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O contexto das empresas de TI no brasil

No documento Alfredo Lohn Braun.pdf - Univali (páginas 46-53)

As últimas cinco décadas do século XX estabeleceram uma nova perspectiva para os mercados. A partir dos avanços tecnológicos, originados das pesquisas e desenvolvimentos bélicos dentre os quais se destacam a segunda guerra mundial e a guerra fria entre USA e a URSS, que marcaram especialmente o evento denominado de

“corrida espacial” (NASA, 2003).

Com a popularização destes avanços, da qual salienta-se o uso de computadores para o processamento de dados, bem como, a rede mundial de computadores (internet), o mundo estabeleceu um nova visão acerca da propriedade e do estabelecimento dos negócios entre os mercados. Fortaleceram-se as redes de negociação, também compreendidas como rede de relacionamentos, por vezes mais significativo do que as unidades físicas de produção (RAFKIN, 2001).

No Brasil as ações mais primitivas são identificadas nos anos 1970, por meio do Ministério do Planejamento, sob o título Conselho Nacional de Pesquisa, atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o que corrobora com a afirmativa de que o governo e as Universidades se apropriaram do tema sendo seus principais fomentadores (BRASIL, 2014).

A partir da década seguinte, o fortalecimento dos movimentos de desenvolvimento tecnológicos, por meio de ações integrativas de ações nacionais e de Ciência e Tecnologia (C&T), estabeleceu a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia (BRASIL, 2014).

47 Hardware = 27,9 BI

O CNPq, a partir dos anos 1980 promoveu o surgimento de ambientes de desenvolvimento tecnológico, ou parques tecnológicos, popularmente conhecidos como

“incubadoras”, convergindo os esforços de pesquisadores e empreendedores no desenvolvimento de um empreendedorismo inovador. Esta iniciativa desencadeou um dos maiores sistemas de incubação a nível mundial, promovendo o surgimento de novas companhias, das quais muitas delas, hoje, grandes empresas, responsáveis diretas pela geração de muitos postos de empregos além de relevantes participações no resultado do Produto Interno Bruto do país (MCTI; ANPROTEC, 2012).

A Tecnologia da informação e comunicação vem contribuindo de forma determinante para o aumento da competitividade do país, que deseja se posicionar na próxima década, entre os cinco principais centros de TI do mundo (SOFTEX, 2014).

Em 2013, a receita líquida do setor alcançou cerca de US$ 150 bilhões. Parte significativa se refere aos serviços de telecomunicações (SOFTEX, 2014).

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Figura 5: Receita Líquida do Setor brasileiro – TIC - 2013 Fonte: Adaptado de Softex, 2014.

Atualmente, o mercado brasileiro de serviços de TI é o maior da América Latina. De acordo do os dados da Softex, o país tende a crescer muito mais, aumentando a formação de profissionais para a área e melhorando a qualidade da tecnologia produzida. Se analisados os dados apresentados na Figura 5 o país teve crescimento médio em reais de 32% ao ano em comparação com o período de 2004 a 2008 (SOFTEX, 2014). A receita com exportação também apresenta uma receita considerável, em 2012 o país atingiu o valor de US$ 1,9 bilhão. Na Tabela 1 apresenta- se um panorama em números da SOFTEX do crescimento do setor no país.

Software = 9,3 BI Serviços de TI = 27,2 BI

Comercio por atacado = 16,5 BI

Telecomunicações = 68,3 BI

48

Indicador 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Nº de empresas da IBSS

49.921 51.269 52.934 57.480 54.786 56.783 65.771 76.387 81.199 86.315 91.753 97.533

de pessoas assalariadas na IBSS

171.987 197.553 247.276 282.418 289.499 313.280 344.796 368.997 411.432 458.746 511.502 570.325

de pessoas ocupadas na IBSS

251.429 297.333 336.191 375.578 378.835 394.944 432.765 477.936 523.818 574.104 629.218 689.623

Receita líquida da IBSS

23.092.858 27.354.336 30.347.523 35.630.761 39.460.004 44.039.600 50.819.078 59.482.386 64.122.012 69.123.529 74.515.164 80.327.347

Em mil US$, valores nominais

7.502.967 9.349.033 12.462.025 16.373.678 20.257.715 24.005.015 25.440.067 33.791.050 38.281.798 38.805.102 41.831.900 45.094.789

Receita líquida da IBSS proveniente do mercado externo – Em mil R$

N/D 762.941 943.650 1.933.122 2.581.406 2.459.185 3.106.614 3.017.422 3.165.276 3.320.374 3.483.073 3.653.743

Em mil US$, valores nominais

N/D 260.754 387.504 888.342 1.325.225 1.340.448 1.555.173 1.714.152 1.889.717 1.864.017 1.955.354 2.051.167

Tabela 5: Evolução da TI no Brasil em números Fonte: SOFTEX, 2014, adaptado de PAS/IBGE

49 Nota-se que os valores referentes à receita líquida proveniente do mercado externo vem crescendo desde os primeiros dados, apenas no ano de 2010 houve uma pequena queda em relação ao ano anterior, mas em 2012 volta a recuperar o aumento nas exportações. Ademais, todos os outros indicadores acompanham esse aumento que indica a produtividade e a relevância do setor de TI para o país, com o aumento de pessoal capacitado, produção própria de tecnologia, novas empresas.

