33 1997)
A capacidade absortiva é compreendida em sua plenitude a partir do entendimento de quatro capacidades: Aquisição; Absorção;
Transformação e Exploração
Zhara e George (2002)
Tabela 3: Evolução da teoria sobre capacidade absortiva Fonte: elaborado pelo autor.
Na Tabela 3 resgata-se a evolução das discussões sobre a capacidade absortiva que são utilizadas para subsidiar as análises apresentada no capítulo quatro.
34 Quando se refere à internacionalização de empresas de tecnologia da informação encontra-se um espaço para discussão em função da recorrente vontade das empresas brasileiras em internacionalizarem-se. Nesse sentido, a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologias, fundada em 1986, a principal associação de TI do Estado de Santa Catarina, em 2013 criou o Programa de Internacionalização de empresas de TI.
De acordo com o presidente da ACATE, Guilherme Bernard (2013), em entrevista realizada pela ACATE, o objetivo do programa é criar uma cultura empreendedora global. Assim, a pesquisa sobre como o uso dos recursos estratégicos e as práticas relativas à capacidade absortiva da empresa podem facilitar esse processo de internacionalização.
É possível estabelecer relação entre a teoria da RBV e KBV com o processo de internacionalização a partir da afirmação que o crescimento da empresa está vinculado à aquisição do conhecimento, que é, então, um processo evolutivo. Assim, quanto mais experiências a empresa tiver, mais chance ela tem de crescer no mercado internacional (FLORIANI; FLEURY, 2012). Logo, essa experiência possibilita o desenvolvimento de habilidades e competências utilizadas como facilitadoras no desempenho da empresa no mercado internacional.
No mesmo sentido, Andrade e Galina (2013) avaliaram se a estratégia de expansão internacional das empresas multinacionais está afetando a eficiência e eficácia na gestão do negócio da empresa. Através do uso de regressão múltipla aplicada aos dados da amostra de 33 empresas multinacionais mais internacionalizadas de economias em desenvolvimento identificaram uma relação linear negativa entre o grau de internacionalização e o desempenho das empresas. Ou seja, quanto maior o grau de internacionalização menor o desempenho dessas empresas. Os autores sugerem que isso se deve a falta de experiência global e em “mercados estrangeiros, falta de informação local, falta de familiaridade com a cultura estrangeira e, até mesmo, o tratamento discriminatório por parte do governo de outros países” (p. 256, 2013). Portanto, conhecimento desenvolvido a partir das experiências é um fator importante para o bom desempenho de empresas.
Tendo em vista que existem duas grandes correntes teóricas para estudar o fenômeno do processo de internacionalização de empresas, apresenta-se um estudo sobre as essas duas principais abordagens: econômica e comportamental. Analisa-se essas duas abordagens em função de permitirem analisar com mais complexidade o processo de internacionalização.
35 2.3.1 Abordagem Econômica
O Paradigma Eclético da Produção proposto por Dunning (1980; 1988) objetiva delinear, estruturado nas teorias econômicas, uma análise ampla sobre a produção internacional da firma. O autor ancora-se na escola econômica, nos estudos de Coase (1937) e Williamson (1975) sobre teorias dos custos de transação; e em Buckley e Casson (1976) sobre internalização e amplia a investigação estudando a motivação para a internacionalização de empresas com base na amplitude, forma e padrão da produção internacional.
Quando a companhia constata possíveis vantagens nos mercados internacionais, não alcançadas até então por suas operações convencionais, torna-se interessante passar a servir os mercados estrangeiros. Assim, a decisão da produção local ou externa à empresa seria decorrente da análise criteriosa de alguns elementos:
1) A vantagem da propriedade em relação às outras companhias. (A propriedade refere-se aos ativos intangíveis, idiossincráticos à firma);
2) A logística das instalações (posicionamento geográfico, escoamento da produção);
3) A capacidade de absorver (internalizar) os ativos produzidos e transferi-los além das fronteiras nacionais.
Assim, para Dunning (1980), desenvolver atividades de produção no exterior seria consequência da observação destas condições basilares: Propriedade, Localização e internalização (originalmente OLI – Ownership, Location, Internalization).
(DUNNING, 1980, 1988).
Dunning e Lundan (2008) revistaram o paradigma eclético, atribuindo novos aspectos relacionados ao mercado globalizado, considerando as alianças estratégicas, alterando fatores da vantagem da propriedade, por ser comum, em tempo presente, as companhias atuarem em redes, compartilhando clientes e fornecedores.
Posteriormente, Dunning e Lundan (2010) continuam a revisão do paradigma relacionando a competitividade da firma com a capacidade dinâmica ao cenário das companhias. Para os autores as multinacionais possuem participação relevante ao gerarem inovação institucional combinadas com a capacidade regional e que podem ser transferidas para outras unidades/regiões da companhia.
36 Ao internalizar conhecimento das operações, quando há transferência de conhecimento entre as unidades multinacionais da empresa, ocorre a renovação da capacidade dinâmica promovendo a renovação dos processos, melhorando o modo de
“como fazer as coisas”, estabelecendo vantagem competitiva (TEECE; PISANO;
SHUEN, 1997).
2.3.2 Abordagem Comportamental
A abordagem comportamental tem suas origens nos estudos de Penrose (1959).
Através da teoria do conhecimento (experiências adquiridas com as mudanças ambientais da firma), ela contribuiu na construção desta perspectiva de internacionalização. A pesquisadora considerava que todos os recursos são finitos, exceto o conhecimento. As experiências adquiridas aumentariam o conhecimento da firma aumentando, consequentemente, as oportunidades de expansão da companhia (BJORKMAN; FORSGREN, 2000).
