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A presença no centro da Organização de representantes dos atores sociais dos Estados-membros reforça o compromisso da entidade com a liberdade sindical, sendo que, sua garantia permite que a OIT capte a realidade concreta vivida em cada território correspondente.

Neste limiar, Ricardo Pereira109 entende:

É indispensável a interação entre parlamento, administração e trabalhadores, orientada pelo princípio da boa-fé, de maneira que não só os acordos possam ajustar-se às diretrizes gerais da política econômica, mas também haja alguma flexibilidade orçamentária, com o fim de preservar o cumprimento dos acordos.

Portanto, as possíveis restrições, às negociações coletivas no setor público e privado, impostas como elementos de políticas econômicas, às quais se exige prévia consulta às organizações de trabalhadores e empregadores, constituem medidas de exceção, em termos de conteúdo e duração.

Em linhas gerais, a liberdade sindical determinou que a OIT, para a garantia do direito em toda sua extensão, se dedicasse à tutela dos direitos humanos implicados em seu exercício.

Desta forma, em conformidade com a convenção da OIT de n°

87 existem quatro garantias básicas importantes que caracterizam a liberdade sindical: o direito de fundar sindicatos, o direito de administrar sindicatos, o direito de atuação dos sindicatos e o direito de administrar sindicatos. Ainda a Convenção n°

98 do mesmo órgão, completa declarando que os trabalhadores deverão gozar de adequada proteção contra todo ato de discriminação tendente a diminuir a liberdade sindical em seu emprego.

Os povos podem, enquanto Estados, considerar-se como homens singulares que no seu estado de natureza (isto é, na independência de leis externas) se prejudicam uns aos outros já pela sua simples coexistência e cada um, em vista da sua segurança, pode e deve exigir do outro que entre com ele numa constituição semelhante à constituição civil, na qual se possa garantir a cada um o seu direito111.

Ainda, para John Locke112 “O homem é um ser racional e a liberdade não se pode separar da felicidade (...). Desta forma, não existe felicidade sem garantias políticas, nem política que não deter como objetivo espalhar uma felicidade racional”.

Assim sendo, a finalidade da política é a mesma da filosofia, ou seja, a busca de uma felicidade que reside em paz, harmonia, e segurança das pessoas. Aos governantes consiste assegurar o bem-estar social da população.

Neste contexto, posiciona-se Sergio Pinto Martins113 que:

Liberdade Sindical é o direito de os trabalhadores e empregadores se organizarem e constituírem livremente as agremiações que desejarem, no número por eles idealizado, sem que sofram qualquer interferência ou intervenção do Estado, nem um em relação aos outros, visando à promoção de seus interesses ou dos grupos que irão representar. Essa liberdade sindical também compreende o direito de ingressar e retirar-se dos sindicatos.

Neste quadro, o Egrégio Tribunal Superior do Trabalho114 assevera:

Ementa:

CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL - EMPREGADOS NÃO- SINDICALIZADOS - INVIABILIDADE. Se é certo que a Constituição Federal reconhece plena eficácia às convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 7º, XXVI) e a livre associação sindical (art. 8º, caput), igualmente não deixa dúvidas sobre a faculdade de o empregado filiar-se ou manter-se filiado a sindicato (art. 8º, V).

Diante desse contexto normativo, excluída a contribuição sindical em

110 KANT, Immanuel. A idéia de liberdade. Disponível em:

<http://gold.br.inter.net/luisinfo/cidadania/liberdade.htm> Acesso em: 28 fev. 2010.

111 KANT, Immanuel. A paz perpétua e outros opúsculos. Tradução de Artur Morão. Lisboa:

Edições 70, 1995. p.40.

112 LOCKE, John. A idéia de liberdade. Disponível em:

<http://gold.br.inter.net/luisinfo/cidadania/liberdade.htm> Acesso em: 28 fev. 2010.

113 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 682.

114 BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. Jurisprudência do TST. Disponível em:<

http://aplicacao2.tst.jus.br/consultaunificada2/> Acesso em: 20 mai. 2010.

sentido estrito, ou seja, o antigo imposto sindical, que tem natureza parafiscal, que obriga sindicalizados e não-sindicalizados, todas as demais contribuições somente são exigíveis dos filiados aos sindicatos, sob pena de ofensa aos preceitos constitucionais supramencionados. Essa é a posição do Tribunal Superior do Trabalho, conforme consta de seu precedente normativo nº 119 da SDC: -A Constituição da República, em seus arts. 5º, XX e 8º, V, assegura o direito de livre associação e sindicalização. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo, convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie, obrigando trabalhadores não sindicalizados. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis de devolução os valores irregularmente descontados.- Recurso provido em parte.

