A proteção ambiental é um dos valores que inspiram o ordenamento jurídico brasileiro. A Legislação Ambiental, como um todo, é prevista por várias normas que regulamentam as diretrizes gerais estabelecidas no art.
225 da Constituição Federal, tendo o Código Florestal brasileiro (Lei n.º 4.771/6583, renovada pela Lei 12.651 de 25 de maio de 2012) e a Lei n. 6.938/81,
80 SANTA CATARINA, Constituição Estadual de 05 de outubro de 1989. Disponível em:
www.alesc.sc.gov.br. Acessado em: 04/06/2012. Art. 181.
81 SANTA CATARINA, Constituição Estadual de 1989. Art. 109 — A Defesa Civil, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, tem por objetivo planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas e situações emergenciais.
§ 1º — A lei disciplinará a organização, o funcionamento e o quadro de pessoal da Defesa Civil, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.
§ 2º — O Estado estimulará e apoiará, técnica e financeiramente, a atuação de entidades privadas na defesa civil, particularmente os corpos de bombeiros voluntários.
82 SANTA CATARINA, Constituição Estadual de 1989. Disponível em: www.alesc.sc.gov.br.
Acessado em: 04/06/2012.
Art. 140 — A política municipal de desenvolvimento urbano atenderá ao pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e ao bem-estar de seus habitantes, na forma da lei.
Parágrafo único. O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbanos.
83 Foi publicado no Diário Oficial da União do dia 28/05/2012, o texto do novo Código Florestal brasileiro, com os 12 vetos da presidente Dilma Rousseff, sendo cinco artigos inteiros e sete
entre outras, sido recepcionadas pela nova ordem jurídica, trazida pelo constituinte originário de 1988.
No mesmo sentido, a Lei 6.938/81 estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente84 e tem como seu principal objetivo “a compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico”,85 estabelecendo respeito e preocupação com as necessidades humanas fundamentais, para a composição do Desenvolvimento Sustentável. Esta Lei nacional também trouxe o conceito de Meio Ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”,86 e também considera Meio Ambiente como “um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo”.87
A Lei n.º 4.771/65 – antigo Código Florestal brasileiro (revogada pela Lei 12.651 de 25 de maio de 2012, que estabeleceu o novo Código Florestal), estabelecia em seu art. 2º, a demarcação da Área de Preservação Permanente - APP, dizendo que nas “florestas e demais formas de vegetação natural situadas” próximas de rios ou cursos d’água, a largura das áreas de vegetação, deveriam ser fixadas de acordo com a largura dos rios. A nova lei, de 25 de maio de 2012, passa a delimitar em seu art. 4º, todas as Áreas de Preservação Permanente – APPs, tanto em zonas rurais como zonas urbanas, inclusive aquelas que não ficam próximas de qualquer tipo de curso d’água, como
incisos, à proposta elaborada pelo Congresso. Na mesma data também foi publicada a proposta de Medida Provisória 571/2012,para preencher as lacunas legais deixadas pelo veto.
Pellegrini, Marcelo. Carta Verde. Publicado no dia 05/06/2012. Disponível no site:
http://www.cartacapital.com.br. Acessado em: 05/06/2012.
84 BRASIL. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.Disponível em: www.planalto.gov.br. Acessada em: 11/10/2011.
85 BRASIL. Lei Federal nº 6.938/81. cit. Art 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará:
I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;
86 BRASIL, Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Art 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas;
87BRASIL, Lei Federal nº 6.938/81. cit. Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios: I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo;
por exemplo: as restingas, os manguezais, as vegetações em áreas de altitude, as bordas dos tabuleiros ou as chapadas.88 Assim, a nova lei ampliou a proteção das áreas de preservação.
88 Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, dispõe sobre a proteção da vegetação nativa;[...].
Art. 4o Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei:
I - as faixas marginais de qualquer curso d’água natural, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de:
a) 30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura; b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; c) 100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200
(duzentos) metros de largura; d) 200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; e) 500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;
II - as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de:
a) 100 (cem) metros, em zonas rurais, exceto para o corpo d’água com até 20 (vinte) hectares de superfície, cuja faixa marginal será de 50 (cinquenta) metros; b) 30 (trinta) metros, em zonas urbanas;
III - as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, na faixa definida na licença ambiental do empreendimento, observado o disposto nos §§ 1o e 2o;
IV – as áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes, qualquer que seja sua situação topográfica, no raio mínimo de 50 (cinquenta) metros; (Redação dada pela Medida Provisória nº 571, de 2012).