Johanson e Wiedersheim-Paul (1975) estudaram organizações suecas Sandvik, Atlas, Copco, Facit e Volvo. Os autores perceberam que o caminho destas firmas em mercados internacionais tinham algumas características comuns. Essas características comportavam aspectos acerca da cadeia de estabelecimento e da distância psíquica.
A cadeia de estabelecimento são os níveis de comprometimento de recursos em relação aos modos de entrada no exterior, enquanto a distância psíquica refere-se às diferenças percebidas nas práticas gerenciais, costumes e educação entre dois países. A distância psíquica compõe um aspecto importante no processo de internacionalização dado que em culturas muito distintas (distância psíquica acentuada) ocorreria uma insegurança em função das incertezas de atuar em um mercado diferente do local.
No modelo I-model, o processo de internacionalização é compreendido em uma sequência determinada de estágios, cada estágio é considerado uma inovação da firma (ANDERSEN, 1993; JOHANSON; WIEDERSHEM, 1975).
Fase Envolvimento Observação
1 Exportações não regulares Não há nenhum tipo de
compromisso entre a empresa e o mercado, portanto não há necessidade de um canal de comunicação regular.
37 2 Exportação através de agentes. A empresa possui um canal de
informações regulares com o mercado, do qual obtém informações relevantes sobre fatores que influenciam suas vendas.
3 Filial de Vendas Há um canal de informações
controlado entre a empresa e o mercado dando a empresa capacidade para direcionar o tipo e quantidade de informações que necessita do mercado
4 Unidades produtivas ou de
fabricação
Grande compromisso de recursos.
Quadro 2: Estágios da internacionalização Fonte: Johason e Vahlne (1977).
Em 1977, Johason e Vahlne (1977) afirmaram que o processo de internacionalização ocorria de forma incremental, dado as incertezas e falta de conhecimento sobre o novo mercado. Os autores distinguiram o conhecimento em dois tipos: o objetivo, que pode ser ensinado; e o experiencial, na qual se aprende através das experiências individuais.
O estudo de Johason e Vahlne (1977) fundamenta-se em três pressupostos:
• Não possuir conhecimento é o maior obstáculo para ações de internacionalização;
• O conhecimento adquirido através da experiência é a mais importante das ações no processo de internacionalização (PENROSE, 1959; JOHASON; VAHLNE, 1977);
A firma promove a internacionalização à medida que adquire gradual conhecimento acerca do mercado, intensificando a aplicação de recursos na mesma proporção da geração deste conhecimento;
Em 2003, os autores observaram que as relações estabelecidas pelos indivíduos de uma rede de relacionamento (Business Networks) ocasionam forte impacto no processo de internacionalização.Logo, as empresas aprenderiam com a experiência dos demais atores da rede (JOHANSON; VAHLNE, 2003). Posteriormente, respondendo as críticas ao modelo original de 1977, os autores e enfatizam a importância das redes de negócios, uma vez que elas oferecem oportunidade de aprendizagem e construção de confiança e comprometimento, uma condição prévia para a internacionalização (JOHANSON; VAHLNE, 2009).
Teece (2014) pesquisou a partir das lacunas dos estudos sobre internacionalização estabelecendo críticas ao modelo comportamental por este não evidenciar na evolução dos estágios a importância da capacidade dinâmica da firma, em
38 particular os aspectos do dinamismo a partir da aprendizagem da firma e aumento desta capacidade a partir do processo. Para ele, o modelo eclético esboçou uma tentativa de elencar as capacidades tais como a inovação o empreendedorismo internacional, no entanto não o fizeram de forma robusta (TEECE, 2014).
Estudos Autores
Abordagem Comportamental:
A firma constrói a perspectiva de internacionalizar-se a partir das experiências adquiridas e das mudanças ambientais. “Os recursos são finitos, exceto o conhecimento”.
Penrose (1959)
Cadeia de estabelecimento ou comprometimento de recursos (I-model) ; Distância Psíquica busca, nos países estrangeiros, da proximidade com a cultura doméstica.
Culturas muito distintas > distância psíquica > maior sentimento de incertezas.
Johanson e
Wiedersheim-Paul (1975);
Andersen (1993)
O processo de internacionalização ocorre de forma incremental, fundamentado em três pressupostos: 1) Ausência de conhecimento = maiores obstáculos; 2) O conhecimento adquirido é a mais importante das ações no processo; 3) A firma intensifica suas ações internacionais a medida que adquire conhecimento
Penrose (1959)
Johanson e Vahlne (1977)
Tabela 4: Evolução da teoria sobre internacionalização Fonte: elaborado pelo autor.
Na Tabela 4 apresenta-se uma síntese dos tópicos abordados sobre internacionalização e que são utilizados para a análise do capítulo quatro.
39 3 METODOLOGIA
Quando há busca da construção de conhecimento é fundamental a preocupação com a sua cientificidade, com o caminho percorrido e a prática exercida na análise da realidade, na capacidade de questioná-la e de auto questionar-se (DEMO, 2002). Dessa forma, com o intuito de alcançar os objetivos traçados nesta pesquisa e possibilitar sua reconstrução, apresentam-se nesta seção os procedimentos metodológicos adotados, que compreende: a classificação da pesquisa, as técnicas de coletas de dados e tratamento dos dados.