Processo: RODC - 8591000-63.2003.5.04.0900 Data de Julgamento:

14/12/2006, Relator Ministro: Milton de Moura França, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de Publicação: DJ 16/02/2007.

Ademais, versa o Egrégio Tribunal Regional de Minas Gerais115:

EMENTA: TAXA DE FORTALECIMENTO SINDICAL

TRABALHADORES NÃO ASSOCIADOS. LIBERDADE SINDICAL.

CLÁUSULA NORMATIVA NULA. Na jurisprudência iterativa, atual e notória do Tribunal Superior do Trabalho, a imposição de Taxa de Fortalecimento em favor do ente sindical a empregados a ele não associados ofende o princípio da liberdade de associação consagrado nos termos do artigo 8º, inciso V, da Constituição da República. Admitir a imposição de desconto visando ao custeio de ente sindical a que o trabalhador não aderiu, voluntariamente, constitui desvio do princípio democrático que deve reger a vida associativa em todas as suas funções. A Constituição da República, em seu artigo 5º, inciso XX, juntamente com o artigo 8º, inciso V, assegura o direito de livre associação e sindicalização. Deste modo, considera-se nula, portanto, a cláusula constante de instrumento coletivo que estabelece contribuição em favor de ente sindical, a título de taxa para custeio do sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie, a serem descontadas também dos integrantes da categoria não sindicalizados. REJEITO a preliminar de inépcia da inicial preliminar de carência da ação e, no mérito, REJEITO a prejudicial da prescrição e julgo PROCEDENTES EM PARTE os pedidos formulados na reclamação trabalhista movida por SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS DE ASSESSORAMENTO, PESQUISAS, PERÍCIAS E INFORMAÇÕES

115 MINAS GERAIS, Tribunal Regional de Minas Gerais. Jurisprudencia do TRT. Disponível em:

<http://as1.trt3.jus.br/jurisprudencia/ementa.do?evento=Detalhe&idAcordao=741973&codProcesso=

735897&datPublicacao=14/12/2009&index=7> Acesso em: 20 mai. 2010.

NO ESTADO DE MINAS GERAIS - SINTAPPI em face de AGAA LTDA. Data de Publicação 14/12/2009 Órgão Julgador Oitava Turma Relator Márcio Ribeiro do Valle

Vislumbra Ricardo Pereira que “(...) A liberdade sindical constitui típico direito cuja força normativa se impôs com caráter prévio a sua inclusão expressa nos textos jurídicos”.

Amauri Mascaro Nascimento116 afirma que a liberdade sindical

“expressa os níveis através dos quais se concretiza a liberdade coletiva, que é a dos grupos formalizados ou informalizados (...)”.

Explica ainda o mesmo autor117 que a liberdade sindical tem várias acepções:

É o método de conhecimento do direito sindical quando é ponto de partida para a classificação dos sistemas, comparadas as características de cada ordenamento interno nacional com as garantias que o princípio da liberdade sindical oferece (...). Refere- se, também, à liberdade interna de auto-organização sindical que leva à autonomia da sua administração mediante definição dos órgãos internos do sindicato (...), significa mais que liberdade de organizar sindicatos para a defesa dos interesses coletivos mas, também, um princípio de autonomia coletiva que deve presidir os sistemas jurídicos pluralistas.

Neste norte, menciona Jose Afonso da Silva118 que a liberdade sindical discorre da conquista dos trabalhadores:

A liberdade sindical emanou de árdua conquista dos trabalhadores e evoluiu como um direito autônomo, mesmo que juridicamente possa ser posto ao lado da liberdade geral de associação e reunião. A chamada luta da conquista da liberdade sindical conduziu a esta separação conceitual dos dois direitos, em face do conflito histórico entre os ordenamentos sindical e estatal. A Constituição vigente elimina todos os entraves anteriores que restringiam a liberdade sindical, que, agora, é contemplada e assegurada amplamente em todos os seus aspectos.

116 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho relações individuais e coletivas do trabalho. p. 1013.

117 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho relações individuais e coletivas do trabalho. p. 1012-1013.

118 SILVA, Jose Afonso da. Comentário contextual à constituição. 6. ed. atual. até a emenda constitucional 577, de 18 de dezembro de 2008. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 196.

