• Nenhum resultado encontrado

INTERNAÇÃO EM INSTITUIÇÕES

CAPÍTULO 2...................................................................................... 22

3.3 INTERNAÇÃO EM INSTITUIÇÕES

Pode-se comparar a situação dos idosos que são abandonados com a situação das crianças deixadas em orfanatos, porém com uma pequena diferença, a criança quando é deixada em um orfanato, abandonada pelos pais tem a chance de ser adotada por outra família, tendo a oportunidade de um futuro melhor.

E o idoso, por sua vez, não será mais adotado por uma nova família, o que ele pode esperar da velhice é que seja amado e cuidado por seus filhos, ou na falta destes por algum outro familiar.

81 FERNANDES, Flávio da Silva. As pessoas idosas na legislação brasileira. p. 96-97.

Quando chega o estágio da velhice o idoso sabe que não tem mais nenhum futuro, o que ele pode esperar é que tenha uma velhice tranqüila, ou seja, mesmo triste temos que admitir que o que ele pode esperar é que não sofra muito até morrer, que possa aproveitar os últimos dias de sua vida.

Com certeza não se deve pensar que um idoso tem que ser uma pessoa triste, reservada, ele pode sim viver os seus últimos dias com alegria, e aproveitar tudo o que a vida tem de melhor, no entanto depende em alguns casos da ajuda de outras pessoas.

Deste modo é complicado avaliar um familiar que deixa uma pessoa idosa em asilos, lares ou casas de abrigo, mesmo quando dependem destes por muito tempo. Sendo que isto ocorre por muitas vezes contra a vontade destes idosos ou até mesmo através de ameaças.

Assim entende Flavio da Silva Fernandes82:

Tem-se anunciado que familiares procuram maneiras de colocar em asilos, lares e casas de abrigo seus idosos contra a vontade destes, usando ameaças e ardis.

Segundo o Decreto-lei n. 1.948/96, entende-se por modalidades asilar o atendimento, em regime de internação, ao idoso sem vinculo familiar ou sem condições de prover a própria subsistência de modo a satisfazer as suas necessidades de moradia, saúde e convivência social.

Existem casos sim em que há a necessidade de deixar os idosos em alguma Instituição, como o fato do idoso ser doente e a pessoa responsável não ter tempo e nem condições de cuidar deste, assim deixa em alguma instituição.

Um familiar pode deixar um idoso em uma instituição, porém não precisa abandoná-lo, pode continuar tendo contato, visitando e dando o carinho que necessita, fazendo com que assim o idoso ainda sinta que tem amor da família.

82 FERNANDES, Flávio da Silva. As pessoas idosas na legislação brasileira. p. 97.

O Estatuto do Idoso83 prevê em seu Artigo 49, inciso I que:

Art. 49. As entidades que desenvolvam programas de institucionalização de longa permanência adotarão os seguintes princípios:

I – preservação dos vínculos familiares;

Quando o idoso é afastado do lar ocorre à ruptura do laço familiar, sendo direito do idoso e de seus familiares as visitas nasinstituições em que estes se encontrem, e o correto seria que as entidades entrassem em contato com os familiares quando não estiverem presentes.

Quando os idosos são recebidos em asilos e instituições, estes devem lhes proporcionar cuidados e tratamento, com pleno respeito a sua dignidade, crenças, necessidades e intimidades, tendo também o direito de tomar decisões sobre as atenções relacionadas à sua qualidade de vida.

É o que determina o Art. 50, e seus incisos do Estatuto do Idoso84:

Art. 50. Constituem obrigações das entidades de atendimento:

I – celebrar contrato escrito de prestação de serviço com o idoso, especificando o tipo de atendimento, as obrigações da entidade e prestações decorrentes do contrato, com os respectivos preços, se for o caso;

II – observar os direitos e as garantias de que são titulares os idosos;

III – fornecer vestuário adequado, se for pública, e alimentação suficiente;

83 CÉPEDES, Lívia; PINTO, Antonio Luiz de Toledo e WIND, Márcia Cristina Vaz dos Santos.

Vade Mecum: Estatuto do Idoso. Editora Saraiva: São Paulo. 2007. p. 1100.

84 CÉPEDES, Lívia; PINTO, Antonio Luiz de Toledo e WIND, Márcia Cristina Vaz dos Santos.

Vade Mecum. p. 1096.

IV – oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade;

V – oferecer atendimento personalizado;

VI – diligenciar no sentido da preservação dos vínculos familiares;

VII – oferecer acomodações apropriadas para recebimento de visitas;

VIII – proporcionar cuidados à saúde, conforme a necessidade do idoso;

IX – promover atividades educacionais, esportivas, culturais e de lazer;

X – propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas crenças;

XI – proceder a estudo social e pessoal de cada caso;

XII – comunicar à autoridade competente de saúde toda ocorrência de idoso portador de doenças infecto-contagiosas;

XIII – providenciar ou solicitar que o Ministério Público requisite os documentos necessários ao exercício da cidadania àqueles que não os tiverem, na forma da lei;

XIV – fornecer comprovante de depósito dos bens móveis que receberem dos idosos;

XV – manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias do atendimento, nome do idoso, responsável, parentes, endereços, cidade, relação de seus pertences, bem como o valor de contribuições, e suas alterações, se houver, e demais dados que possibilitem sua identificação e a individualização do atendimento;

XVI – comunicar ao Ministério Público, para as providências cabíveis, a situação de abandono moral ou material por parte dos familiares;

XVII – manter no quadro de pessoal profissionais com formação específica.

