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1. PRESCRIÇÃO

1.9. CAUSAS INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO

1.9.1. Artigo 202 do Código Civil de 2002

1.9.1.1. Inciso I

Quem tem o condão de interromper a prescrição é o despacho e não a citação, entretanto, para ocorrer a interrupção há a necessidade de que a citação seja feita dentro do prazo legal e respeitadas as normas jurídicas de existência e validade.

Sobre esta matéria, a doutrina especializada dá a seguinte lição:

O artigo 202 do Código Civil considera causa interruptiva da prescrição o despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, desde que esta seja promovida pelo interessado, no prazo e na forma da lei processual. O efeito interruptivo decorre, pois, da citação válida, que retroagirá à data do despacho, se promovida no prazo e na forma estabelecida no Código de Processo Civil, ou da distribuição, onde houver mais de uma vara74.

71 Art. 202 do Código Civil de 2002: “A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: (...)”.

72 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral, pág. 231.

73 Art. 202, I, do Código Civil de 2002: “por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual”.

74 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral, pág. 228.

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Restou mais do que claro que a prescrição só será interrompida quando ocorrer uma citação dentro das normas legais previstas no Código de Processo Civil em vigência e que ela (citação) tenha sido ordenada por algum magistrado, mesmo que incompetente para tal ato.

1.9.1.2. Inciso II75 , Inciso III76 e Inciso IV77:

No caso do inciso II, entende-se que é o protesto judicial, previsto no art. 867 do Código de Processo Civil, não confundido com o protesto cambial que prevê o inciso III, colado no rol de situações que interrompem a prescrição no Código Civil de 2002, tendo em vista que na Cártula anterior não havia previsão em relação ao protesto cambial, para tanto se criou uma discussão doutrinária e jurisprudencial, em ambas as situações interrompe-se o prazo a partir da data do protesto78.

Evidencia-se o que ensina o ilustre Silvio Rodrigues79, quanto ao inciso I, ele diz o seguinte:

A prescrição se interrompe pelo protesto (CC, art. 202, II). Como a lei acrescenta a locução nas condições do numero anterior, entende a doutrina que o legislador se refere ao protesto judicial, na forma do art. 867 do Código de Processo Civil (...)

Já quanto ao inciso IV, Silvio Rodrigues80 entende que:

Da mesma forma, interrompe o lapso prescricional a apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores (CC, art. 202, IV). Aqui também se revela a solércia do

75 Art. 202, I, do Código Civil de 2002: “por protesto, nas condições do inciso antecedente”.

76 Art. 202, III, do Código Civil de 2002: “por protesto cambial”.

77 Art. 202, IV, do Código Civil de 2002: “pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores”.

78 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral, pág. 230.

79 RODRIGUES, Silvio; Direito Civil: parte geral, 341/342.

80 RODRIGUES, Silvio; Direito Civil: parte geral, pág. 342.

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credor, interessado em defender sua prerrogativa. Trata-se da exibição de documento em inventário do devedor, ou em concurso promovido contra o mesmo, ou seja, de um ato que visa receber a importância devida.

Assim sendo, o prazo será interrompido, quando houver protesto judicial, protesto cambial ou quando houver apresentação de título de crédito em concurso de credores ou em juízo de inventário.

1.9.1.3. Inciso V81:

Neste inciso, o Código Civil de 2002, trata de quando por qualquer ato judicial em que se constitua a mora do devedor terá a prescrição interrompida, por exemplo, quando a propositura em medidas cautelares (notificações e interpelações)82.

A doutrina entende que esse inciso é um supérfluo e assim não merece estar previsto na Cártula Legal, sobre isto, vale demonstrar a opinião da doutrina ao tratar do art. 172 do Código Civil de 1916 (atual 202 no Código Civil de 2002) que é a seguinte:

(...) como quer que seja, o fato é que a constituição em mora só se verifica por um dos três meios: de pleno direito pela velha máxima dies interpellat pro homine, ou por interpelação judicial, ou por interpelação extrajudicial. O primeiro e o terceiro são excluídos pelo art. 172 n. IV, do Código, do número das causa interruptivas; só resta como causa interruptiva da prescrição o terceiro meio, que está incluído no art. 172 n. II83.