O mesmo autor119 relata que a liberdade sindical implica, efetivamente em:

(a) liberdade de fundação de sindicato, que significa que o sindicato pode ser constituído livremente, sem autorização, sem formalismo, e adquirir, d plano, direito, personalidade jurídica, com o mero registro do órgão competente (...). (b) liberdade de adesão sindical, que consiste no direito de os interessados aderirem ou não ao sindicato de sua categoria profissional ou econômica, sem autorização ou constrangimento- liberdade que envolve também o direito de desligar-se dele quando o interessado desejar(...). (c) liberdade de atuação, garantia de que o sindicato persiga seus fins e realize livremente a representação dos interesses da respectiva categoria profissional ou econômica, manifestando-se aqui, mais acentuadamente, a autonomia sindical (...). (d) liberdade de filiação do sindicato a associação sindical de grau superior, também prevista no art. 8°, no inciso IV, que até autoriza a fixaçã o de contribuição para custeio de sistema confederativo da representação sindical respectiva.

Alexandre de Moraes120 define que a liberdade sindical ”é uma forma específica de liberdade de associação (CF, art. 5°, XVII), com regras próprias, demonstrando, portanto, sua posição de tipo autônomo”.

Valentim Carrion121 explica que “(...) A liberdade sindical estuda-se em relação ao Estado, em relação ao grupo e em relação ao indivíduo. É tão importante a função reguladora das condições de trabalho do sindicato (...)”.

Amauri Mascaro Nascimento122 compreende que:

(...) liberdade sindical significa também a posição do Estado perante o sindicalismo, respeitando-o como manifestação dos grupos sociais, sem interferências maiores na sua atividade enquanto em conformidade com o interesse comum. Nesse caso, liberdade sindical é o livre exercício dos direitos sindicais.

Ricardo Pereira123 específica que:

No tocante à liberdade sindical, essa luta é bastante intensa, na medida que seu reconhecimento e a sua concretização como direito estão envolvidos por forte embate ideológico. O exercício do direito

119 SILVA, Jose Afonso da. Comentário contextual à constituição. p. 196.

120 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006. p. 181.

121 CARRION, Valentin. Comentários à consolidação das leis do trabalho. p. 423.

122 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho relações individuais e coletivas do trabalho. p. 1013.

123 PEREIRA, Ricardo José Macedo de Britto. Constituição e liberdade sindical. p. 23.

dá evidência à tensão existente nas relações de trabalho, ao permitir que os conflitos, antes ocultos e reprimidos, se produzam e se desenvolvam naturalmente. A liberdade sindical garante a abertura de espaço ao enfrentamento entre trabalhadores e empresários. Afirma o mesmo autor124 que “(...) enquanto as regras excluem a deliberação de todos aqueles envolvidos com a conduta prevista na norma, os princípios a exigem”.

Segundo Arnaldo Sussekind125 o que está transcrito nos incisos II e IV do artigo 8o da CRFB/88 “(...) é uma afronta ao princípio universalizado de liberdade sindical, visto que impõe a unicidade sindical compulsória por categoria e autoriza contribuições obrigatórias em favor das associações (...)”.

Ainda o mesmo autor126 informa que a liberdade sindical deve ser vista sob três aspectos:

a) liberdade sindical coletiva, que corresponde ao direito dos grupos de empresários e de trabalhadores, vinculados por uma atividade comum, similar ou conexa, de constituir o sindicato de sua escolha, com a estruturação eu lhes convier;

b) liberdade sindical individual, que é o direito de cada trabalhador ou empresário de filiar-se ao sindicato de sua preferência, representativo do grupo a eu pertence, e dele desligar-se;

c) autonomia sindical, eu concerne à liberdade de organização interna e de funcionamento da associação sindical e, bem assim, à faculdade de constituir federações e confederações ou de filiar-se às já existentes, visando sempre aos fins que fundamentam sua instituição.

Mauricio Godinho Delgado127 relata que o princípio da liberdade sindical engloba “as mesmas dimensões positivas e negativas, (...) concentradas no universo da realidade do sindicalismo (...)”.

Desta forma, Amauri Mascaro Nascimento128 descreve que os princípios sobre organização sindical “podem ser identificados nas diretrizes

124 PEREIRA, Ricardo José Macedo de Britto. Constituição e liberdade sindical. p. 35.

125 SUSSEKIND, Arnaldo. Direito constitucional do trabalho. p. 347.

126 SUSSEKIND, Arnaldo. Direito constitucional do trabalho. p. 348.

127 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 1306.

