2.1 Liderança
2.1.4 Poder
O perfil de liderança atual está direcionado a um modelo que proponha uma situação participativa, em que exista uma maior dedicação do líder aos outros, levando a um conceito holístico do trabalho, promovendo a idéia da comunidade e a divisão de poder (OLIVEIRA; MARINHO, 2006).
Fiorelli (2004) afirma que poder distingue-se de liderança. A liderança representa uma forma de poder. O poder deriva de fontes externas e internas ao indivíduo. Entre as externas, encontram-se riqueza, posse de bens, posição na hierarquia organizacional, participação em grupos de interesse e outras. Perícia e
características de personalidade, por exemplo, são fontes de poder internas ao indivíduo.
A capacidade de exercer liderança, uma forma de poder inerente ao indivíduo, constitui um atributo da pessoa, exercido por ela de acordo com circunstâncias relativas aos seguidores e à situação (WAGNER III e HOLLENBECK, 1999, p. 244).
Conforme Fiorelli (2004, p.201), “Muitas vezes, o fato de o profissional exercer algum tipo de poder na organização, gera no indivíduo a falsa crença de que é um líder”. Complementa afirmando ainda que “o comportamento dos áulicos que o rodeiam contribui para reforçá-Ia”.
Lacombe (2006) relata que o líder também é influenciado pelas circunstâncias e por seus próprios liderados, embora seja o detentor do poder.
Podendo ser definido como poder legítimo, que provém da posição ocupada na organização e se manifesta por via de recompensas ou punições; poder referente que exerce influência em virtude do respeito por suas qualidades e personalidade;
poder do saber que se baseia no conhecimento, experiência e informação.
Para Austin (2002, p.156),
Todos os líderes lidam com poder e política. Poder é a habilidade de influenciar as outras pessoas e os acontecimentos. Ele representa as reservas do líder, a forma pela qual líderes estendem suas influências aos outros... É um pouco diferente da autoridade, porque a autoridade é delegada pela alta administração. O poder, por outro lado, é conseguido e ganho pelos líderes tendo por base as próprias personalidades, suas atividades e as situações nas quais operam.
Lacombe (2006) complementa que o poder legítimo desacompanhado do poder referente e do poder do saber pode limitar o desempenho do grupo.
Chiavenato (2005) considera aspectos como motivação, comunicação, relações interpessoais, trabalho em equipe e dinâmica de grupo, indispensáveis para que o indivíduo torne-se um líder bem-sucedido.
A política relaciona-se com as formas pelas quais os líderes ganham e usam o poder. É necessário ajudar o líder manter-se "no topo da situação" e controlar os eventos na direção dos objetivos desejáveis. A política diz respeito ao equilíbrio do poder, livrar a cara, compromissos engenhosos, trade-offs, e uma variedade de outras atividades. Isso tem sido a atividade humana clássica desde o começo da civilização; dessa forma ela não existe somente nas modernas organizações. Mas as organizações modernas são um terreno fértil para que a política floresça. Os observadores dizem que os líderes que são capazes, mas aos quais falta habilidades políticas básicas terão problemas em galgar até o topo nas organizações modernas. De
forma clara, as habilidades políticas são essenciais para os líderes, tanto para o seu sucesso pessoal como também para suavizar o caminho para o desempenho dos subordinados (AUSTIN, 2002, p.156).
Segundo Silva (2004), um líder tem cinco tipos de poderes que os ajudam no desenvolvimento da liderança. São eles:
poder de recompensa: é a capacidade de influenciar o comportamento dos indivíduos oferecendo-Ihes algo de valor, um resultado positivo;
poder coercitivo: é a influência através de punição e retenção de resultados positivos;
poder de especialização: é a capacidade de exercer influência por meio de seu conhecimento específico e entendimento sobre determinado assunto.
poder de referência: é a capacidade de influenciar os indivíduos pela sua identificação pessoal e positiva com os mesmos;
poder legítimo: é o poder apresentado em resultados dos direitos do cargo ou da função ocupada.
Conforme a classificação de Austin (2002), o poder do especialista, também conhecido como a autoridade pelo conhecimento, vem do aprendizado especializado. É a força que vem do conhecimento das pessoas e das informações a respeito das situações complexas. Ele depende da educação, do treinamento e da experiência, e dessa forma representa um tipo importante de poder na nossa sociedade tecnológica moderna. Por exemplo, caso sua esposa esteja tendo um ataque ou qualquer outro tipo de problema na sala de emergência hospitalar, você estará mais propenso a dar sua atenção ao médico que vem oferecer tratamento do que ao ajudante que entra distribuindo roupa limpa. A razão é que você espera que o médico seja um especialista capaz nessa situação.
Para Austin (2002) o poder de referência é denominado poder pessoal.
Também chamado pela autora de poder referente, poder carismático e poder de personalidade, sendo que o mesmo vem de cada líder individualmente. Para a autora este poder refere-se à habilidade que têm os líderes de desenvolverem os seguidores a partir das forças de suas próprias personalidades. Eles têm um magnetismo pessoal, um ar de confiança e uma crença naqueles objetivos que atraem e mantêm seus seguidores. As pessoas o seguem porque assim o querem;
suas emoções lhes dizem para fazerem isso. O líder é sensível às necessidades das pessoas e asseguram o sucesso em atingi-los.
