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INTERNET WIFI NAS ESCOLAS E O USO DO SMARTPHONE

superior à média apresentada na região sudeste, que é de 79,5% dos domicílios, inclusive, é superior à média nacional, que, nesse quesito, fica em 80,4%. O microcomputador e o tablete ficam ambos abaixo da média da região sudeste. Ainda segundo dados do IBGE (2016), destacamos o acesso à Internet por meio de tablet, telefone celular e televisão, com aumentos de 50,4%, 76,8% e 116,34% no número de domicílios, respectivamente, no comparativo de 2013 para 2014.

Nesse sentido, um dos questionamentos no questionário foi: a escola tem acesso à internet wifi (wireless)? A pergunta tinha por objetivo contribuir para o levantamento quanto à disponibilidade de internet wifi nas escolas pesquisadas. Do total de professores participantes, 75% disseram ter wifi na escola em que atuam, 15%

relataram ter às vezes e 10% disseram não haver disponibilidade desse recurso na escola. Podemos afirmar então que 90% das escolas possui disponibilidade de internet wifi, quantitativo superior ao número de escolas que têm laboratório de informática, como constatamos anteriormente, as quais representam 87,5% do total.

Os professores também foram abordados quanto ao uso que é dado à internet wireless disponibilizada nas escolas, conforme observamos na Tabela 15.

Tabela 15 – Utilização da internet wifi (wireless) ofertada na escola

Finalidade / frequência de uso Uma vez por semestre Todo dia Alguns dias da semana Não se aplica Uma vez por mês Uma vez por terimestre A cada 15 dias

Para o planejamento das aulas 0,0% 65,3% 23,6% 9,7% 0,0% 0,0% 1,4%

Para resolver questões administrativas (lançar notas, presenças etc)

0,0% 70,8% 15,3% 11,1% 1,4% 0,0% 1,4%

Uso pedagógico com os alunos

(usando seus aparelhos) 1,4% 30,6% 23,6% 36,1% 2,8% 0,0% 5,6%

Uso pedagógico com os alunos

(usando aparelhos dos alunos) 1,4% 23,6% 15,3% 48,6% 5,6% 0,0% 5,6%

Para acesso a informações diversas 2,8% 55,6% 18,1% 18,1% 1,4% 1,4% 2,8%

Para atualização profissional (formação inicial, continuada ou de extensão)

2,8% 50,0% 19,4% 18,1% 5,6% 1,4% 2,8%

Para resolver questões pessoais 0,0% 29,2% 9,7% 55,6% 1,4% 2,8% 1,4%

Fonte: Elaborado pelo autor (2019)

Notamos que a utilização é frequente (todo dia) quando se trata dos afazeres pedagógicos e formativos da carreira. No entanto, quando se trata do uso com os alunos esse percentual cai significativamente. Analisando o uso do ponto de vista da maior frequência durante a semana (todo dia ou alguns dias da semana), notamos que o uso mais citado é para o planejamento das aulas (88,9%) e para resolver questões administrativas (lançar notas, presenças etc) (86,1%). Para acesso a informações diversas, o uso é feito por 73,6% dos professores, para atualização profissional (formação inicial, continuada ou de extensão) 69,4%. Quando analisamos o uso pedagógico com os alunos notamos que há maior utilização com aparelhos digitais do professor (54,2%) do que como os aparelhos dos alunos (38,9%). Isso pode

decorrer do receio que muitos professores têm de usar os recursos digitais dos alunos ou pelo fato de grande parte dos alunos, geralmente, não possuir um aparelho, o que faz o professor recuar na proposição de metodologias que visem ao uso dessas ferramentas ou ainda pela falta de maturidade dos alunos em utilizar essas ferramentas digitais para fins educativos, uma vez que só estão acostumados a utilizá- los somente para o lazer.

Por fim, constatamos que a maioria assinalou não utilizar a internet wifi da escola para resolver questões pessoais. De modo geral, esse recurso é essencial pois é amplamente utilizado para planejamento das aulas e isso também pode refletir positivamente na qualidade e na diversidade das metodologias adotadas.

Observamos também que ela é essencial como ferramenta administrativa para o professor. De modo geral, o uso diretamente com o aluno ainda fica devendo, uma vez que 9 em cada 10 professores relataram possuir internet wifi na escola e menos que 5, em cada 10, responderam que fazem uso desse recurso, com frequência, na sala de aula.

Os professores também avaliaram a qualidade de internet wifi disponibilizada, através do questionamento: de uma maneira geral como você avalia a internet wifi (wireless) ofertada na escola? Atribuindo uma nota de 1 a 5, conforme consta na Tabela 16.

