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Vídeos para sintetizar os estudos

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 89-93)

com o conhecimento a ser compartilhado, quanto nos grupos de especialistas quando discutiam o texto recebido.

Uma característica marcante do método Jigsaw é o número de componentes nos grupos, que deve ser o mesmo quantos forem os subtemas a serem trabalhados. Isso pode ser um problema quando a quantidade de alunos não permitir a formação dos grupos que o professor previamente planejou. Para esta etapa, estavam previstos a formação de cinco grupos, com cinco alunos em cada um, sendo que um grupo teria seis componentes e uma das tarefas seria realizada por uma dupla de alunos, ou seja, um texto seria compartilhado por dois alunos em um dos grupos, visto que haviam 26 alunos na turma. Entretanto, no dia de desenvolvimento desta etapa, dois alunos faltaram, o que impedia a realização do planejado. Nós explicamos a tarefa aos alunos e apresentamos o problema ocasionado pela ausência de dois estudantes, para resolver a situação, um deles propôs fazer duas vezes o seu papel na etapa de socialização do conhecimento, outros concordaram e também se dispuseram a cooperar da mesma maneira.

Assim, um dos grupos foi formado com apenas quatro componentes e um aluno de outro grupo auxiliou na etapa final, trazendo informações acerca de um dos temas que não havia representante especialista neste grupo. O que demonstra mais uma vez a característica de cooperação do referido método.

baseiam-se neste tipo de avaliação. À escola compete também a função de preparar os alunos para enfrentar avaliações nacionais para diagnóstico em larga escala, desenvolvidas com objetivo de avaliar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro a partir de testes padronizados, bem como os concursos para ingresso em instituições de ensino superior ou na carreira em serviço público, por este motivo, foram adotadas as listas de exercícios em duas etapas do desenvolvimento desta SE, na tentativa de preparar os estudantes para enfrentarem as avaliações tradicionais fora da escola.

Nas Situações de Estudo a avaliação aparece como um fechamento e organização das etapas anteriores, de forma a demonstrar claramente o que foi estudado e as interações entre os conteúdos das diferentes disciplinas. Ao final do desenvolvimento de uma SE, deve ser feito um fechamento com uma atividade que proporcione uma avaliação global do conhecimento que foi produzido, “isso engloba uma avaliação interdisciplinar e transdisciplinar sobre o uso de conceitos significados na análise de uma situação concreta que tenha relação com o estudo realizado” (MALDANER et al., 2007, p. 128). Dessa maneira, não está se rompendo apenas com a maneira tradicional de organizar o currículo, mas também com as formas de avaliação baseadas na memorização de conteúdos.

Considerando estes pressupostos, escolhemos por finalizar a SE com a exibição de vídeos produzidos pelos alunos. Eles foram orientados a produzir vídeos curtos, com duração de aproximadamente três minutos, sintetizando os conteúdos estudados da forma que achassem mais conveniente, entretanto, deveriam expor ao professor uma prévia do que pretendiam produzir nos vídeos. Dessa forma, estaríamos avaliando o que foi melhor assimilado pelos alunos de uma maneira não tradicional, numa produção independente da ação do professor, visto que os alunos deveriam organizar ideias, elaborar roteiros e produzir um vídeo que demonstrasse seus aprendizados, gostos e interesses, ao professor coube apenas a tarefa de vigiar os roteiros de modo impedir a exibição de algo muito fora das normas da escola, caso estivesse previsto nos roteiros. O gráfico ilustrado na Figura 8 apresenta alguns dos assuntos mais abordados nos vídeos produzidos pelos alunos:

Pela análise do gráfico da Figura 8, nota-se que os alunos conseguiram assimilar uma grande quantidade de conteúdos ministrados nas aulas por meio do desenvolvimento da Situação de Estudo, todos os vídeos abordaram assuntos de pelo menos três das quatro disciplinas ministradas, merece destaque à utilização de humor em todos os vídeos, como também as unidades de concentração de cafeína no café, relacionando o seu consumo à saúde humana, tanto trazendo possíveis benefícios quanto complicações. A relação do café no cotidiano das pessoas também foi abordada em todos os vídeos, atrelada aos efeitos estimulantes e/ou viciantes da bebida.

