menciona o § 5° do art . 543 da CLT, ou seja, com a comunicação do empregador.

Desta forma, a CRFB/88 e a CLT tem por objetivo a proteção aos dirigentes sindicais, tornando efetivo o exercício da liberdade sindical, a par das garantias ao dirigente, no interior da empresa e publicações relativas à matéria sindical.

Ademais, Mauro Cappelletti139 estabelece que “(...) O esforço de criar sociedades mais justas e igualitárias centrou as atenções sobre as pessoas comuns (...)”.

Os movimentos sociais se organizaram e os sindicatos ocuparam um importante lugar nas lutas travadas pela redemocratização e por uma sociedade mais justa e igualitária. Foram alcançadas importantes conquistas, expressas principalmente na promulgação da CRFB/88, que ampliou e tornou claros os direitos do cidadão no espaço público.

Destarte, Valentim Carrion140 relata que “(...) O conflito coletivo se resolve pela repressão, pela solução administrativa, pela arbitragem, pela sentença normativa ou através de negociação”.

As Centrais sindicais explicam o significado de práticas anti- sindicais: “são chamadas de Práticas Antissindicais aquelas que, direta ou indiretamente, cerceiam, desvirtuam ou impedem a legítima ação sindical em defesa e promoção dos interesses dos trabalhadores"141.

O artigo 8° da CRFB/88 regulamenta a liberdade de a ssociação profissional ou sindical, a qual compreende além do direito de constituir sindicato, também o de nele ingressar ou dele retirar-se, e, ainda, o exercício das atividades sindicais.

Corroborando a explanação, segue abaixo arestos do Egrégio Tribunal Superior do Trabalho:

TERMO DE AJUSTE DE CONDUTA. ENTIDADE SINDICAL.

CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. CABIMENTO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Não há como se reconhecer cabimento de ação civil pública com o fim de que o Sindicato assegure oposição dos empregados perante a empresa, por ausência de previsão legal.

O direito à liberdade sindical, todavia, resta violado, quando o Sindicato adota conduta anti-sindical, impondo discriminação no tratamento entre empregados sindicalizados e não associados, não

139 CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso a justiça. tradução e revisão: Ellen Gracie Northfleet. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 1988. p. 91.

140 CARRION, Valentin. Comentários à consolidação das leis do trabalho. p. 471.

141 PETTA, Augusto César. Combate às práticas antissindicais Disponível em:

<http://www.diap.org.br/index.php/artigos/10537-com-as-pas-nao-ha-paz> Acesso em: 22 mar. 2010.

só pelo encaminhamento apenas de sindicalizados ao mercado de trabalho, como também pela diferenciação em percentuais de contribuição a serem pagos desses empregados. O conceito de conduta anti-sindical não está atrelada tão somente aos atos estatais que impedem o livre desenvolvimento das atividades do Sindicato, ou das empresas quando inibem a atuação do dirigente sindical.

Também está atrelada a conduta do próprio sindicato quando institui privilégio ou limitações em face do empregado ser ou não ser sindicalizado.

Recurso de revista conhecido e parcialmente provido. (TST. PROC:

RR - 318340/2002-030-02-40. PUBLICAÇÃO: DEJT - 05/02/2010. A C Ó R D Ã O 6ª Turma)142.

Cabe ressaltar, que para tornar efetivo o exercício deste direito, os ordenamentos jurídicos, proíbem os atos antissindicais. Como preleciona Alice Monteiro de Barros143 “(...) O principal valor a ser protegido aqui é a liberdade sindical, que está exposta a vários tipos de lesão, gerando inúmeros comportamentos suscetíveis de serem enquadrados como antissindicais”.

Neste limiar, Orlando Gomes144 compreende que:

Desde que investido de um mandato representativo da profissão, o mandatário deve poder cumprir o seu cargo, sem o receio de represálias do empregador. Esta foi sempre uma aspiração e uma reivindicação das classes trabalhistas. Desde cedo compreenderam que o representante, sem a segurança da conservação do seu emprego, não podia, com independência, exercer sua função.

Desta forma, Alice Monteiro de Barros145 aludindo Oscar Ermida Uriarte conceitua Conduta Antissindical:

O conceito de conduta antissindical é amplo e abrange os atos que prejudicam indevidamente um titular de direitos sindicais no exercício da atividade sindical ou por causa desta ou aqueles atos mediante os quais lhe são negadas, injustificadamente, as facilidades ou prerrogativas necessárias ao normal desempenho da ação coletiva.

