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CAPÍTULO 2...................................................................................... 22

3.5 SANÇÕES PENAIS

Existem alguns crimes contra idosos que iremos tratar neste capítulo que estão elencados no Código Penal Brasileiro, assim como o abandono de incapaz, a omissão de socorro, maus tratos e o abandono material.

Vamos então iniciar falando do crime de abandono de incapaz, e para melhor compreender, vale salientar que o Incapaz é toda pessoa que por algum motivo de saúde física ou mental, ou ainda pela idade, não pode se manter. E o idoso, como todos sabemos, são poucos os que chegam em determinada idade lúcidos e capazes de se manter.

Sendo assim, quando alguém nessas condições é abandonado, a pessoa que está responsável pelos seus cuidados, guarda, vigilância ou autoridade comete crime de abandono de incapaz.

É o que nos trás o Artigo 133, § 3º, III do CP87:

87 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. Editora Atlas: São Paulo. 2005. p. 1041

Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:

§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:

III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos.

Assim é entendimento jurisprudencial:

Para a configuração do delito previsto no art. 133 do Código Penal, exige a lei o fato material do abandono, a violação de especial de zelar pela segurança do incapaz, a superveniência de um perigo à vida ou à saúde deste, em virtude do abandono, a incapacidade dele se defender de tal perigo e o dolo específico.

(TACRSP: RT 393/344).

Neste caso o sujeito ativo do crime é a pessoa que tem o dever jurídico de zelar pela vítima, e o sujeito passivo é o incapaz, que é todo aquele que não tem condições de cuidar de si próprio.

A conduta para esse crime é abandonar a vitima, tanto sendo em levá-la a algum lugar onde não há meios de se proteger, como é o caso de Asilos que não tem condições de amparar o idoso, ou até mesmo afastando-se da vitima, deixando-a sem proteção.

O dolo para esse crime é a vontade de abandonar a vitima, estando o agente ciente de que é responsável por esta e do perigo que pode correr. E a consumação acontece com o perigo concreto, não excluindo-o com o fato de que o sujeito ativo reassumiu o dever de assistência.

Desta maneira é o entendimento jurisprudencial:

Admite-se a tentativa no crime de abandono de incapaz na hipótese, por exemplo, do agente percorrer quase que inteiramente o inter criminis e a pronta intervenção de terceiro impedir que a vitima ficasse exposta a perigo, ainda que momentaneamente.(TACRSP: JTACRIM 78/411)

A pena para esse crime pode variar de 6 meses a 3 anos de detenção, sendo que se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos, a pena aumenta de um terço

Quando falamos da omissão de socorro que é deixar de prestar assistência a pessoa que precisa, estamos falando do crime previsto no Artigo 135 e parágrafo único do Código Penal88 que nos trás:

Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, á criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir. Nesses casos, o socorro da autoridade pública:

pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplica, se resulta a morte.

O sujeito ativo deste crime é aquela pessoa que está próxima da vitima no momento em que esta necessita de ajuda, embora em alguns casos não exista esta proximidade e alguém seja convocado a prestar esse socorro. Caso existam mais pessoas que possam prestar socorro e todas se recusarem, acabaram todas respondendo pelo crime.

Assim é o entendimento jurisprudencial:

Se mais de uma pessoa encontra outra em perigo, todas ficam obrigadas ao socorro. A assistência eficiente prestada por um dos presentes exime os demais. (TACRSP: RT 519/402).

A omissão de socorro não está ligada a relação de parentesco entre o sujeito e a vitima, pois será responsável qualquer pessoa que se omita a prestar esse socorro, pois é um dever moral de assistência e solidariedade.

88 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. p. 1047.

Como sujeito passivo temos em se tratando do trabalho a pessoa inválida, aquelas que por sua condições pessoais, no caso em tela a idade, não tem condições de afastar o perigo de si mesma.

Deste modo podemos verificar segundo jurisprudência:

Para a configuração do crime de omissão de socorro, não há a necessidade da vitima estar correndo risco de vida, vez que o perigo descrito no tipo penal, também diz respeito à incolumidade física da pessoa. (TAXRSP: RJDTACRIM 22/295)

Existem duas condutas que qualificam este crime que é deixar de prestar assistência ao ofendido, que é uma conduta típica, e a de não pedir socorro da autoridade pública, que é uma conduta omissiva.