O poder legítimo, Austin (2002, p.157) caracteriza como:
Também conhecido como poder da posição e poder oficial, vem da autoridade superior. Ele nasce da cultura da sociedade através da qual o poder é delegado legitimamente das mais altas autoridades para os demais.
O poder legítimo dá ao líder força de controlar os recursos recompensando e punindo outras pessoas. Esse poder é aceito pelos outros porque eles acreditam que seja desejável e necessário para manter a ordem e desencorajar a anarquia na sociedade. Existe uma pressão social dos colegas e amigos que o aceitam e esperam que os demais também o façam.
Um outro tipo de poder classificado por Austin (2002, p.157) é o denominado poder político: este, segundo a autora “vem do apoio do grupo. Nasce da habilidade do líder em trabalhar com pessoas e sistemas sociais, para ganhar a sua aliança e apoio. Ele se desenvolve em todas as organizações”.
Silva (2004) relaciona os poderes de recompensa, coercitivo e legítimo como resultados da posição hierárquica. Por outro lado, os tipos de poderes de especialização e referência estão diretamente associados ao indivíduo independente da posição de seu cargo na hierarquia da empresa.
Bertrand Russell uma vez disse, "O conceito fundamental em ciência social é o poder, no mesmo sentido em que a energia é o conceito fundamental em Física".
O fato de ignorarmos isto, de não enxergarmos o óbvio, conduziu a um curto-circuito transacional humano. Em suma, somos uma nação sofrendo de um sério bloqueio de poder (BENNIS; NANUS, 2003, p.13).
Ironicamente, o poder é uma das forças mais conhecidas no universo e a atração e o impulso que sentimos e exercemos desde o nascimento até a morte. Está implícito em toda a interação humana - familiar, sexual, ocupacional, nacional e internacional - secreta ou abertamente (BENNIS;
NANUS, 2003, p.13).
No entanto, esta energia social básica foi encoberta de tal forma que não é mais possível reconhecê-Ia. Traz em si uma vasta quantidade de conotações acumuladas durante milhares de anos. Estas implicações, inclusive avareza, insensibilidade, crueldade, corrupção, tomadas como um conjunto, levaram à desconsideração e desintegração do poder, para todos. Em outras palavras, é ao mesmo tempo o elemento mais necessário e menos confiável, entre os exigidos para o progresso humano, relatam os autores Bennis e Nanus (2003).
O poder tem sido mal usado visto historicamente, os líderes têm controlado ao invés de organizar, administrado a repressão ao invés da expressão, e mantiveram seus seguidores parados, ao invés de mantê-los em evolução (BENNIS;
NANUS, 2003, p.14).
Castelo (2008) de forma sumária descreve a distinção entre poder e liderança. Segundo ele, não é líder quem se impõe pela força e poder, mas quem usa o poder da liderança, isto é, o poder da persuasão e a capacidade de influenciar, sabendo mostrar, como um guia, o caminho que ele vê e conhece melhor. A melhor persuasão é o exemplo. É incrível, e lamentável, constatar que já em plena virada de milênio ainda existem empresários e executivos de alto nível que confundem liderança com uso arbitrário do poder. Autoritários, inacessíveis e distantes, emocionalmente descontrolados, donos da verdade, pois não aceitam qualquer tipo de questionamento. São pessoas no fundo muito inseguras, por isso não conseguem ouvir. São excessivamente transparentes para expressar o que sentem, mas não admitem nos outros essa mesma transparência, embora paguem um preço muito alto por isso apesar de não o perceberem ou de não quererem percebê-lo.
Como referem Bennis e Nanus (2003, p.14), “precisamos aprender a perceber o poder pelo que realmente ele é. Basicamente, é o recíproco da liderança”.
E, por fim como aludem os autores Bennis e Nanus (2003), falta algo em todas as formulações da "nova era" - uma questão que tem sido sistematicamente omitida, sem exceção: poder a energia básica para iniciar e sustentar a ação, traduzindo a intenção para realidade, a qualidade sem a qual os líderes não podem liderar. Assim como os economistas se colocaram num beco cada vez mais sem saída, deixando de reconhecer as limitações e restrições do livre comércio, também os estudantes de organizações evitaram o problema central da liderança. Sem qualquer ressalva, podemos afirmar categoricamente que todos os atuais paradigmas da vida organizacional, sejam eles da "nova era", ou das velhas cepas, falharam em considerar o poder.
Ainda, ressalta-se Austin (2002) ao afirmar que os tipos de poder são desenvolvidos a partir de diferentes fontes, mas na prática se acham interligados.
Quando uma base de poder é retirada dos supervisores, os empregados podem perceber que outras bases de influência também diminuirão. Estudos também
indicam que o uso da base do poder deve ser adequado ao contexto organizacional para ser então eficaz.