Em conformidade com relato de Mauricio Delgado146 “Há, (...), sistemáticas de desestímulo a sindicalização e desgaste à atuação dos sindicatos

142 BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. Jurisprudência do TST. Disponível em:

< http://www.tst.gov.br/jurisprudencia/index_acordao.html> Acesso em: 21 abr. 2010.

143 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1291.

144 GOMES, Orlando e Elson Gottschalk. Curso de direito do trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 2005. p. 588.

145 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1291.

146 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 1308.

(denominadas de práticas anti-sindicais) que entram em claro choque com o principio da liberdade sindical”.

Sergio Pinto Martins147 informa que “os atos anti-sindicais eram considerados os de ingerência do empregador na organização dos trabalhadores e a recusa de negociar coletivamente”.

Alice Monteiro de Barros148 aponta as “práticas desleais”, que teve origem na lei de Wagner, dos Estados Unidos da América, de 1935:

(...) são condutas patronais, entre elas atos de ingerência nas organizações dos trabalhadores, obstrução do exercício dos direitos sindicais, atos de discriminação antissindicais e recusa de negociar coletivamente, hipóteses ampliadas pela jurisprudência. Aponta-se como um dos traços distintivos entre o “foro sindical”e as “práticas desleais”a bilterrização ocorrida nestas e, em geral, ausente naquele, cuja técnica é unilateral, fruto de legislação escrita de cunho tutelar.

Desta forma, constitui-se em prática desleal a coação (física, moral ou econômica), ou a ameaça contra trabalhadores que estejam, ou desejam participar, de greve ou de qualquer outro movimento reivindicativo, ou, ainda, a sugestão para que dele não participem.

Do mesmo modo, ter-se-á essa conduta anti-sindical quando o empregador prometer vantagens para aqueles que renunciem à greve ou se afastem do movimento coletivo ou sindical.

Sergio Martins149 assinala quanto aos atos anti-sindicais, quais sejam:

São atos anti-sindicais a não-contratação do trabalhador por ser sindicalizado, a despedida, a suspensão, a aplicação injusta de outras sanções disciplinares, as transferências, as alterações de tarefas ou de horário, os rebaixamentos, a inclusão em listas negras ou no índex, a redução de remuneração, a aposentadoria obrigatória.

O empregado dirigente sindical não poderá ser impedido de prestar suas funções, nem ser transferido para local ou cargo que lhe dificulte ou torne impossível o desempenho de suas atribuições sindicais.

147 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 720.

148 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1292.

149 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 720.

Neste sentido, entende o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 3a Região – Minas Gerais150:

EMENTA: DISPENSA DE DIRIGENTE SINDICAL NO CURSO DA GARANTIA DE EMPREGO. CONDUTA ANTISSINDICAL. DANO MORAL. A Constituição da República de 1988 assegura, no seu artigo 8º, a liberdade de associação profissional ou sindical, a qual compreende não apenas o direito de constituir sindicato e de nele ingressar ou dele retirar-se, mas também o exercício das atividades sindicais, em sentido amplo. Para tornar efetivo o exercício desse direito subjetivo e eficaz o desenvolvimento da atividade sindical, os ordenamentos jurídicos, em geral, proíbem os atos antissindicais. O principal valor a ser protegido aqui é a liberdade sindical, que está exposta a vários tipos de lesão, gerando inúmeros comportamentos suscetíveis de serem enquadrados como antissindicais. O conceito de conduta antissindical é amplo e abrange os atos que "prejudicam indevidamente um titular de direitos sindicais no exercício da atividade sindical ou por causa desta ou aqueles atos mediante os quais lhe são negadas, injustificadamente, as facilidades ou prerrogativas necessárias ao normal desempenho da ação coletiva" (cf. Oscar Ermida Uriarte. A proteção contra os atos anti-sindicais. São Paulo: LTr, 1989, p. 35). A dispensa do reclamante, dirigente sindical, no curso da garantia de emprego, configura, sem dúvida alguma, conduta antissindical, pois prejudica o exercício da atividade sindical. Em situações como a dos autos em que a conduta antissindical se manifesta no curso da relação de emprego, a doutrina vem sustentando que, comprovada a lesão à liberdade sindical, o dano moral se presume. Isso porque trata-se de lesão a um direito fundamental.

Recurso ordinário provido para deferir ao reclamante compensação pelo dano moral decorrente da conduta antissindical adotada pela empresa. ( Processo 00981-2009-013-03- 00-1 RO Data de Publicação 30/03/2010 Órgão Julgador Sétima Turma Relator Alice Monteiro de Barros).