V - as encostas ou partes destas com declividade superior a 45°, equivalente a 100% (cem por cento) na linha de maior declive;
VI - as restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;
VII - os manguezais, em toda a sua extensão;
VIII - as bordas dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;
IX - no topo de morros, montes, montanhas e serras, com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média maior que 25°, as áreas delimitadas a partir da curva de nível correspondente a 2/3 (dois terços) da altura mínima da elevação sempre em relação à base, sendo esta definida pelo plano horizontal determinado por planície ou espelho d’água adjacente ou, nos relevos ondulados, pela cota do ponto de sela mais próximo da elevação;
X - as áreas em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação;
XI – em veredas, a faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de 50 (cinquenta) metros, a partir do limite do espaço brejoso e encharcado. (Redação dada pela Medida Provisória nº 571, de 2012).
§ 1o Não se aplica o previsto no inciso III nos casos em que os reservatórios artificiais de água não decorram de barramento ou represamento de cursos d’água.
§ 2o No entorno dos reservatórios artificiais situados em áreas rurais com até 20 (vinte) hectares de superfície, a área de preservação permanente terá, no mínimo, 15 (quinze) metros.
§ 3o (VETADO).
§ 4o Fica dispensado o estabelecimento das faixas de Área de Preservação Permanente no entorno das acumulações naturais ou artificiais de água com superfície inferior a 1 (um) hectare, vedada nova supressão de áreas de vegetação nativa. (Redação dada pela Medida Provisória nº 571, de 2012).
§ 5o É admitido, para a pequena propriedade ou posse rural familiar, de que trata o inciso V do art. 3o desta Lei, o plantio de culturas temporárias e sazonais de vazante de ciclo curto na faixa de terra que fica exposta no período de vazante dos rios ou lagos, desde que não implique supressão de novas áreas de vegetação nativa, seja conservada a qualidade da água e do solo e seja protegida a fauna silvestre.
§ 6o Nos imóveis rurais com até 15 (quinze) módulos fiscais, é admitida, nas áreas de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo, a prática da aquicultura e a infraestrutura física diretamente a ela associada, desde que:
Esta Lei Federal tem uma preocupação simples, porém significativa. A lei visa proteger não só o Meio Ambiente, os recursos naturais, os recursos hídricos, o solo etc., mas também o ser humano, pois, muitas famílias e até empreendedores de luxuosos condomínios tentam se instalar naquelas áreas, sem cumprir as determinações desta Lei, causando, de forma irresponsável, graves danos ambientais.
Toda e qualquer edificação deve sempre se preocupar com as determinações legais do local aonde irá se instalar, principalmente, se preocupando com a Segurança e bem estar do Meio Ambiente, de acordo com especificação legal. É justamente neste ponto que reside toda a preocupação do legislador. Neste sentido, o art. 3º, parágrafo único, da Lei n.º 6.766/79 (Lei do Parcelamento do Solo Urbano) acrescenta que, tendo em vista, principalmente seu caráter protetor, a ocupação irregular é tratada da seguinte forma: "não será permitido o parcelamento do solo: I - em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações, antes de tomadas as providências para assegurar o escoamento das águas".89
Demonstra assim, que, para fazer qualquer tipo de construção deve-se tomar todas as providências necessárias mantendo o escoamento das águas, preservando todas as áreas consideradas de preservação, permanentes ou não, respeitando as características da flora, da
I - sejam adotadas práticas sustentáveis de manejo de solo e água e de recursos hídricos, garantindo sua qualidade e quantidade, de acordo com norma dos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente;
II - esteja de acordo com os respectivos planos de bacia ou planos de gestão de recursos hídricos;
III - seja realizado o licenciamento pelo órgão ambiental competente;
IV - o imóvel esteja inscrito no Cadastro Ambiental Rural - CAR.
V – não implique novas supressões de vegetação nativa. (Incluído pela Medida Provisória nº 571, de 2012).
§ 7o (VETADO). § 8o (VETADO).
§ 9o Em áreas urbanas, assim entendidas as áreas compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, as faixas marginais de qualquer curso d’água natural que delimitem as áreas da faixa de passagem de inundação terão sua largura determinada pelos respectivos Planos Diretores e Leis de Uso do Solo, ouvidos os Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente, sem prejuízo dos limites estabelecidos pelo inciso I do caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 571, de 2012).
§ 10. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, observar-se-á o disposto nos respectivos Planos Diretores e Leis Municipais de Uso do Solo, sem prejuízo do disposto nos incisos do caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 571, de 2012).