Portanto, mesmo a doutrina entendendo que se trata de um supérfluo na lei, quando ocorrer a mora do devedor por ato judicial a prescrição terá seu prazo interrompido nas formas do artigo 202, inciso V do Código Civil de 2002.

81 Art. 202, V, do Código Civil de 2002: “por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor”.

82 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral, pág. 230.

83 CARPENTER apud RODRIGUES, Silvio; Direito Civil: parte geral, 34ª edição. São Paulo:

Saraiva, 2007, pág. 343.

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1.9.1.4. Inciso VI84:

Quando por qualquer ato inequívoco que o direito seja reconhecido pelo devedor, será interrompida a prescrição, ou seja, quando o devedor de alguma forma reconhecer o que alega o credor. Cita-se como exemplo: o reconhecimento da dívida, pedidos de prorrogação de prazo ou de parcelamento, pagamentos parciais entre outros.

Em relação ao inciso em questão, a doutrina diz que:

Aqui se prescinde de um comportamento ativo do credor, o qual se torna desnecessário dado o procedimento do devedor. Se este reconhece, inequivocamente, sua obrigação, seria estranho que o credor se apressasse em procurar tornar ainda mais veemente tal reconhecimento.

Deste modo, fica claro que quando o devedor por alguma atitude reconhecer o direito do credor, daquele momento em diante, a prescrição será interrompida.

1.9.2. Artigo 20385 e Artigo 20486 do Código Civil de 2002:

84 Art. 202, VI, do Código Civil de 2002: “por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor”.

85 Art. 203, do Código Civil de 2002: “A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado”.

86 Art. 204, do Código Civil de 2002: “A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhante a interrupção operado contra o co-devedor, ou se herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados. §1º - a interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros. §2º - A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis. §3º - A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.”

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Primeiramente, sobre o artigo 203, não há muito que se discutir, pois a prescrição pode ser interrompida por qualquer outra pessoa que de alguma forma esteja interessada que o prazo prescricional seja obstruído87.

Já em relação ao artigo 204 e seus respectivos parágrafos, demonstra-se o brilhante elucidação da doutrina quanto aos mesmos:

Os efeitos da prescrição são pessoais. Em conseqüência, a interrupção da prescrição feita por um credor não aproveita aos outros, assim como aquela promovida contra um devedor não prejudica aos demais obrigados (CC, art. 204). Essa regra, porém, admite exceção: a interrupção por um dos credores solidários (solidariedade ativa) aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (solidariedade passiva, em que cada devedor responde pela dívida inteira). A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solitário não prejudica os outros herdeiros ou devedores (o prazo para este continuará a correr), a não ser quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis. Nesse caso, todos os herdeiros ou devedores solidários sofrem os efeitos da interrupção da prescrição, passando a correr contra todos eles o novo prazo prescricional88.

Portanto, estes dois artigos, prevêem que qualquer interessado poderá interromper a prescrição (artigo 203), já quanto ao artigo 204, que preceitua a questão em relação aos credores solidários que quando um deles obtiver a interrupção da prescrição, os outros (credores) não aproveitarão, salvo algumas exceções previstas nos parágrafos do artigo em questão.

87 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral, pág. 231.

88 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral, pág. 231/232.

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2. DANO MORAL E O ACIDENTE DE TRABALHO:

2.1. DANO MORAL:

2.1.1. Conceito:

Dano moral é todo ato praticado contra alguma pessoa (ou pessoas), que fere de alguma maneira sua reputação, o seu pudor, sua segurança e tranqüilidade, o seu amor próprio, enfim, tudo aquilo que de alguma maneira irá alterar o transcurso normal da vida da vítima lhe trazendo sofrimento89.