Ainda, o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 4a Região – Rio Grande do Sul151 afirma:

EMENTA: TRANSFERÊNCIA DE DIRIGENTE SINDICAL. Ao empregador é vedado transferir empregado dirigente sindical para local que lhe dificulte o desempenho das suas atividades sindicais.Não se conforma o sindicato autor com a decisão de origem no que se refere à transferência de dirigente sindical, requerendo sejam julgados procedentes os pedidos da inicial. Aduz que a prova

150 MINAS GERAIS, Tribunal Regional do Trabalho da 3a Região. Jurisprudência do TRT. Disponível em:

<http://as1.trt3.jus.br/jurisprudencia/ementa.do?evento=Detalhe&idAcordao=760599&codProcesso=7 54446&datPublicacao=30/03/2010&index=0> Acesso em: 23 abr. 2010.

151 RIO GRANDE DO SUL, Tribunal Regional do Trabalho 4a Região. Jurisprudência do TRT.

Disponível em:

< http://www.trt4.jus.br/portal/portal/trt4/consultas/jurisprudencia/acordaos> Acesso em: 23 abr. 2010.

dos autos demonstra que a reclamada é reincidente em perseguir e transferir o Sr. Jadir Ávila da Rosa. Argumenta que não se pode acatar que a transferência esteja dentro do jus variandi da empresa, porque ficou no âmbito da cidade de Rio Grande. Alega que o empregado foi transferido do local onde exercia suas funções há muitos anos, a Coordenadoria Operacional de Rio Grande, situada no centro da cidade, onde trabalham cerca de trinta funcionários, para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do Parque Marinha, situada a 10 km do centro da cidade, em local onde trabalham apenas três funcionários. Sinala que parece óbvio que o afastamento do dirigente do local onde seu trabalho tem repercussão para outro ermo e distante traduz conduta anti-sindical, não estando ao abrigo do jus variandi, mas sim do art. 543 da CLT e 8º, I, da Constituição Federal, já que cabe ao sindicato, dentro da sua autonomia constitucionalmente assegurada, definir seus dirigentes também a partir do local onde exercem suas funções. ACORDAM por maioria de votos, vencidos parcialmente, com votos díspares, dar parcial provimento ao recurso para anular a transferência do Sr. Jadir Ávila da Rosa para a ETE - Estação de Tratamento de Esgoto do Parque Marinha e determinar o seu retorno à Coordenadoria Operacional de Rio Grande, na função de origem; determinar que a CORSAN se abstenha de efetivar novas transferências do referido empregado enquanto no exercício de direção sindical, sob pena de pagamento de multa por dia de descumprimento no valor de um dia de salário do trabalhador a incidir em 30 dias do trânsito em julgado da presente decisão, bem como condenar a reclamada ao pagamento de honorários assistenciais, arbitrados em 15% sobre o valor total, bruto, da condenação. Valor da condenação que ora se arbitra em R$ 5.000,00, para os efeitos legais. Custas revertidas à demandada.

(Acórdão do processo 0048200-52.2008.5.04.0121 (RO) Redator: BEATRIZ RENCK Data: 25/11/2009 Origem: 1ª Vara do Trabalho de Rio Grande).

Estas práticas agridem o princípio da liberdade sindical, constitucionalmente assegurado, como bem alerta Amauri Mascaro Nascimento152, a principal finalidade deste princípio “é fixar parâmetros para pautar as relações entre o Estado e os sindicatos, numa perspectiva de liberdade de união dos trabalhadores para organizar a profissão ou classe, (...)”.

Desta maneira, preleciona Alice Monteiro de Barros153 que os

atos de discriminação antissindical dirigem-se a um ou a vários trabalhadores, embora reúnam valores individuais ou coletivos, enquanto os atos de ingerência dirigem-se mais diretamente à organização profissional”.

152 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. p. 254.

153 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1292.

3.2.1 Agentes da Conduta Antissindical

Agentes da conduta antissindical, conforme ensina Alice Monteiro de Barros154 “(...) geralmente, são os empregadores ou as suas organizações, admitindo-se, entretanto, que o Estado, quer como empregador, quer como legislador, também incorra na prática desses atos”.

Neste diapasão, Cláudio Armando Couce de Menezes155 expõe:

Em regra, a prática anti-sindical tem como agente ativo o empregador, seus prepostos e organizações. E como sujeito passivo o trabalhador e suas organizações. Outros agentes, contudo, podem cometer atos anti-sindicais.