89 BRASIL, Lei Federal nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, dispõe sobre a Lei de
Parcelamento do Solo Urbano. Art. 3º, §único. Disponível em http://www.planalto.gov.br. Acessado em: 13/12/2011.
fauna, os recursos ambientais etc, garantindo a satisfação das funções sociais da cidade e proporcionando aos seus habitantes uma vida digna, e ainda, ao Poder Público, a Segurança e eficiência no trato da coisa pública.
Entretanto, ainda são poucas as leis específicas no sentido de impedir a ação humana em áreas ou cidades que possam sofrer os problemas resultantes de Enchentes, fato este que demonstra a necessidade e obrigatoriedade do poder público legislar no sentido de prevenir e de recuperar os danos causados pelas Enchentes. Recentemente o Estatuto da cidade sofreu relevantes acréscimos de artigos que tratam, especificamente, sobre Enchentes, Inundações ou alagamentos, mas, ainda, não são suficientes as medidas, tendo em vista o tamanho deste tipo de desastre natural.
A Lei Federal No 10.257, de 10 de julho de 2001 (Anexo I), que regulamenta os art. 182 e 183 da Constituição Federal, conhecida como Estatuto da Cidade “estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental”(art.1º, §único). Esta Lei teve alguns artigos e incisos90 acrescentados recentemente por outra norma, a Lei Federal nº 12.608, que entrou em vigor em 10 de abril de 2012 (Anexo II), devido à preocupação de Desastres Ambientais, principalmente deslizamentos, Enchentes e Inundações. Esta atualização legal procura determinar aos Estados e Municípios que protejam as pessoas que residem em locais de Risco e que elaborem um mapeamento destes locais vulneráveis. Neste Estatuto o legislador preocupou-se, também, com o bem estar das comunidades e com um desenvolvimento urbano de forma sustentável “para as presentes e futuras gerações”.91
Para facilitar o interesse da política urbana, o art. 3º (Anexo I) desta lei, estabelece a “cooperação entre a União, os Estados, o Distrito
90 Os artigos e incisos acrescentados no Estatuto da Cidade pela Lei 12.608/12, estão destacados no Anexo I.
91 BRASIL, Lei Federal nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.
Estatuto da Cidade. Art. 2º, I. Anexo I. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acessado em 02/11/2011.
Federal e os Municípios”, em relação a um desenvolvimento equilibrado e o bem- estar de toda a nação.92
O Estatuto da Cidade (Anexo I) também se preocupou com os instrumentos que deveriam ser utilizados para o desenvolvimento da política urbana, em especial, no que tange ao planejamento municipal, obrigando os municípios a estabelecerem um Plano Diretor, conforme as exigências dos artigos 41 e 42 deste Estatuto.93
O chamado Plano Diretor das cidades, foi materializado com a aprovação do Estatuto da Cidade, com a edição da Lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001 (Anexo I). Os Planos Diretores devem cumprir a orientação constitucional de garantia da função social da cidade e da propriedade urbana, conforme art.
182 e 183 da Constituição Federal. Conforme o Estatuto da Cidade, Plano Diretor é definido “como um conjunto de princípios e regras orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano”.94 É um documento que orienta todas as ações que alterem a estrutura dos municípios brasileiros e, conseqüentemente, envolvem as questões ambientais e os cuidados que se deve observar nas questões de Enchentes e Inundações.
Neste sentido, Silva explica que “é plano”, porque estabelece os objetivos a serem atingidos, os prazos em que estes objetivos
“devem ser alcançados [...], as atividades a serem executadas e quem deve executá-las. É diretor, porque fixa as diretrizes do desenvolvimento urbano do Município”.95
O Estatuto da Cidade, em relação ao Plano Diretor também garantiu o direito da população de participar do processo de sua elaboração, bem como da fiscalização de sua implementação, através da realização de audiências públicas e de debates, da publicidade de informações, de documentos e do acesso a qualquer outra informação na produção do Plano.96O Plano Diretor é obrigatório para todas as cidades com mais de vinte mil habitantes e que façam parte de regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas.
92 BRASIL, Lei Federal nº 10.257/01. cit. Art. 3º, II. Anexo I.
93 BRASIL, Lei Federal nº 10.257/01. cit. Arts. 41 e 42. Anexo I.
94 BRASIL. Estatuto da Cidade: guia para implementação pelos municípios e cidadões. 2 ed.
Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações 2002. p.40.
