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2.1 Liderança

2.1.10 Gestor líder

Araújo (2006) defende a idéia de que embora para alguns autores não

existam distinção entre gestor e líder, há gestores e gestores, uns são verdadeiros líderes, outros não. Nem todo gestor é um líder e nem todo líder é um gestor. Sendo que os líderes tratam de assuntos não palpáveis, e os gestores cuidam de pontos mais concretos.

De acordo com Robbins (2004), todos os gerentes deveriam ser líderes, mas nem todos os líderes têm conhecimentos em funções administrativas, o que dificulta que todos se tornam gerentes. O indivíduo possuir a habilidade de influenciar os outros não significa que o mesmo saiba planejar, organizar e controlar.

Para Bennis e Nanus (1998 apud ARAÚJO, 2006, p. 334)

O líder opera sobre os recursos emocionais e espirituais da organização, sobre seus valores, comprometimento e aspirações. Em contraste, o gestor opera sobre seus recursos físicos da organização, sobre seu capital, habilidades humanas, matérias-primas e tecnologia.

Robbins (2004) difere gerentes e líderes da seguinte forma: gerentes possuem autoridade formal conseqüentes do cargo ocupado, podendo punir ou recompensar seus colaboradores. No entanto os líderes apresentam autoridade formal ou informal para influenciar o desempenho das pessoas.

Chiavenato (2005) cita quatro graus de influenciação:

 Coação: forçar, pressionar ou coagir;

 Persuasão: convencer as pessoas com conselhos, argumentos ou induções;

 Sugestões: apresentar um plano, idéia ou proposta;

 Emulação: Procurar imitar para igualar ou ultrapassar alguém.

Para Hiam (2004), mais do que simples expressão verbal, um líder pode exercer influência por meio de suas atitudes e comportamento, tornando-se um exemplo a ser seguido pelos demais membros da equipe. Isso faz com que, obrigatoriamente, o líder seja encarado como um padrão de ética. Siqueira Neto (2006, p. 190) destaca que "ação eticamente correta é aquela que está em conformidade com os bons costumes da sociedade em que se insere o indivíduo".

Para Nannus (2000) os líderes assumem o controle e fazem com que as coisas aconteçam, sonham e depois traduzem esses sonhos em realidade. Atraem o compromisso voluntário dos seguidores, energizando-os, e transformam as empresas em novas entidades, com maior potencial de sobrevivência, crescimento e

excelência.

Se os gerentes são conhecidos por suas habilidades de solucionar problemas, os líderes são conhecidos por serem mestres em projetar e construir instituições; eles são os arquitetos do futuro da organização.

Lacombe (2006) aponta quatro responsabilidades básicas dos líderes:

1. o líder deve ter desenvolvido uma imagem mental de um estado futuro possível e desejável da organização;

2. o líder deve comunicar a nova visão;

3. o líder precisa criar confiança por meio do posicionamento;

4. líderes são aprendizes perpétuos", destacando que o aprendizado é a fonte de energia de uma boa liderança.

Senge (apud ARAÚJO, 2006) sugere que o líder deve agir como um professor, colaborando sempre com o desenvolvimento das pessoas e sucessivamente para que seu empenho seja maximizado. Também exige a competência de atuar como um verdadeiro maestro diante da orquestra, garantindo a sintonia e a harmonia do conjunto.

Porém, Robbins (2004) lembra que só possuir essas características não é suficiente para uma boa liderança, apenas aumenta a probabilidade de eficácia.

Para Lacombe (2006), existem muitas controvérsias na identificação das características dos líderes. Mesmo assim cita uma como sendo muito comum, que é a confiança que eles têm em si mesmos. Do contrário ninguém confiaria neles.

Faria (apud ARAÚJO, 2006) deduz que a principal característica do líder é a confiança ou a credibilidade. Que sua relação com seus seguidores é baseada nesse princípio, uma vez quebrada a relação é desfeita.

Em suma, Robbins (2004) considera muito difícil diferenciar as características de lideres e seguidores, ou líderes eficazes e ineficazes. Mas considera possível identificar características associadas com liderança como:

 Impulso: exibem forte desejo de realização, ambição, energia, persistência e iniciativa;

 Desejo de liderar: demonstram disposição para assumir responsabilidade e vontade de influenciar os outros;

 Honestidade e integridade: construção de relacionamentos de confiança com seus subordinados, sendo verdadeiros e coerentes na palavra e na

ação;

 Autoconfiança: o líder tem que transmitir segurança, convencendo seus subordinados da integridade dos objetivos e decisões;

 Inteligência: indispensável pela quantidade de informações que deve reter, criação de ponto de vista e resolução de problemas;

 Conhecimentos relacionados ao cargo: aprofundamento dos assuntos da empresa, setor e técnicas. Permite aos líderes assertividade na tomada de decisão e entendimento de seus resultados.