128 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 32. ed. São Paulo: Ltr, 2006.

p. 254.

estabelecidas pela Convenção n. 87 da Organização Internacional do Trabalho (1948)”.

Liberdade sindical e proteção do direito de sindicalização estabelecem o direito de todos os trabalhadores e empregadores de constituir organizações que considerem convenientes e de a elas se afiliarem, sem prévia autorização, e dispõe sobre uma série de garantias para o livre funcionamento dessas organizações, sem ingerência das autoridades públicas.

Portanto, trata de um amparo protetor dos sindicatos de trabalhadores contra a interferência estatal. A principal finalidade é fixar parâmetros para pautar as relações entre o Estado e os sindicatos.

Conforme estabelecido neste capítulo a liberdade sindical com base na CRFB/88 fora contemplada amplamente em todos os seus aspectos. Tratar- se-á de um símbolo de lutas e conquistas dos trabalhadores.

Assim sendo, o terceiro capítulo abordará as práticas anti- sindicais e a função social do direito, da pessoa jurídica, mas, sobretudo, a função social do sindicato como representante e mediador nas negociações.

A MISSÃO CONSTITUCIONAL DO SINDICATO NA ATUAL SOCIEDADE

3.1 DIRIGENTE SINDICAL

Os princípios da liberdade associativa e da autonomia sindical determinam que a ordem jurídica estipule garantias mínimas à estruturação, desenvolvimento e atuação dos sindicatos, sob pena de estes não poderem cumprir seu papel de real expressão da vontade coletiva dos trabalhadores.

Compreende Henrique Macedo Hinz129 que as atividades sindicais podem ser divididas, num período de negociação, em duas fases:

(...) internas, ou seja, as realizadas na entidade sindical, em que os empregados reunidos em assembléia discutem e aprovam a pauta de reivindicações a ser encaminhada à entidade patronal, ou ao empregador ou grupo de empregadores, bem como aquelas em que o empregador ou empregadores, reunidos ou não em assembléia sindical, discutem essas propostas, ou mesmo elaboram sua contraproposta; e externas, que são aquelas em que as partes se encontram em negociação direta, defendendo cada uma seus interesses, buscando chegar a um ponto comum.

Para a estabilidade provisória de o dirigente sindical tornar-se garantia constitucional de ordem pública, a Constituinte baseou-se no direito do trabalhador ao seu emprego, no princípio da harmonia social que deve prevalecer nas relações laborais e no pressuposto de que os líderes sindicais são mais hostilizados, devido aos constantes confrontos com as representações patronais.

Elucida Mauricio Godinho Delgado130 que pelo texto constitucional “(...) a garantia abrange apenas empregados sindicalizados com registro a cargos eletivos, titulares ou suplentes, de direção ou representação sindical”.

129 HINZ, Henrique Macedo. Direito coletivo do trabalho. p. 82.

130 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 1344.

Nos termos do art. 8, VIII da CF/88 e do parágrafo 543 da CLT: é vedada a dispensa do empregado sindicalizado, a partir do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação sindical até um ano após o final de seu mandato, caso seja, eleito, salvo se cometer falta grave, nos termos da Lei (art. 482 da CLT). Esta disposição estende-se aos trabalhadores rurais atendidas as condições estabelecidas pelo art. 1 da Lei 5.889/73131.

Neste sentido, compreende Valentim Carrion132:

A CLT protege o dirigente sindical, o mesmo fazendo a CF. A primeira se refere os ocupantes eleitos para o cargo de administração sindical ou representação profissional, inclusive a órgão de deliberação coletiva, que decorra “de eleição prevista em lei”. A CF protege o candidatou o eleito a cargo de direção ou representação sindical, inclusive suplente.

Ademais, o empregado que renunciar à sua função de dirigente sindical estará renunciando sua estabilidade, ficando passível de dispensa arbitrária.

Com relação à estabilidade do dirigente sindical, aponta o mesmo autor133, que a inamovibilidade ”(...) Deriva da lógica da estabilidade do sindicalista a proibição de sua remoção para funções incompatíveis com a atuação sindical ou para fora da base territorial do respectivo sindicato”.

Aduz Amauri Mascaro Nascimento134 quanto as garantias e a estabilidade dos dirigentes sindicais:

A Constituição Federal de 1988, no art. 8°, VIII, c onfere ao dirigente ou representante sindical, mantendo e ampliado critério já acolhido pela CLT (art. 543, § 3°), proteção contra dispensa imotivada.