Ensina a doutrina que dano moral é:

(...) o menoscabo sofrido por alguém ou por um grupo como conseqüência de ato ilícito ou atividade de risco desenvolvida por outrem capaz de atingir direitos de personalidade e princípios axiológicos do direito, independentemente de repercussão econômica90.

Já Carlos Bittar91 conceitua dano moral da seguinte maneira:

Qualificam-se como danos morais os danos em razão da esfera da subjetividade, ou de plano valorativo da pessoa na sociedade, em que repercute o fato violador, havendo-se como tais aqueles que atingem os aspectos mais íntimos da personalidade humana (o da intimidade e da consideração pessoal), ou o da própria valoração da pessoa no meio em que vive e atua (o da reputação ou da consideração social).

89 GABRIEL, Sérgio; Dano moral e Indenização. Jus Navigandi, elaborado em março de 2002.

Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2821> (Acesso em: 14/06/2008).

90 BARROS, Alice Monteiro de; Curso de direito do trabalho, pág. 643.

91 BITTAR, Carlos; apud CAHALI, Yussef Said; Dano moral, 3ª edição, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, pág. 22.

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Deste modo, dano moral é quando alguém sofre um dano que fere de alguma maneira sua integridade pessoal e sua reputação frente à sociedade em que vive, ressaltando que este dano não é material, ou seja, não tem como mensurar um valor determinado, e sim, algo que ocorre para com a vítima que lhe cause forte impacto emocional.

2.1.2. Responsabilidade de indenizar:

A necessidade de se provar o que foi alegado, é um dos preceitos mais conhecidos do direito, não basta apenas a pessoa alegar que tal fato ocorreu, sempre se tem a necessidade de se provar o fato que supostamente deu causa ao entrevero judicial. E quanto ao dano moral não é diferente, nesse sentido a doutrina cita uma parte do julgado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que diz: “no plano do dano moral não basta o fato em si do acontecimento mais, sim, a prova de sua repercussão, prejudicialmente moral92”.

Entretanto, entende Sebastião Geraldo de Oliveira93 o seguinte:

Para a condenação compensatória do dano moral não é imprescindível a produção de prova das repercussões que o acidente de trabalho causou; basta o mero implemento do dano injusto para criar a presunção dos efeitos negativos na órbita subjetiva do acidentado(...)

Conclui citando Carlos Alberto Bittar94:

(...) não se cogita, em verdade, pela melhor técnica, em prova de dor, ou de aflição, ou de constrangimento, porque são fenômenos

92 CAHALI, Yussef Said; Dano moral, 3ª edição, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, pág. 811(texto extraído especificamente da citação 58 desta página).

93 OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de; Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional, 3ª edição, São Paulo: LTr, 2007, pág. 210.

94 BITTAR, Carlos; apud OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de; Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional, pág. 210.

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ínsitos na alma humana como reações naturais a agressões do meio social. Dispensam, pois, comprovação, bastando, no caso concreto, a demonstração do resultado lesivo e a conexão com o fato causador, para responsabilização do agente.

Portanto, fica claro que não há a necessidade da comprovação da repercussão do dano sofrido, e sim a ligação entre o dano moral sofrido e o ato praticado pelo suposto causador do dano (nexo causal), para que ele (o causador) seja responsabilizado por seu ato danoso.

2.1.2.1. Teoria Positivista e Teoria Negativista:

Como a reparação do dano moral sempre foi uma matéria muito discutida se criaram teorias a respeito deste assunto, de acordo com a doutrina especializada no assunto existem 2 teorias, uma é a Negativista e a outra é a Positivista.

A teoria Negativista entende que é impossível e totalmente imoral a reparação do dano moral tendo em vista que não se pode imputar um valor monetário a uma dor, ou ainda, a impossibilidade de calcular quão negativo foram os reflexos daquele suposto dano em cada pessoa envolvida na situação a ser avaliada pelo Magistrado pelo fato de não existirem parâmetros para tal dano e por fim, atribuir ao Magistrado o encargo de dar valor econômico, o que para eles, como já exposto, não é possível e nem um pouco moral95.