Os funcionários que trabalham em institutos asilares devem cuidar das pessoas idosas, tentando fazer com que os idosos que ali residem mantenham a lucidez, pois assim será muito mais fácil de realizar seus trabalhos.

Para melhor compreender este trabalho foi realizado uma pesquisa em duas instituições para Idosos, sendo uma na instituição filantrópica, que é o caso do Asilo Dom Bosco, onde a Enfermeira A forneceu as informações necessárias, já na Instituição Particular, que é a Casa Idosos 4 Estações Ltda, a Enfermeira B falou sobre a instituição.

O Asilo Dom Bosco tem a capacidade para 80 (oitenta) pessoas, abriga 72 (setenta e duas), sendo que destas 72 (setenta e duas) apenas 15 (quinze) recebem visitas de parentes, as demais recebem apenas visitas de grupos voluntários que visitam a casa.

Na enfermaria podemos ver isto de perto, na ala feminina que tem 6 (seis) idosas, uma com 100 (cem) anos, destas 6 (seis) apenas 3 (três) estão recebendo visita, as demais também tem parentes, principalmente filhos, mas estes nem sabem ao menos que se encontram doentes.

Foi possível verificar pelos olhares perdidos e pela falta de um sorriso no rosto, diante de um cenário até melancólico, que por mais que esta instituição tente fazer estes idosos felizes não consegue dar o que eles mais necessitam que é o carinho familiar.

Talvez esse seja o motivo pelo quais muitos idosos entram em depressão quando são deixados em Casas Asilares. Imagine uma pessoa viver trinta anos no mesmo local, sem o carinho de familiares, tendo somente como amigos os funcionários de uma instituição ou outros idosos que permanecem pouco tempo no local.

Nestas instituições tem 3 (três) idosos que residem lá há mais 30 (trinta) anos, sendo que uma destas é doente mental e entrou na casa

quando não era ainda uma Instituição para idosos, e sim uma casa para deficientes mentais.

Como pode uma pessoa que com certeza tem seus filhos e familiares, que cuidou de uma família, ser deixada em um lugar e nunca mais nem ao menos receber visitas. É admissível o fato de um idoso ser deixado em um asilo quando seus familiares não tem condições de cuidá-lo, mas ao ponto de não receber uma visita é lamentável.

No período da noite são apenas 2 (dois) funcionários para cuidar de todos os idosos, assim podemos verificar a precariedade da casa, pois como pode apenas 2 (duas) pessoas cuidar de 72 (setenta e duas), ainda mais que são poucos os idosos lúcidos que podem cuidar de si próprio.

Já no asilo 4 Estações Ltda a capacidade é para 60 (sessenta), abriga 37 (trinta e sete) idosos, desses, 30 (trinta) recebem visitas periodicamente, e 07 (sete) recebem visitas 1(uma) vez por mês, pois seus filhos ou outros familiares são caminhoneiros e não podem estar sempre na instituição.

Nesta instituição além dos idosos tem uma pessoa com síndrome de dow, com 30 (trinta) anos, que reside na casa porque sua mãe abandou-a e seu pai é caminhoneiro, assim por uma decisão judicial ela foi aceita na casa.

Segundo informações da Enfermeira B, todos os que ali residem tem algum problema, alguns mais sérios que os outros, mas todos estão ali porque seus filhos não tem condições de cuidá-los em casa e não confiam mais nos cuidados de babas especializadas em idosos.

Esta enfermeira B, informou que teve um caso de um idoso que devido a um derrame ficou impossibilitado de qualquer movimento, assim sua filha pagava uma baba para ficar com ele, esta além de bater no idoso, ainda comia sua comida, fazendo com que este ficasse com medo até mesmo de comer, hoje na instituição ele come e está bem melhor.

Nestas instituições particulares, como podemos verificar, são difíceis os casos que os idosos são abandonados pelos parentes, mas não é diferente o fato de irem muitas vezes contra a própria vontade.

Na segunda intuição pesquisada houve alguns casos em que os parentes, na maioria das vezes filhos, internaram idosos, pagaram por alguns meses, e depois simplesmente sumiram, assim a instituição entrou na justiça e ganhou a tutela do idoso, e o direito de receber a sua aposentadoria.

Se um idoso fica doente e está em uma dessas Instituições cabe a esta avisar a família para que sejam levados ao hospital e lá permanecerem na companhia de algum parente. No entanto se a Instituição tem a tutela do idoso, obrigatoriamente é responsável pelo transporte do idoso ao hospital, assim como também da companhia deste no hospital.

Houve um caso em que a filha deixou o pai na Instituição e outra filha entrou na justiça para ganhar a tutela do pai, com um único objetivo ficar com sua casa. Esse é um caso comum hoje em dia, filhos que querem ficar com os pais simplesmente para poder usufruir de algum bem que este possui.

Nesta instituição os idosos pareciam muito bem tratados,os lugar muito bem limpo e organizado. Conversando com os idosos que estavam lúcidos foi possível perceber que gostavam das pessoas que os cuidavam, muitos pareciam até ter um carinho muito especial por estas pessoas.

Com está pesquisa pode-se perceber a diferença que tem em asilos filantrópicos e particulares, pois, o Asilo Dom Bosco não senti indiferença da parte da enfermeira A que passou as informações, mas a própria instituição tem problemas, como espaço físico, e poucos funcionários para cuidar dos idosos. Já na Instituição particular além dos funcionários parecerem que tem amor em trabalhar neste local, o lugar é amplo, bem limpo e seguro.

Documentos relacionados