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Medidas do constructo de capacidade de absorção

2.1 Capacidades Dinâmicas

2.1.2 Capacidade de Absorção

2.1.2.1 Medidas do constructo de capacidade de absorção

O Quadro 4 apresenta alguns estudos dentre os principais em capacidades de absorção, as medidas do constructo de capacidade de absorção utilizadas, os métodos de pesquisa dos estudos e os constructos que compõem as respectivas pesquisas.

Quadro 4: Pesquisas em Capacidade de Absorção

Autor/Ano Medida capacidade de absorção/autor base Método de Pesquisa

Constructos da Pesquisa Cohen e

Levinthal (1990)

Oportunidade Tecnológica

Apropriação (baseado em Hippel (1978); Levin

et al. (1987)). Survey

Inovação e Desenvolvimento Condições de apropriação de conhecimento (capacidade de absorção)

Movery, Oxley e Silverman

(1996)

Número de patentes

(baseado Mowery et al. (1997)).

Survey

Alianças estratégicas Transferência de conhecimento

Capacidade de Absorção Capacidade de transferência tecnológica

Autor/Ano Medida capacidade de absorção/autor base Método de Pesquisa

Constructos da Pesquisa

Zahra e George (2002)

Aquisição (anos de experiência do departamento de P&D, e quantidade de investimento).

Assimilação (o número de citações de patentes).

Transformação (número de novos produtos, novas ideias).

Aplicação (saídas intermediárias: número de patentes, novo produto) (baseado em Cockburn e Henderson (1998); Leonard-Barton (1995)).

Teórico

Capacidade de Absorção

Branzei e Vertinsky (2006)

Aquisição (número de fontes de informação).

Assimilação (pesquisa e desenvolvimento;

aquisição de máquinas, equipamentos, adoção de tecnologia externa; engenharia industrial; novos processos de produção; formação específica dos funcionários).

Transformação (número de patentes).

Implantação (aumento lucro venda novos produtos).

Survey

Estratégias de Inovação Capacidade de inovação de produto

Capacidade de absorção

Gray (2006)

Não deixa claro.

Survey

Capacidade de Absorção Gestão do conhecimento Inovação

Fosfuri e Tribó (2008)

Absorção (número de fontes de informação).

Assimilação (índice de captura do conhecimento externo).

Survey

Capacidade de Absorção Desempenho da Inovação

Forés e Camisón

(2009)

Absorção, Assimilação, Transformação e Aplicação (baseado em Szulanski (1996);. Lane et al (2001); Vinding (2006); Jansen et al

(2005);Zahra e George (2002). Survey

Capacidade de aprendizagem

Capacidade de absorção Desempenho

Capacidade de inovação

34 Autor/Ano Medida capacidade de absorção/autor base Método de

Pesquisa

Constructos da Pesquisa

Liao, Wu, Hu e Tsuei

(2009)

Comunicação com o exterior; nível de know- how e experiência da organização; diversidade e sobreposições em estrutura de conhecimento;

posicionamento estratégico (baseado em Nieto e Quevedo (2005)).

Survey

Aquisição de conhecimento Capacidade de Absorção Capacidade de inovação

Tseng, Pai e Hung

(2011)

Aplicação, Assimilação e transformação.

Estudo de caso

Desempenho da inovação Capacidade de absorção Fontes de conhecimento Flatten et

al.

(2011)

36 itens para mensurar aquisição, assimilação, transformação e exploração (desenvolvido com base em 236 artigos científicos).

Estudo de caso e Survey

Estratégia de inovação Aprendizagem

Capacidade de absorção Capacidade combinatória Gerbauer,

Woerch e Truffer

(2012)

Aplicação, Assimilação, Transformadora e processos de aprendizagem de Exploração (baseado em Lane, et al. (2006); Todorova e Durisin (2007).

Estudode caso

Estratégia de Inovação Capacidade de Absorção

Yusr, Othman e

Mokhtar (2012)

Não deixa claro.

Survey

Six Sigma

Desempenho da inovação Capacidade de Absorção Wuryaning

rat (2013)

Comunicação com o exterior; nível de know- how e experiência da organização;

posicionamento estratégico (baseado em Liao et al. (2006)).

Survey

Capacidade de inovação Partilha de conhecimento Capacidade de Absorção

Dutse (2013)

Percentual do lucro líquido investido nas atividades tecnológicas, (baseado em Cohen e Levinthal (1990); Chuang e Lin (1999);

Nooteboom (1999); UNCTAD 2005;

Chudnovsky, Lopez e Rossi (2008); Zhu (2010)).

Survey

Capacidade de inovação Capacidade de Absorção

Burcharth, Lettl e

Ulhoi (2015)

Capacidade da empresa para absorver conhecimento externo (baseada em Jansen et al.

(1999). Survey

Antecedentes da Capacidade de Absorção

D´Souza e Kulkarni

(2015)

Valor acumulado das empresas (baseado em Chen e Edgington (2005); Bass (1969)).

Aumento de conhecimento (Baseado em Rogers (2010)).