Já a teoria quanto a Positivista cita-se o esclarecimento de Valdir Florindo96:

Entre os positivistas estão juristas de renome, como Orlando Gomes, Caio Mário da Silva Pereira, Silvio Rodrigues, Antônio Chaves,

95 SILVA, Floriano Corrêa Vaz da apud WESTPHAL, Roberta Schneider; Dano moral e o direito do Trabalho, 1ª Edição, Florianópolis: Momento Atual, 2003, pág. 25.

96 FLORINDO, Valdir apud WESTPHAL, Roberta Schneider; Dano moral e o direito do Trabalho, pág. 26.

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Miguel Reale, que admitem a integral reparação do dano moral fundamentada no caráter compensatório do valor monetário e no caráter punitivo ao autor da lesão. Argumentam os adeptos desta corrente que o artigo 159 do antigo Código Civil de 1916, quando estabeleceu que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano, tratou o dano de forma genérica, estando, portanto, incluído o dano moral, fundamentando com sabedoria que o legislador tratou amplamente da reparabilidade do dano, não cabendo ao interprete retirar da lei o que ela não excluiu.

O que defendem os positivistas que sim, o dano moral deve e pode ser ressarcido, e ainda que após a promulgação do novo Código Civil de 2002, não restaram duvidas de que o causador do dano deve ser processado e se comprovada sua culpa deverá indenizar a pessoa que sofreu o dano97.

Ainda sobre a teoria dos positivistas elucida-se o assunto com a brilhante lição de Roberta Schneider Westphal, que diz o seguinte:

Com estas observações e diante da nova redação apresentada pelo novo Código Civil, não restam duvidas de que o artigo 159 do Código Civil de 1916, que sempre impôs a obrigação de reparar o dano, jamais excluiu a reparação do dano moral, chegando-se a conclusão óbvia de que o dano moral já estava contemplado, e que, portanto, resulta, neste momento, absurda a doutrina que pugna pela não reparabilidade deste dano.

Como ficou claro a teoria dos positivistas por efeitos de lei se sobressaiu a negativista, portanto, o que de fato acontece é que não tem como se estipular um valor para o dano sofrido (como dizem os negativistas), entretanto, a única maneira de a vítima ser ressarcida é imputando ao causador valor monetário ao dano, mesmo alguns acreditando ser impossível e imoral (negativistas).

2.1.2.2. Nexo Causal:

97 WESTPHAL, Roberta Schneider; Dano moral e o Direito do Trabalho, pág. 27.

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O nexo causal é requisito básico para a identificação do causador do dano, pois, através dele que irá se determinar a ligação entre o dano sofrido e ato causador do dano, para que assim se responsabilize o legítimo autor do dano98.

Sobre esta matéria ensina Gisela Sampaio da Cruz 99:

Para que se configure a obrigação de indenizar, não basta o agente haja procedido contra o Direito, nem que tenha criado um risco, tampouco que a vítima sofra um dano; é preciso que se verifique a existência de uma relação de causalidade a ligar a conduta do agente, ou sua atividade, ao dano injustamente sofrido pela vítima.

A necessidade de demonstrar o nexo causal como principal requisito para obtenção de uma futura indenização, está previsto no art. 186 do Código Civil, quando em seu texto menciona “aquele que... causar dano a outrem”, pois até pode se culpar deferir uma indenização mesmo não havendo a culpa do suposto culpado, como prevê o artigo 927, parágrafo único, da mesma cártula legal, porém é totalmente inadmissível o ressarcimento sem que haja sido provado o nexo que atrela o dano ao suposto autor do dano100.

Deste modo, fica evidenciado, que há a possibilidade de ser deferida uma indenização a uma vítima mesmo que o autor do fato não tenha culpa, porém, não há como se falar em condenação do possível autor sem que se ligue o fato ocasionado por ele e a lesão sofrida pela vítima.

2.1.2.3. Ônus da Prova:

98 CAVALIERI FILHO, Sérgio; apud OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de; Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional, pág. 130.