Com efeito, o Estado viola a liberdade sindical quando realiza atos de ingerência nos sindicatos e organizações trabalhistas e persegue lideranças sindicais. Outra forma de conduta anti-sindical, verdadeiro ato de discriminação, assaz comum na atual fase histórica, ocorre quando governos e partidos políticos buscam favorecer diretamente os interesses dos empregadores, fazendo causa comum com estes, adotando políticas desfavoráveis à organização dos trabalhadores.

(...)

Os próprios sindicatos dos trabalhadores estão, igualmente, sujeitos a efetivar atos anti-sindicais, impondo restrições e agressões aos direitos e interesses de empregadores e até de trabalhadores e outros agentes. No Brasil, por exemplo, encontramos entidades sindicais que inflacionam o número de diretores a fim de estender a estabilidade no emprego a vários trabalhadores, que dela normalmente não gozariam não fosse esse artifício.

Discorre ainda, Alice Monteiro de Barros156 como são realizadas as condutas antissindicais:

As próprias organizações de trabalhadores podem praticar atos antissindicais contra os empregados ou seus sindicatos. E assim é que os sindicatos, em determinados momentos, têm visto nas cooperativas ou em outras instituições uma forma de desestimular a sindicalização.

154 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1294.

155 MENEZES, Claudio Armando Couce de. Proteção contra condutas anti-sindicais Disponível em:<http://www.anamatra.org.br/opiniao/artigos/ler_artigos.cfm?cod_conteudo=6017&descricao=arti gos> Acesso em: 21 abr. 2010.

156 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1294.

As entidades sindicais que congregam trabalhadores também poderão praticar atos antissindicais, prejudicando o trabalhador, outro sindicato, o empregador ou suas organizações.

Até mesmo o empregado, excepcionalmente, pode praticar, uma conduta antissindical, quando, por exemplo, o dirigente de sindicato força uma rescisão indireta para receber o FGTS e indenização por dano moral.

Assim, destas diversas maneira de praticar o ato antissindical, ainda existe o empregador que é considerado por grande parte dos doutrinadores,

“propenso à materialização de condutas antissindicais”157.

Portanto, os agentes da conduta antissindical são todos aqueles que ferem o princípio da liberdade sindical, e principalmente o artigo 8° da CRFB/88.

3.2.2 Manifestações dos Atos Antissindicais

Os atos antissindicais manifestam-se por intermédio de diversos meios e em vários momentos da relação de emprego, o qual consta no ordenamento jurídico fundamentado no artigo 5°, XVI II da CRFB/88, como dispõe Alice Monteiro de Barros158:

Uma das formas mais perigosas e insidiosas de discriminação é aquela exercida pelos empregadores sobre os trabalhadores, na fase pré-contratual, recusando-se a admiti-los no emprego, em decorrência de sua filiação ou atividade sindical. (...) essa situação se acentua se atentarmos para a escassez dos mecanismos de proteção, em relação às condutas da mesma natureza, praticadas após a contratação.

As condutas anti-sindicais podem se manifestar nas diversas fases da relação de emprego, constituído o vínculo empregatício, poderá o empregador praticar condutas anti-sindicais, as quais são passíveis de serem comissivas ou omissivas, desde o período de experiência até o momento anterior ao término do contrato.

157 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1294.

158 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1295.

Neste contexto, Mauricio Godinho Delgado159 menciona duas expressões inglesas para este caso: yellow dog contracts(contratos de cães amarelo), das company unions (Sindicatos de empresa) e da prática mise à I’ index (lista negra):

No primeiro caso (...) o trabalhador firma com seu empregador compromisso de não filiação a seu sindicato como critério de admissão e manutenção do emprego. (...)

No segundo caso (...), o próprio empregador estimula e controla (...) a organização e ações de respectivo sindicato obreiro.

No terceiro caso (...), as empresas divulgariam entre si os nomes dos trabalhadores com significativa atuação sindical, de modo a praticamente excluí-los do respectivo mercado.

Neste contexto, relata Marcelo Ricardo Grünwald160 com relação às formas mais comuns de condicionantes restritivas do emprego são:

Indagações a respeito da filiação sindical nas fichas de solicitação de emprego ou entrevistas; as "listas negras"; os contratos com cláusulas anti-sindicais (yellow dog contracts, company unions, closed shop, etc.).

A mais antiga é a closed shop, pela qual o empregador compromete- se com a entidade de classe a admitir somente os candidatos sindicalizados, sendo fechada aos não-sindicalizados. Ao contrário da modalidade mencionada, verifica-se, igualmente, a existência da open shop, que, por sua vez, a empresa contrata tão-somente os candidatos não sindicalizados, igualmente deletéria à garantia da livre sindicalização.