O dolo do crime de omissão de socorro é a vontade de não prestar assistência ou auxilio, tendo plena consciência de que essa omissão acarretará perigo para a vitima. E a consumação quando o sujeito ativo deixou de agir.

Segundo Julio Fabbrini Mirabete89:

Passado o tempo juridicamente relevante, o socorro tardio não exclui a consumação. Tratando-se de crime omissivo próprio, não é possível a tentativa. Se a pessoa presta socorro, diante da insistência de terceiros, não pratica o crime; se já decorreu o lapso de tempo juridicamente relevante, o crime está consumado.

Em se tratando do crime de maus tratos é um crime que agride a proteção à pessoa, pois é quando o sujeito tem sob sua proteção a vitima e expõe esta a perigo de vida ou sua saúde.

Assim dispõe o Artigo 136 e os § 1º, 2° e 3°do CP90:

89 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. p. 1053.

90 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado.. p. 1056.

Art. 136. Expor a perigo a vida ou à saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:

Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um ano, ou multa.

§ 1º se o fato resulta lesão corporal de natureza Grace:

Pena – reclusão, de 1 (um) ano a 4 (quatro) anos.

§ 2º Se resulta de morte:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.

§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menos de 14 (catorze) anos.

O idoso muitas vezes fica sob a guarda ou vigilância de alguém, quer seja por familiares ou por alguma Instituição asilar, tanto que o sujeito ativo deste crime pode ser pais, tutores, curadores, diretores de colégios, professores, enfermeiros, guardas de presídios etc, ou seja, somente quem tem essa legitimação especial de autoridade pode cometer este crime.

Já o sujeito passivo como podemos verificar é aquela pessoa que se acha sob autoridade, guarda ou vigilância do agente. Sendo que o tipo penal pode ser analisado através da expressão expor a perigo a vida ou a saúde da vitima pelo abuso do agente.

Para a configuração deste crime é necessário que haja a intenção do agente (querer corrigir ou disciplinar a vítima), sendo que sua consumação se da com a criação do perigo.

Assim é o entendimento jurisprudencial:

O crime de maus-tratos, previsto no art. 136 do CP, é crime de perigo, bastando para sua consumação a situação periclitante

criada pelo agente, não exigindo resultado, isto é, dano efetivo.

(TACRSP: RT 675/376)

Para finalizar vamos então falar um pouco do crime material que é quando o agente deixa de prover a subsistência da vitima, e está previsto no Artigo 244 e parágrafo único do CP91:

Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo:

Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País.

Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada.

O sujeito ativo para este crime pode ser o cônjuge, que deixa de prover o sustento do outro; o pai ou a mãe em relação ao filho menor de 18 anos ou aquele filho que não seja capaz de trabalhar; o descendente que deixa de proporcionar recursos necessários a ascendente inválido, idoso ou doente e o devedor da pensão alimentícia.

Deste modo entende Julio Fabbrini Mirabete92:

Sujeito ativo é aquele que tem o dever legal de prover a subsistência do sujeito passivo: cônjuge, pai ou mãe, descendente ou qualquer pessoa que deixa de socorrer o ofendido.

Assim entende-se por sujeito passivo, segundo Julio Fabbrini Mirabete93, “aquele que, nos termos da lei penal, pode exigir a prestação

91 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. p. 1967.

92 MIRABETE, Julio Fabrini. Código Penal Interpretado. p. 1968.

do cônjuge ou parente, também os filhos com idade até 18 anos e ainda o ascendente inválido (inutilizado para o trabalho) e o maior de 60 anos”.

Para este crime temos como condutas típicas o fato do sujeito ativo deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do sujeito passivo e quando este não efetua o pagamento da pensão alimentícia que é fixada judicialmente.

O dolo, segundo Julio Fabbrini Mirabete94, “é a vontade de deixar de prover a assistência ao sujeito passivo pouco importando a motivação do agente. E a consumação acontece quando à primeira e a ultima das condutas típicas, quando o omitente deixa de prover a subsistência da vítima, em comportamento permanente.”

Estes são alguns dos crimes praticados contra a pessoas idosa, muitas vezes não tem condições alguma de se defender, ou até mesmo não sabe que tem o direito desta defesa.

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