99 CRUZ, Gisela Sampaio da; O problema do nexo causal na responsabilidade civil. 1ª Edição, São Paulo: Editora Renovar, 2005, pág. 4.

100 OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de; Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional, pág. 130.

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Quanto ao ônus da prova, com base no que prevê o artigo 333 do Código de Processo Civil, onde diz que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, ou ainda, ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo de direito do autor.

Via de regra, o ônus de provar o que se alega recai sobre uma das partes (na maioria das vezes recai sobre o autor, pois ele que será o maior interessado em ter seu direito constituído), para que de alguma maneira indiquem ao magistrado um “caminho” para que no futuro saiba qual a decisão mais justa a tomar101.

Conseqüentemente, ressalta-se que há a possibilidade de se inverter o ônus da prova para o réu, já quanto ao nexo de causalidade ficará sempre sob responsabilidade do autor, para que assim demonstre a ligação entre a ação ou omissão do suposto réu e o ato que provocou o tal dano102.

Logo existem danos que não exigem a necessidade de comprovação por parte do autor de sua repercussão, pois se presume o dano causado, nestes casos incumbiria ao réu provar o contrário, se tem como exemplo, o dano causado a um pai pela morte de seu filho, este dano não há a necessidade de se provar, se presume que um pai que tenha perdido um filho, sofra danos irreparáveis. Além da perda da pessoa da família, vêm tendo tratamento diferente, no que tange o ônus probatório, outras matérias: protesto indevido de titulo de crédito (se houver tido reclamação de indenização por pessoa física ou jurídica), e ainda nos casos de lesão deformante e ofensa à honra da mulher103.

Mesmo não tendo a necessidade de o autor provar o dano sofrido (em alguns casos), a doutrina ressalva o seguinte ponto de vista:

101 DINAMARCO, Candido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. Vol. III, 1ª Edição, São Paulo: Editora Malheiros, 2005, pág. 71.

102 CAHALI, Yussef Said; Dano moral, pág. 810.

103 CAHALI, Yussef Said; Dano moral, pág. 811.

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De qualquer forma, pode ser do interesse da vítima demonstrar a extensão dos danos morais, com as singularidades do caso concreto, cujas provas podem influenciar no arbitramento do valor da indenização, mormente se os efeitos do acidente de trabalho tiverem causado repercussões prejudiciais mais agudas, acima do que a simples presunção sugere. Em síntese, não se exige a prova dos danos morais como pressuposto de condenação, mas na instrução processual podem ser colhidos elementos importantes que auxiliem na dosimetria adequada do montante indenizatório104.

Assim sendo, existe sim a possibilidade da inversão do ônus da prova em alguns casos, porém, será sempre necessária a comprovação do nexo causal entre o fato danoso e a ação ou omissão do causador do dano, entretanto, se a vitima quiser provar o que ocorreu mesmo que não haja a necessidade pelo fato de o dano ser presumido, estas provas serão aceitas de bom grado e só irão favorecer a própria vitima que ao final do processo se o réu for condenado, e aqueles elementos probatórios trazidos por ele ao processo serão colocados na balança para na de se determinar o quantum indenizatório.

2.1.3. Fixação do quantum indenizatório:

O valor do quantum indenizatório vem sendo arbitrado pelo magistrado, de acordo com as circunstâncias de cada caso (por isso a importância de trazer provas ao processo para ajudar o magistrado na hora de prolatar a decisão) e assim tentar de alguma maneira arbitrar o valor mais justo como forma de pagamento pelo dano causado pelo autor à vítima, pois não existem parâmetros estabelecidos para a fixação do valor da indenização105.

Esta opção de o magistrado arbitrar os valores da indenização vem propiciando a ele o poder de fixar quantias com mais precisão e liberdade, sem um limite para lhe conter, logicamente com a devida análise do caso. Porém, já se houve a tentativa de tarifação dos valores da indenização por danos morais usando

104 OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de; Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional, pág. 212.

105 CAHALI, Yussef Said; Dano moral, pág. 813.

No documento Enio Francisco Demoly Neto.pdf - Univali (páginas 38-43)