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Jigsaw: uma forma de aprendizagem cooperativa

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 39-42)

Se pararmos para pensar nas coisas que aprendemos durante toda a nossa vida facilmente iremos notar que grande parcela delas nos foram apresentadas por outras pessoas, o que demonstra o caráter social da aprendizagem. Desde os mais remotos tempos, diversas civilizações praticavam a transmissão de aprendizados dos mais velhos para os mais novos numa tribo, muitas sociedades até os dias de hoje consideram os mais velhos como mais sábios devido à experiência de vida que estes possuem, bem como ao aprendizado que acumularam durante a vida. Grande parte disso se deve ao maior tempo de convivência com os demais membros da tribo.

Tendo por base esse conhecimento, surgem alguns métodos cooperativos de aprendizagem. Estes métodos têm como característica principal o trabalho dos alunos em pequenos grupos, onde cada um desempenha um papel imprescindível para o sucesso de uma atividade coletiva designada para o grupo realizar. Dessa forma, todos têm oportunidade de

realizar uma tarefa de importância similar. Além disso, esses métodos pregam que os alunos devem realizar suas atividades sem uma interferência direta e imediata do professor, ou seja, precisam de certa autonomia. Entretanto, para que a atividade tenha êxito, deve-se ressaltar a importância do comprometimento de todos os alunos ao realizar as tarefas que lhes foram designadas, visto que cada um tem uma tarefa única e particular a ser realizada, se esta não for realizada da melhor maneira possível, o grupo inteiro ficará prejudicado (BARBOSA; JÓFILI, 2004).

Vale ainda ressaltar que a eficiência dos métodos cooperativos depende do tipo de interação que ocorre dentro dos grupos. Não se pode, por exemplo, permitir situações que causem inibição nos alunos, por isso, deve-se descartar ações de autoritarismo por conta dos professores ou casos de controle muito rígido. Os alunos devem agir de acordo com seus instintos, de acordo com suas vontades, sem medo ou vergonha do que estão fazendo (BARBOSA; JÓFILI, 2004).

Dentre os métodos cooperativos de aprendizagem, o Jigsaw tem destaque crescente no Brasil nesses últimos anos e tem despertado interesse de pesquisadores da área de ensino. Neste método a aprendizagem cooperativa é incentivada de modo a favorecer a socialização entre os estudantes, pois estes interagem e compartilham suas ideias melhorando sua compreensão pessoal e coletiva. Consiste em formar, inicialmente, grupos de base e dividir o assunto em tantos subtemas quantos forem os membros do grupo, cada componente responsabiliza-se por um subtema. Numa segunda etapa, são formados outros grupos com os membros responsáveis por um mesmo subtema. Nessa fase cada grupo é composto pelos alunos que receberam um subtema em comum nos seus grupos iniciais, formando assim grupos de especialistas num determinado tema que devem aprimorar seu aprendizado no assunto que lhe foi incumbido. A terceira etapa consiste em retornar os alunos para o grupo base e socializar o conhecimento obtido em cada grupo de especialistas. Dessa forma todo aluno é responsável por aprender o conteúdo para si e explicar para os outros componentes do seu grupo inicial (FATARELI et al., 2010).

Dentre as características desenvolvidas e essenciais para o bom funcionamento do método Jigsaw enquanto estratégia cooperativa de aprendizagem, destacam-se: 1) interdependência positiva, onde cada um se sente responsável por um trabalho individual necessário para um objetivo comum, sentimento de trabalho coletivo; 2) responsabilidade individual, cada um é responsável por seu próprio aprendizado e também por parte da aprendizagem dos demais colegas, portanto, devem se esforçar para adquirir conhecimento e compartilhá-lo com os demais membros do grupo; 3) interação face a face, oportunidade de

interação com diversos colegas, alguns fora dos círculos mais próximos de amizade que normalmente se formam nas turmas, oportunidade de discutir, relacionar e explicar conteúdos julgados importantes por cada um; 4) habilidades interpessoais, que envolve o desenvolvimento de aptidões de comunicação, resolução de conflitos e habilidade para encontrar uma maneira didática para transmitir ao grupo o conhecimento obtido; 5) processamento grupal, necessidade de avaliação do trabalho do grupo a fim de descobrir se os objetivos estão sendo alcançados, para então decidir quais ações são úteis e necessárias, bem como quais devem ser descartadas (JOHNSON; JOHNSON; HOLUBEC, 1999).

Para que estas habilidades sejam desenvolvidas nos estudantes, cabe ao professor uma tarefa de organizador e articulador das atividades. O professor é responsável por explicar a dinâmica da atividade, organizar a distribuição dos grupos, informar os objetivos a serem atingidos, procurar garantir que o trabalho seja realizado de maneira efetiva e fazer intervenções apenas quando for necessário. A avaliação do trabalho do grupo deve ser feita primeiramente pelos próprios integrantes, o professor faz comentários se achar que o grupo não está seguindo pelos caminhos previamente determinados e que o rumo tomado pelos estudantes não vai contribuir significativamente para o aprendizado proposto (FATARELI et al., 2010).

Esse tipo de aprendizagem tem como forte característica a sua natureza social, através da qual os estudantes interagem entre si, compartilham suas ideias e tem possibilidade de exercitar o convívio social melhorando sua compreensão individual e mútua (FATARELI et al., 2010). Os estudantes têm possibilidade de exercitar suas habilidades intelectuais nas relações interpessoais, e assim praticar atos próximos dos que precisam fazer na vida em sociedade, tanto na turma de colegas na escola como também fora dela, onde precisam atuar com consciência e conhecimento de suas ações.

A nossa sociedade está passando por um momento em que valores de solidariedade são muito requeridos e devem superar o senso de competitividade em diversas situações da vida. A escola não pode se abster a essa situação e deve direcionar suas ações no sentido de desenvolver tais valores em seus alunos, assim formaremos pessoas mais comprometidas com os valores sociais e princípios de companheirismo. O exercício da cidadania também exige que os indivíduos sejam participativos, que saibam o momento de ouvir o outro, de falar e demonstrar seus objetivos e pontos de vista. Nesse sentido, as estratégias cooperativas de ensino são uma importante ferramenta para a formação do aluno cidadão atuante.

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 39-42)