Ainda, Faria (apud ARAÚJO, 2006) ressalta que outras características a pessoa-líder deve apresentar:

 Auto liderança:

Antes de qualquer coisa o líder deve liderar a si mesmo, pois ele é a fonte de inspiração dos demais membros do grupo. Fazendo acompanhamento de suas próprias tarefas e persistindo em seus objetivos.

 Compartilhamento:

O líder em sua posição sempre exercerá algum tipo de poder. Porém, ele não vai ser o único tomador de decisão, devendo compartilhar e dar liberdade para que os outros possam participar desse processo.

 Coragem:

Atributo indispensável para influenciar pessoas. É fazer com que os outros acreditem na sua disposição e garra, desenvolvendo assim a relação de confiança.

 Foco:

O líder deve estar preparado para contornar todas as situações que venham a dificultar o alcance de suas metas. Nenhum obstáculo pode desviar o foco no objetivo final.

 Mudança:

É considerado um pré-requisito para a liderança. Devendo o líder ser um agente de mudança, capacidade essa de aceitar e implementar novas idéias advindas da motivação por busca de desafios, aventuras, novidades e até mesmo críticas. Deve ter o olhar voltado sempre para frente, buscar o aperfeiçoamento contínuo, estar atento às oportunidades e inovar sempre.

 Pesquisa e mapeamento:

Saber do estágio atual da empresa e como fazer para alcançar o resultado

desejado por ela, analisando os pontos fortes e fracos para potencialização e algumas vezes correções necessárias.

 Significado:

É uma característica muito subjetiva, é a força que faz o indivíduo seguir em busca de seus ideais, independente dos obstáculos.

 Situacional:

Direcionar as ações de acordo com a situação em que as outras pessoas se encontram. Analisar caso a caso sem generalizar, pois cada ocasião deve ser tratada de maneira diferenciada.

 Visão:

É a capacidade de enxergar a realidade de forma global, compreendendo a função das partes no todo e a relação entre elas.

 Visibilidade:

O líder deve estar sempre em evidência, como um exemplo a ser seguido.

Os seguidores querem ter certeza de que suas atitudes condizem com suas idéias.

De acordo com Araújo (2006), um líder não apresenta todas as características pertinentes a ele, nem com a mesma intensidade em todos os momentos. Essas características estão ligadas às suas virtudes, já suas atividades são direcionadas por seus compromissos.

Logo, Reddin (apud ARAÚJO, 2006) relata que os compromissos mais importantes do líder são: defender valores que representam a vontade coletiva, do contrário não seria capaz de mobilizar os seguidores à ação; criar o espírito de equipe; promover a lealdade à organização e aos seus valores; gerar confiança quanto aos resultados a serem obtidos.

Já os compromissos citados por Gardner (apud ARAÚJO, 2006) são:

estabelecer objetivos; criar, manter e administrar uma equipe de bom nível; explicar as razões do que deve ser feito; servir de símbolo para os seguidores; renovar os sistemas complexos que ele lidera.

Robbins (2004) relata ainda que a maioria dos especialistas acreditam que os indivíduos podem ser treinados para desenvolver comportamento carismático, gerando assim melhor desempenho e satisfação por parte de seus colaboradores. E que esse comportamento é muito conveniente em ambientes com alto grau de stress ou incertezas.

A situação mais favorável para um líder influenciar seu grupo é aquela em

que ele é estimado pelos membros (boas relações líder-membros), tem uma posição de grande poder (alto poder de posição) e dirige um trabalho bem definido (alta estruturação da tarefa). Por outro lado, a situação mais desfavorável para um líder é aquela em que ele não é estimado, tem pouco poder de posição e enfrenta uma tarefa não estruturada (HERSEY e BLANCHARD, 1986).

Já para Hiam (2004), mais do que simples expressão verbal, um líder pode exercer influência por meio de suas atitudes e comportamento, tornando-se um exemplo a ser seguido pelos demais membros da equipe. Isso faz com que, obrigatoriamente, o líder seja encarado como um padrão de ética. Neto (2006 p.

190) destaca que "ação eticamente correta é aquela que está em conformidade com os bons costumes da sociedade em que se insere o indivíduo".

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