Tabela 16 – Avaliação da internet

Valor Quantidade de escolas

Nota 1 13,9%

Nota 2 11,1%

Nota 3 43,1%

Nota 4 25,0%

Nota 5 6,9%

Fonte: Elaborado pelo autor (2019)

Em geral, a internet disponibilizada foi avaliada como boa, tendo recebido em sua maioria, notas iguais ou superiores a 3 (75%). De modo geral, podemos deduzir que a internet wifi tem qualidade melhor do que aquela que é disponibilizada no laboratório de informática, pois conforme Gráfico 4, somente 46% avaliaram a internet como

tendo funcionamento razoável a bom, enquanto 75% avaliaram a internet wifi com notas comparativas a esses quesitos. Isso mostra que softwares, principalmente aplicativos para smartphones, podem ser amplamente utilizados com mais frequência no ambiente escolar e por esse motivo uma formação de professores para o uso de tecnologias digitais deve também se atentar a essa tendência. Quando analisamos a nota que foi dada à internet wifi por rede de ensino, emergiram avaliações superiores percentualmente nas redes particular e federal, conforme a Tabela 17.

Tabela 17 – Avaliação da internet wifi por rede de ensino

Pontuação Filantrópicas Particulares Públicas

estaduais Públicas federais Públicas municipais

Nota 1 0% 0% 9% 0% 56%

Nota 2 50% 0% 13% 0% 0%

Nota 3 50% 0% 49% 33% 22%

Nota 4 0% 100% 22% 67% 11%

Nota 5 0% 0% 7% 0% 11%

Fonte: Elaborado pelo autor (2019)

Notamos também que o caso mais crítico aponta para a rede municipal, onde mais da metade dos professores avaliaram a internet wireless com nota 1, isto é, a internet não atende às necessidades da escola. Assim, quando se trata de equipamentos digitais e internet disponibilizada nas escolas, as redes particular e federal apresentam resultados mais favoráveis e avaliações superiores, na visão dos professores.

O uso dos smartphones dos alunos ainda é pouco recorrente, principalmente com uso da internet. Nesse sentido, os professores também foram indagados: você concorda com o uso dos aparelhos (smartphone, tablet, notebook etc) dos alunos para fins pedagógicos? Sendo questionados se concordam com o uso dessa ferramenta para o processo de ensino aprendizagem da Matemática, conforme o Gráfico 10.

Gráfico 10 – Percepção dos professores quanto ao uso dos aparelhos (smartphone, tablet, notebook etc) dos alunos para fins pedagógicos

Fonte: Elaborado pelo autor (2019)

Constatamos que 9 em cada 10 professores são a favor do uso dos aparelhos digitais dos alunos e, em sua maioria, também, concordaram que o uso deve ocorrer com internet. Lembrando que de acordo com Borba e Lacerda (2015, p. 500),

A tecnologia da internet móvel tem se desenvolvido cada dia mais, e ampliado sua área de cobertura, o que pode influenciar o aumento de acesso à internet por meio de tecnologias móveis, como os celulares inteligentes e tablets.

Essa tecnologia inclusive já chegou às escolas. Como a internet banda larga é deficiente em grande parte delas, os alunos usam a internet móvel em seus próprios celulares inteligentes. Na maioria das vezes, no entanto, esse acesso não é para fins educacionais (BORBA; LACERDA, 2015, p. 500).

Assim, observamos uma ferramenta com potencial significativo para auxiliar o ensino da Matemática, a qual deve estar presente com mais frequência nas salas de aula.

Em sequência foi questionado aos professores: caso tenha respondido não à questão anterior, elenque os principais motivos. Assim, os 8,3% que não concordaram com o uso dos recursos digitais elencaram os principais motivos, entre os quais: idade dos estudantes o que dificulta seu controle, que se desviam constantemente e atrapalham a concentração, outros relataram que atrapalha muito as aulas e que os alunos não têm a cultura do uso pedagógico desses recursos e perdem o foco facilmente; alguns alegaram que nem todos possuem os aparelhos e alguns ficam defasados no uso. Outros responderam que pode acontecer roubo dentro e fora da escola, alegando que a região onde a escola se localiza é bastante visada por ladrões; outros responderam que os alunos poderiam tirar fotos de professores para fazer “piadas” e que provavelmente ficariam utilizando redes sociais como o WhatsApp em vez de utilizar o celular para aprendizagem da Matemática.

Constatamos argumentos pertinentes, embora alguns não se sustentem, pois a formação para o uso só será adquirida se houver a implantação dessas ferramentas digitais e a construção coletiva de soluções na prática para os problemas resultantes de seu uso.

O uso do celular, no estado do Espirito Santo, está amparado na Lei Nº 10.506/2016 de 31 de março de 2016, publicado em diário oficial que revogou a lei Nº 8.854/2008 anterior que previa a proibição do uso do telefone celular nas salas de aula dos estabelecimentos da rede estadual de ensino. Foi através dessa lei de revogação que a SEDU publicou a portaria nº 107-R, de 12 de agosto de 2016, que estabelece critérios para a utilização do telefone celular como ferramenta didático pedagógica nas salas de aula das instituições de ensino da rede pública estadual, possibilitando o uso do smartphone em sala de aula, para fins didáticos e pedagógicos, legalmente, segundo critérios da portaria mencionada, como ferramenta auxiliar ao ensino.