• Nenhum resultado encontrado

44 de mensuração de desempenho da inovação de produto desenvolvidas por Griffin (1996), Hsu e Fang (2009), Alegre et al. (2006), Blindenbach et al. (2010) e Storey e Easingwood (2009).

Hsu e Fang (2009) mensuram o desempenho técnico, Blindenbach et al. (2010) e Alegre et al. (2006) o desempenho do produto, o desempenho operacional e a eficiência do produto, respectivamente, Griffin et al. (1996) aspectos financeiros e de mercado, e Storey e Easingwood (2009) vendas e dimensões de rentabilidade.

Hanachi (2015) desenvolveu a pesquisa em etapa qualitativa e quantitativa com aplicação empírica em 798 industrias de biotecnologia para testar a validade e confiabilidade da escala. No trabalho a terminologia adotada pela Alegre et al. (2006) foi descartada uma vez que (como explicado pelos entrevistados) não leva em conta os pontos importantes, tais como desempenho financeiro, melhoria da qualidade e satisfação do cliente.

Ao final do estudo, Hanachi (2015) gerou-se dezoito itens para medir desempenho da inovação de produto classificado em cinco dimensões: desempenho financeiro, desempenho de mercado, desempenho técnico, o desempenho esperado pelo cliente e desempenho estratégico.

Julienti, Bakar e Ahmad (2010) observam que desempenho da inovação de produto deve ser vista como uma de execução específica da organização na inovação de produtos, tais como alterações na introdução de novos produtos, técnicas e os aspectos tecnológicos, a resposta do mercado, qualidade dos produtos, a introdução do produto, o tempo de desenvolvimento, rentabilidade e quota do produto no mercado, considerando a reputação do produto como um dos principais indicadores para desempenho da inovação de produto.

Neste contexto, a presente pesquisa utilizará a escala desenvolvida por Hanachi (2015) sob a qual o desempenho da inovação de produto é mensurado subjetivamente, e assume características de constructo multidimensional de escala composta por 18 itens, medidos em uma escala Likert de sete pontos.

45 tendo como base os estudos de Flatten et al. (2011) e com escala validada por Koerich, Cancellier e Tezza (2014).

Para a mensuração da capacidade dinâmica de inovação, o estudo baseou-se na construção de Camisón e Villar-López (2014), que se utilizam da capacidade dinâmica de inovação de produto, processo e gestão organizacional. O desempenho da inovação de produto assume as dimensões de desempenho de mercado, cliente, técnico, estratégico e financeiro, com base nos estudos de Hanachi (2015).

A pesquisa busca identificar a relação entre capacidade de absorção e capacidade de inovação com o desempenho da inovação de produto. As hipóteses deste trabalho estão representadas no diagrama da Figura 5.

Para produzir benefícios tangíveis, as empresas precisam identificar, processar e explorar fluxos de conhecimentos externos (COHEN; LEVINTHAL, 1989). Neste contexto, Zahra e George (2002) esclarecem o papel distinto, porém complementar das dimensões da capacidade dinâmica de absorção PACAP (aquisição e assimilação potencial) e RACAP (transformação e aplicação realizados) e lançam luz à compreensão de como o desempenho da inovação pode ser afetado pela capacidade de absorção da organização.

Tomando como exemplo o processo de desenvolvimento de um novo produto, a empresa pode contar tanto com o conhecimento interno quanto com o conhecimento externo para obter informações pertinentes, e classifica-las como relevantes com o exercício de assimilação e compreensão (absorção) (COHEN; LEVINTHAL, 1989; ZAHRA; GEORGE,

46 2002).

Nesta fase Zahra e George (2002) observam que o PACAP será maior, quanto maior for a quantidade de informação externas, ressaltando a dependência de caminho (relativa a natureza cumulativa do conhecimento) e a aprendizagem experiencial. Yusr (2008) aponta também que as empresas que desejam desenvolver a inovação devem ter nas dimensões do PACAP os primeiros passos para um melhor desempenho.