4.1.1 A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro

A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX) é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) que trabalha, desde 1996, na melhoria da competitividade da Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI (IBSS)(SOFTEX, 2013).Tem por visão “ser reconhecida no Brasil e no exterior como entidade protagonista no desenvolvimento do setor brasileiro de software e serviços de tecnologia da informação” (SOFTEX, 2013). A Associação contribui para ampliar a competitividade do setor de TI brasileiro possuindo posição importante no auxílio do desenvolvimento do setor a nível nacional e internacional.

A SOFTEX desenvolve diversos projetos e programas, destacando-se os das áreas de qualidade, investimentos, internacionalização, inteligência e inovação. O principal programa desenvolvido é o Programa para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Programa SOFTEX, que englobava uma série de ações para a promoção do software brasileiro.

No entanto, o Programa SOFTEX não nasceu com esse nome. O Programa, inicialmente denominado Programa SOFTEX 2000, fazia parte de um projeto maior chamado Projeto de Desenvolvimento Estratégico da Informática (DESI) formalizado em 2 de fevereiro de 1993, como resultado da parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério das Relações Exteriores e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O projeto DESI era composto por três programas:

Softex 2000 – Programa Nacional de Software para Exportação;

RNP – Rede Nacional de Pesquisa;

Protem-CC – Programa Temático Multi-Institucional em Ciência da Computação.

50 O DESI, por sua vez, fazia parte do II Plano Nacional de Informática e Automação (II PLANIN)4sancionado pela Lei nº 8.244, de 16 de outubro de 1991 (BRASIL, 1991)O projeto objetivava, em resumo, o desenvolvimento do país no setor da informática. Em seu documento de criação o DESI previa a aplicação de 27 milhões para os três programas (STEFANUTO, 2004).

O Softex 2000, criado em 1993, tinha como meta a obtenção de 1% do mercado mundial de software em 2000. Em 1996 o programa Softex 2000 foi repassado pelo governo para o setor privado em decorrência do baixo desempenho do programa. No mesmo ano nasce a Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex), na época, instituição de direito privado que passou a gerenciar o Programa Softex 2000. Nos anos 90 o Programa Softex 2000 já tinha perdido sua credibilidade em função de atingir nenhuma das metas estabelecidas sofrendo redução drástica de apoio financeiro governamental. Nessa mesma fase, mas precisamente, em 1998 o Programa Softex 2000 foi renomeado para Programa Softex. E em 2000 a Sociedade SOFTEX foi também renomeada para Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (STEFANUTO, 2004).

Desde 2000 a SOFTEX vem recuperando sua imagem, estabelecendo projetos de efetivo apoio ao setor de TI brasileiro. Atualmente a Sociedade tem sete diretrizes principais, a saber:

1. Disseminar e auxiliar a implantação das melhores práticas na Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: atividades de promoção das melhores práticas – qualidade, associativismo, gestão, entre outras – nas empresas brasileiras de software e serviços de TI, aderentes aos padrões internacionais.

2. Apoiar a criação e o desenvolvimento de oportunidades de negócios para a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: atividades que ampliem e consolidem a participação das empresas brasileiras de software e serviços de TI nos mercados nacional e internacional.

3. Apoiar a capacitação de recursos humanos para a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: atividades de capacitação gerencial, mercadológica e técnica dos profissionais nas (e para as) empresas brasileiras de software e serviços.

4. Apoiar acesso a recursos financeiros para a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: atividades de articulação e apoio às empresas brasileiras de software e serviços de TI para captação de recursos voltados ao desenvolvimento de tecnologias e negócios.

5. Produzir e disseminar informação qualificada para a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: atividades de obtenção, geração, análise e disponibilização de informações sobre a Indústria de Software e Serviços de TI no Brasil e no mundo.

4 O projeto está disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1989_1994/anexo/ANL8244- 1991.pdf

51 6. Apoiar a formulação de políticas de interesse da Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: ações que promovam a participação do Sistema Softex na formulação e execução de políticas para o setor.

7. Apoiar a inovação e o empreendedorismo na Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI: atividades relacionadas à criação de novas empresas brasileiras de Base tecnológica.

Entre as sete diretrizes as diretrizes 2 e 5 estão diretamente relacionadas ao incentivo a capacidade de internacionalizar das empresas brasileiras, o que demonstra a importância dada pelo setor à internacionalização.