Na turma foram produzidos cinco vídeos. Num deles, foi relatada a história de um senhor de idade que sofria de problemas cardíacos, os quais foram agravados por um alto consumo de café. Após uma consulta com um médico, que solicitou mudança nos hábitos de

Figura 8 – Gráfico apresentando quantidades dos assuntos mais abordados nos vídeos produzidos pelos alunos ao final do desenvolvimento da Situação de Estudo.

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Assuntos mais abordados nos vídeos produzidos

pelos alunos

ingestão da bebida, o neto do personagem central da história, explica o surgimento da bebida e comenta sobre as suas formas de preparo enquanto passa café na companhia do idoso. Em seguida, enquanto saboreiam o café, conversam sobre a composição química de uma xícara de café, inclusive apresentando cálculos de concentração de cafeína na quantidade de café supostamente ingerida pelo avô durante uma semana. Os dois falam ainda sobre os efeitos da cafeína na organismo do idoso, para finalizar a história, o idoso concorda que consome muito café e que vai diminuir a quantidade da bebida pelos dias seguintes de sua vida, para que estes sejam mais longos.

Num outro vídeo, os alunos simularam um programa de televisão em que dois grupos competiam respondendo perguntas sobre o café, nestas perguntas muitos dos conteúdos foram expostos. Além desse, outro vídeo também simulava um programa de TV, apresentando especialistas em café e saúde, falando sobre a composição da bebida e os efeitos nos sistemas do corpo humano provocados pelo seu consumo, sendo alguns positivos e outros negativos.

Os outros dois vídeos restantes apresentavam um personagem falando sobre o café para outros que ouviam e perguntavam sobre vários aspectos do tema. Num deles, um palestrante tentava enganar um público em uma cidade pequena, enquanto no outro vídeo, um filho voltava para casa após finalizar um curso de especialização em café e conversava com seus pais sobre o aprendizado que obteve enquanto esteve longe de casa.

Desse modo observa-se que a produção de vídeos como instrumento de avaliação se mostrou uma respeitável ferramenta, visto que consegue abarcar diversas características desejáveis aos instrumentos avaliadores. Permite que os alunos expressem seus conhecimentos de uma maneira bastante independente, sem a tensão que normalmente marca os testes escritos, possibilita uma síntese do que foi estudado a partir do olhar dos estudantes, demonstrando o que eles acharam mais importante no processo e permitindo também uma avaliação da tarefa docente. Comporta a interdisciplinaridade e a contextualização de maneira muito significativa.

Além de incorporar a tecnologia que nos cerca e ocupa espaço cada vez maior na vida das pessoas.

A utilização dos vídeos como instrumento de avaliação está de acordo com os conjecturas da Situação de Estudo por permitir a produção de uma síntese final, numa forma de verificação da aprendizagem que valoriza as ideias dos alunos e promove a independência deles.

Segundo Maldaner e Zanon (2006) os métodos de avaliação almejados para as Situações de Estudo devem propor que os estudantes possam elaborar um pensamento lógico sobre um assunto, tema, conteúdo, evento, situação ou algo no mundo. Isso sugere que os alunos conseguem buscar informações em diferentes meios disponíveis, dentre os quais inclui-se os

meios eletrônicos informatizados como também os tradicionais livros, jornais e revistas. Tarefa que pode ser muito bem desempenhada pela produção de pequenos vídeos. Somado a isso, a exibição dos vídeos produzidos pelos alunos, seguido de espaço para discussão das ideias apresentadas, marca o fim do desenvolvimento da SE, deixando bem definido o momento de mudança no tema de estudo.

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 89-93)