O conhecimento trazido para os limites da empresa nas dimensões do PACAP passará pelo processo de transformação, caracterizado pela adição de conhecimentos pré-existentes, exclusão de conhecimentos não necessários e/ou reinterpretação de conhecimentos. Para finalizar esse processo que compõem as dimensões do RACAP, tem-se na aplicação do conhecimento um passo crucial na geração de um novo produto (FOSFURI; TRIBÓ, 2008;

GERBAUER; WOLERCH; TRUFFER, 2012; ZAHRA; GEORGE, 2002).

Lau e Lo (2015) desenvolveram pesquisa com 200 indústrias de manufatura Chinesas apontando que a aplicação de conhecimento proporciona melhor desempenho de inovação nessas empresas. O estudo de Jeon, Suckchul, Ohm e Yang (2015) em PME´s farmacêuticas sugere que as pequenas e médias empresas alcançam desempenho da inovação rapidamente por intermédio da capacidade de absorção. Neste contexto, institui-se a hipótese de pesquisa:

H1: A capacidade de absorção de conhecimento influencia positivamente o desempenho da inovação de produtos em PME´s do setor indústrial têxtil.

Desempenho da inovação de produto reflete o impacto econômico da inovação do produto na empresa, ou ainda, a importância econômica das saídas do processo de inovação e dos recursos consumidos, e o esforço realizado para atingir os resultados (BROWN;

EISENHARDT, 1995; ALEGRE; LAPIEDRA; CHIVA, 2006; ALEGRE; CHIVA, 2008).

Julienti, Bakar e Ahmad (2010) no estudo que explora os determinantes do desempenho da inovação de produtos observam a importância de desenvolver os recursos organizacionais de forma que estes se tornem competências de ordem superior, ou seja, capacidades. Os autores apontam que a inovação é um direcionador importante para tornar os recursos em capacidades, e consequentemente para obter maior desempenho em inovação de produtos.

Neste contexto Kamasak (2015) ressalta que as organizações são susceptíveis para melhorar o seu desempenho em inovação à medida que reconfiguram sua base de recursos no que diz respeito ao desenvolvimento da estratégia e investimentos tecnológicos. A orientação

47 para a inovação reflete a capacidade de inovação e está associada a um maior desempenho da inovação (CAMISÓN; VILLAR-LÓPEZ, 2014; YESIL; KOSKAB; BUYUKBESC, 2013).

A capacidade de inovação é suscetível de influenciar positivamente o resultado do desempenho da inovação de produtos por criar um ambiente propício ao desenvolvimento de atividades inovadoras (HULT; HURLEY; KNIGHT, 2004). Neste contexto, a capacidade de inovação de processo reflete a propensão à inovação e eficácia de ação das organizações para configurar processos diversos na organização visando melhor desempenho em inovação. A inovação de processo reflete as mudanças na forma como a organização entrega os produtos, como os cria e desenvolve, sendo que inovações de processo e inovações de produto apoiam- se mutuamente na criação de maior desempenho da inovação de produto (PIENING; SALGE, 2015).

Apesar de pequenas e médias empresas possuírem recursos limitados, quando da existência de capacidade de inovação, estes tornam-se únicos e bem posicionados em comparação com os seus concorrentes, proporcionando a criação de produtos de valor (JULIENTI; BAKAR; AHMAD, 2010). Neste contexto, institui-se a hipótese de pesquisa:

H2: A capacidade de inovação influência positivamente o desempenho da inovação de produtos em PME´s do setor indústrial têxtil.

Da perspectiva da capacidade de absorção (aquisição, absorção, transformação e aplicação), observa-se que os processos de aprendizagem transformadores em particular, desempenham um papel fundamental na inovação estratégica (GERBAUER; WORCH;

TRUFFER, 2012). Hult, Hurley e Knight (2004) em seus estudos, observaram que a orientação para aprendizagem tem um efeito significativo sobre a capacidade de inovação, sendo o achado consistente com o trabalho de Cohen e Levinthal (1990). Maes e Sels (2014) apontam ainda que o conhecimento é um dos mais importantes insumos para o processo de inovação.