Para operacionalizar sua atuação a SOFTEX conta com a participação de 20 agentes distribuídos pelas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do país. Esses agentes atuam de forma autônoma fornecendo apoio às empresas de software e serviços de TI das suas regiões. No caso do Estado de Santa Catarina a principal agente é a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) que se apresenta no subtópico seguinte.Há também dois outros agentes:Instituto GENE BLUMENAU, localizado em Blumenau e o SOFTVILLE de Joinville.

4.1.2 Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia

A Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE)5 foi fundada em 1986e tem sede em Florianópolis. A ACATE tem por missão “Contribuir com o fortalecimento das empresas de tecnologia e inovação de Santa Catarina, consolidando o setor como propulsor de desenvolvimento sustentável” (ACATE, 2014). A Associação é a que conta com o maior número de associadas (300 empresas) que atuam na área de TI, mas desenvolvem tecnologia para diversos segmentos de atuação, citados a seguir:

•Agronegócio • Internet e Serviços

• Área Contábil • Indústria

• Área Jurídica • Infraestrutura de Hardware e Redes

• Automação Comercial • Jogo

• Aviação • Mídia

• Bancos e Financeiras • Negócios Eletrônicos

• Educação • Saúde

5 O site da ACATE encontra-se disponível no endereço eletrônico: http://www.acate.com.br/

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• Energia • Segurança da Informação

• Engenharia e Construção • Socioambiental

• Entretenimento • Software Embarcado

• Equipamentos Eletrônicos/Elétricos • Software Outsourcing

• Gestão Empresarial • Telecomunicações

• Governança Corporativa

• Governo Eletrônico

Atualmente a ACATE tem parceria com diversas instituições de ensino e pesquisa, além da parceria com empresas e órgãos financiadores capazes de apoiar o desenvolvimento de seus associados. Essas parcerias visam, em grande parte, o incentivo à inovação e empreendedorismo na área de TI.

Assim como a SOFTEX, a ACATE nasceu com um propósito e nome diferentes do atual. Fundada em 1º de abril de 1986 ela se chamava Associação Catarinense de Empresas Telemáticas e Eletrônica e atendia as empresas da região da Grande Florianópolis. Com o tempo ela passou a atender as demais cidades do estado, com destaque os pólos tecnológicos de Florianópolis, Blumenau e Joinvile.

Entre as várias ações da Associação ao longo desses anos destaca-se a administração da incubadora MIDI Tecnológico, mantida pelo SEBRAE-SC (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina) em 1998. Em 2006, a condução do Núcleo de Desenvolvimento de Software de Florianópolis (SOFTPOLIS), que é agente nacional da SOFTEX, e que objetiva apoiar a produção e o comércio do software brasileiro. E, em 2009, a Associação passou a ter um novo parque para as empresas de TI em parceria com o Corporate Park. Ela também possui utilidade pública municipal Lei nº 3.045 de 1988 (FLORIANÓPOLIS, 1988) e a declaração de utilidade pública estadual através da Lei nº 7.238 de 1988 (SANTA CATARINA, 1988).

A ACATE disponibiliza diversos programas e projetos anualmente, destaca-se:

• 2º Ciclo de capacitação em gestão de negócios de software e serviços de TI no mercado internacional – é um projeto idealizado pela SOFTEX em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que objetiva à capacitação de empresários do setor brasileiro de software e serviços de TI e a internacionalização de empresas;

• Geração TEC – visa formar novos profissionais para a área de tecnologia em todo Estado;

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• MPS.BR – grupo 4 – tem o objetivo de auxiliar aos associadas no processo de conquista do modelo de Melhoria de Processo de Software Brasileiro;

• Programa de Internacionalização ACATE – tem a finalidade de ampliar a competitividade das empresas catarinenses através de ações visando o mercado internacional.

O Programa de Internacionalização teve início em 2013. Como primeiro passo do programa uma comitê técnico com a participação de empresas da área de TI visitaram o Vale do Silício e Miami com o objetivo de conhecer aceleradoras de empresas, empresas modelos, como, Google, Intel, também a Universidade de Stanford que é uma das parceiras da ACATE que apóia os processos de internacionalização das empresas.

Assim, promover a integração das iniciativas existentes e discutir internamente entre os associados uma cultura empreendedora global. Outras ações do Programa são:

capacitação, prospecção de mercados e fornecedores, marketing internacional.

A ACATE, no relatório intitulado Mapeamento de Recursos Humanos e Cursos em TIC de 2009, aponta dificuldades para as empresas de TI como a escassez de pessoal capacitado no Estado de Santa Catarina (ACATE, 2010). Nesse mesmo relatório encontra-se a projeção do déficit de trabalhadores para 2013 em empresas de produtos, indicando um déficit de 80 mil profissionais e déficit de 200 mil funcionários em empresas de serviços.

No documento Alfredo Lohn Braun.pdf - Univali (páginas 46-53)