A preferencial shop: o empregador dá preferência de admissão aos empregados filiados; a unions shop, pela qual o empregado compromete-se se sindicalizar após a admissão (semelhantes a closed shop)

Com a yellow dog contract, o trabalhador assume um compromisso contratual com o empregador de não-filiação ao sindicato, sob pena de rescisão contratual por justa causa. Com a company unions, também chamado de "sindicatos-fantasmas", um grupo de empregados assume o compromisso de constituir um sindicato

159 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 1308.

160 GRÜNWALD, Marcelo Ricardo. Prerrogativas e poderes sindicais. relação jurídica interna.

proteção do trabalhador sindicalizado na empresa e controle contra discriminação anti-sindicais.

Disponível em:

<http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/view/23593> Acesso em: 22 mar.

2010.

paralelo (o que nem sempre é possível no direito nacional, haja vista as limitações territoriais e unicidade categorial).

A carência dessa proteção consta da dificuldade da prova da antissindicalidade na fase pré-contratual, que pode estar em causas aparentemente lícitas, considerando que a contratação de um empregado manifesta um conteúdo discricionário.

Neste norte, vislumbra Alice Monteiro de Barros161 que “para apreciar a matéria da responsabilidade pré-contratual, sendo indiscutível a competência da Justiça do Trabalho, quando a conduta antissindical ocorre durante a relação de emprego”.

3.2.3 Condutas Anti-Sindicais no Brasil

Conjectura Eduardo Gabriel Saad162 quanto ao artigo 543 da CLT que “desde o instante em que registra sua candidatura no sindicato e até um ano após o término do mandato, o empregado só poderá ser dispensado do emprego mediante inquérito para apuração de falta grave”.

Aborda-se neste sentido, o artigo 543 da CLT quanto a estabilidade do Dirigente Sindical:

Art. 543. O empregado eleito para cargo de administração sindical ou representação profissional, inclusive junto a órgão de deliberação coletiva, não poderá ser impedido do exercício de suas funções, nem transferido para lugar ou mister que lhe dificulte ou to0rne impossível o desempenho das suas atribuições sindicais163.

Neste quadro, dispõe a Súmula 197 do STF:

Súmula 197. Estabilidade – Dirigente Sindical. O empregado com representação sindical só pode ser despedido mediante inquérito em que se apure falta grave164.

Conforme Alice Monteiro de Barros165 quanto aos artigos mencionado acima que o artigo 543 da CLT “assegura-se estabilidade provisória aos

161 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. p. 1299.

162 SAAD, Eduardo Gabriel. Consolidação das leis do trabalho: comentada. 42. ed. atual. rev. e ampl. São Paulo: Ltr, 2009. p. 732.

163 ANGHER, Anne Joyce organização. Vade mecum universitário de direito rideel. 8. ed. São Paulo: Rideel, 2010. p. 660.

164 ANGHER, Anne Joyce organização. Vade mecum universitário de direito rideel. p. 1284.

empregados que exercem cargo de representação sindical ou administração profissional, inclusive junto a órgão de deliberação coletiva”.

Neste norte, a mesma autora166 ressalta a garantia assegurada aos dirigentes sindicais:

A garantia assegurada ao dirigente sindical tem em mira evitar que a representação fique comprometida pela represália patronal, ou se veja ele desguarnecido quando termina o mandato (...). A par da estabilidade provisória assegurada, o referido dispositivo legal proíbe ainda a transferência desse empregado e qualquer obstáculo que o impeça de exercer as atribuições sindicais.

Leciona Eduardo Saad167 a respeito das condutas anti-sindicais que “empregador ou empregado, que tiverem seu ingresso no sindicato negado pela diretoria deste, poderão recorrer à Justiça Comum para fazer valer seu direito de filiar-se ao Sindicato”.

Neste quadro, corrobora Sergio Pinto Martins168 que “O Estado, às vezes, pode ser um agente de práticas anti-sindicais”. Sendo assim, o ato anti- sindical pode ser combatido com movimentos sindicais participante e reivindicativo e o legislador coibir essas práticas desleais, assegurando mecanismos que permitam a imediata reintegração do dirigente sindical em caso de dispensa arbitrária.

Portanto, através do contexto transcrito em epígrafe, devem-se mencionar as funções sociais, como sendo a essência para combater as condutas anti-sindicais praticadas pelas Empresas e Estado.

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