É a estabilidade do dirigente sindical no emprego nos seguintes termos: É vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

131 COIMBRA, Rodrigo. Estabilidade e garantia de emprego .Teresina, ano 4, n. 39, fev. 2000.

Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1197>. Acesso em: 23 abr. 2010.

132 CARRION, Valentin. Comentários à consolidação das leis do trabalho. p. 443.

133 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. p. 1348.

134 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. p. 266.

Explica Arnaldo Sussekind135 quanto a garantia do empregado eleito para o cargo de administração sindical ou representação profissional, cabe mencionar:

a) essa estabilidade condicionada, objeto do art. 543 da CLT, está hoje assegurada pelo art. 8°, VIII, da Constituição ;

b) o precitado artigo da Consolidação, que se harmoniza com a norma constitucional, prevê outras garantias em favor dos dirigentes sindicais.

A estabilidade do dirigente sindical nasce com o registro da candidatura do empregado ao cargo, sendo que a garantia é assegurada com o objetivo de propiciar ao representante da categoria independência e segurança no exercício do mandato.

Importante ressaltar o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho quanto a estabilidade do dirigente sindical aludida na Súmula 369:

Súmula nº. 369 - TST - Res. 129/2005 - DJ 20, 22 e 25.04.2005 - Conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 34, 35, 86, 145 e 266 da SDI-1

Dirigente Sindical - Estabilidade Provisória

I - É indispensável a comunicação, pela entidade sindical, ao empregador, na forma do § 5º do art. 543 da CLT. (ex-OJ nº 34 - Inserida em 29.04.1994)

II - O art. 522 da CLT, que limita a sete o número de dirigentes sindicais, foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. (ex-OJ nº 266 - Inserida em 27.09.2002)

III - O empregado de categoria diferenciada eleito dirigente sindical só goza de estabilidade se exercer na empresa atividade pertinente à categoria profissional do sindicato para o qual foi eleito dirigente. (ex- OJ nº 145 - Inserida em 27.11.1998)

IV - Havendo extinção da atividade empresarial no âmbito da base territorial do sindicato, não há razão para subsistir a estabilidade. (ex- OJ nº 86 - Inserida em 28.04.1997)

V - O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período de aviso prévio, ainda que indenizado, não

135 SUSSEKIND, Arnaldo. Instituições de direito do trabalho. p. 1167.

lhe assegura a estabilidade, visto que inaplicável a regra do § 3º do art. 543 da Consolidação das Leis do Trabalho. (ex-OJ nº 35 - Inserida em 14.03.1994)136.

Conforme Sergio Pinto Martins137 é essencial que seja realizada a comunicação formal do registro da candidatura do dirigente sindical para o empregador:

A comunicação do sindicato à empresa, quanto ao registro da candidatura do empregado ao cargo de dirigente sindical, é imprescindível para a validade do ato jurídico, que tem de atender a forma prescrita em lei (art. 104 do CC). Ao contrário, se descumprida a formalidade que prevê a comunicação, fica prejudicado o direito à garantia de emprego. (...) O ato jurídico só se completará quando todas as finalidades jurídicas e formalidades legais forem observadas, para os fins que menciona o § 5° do art . 543 da CLT, ou seja, com a comunicação do empregador.

Desta forma, a CRFB/88 e a CLT tem por objetivo a proteção aos dirigentes sindicais, tornando efetivo o exercício da liberdade sindical, a par das garantias ao dirigente, no interior da empresa e publicações relativas à matéria sindical.

3.2 PRÁTICAS ANTI-SINDICAIS

Primeiramente antes de conceituar práticas anti-sindicais, far- se-á necessário mencionar sobre o direito do homem, pois nascem para ser livres e iguais perante a lei. As distinções sociais não podem ser fundadas senão sobre a utilidade comum. Na visão de Norberto Bobbio138:

(...) sem direitos do homem reconhecidos e protegidos não há democracia; sem democracia não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras, a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que não tenha a guerra como alternativa, somente quando existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele Estado, mas do mundo.

136 BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. Jurisprudência do TST. Disponível em:

<http://www.dji.com.br/normas_inferiores/enunciado_tst/tst_0361a0390.htm> Acesso em: 21 abr. de 2010.

137 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. p. 718.

138 BOBBIO, Norberto; COUTINHO, Carlos Nelson. A era dos direitos. Nova edição. Rio de Janeiro:

Campus, 2004. p. 21.

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