Acumulação de conhecimentos (baseado em Raisch e Birkinshaw (2008)).

Aplicação e valorização dos conhecimentos (baseado em Mahajan et al.

(1990)).

Apropriabilidade (baseado em Cohen e Levinthal (1989); Volbeda et al. (2010)).

Estudo de caso

Desempenho organizacional Capacidade de Absorção

Fóres e Camisón

(2015)

Aquisição, Assimilação, Transformação,

Aplicação (baseado e Zahra e George (2002)). Survey

Desempenho da inovação incremental e radical Capacidade de Absorção Jeon,

Suckchul, Ohm e

Yang (2015)

Capacidade de absorção (intensidade anual R &

D (despesas de I & D / vendas totais)).

Survey

Aquisição de tecnologia Desempenho da Inovação Capacidade de Absorção

Roberts (2015)

Capacidade de absorção (baseada em Pavlou e El Sawy (2006)).

Survey

Antecedentes Organizacionais Dinamismo ambiental Capacidade de Absorção Fonte: Desenvolvido pela autora.

35 Autores ressaltam que apesar da extensa literatura sobre capacidade de absorção, a falta de consenso em torno do seu constructo revela um debate incansável sobre a sua medição, reconhecendo a natureza complexa e dinâmica do construto (EASTERBY-SMITH et al., 2000; FLATTEN et al., 2011; D´SOUZA; KULKARNI, 2015; FÓRES; CAMISÓN, 2015).

Vários estudos teóricos reconhecem a importância da capacidade de absorção como um recurso multidimensional (por exemplo BRANZEI; VERTINSKY, 20060; D’SOUZA;

KULKANI, 2015; FLATTEN et al., 2011; FÓRES; CAMISÓN, 2009; GERBAUER;

WOLERCH; TRUFFER, 2012; ZAHRA; GEORGE, 2002). Mas ainda desenvolve-se estudos em que a capacidade de absorção é aplicado como um constructo unidimensional (por exemplo BURCHARTH; LETTL; ULHOI, 2015; DUTSE, 2013; FOSFURI; TRIBÓ, 2008;

LIAO et al., 2009; JEON et al., 2015; MOVERY; OXLEY; SILVERMAN, 1996).

Flatten et al. (2011) analisaram 269 trabalhos científicos que estudavam ao menos uma das dimensões de capacidade de absorção proposta por Zahra e George (2002), e destes selecionaram 33 trabalhos cujas medidas demonstraram ser úteis para mensurar capacidade de absorção, montando assim uma escala testada quanto a validade e confiabilidade. Os autores observaram que a maioria dos estudos operacionalizou a capacidade de absorção com medidas relacionadas com P&D (produção e desenvolvimento) como, por exemplo, intensidade ou patentes, e apontaram três principais limitações para o uso de medidas objetivas para estudar a capacidade de absorção.

Primeiramente medidas objetivas não capturam a complexidade das dimensões do conceito, atribuem valor demasiado a uma dimensão em detrimento de outra, e medidas como investimento em inovação e patentes podem refletir posicionamento estratégico em vez de capacidade de absorção. Em segundo lugar, medidas objetivas aplicadas em grandes empresas são totalmente inadequadas para as pequenas e médias, principalmente por que estas nem sempre tem um departamento específico de inovação e desenvolvimento, e um processo de patente pode ser caro e demorado. Em terceiro lugar, a revisão das pesquisas revela inconsistências nos resultados das medidas, tornando a adequação e validade das medidas questionável (FLATTEN et al. 2011).

Visualizando a diversidade de estudos desenvolvidos a cerca da capacidade de absorção, Lane, Koka e Pathk (2006) identificaram suposições limitantes, observando a reificação do constructo, ou seja, o constructo é separado a partir da rede de pressupostos e relacionamentos que o originaram. Neste sentido, o desenvolvimento de muitos estudos de

36 capacidade de absorção desenvolveram-se distorcendo os pressupostos de origem, restringindo o constructo de forma que a pesquisa desviou-se do domínio original, surgindo uma infinidade de estudos não cumulativos, ou seja, que não contribuem uns com os outros (LANE; KOKA; PATAK, 2006).

Seguindo as observações nos estudos de Flatten et al. (2011) e já relatada em outras pesquisas (BRANZEI; VERTINSKY, 20060; D’SOUZA; KULKANI, 2015; FÓRES;

CAMISÓN, 2009; GERBAUER; WOLERCH; TRUFFER, 2012; ZAHRA; GEORGE, 2002) optou-se por seguir a proposta multidimensional do constructo de capacidade absortiva proposta por Zahra e George (2002) sob a qual a capacidade dinâmica de absorção é composta por quatro dimensões: capacidade de aquisição, assimilação, capacidade de transformação, de aplicação. Para fins de mensuração, utilizar-se-á a escala adaptada de Flatten et al. (2011) que foi testada quanto a validade e confiabilidade por Koerich, Cancelier e Tezza (2014), sendo esta composta de 14 itens, que serão medidos em uma escala Likert de sete pontos.