Calantone, Cavusgil e Zhao (2002) ressaltam que a inovação está intimamente relacionada com a aprendizagem organizacional. Neste sentido, Tang (1996) observa que para a informação tornar-se fonte de inovação é essencial que haja conhecimentos prévios e habilidades, ou seja, princípios e recursos orientadores na organização que forneçam a direção e apoio para a inovação.

Lee e Kelley (2008) evidenciaram que o desenvolvimento da inovação esta associado a um elevado grau de variação e exploração de novos conhecimentos. Cheng e Chen (2013)

48 ressaltam que quando uma empresa constrói a sua capacidade de inovação, há acréscimo na capacidade de absorção, pois é incentivado a explorar novas informações e, eventualmente, desenvolver avanço e inovação.

Fóres e Camisón (2009) desenvolveram estudo em 952 empresas espanholas que evidenciou o efeito conjunto da capacidade de absorção e da capacidade de inovação, demonstrando que a capacidade de inovação atua como catalisador para o efeito da capacidade de absorção. As organizações não devem negligenciar a importância da capacidade de absorção para a gestão da inovação, e sim desenvolver uma integração interna das capacidades com os processos externos, capturando os efeitos positivos que cada atividade tem sobre o retorno marginal da outra.

Wang e Ahmed (2007) consideram a capacidade de absorção e a capacidade de inovação como dois dos três fatores mais importantes de capacidades dinâmicas. Assim, considerando a natureza dinâmica da capacidade de absorção e da capacidade de inovação, é pertinente observar que estejam correlacionadas. Neste contexto, institui-se a hipótese de pesquisa:

H3: A capacidade de absorção associa-se com a capacidade de inovação em PME´s do setor indústrial têxtil.

Capacidades dinâmicas representam a constante orientação organizacional de integração, reconfiguração, renovação e recriação de recursos e capacidades, em resposta ao ambiente de mudança (WANG; HAMED, 2007). Capacidade de absorção e capacidade de inovação como componentes das capacidades dinâmicas apoiam o processo de orientação organizacional, e apesar de correlacionados, cada um tem uma ênfase (WANG; AHMED, 2007).

Capacidade de absorção destaca a importância da organização em adquirir conhecimentos externos, combinando-os com os conhecimentos internos, absorvendo-os para uso interno organizacional. A capacidade de inovação explica as ligações entre os recursos e capacidades organizacionais com o seu mercado (WANG; AHMED, 2007). Quanto mais uma organização demonstra capacidades de absorção e de inovação, mais apresenta capacidades dinâmicas, e torna propício o aumento do desempenho organizacional (WANG; AHMED, 2007).

Assim, as capacidades dinâmicas são um conjunto de práticas que permitem novas abordagens para montagem e integração de recursos, com vistas a alcançar resultados

49 inovadores (LEE; KELLEY, 2008). Estudos relatam a influência das capacidades dinâmicas no desempenho da inovação organizacional (ARIFIN; FRMANZAH, 2015; PIENING, 2015;

PEZESHKAN; FAINSHMIDT; NAIR; FRAZIER; MARKOWSKI, 2015)

Cheng e Chen (2013) relatam que as capacidades dinâmicas desenvolvem importante papel no desempenho de novos produtos, por proporcionar a organização trabalhar de forma mais eficaz frente as mudanças ambientais, sendo isto o que os autores consideram fundamental para a inovação de produtos. Diante do exposto, constitui-se a hipótese de pesquisa:

H4: Capacidades dinâmicas relacionam-se positivamente com o desempenho da inovação de produto em PME´s do setor indústrial têxtil.

50 3 METODOLOGIA

O objetivo deste capítulo é apresentar a metodologia que orientou a investigação.

Descreve-se inicialmente a tipologia de pesquisa (4.1), seguido das variáveis e medidas (4.2), da amostra de pesquisa (4.3) e da metodologia de análise dos resultados (4.4), especificando a análise descritiva (4.4.1), a análise do modelo de mensuração (4.4.2) e a modelagem de equações estruturais (4.4.3) bem como avaliação da qualidade dos modelos (4.4.3.1 e 4.4.3.2).