95 SILVA, José Afonso. Direito urbanístico brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995, p.124.
96 BRASIL, Lei Federal nº 10.257,de 10 de julho de 2001. Estatuto da Cidade. Art. 40, § 4º. Anexo I
Os artigos 42A e 42B da mesma lei, foram acrescidos pela Lei 12.608, sancionada em 10 de abril de 2012 (Anexo II) e passaram a disciplinar a ocupação do solo e em preservar as zonas ambientais, além de outros assuntos relacionados aos Desastres Ambientais hídricos, ocorridos nos últimos anos.97
Os temas descritos nestes artigos 42-A e 42-B, serão de grande importância, depois das grandes Enchentes ocorridas nos últimos anos, em várias regiões que deixaram centenas de pessoas desabrigadas, além de muitas perdas patrimoniais e de algumas vidas. Em vista da freqüência em que estes fatos têm ocorrido, o legislador se preocupou em estabelecer ações preventivas, como por exemplo: mapear áreas de Risco, retirar e reinstalar famílias que vivem nestas áreas de Risco e fiscalizar para que novas famílias não se instalem nestes locais irregulares, além de, planejar novas medidas de drenagem para escoar a água das chuvas, etc.
A edição da Lei Federal nº 12.608, de 10 de abril de 2012 (Anexo II), além de fazer várias alterações no Estatuto da Cidade, também “institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de desastres”.98
O art. 2ª99 desta mesma lei, com a ajuda mútua entre os entes da federação, confirma o dever de reduzir os Riscos dos eventos naturais negativos e sugere a colaboração das entidades privadas e da população para prevenir os Riscos de Enchentes e Inundações, além de todos os tipos de Desastres Naturais.
Os artigos seguintes tratam, principalmente, de assuntos relacionados com a proteção no Risco de desastres e acrescentou nas nomenclaturas dos órgãos relacionados com a Defesa Civil, o termo “Proteção”.
97 BRASIL, Lei Federal nº 10.257/01. Cit. Art. 42-A e 42-B. Anexo I.
98 BRASIL, Lei Federal nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil - PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de desastres; altera as Leis nos 12.340, de 1o de dezembro de 2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras providências (Anexo II). Art. 1º.
Disponível em: www.planalto.gov.br. Acessado em: 15/04/2012.
99 BRASIL, Lei Federal nº 12.608/12. Cit. Art. 2º. Anexo II.
Como, por exemplo, Política Nacional de Defesa Civil – PNDEC passa a se chamar Política Nacional de Proteção e Defesa Civil - PNPDEC.
Entre tantos deveres de proteção ambiental e de responsabilidade do Estado, cita-se alguns, como forma de exemplificação: a fiscalização e proibição de queimadas e desmatamentos ilegais, a recuperação de áreas degradas (ex. assoreamento de rios), a fiscalização e proibição de emissão ilegal de gases responsáveis pelo aquecimento global, a criação de órgão público especializado para socorrer as vítimas de eventos climáticos extremos, dentre outros.
A nova lei nº 12.608/12 (Anexo II) trata, também, das diretrizes e objetivos e das Competências dos Entes Federados da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, além das disposições transitórias e finais. Em todos artigos o legislador teve grande preocupação com a prevenção e minimização dos desastres negativos e a preocupação com as pessoas que se encontram em áreas de Risco.
O Estatuto da Cidade é uma norma que sofre de reclamações pelos atrasos ocorridos em suas renovações. Entretanto, com sua atualização de abril de 2012, passou a ser mais específica em relação ao tratamento de assuntos, como os desastres hídricos, que têm causado enormes perdas materiais e feito vítimas em várias regiões do Brasil. As reclamações sobre a demora em sua atualização dizem respeito ao fato de que, se tivesse sido sancionada antes, poderia ter minimizado os danos e prejuízos resultantes das grandes Enchentes que ocorreram no ano de 2008 e 2010 em Santa Catarina e, posteriormente, no Rio de Janeiro, até a mais recente enchente que ocorreu no Acre.
Além da legislação citada, que trata de assuntos diretamente ligados aos Desastres Naturais, também há outras leis que, indiretamente, estão relacionadas com eventos hídricos, como por exemplo, a Resolução 001/1986 do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente100, que exige a elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e de Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para as Obras hidráulicas, tais como: “[...]drenagem e irrigação, retificação de
100 BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, criado pela Lei 6.938/81, é órgão presidido pelo Ministro do Meio ambiente e responsável pela política nacional do meio ambiente.
cursos d'água, abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias, diques”(atr.2º, VII)101. Os estudos e relatórios EIA e Rima são instrumentos de avaliação de impacto ambiental (AIA) utilizados na política Nacional do Meio Ambiente e devem ser utilizados para todas as obras que venham a causar algum tipo de degradação ou poluição ao Meio Ambiente, e são necessários para que qualquer pessoa, física ou jurídica possa obter um licenciamento ambiental.
Tratam-se de documentos que devem seguir diretrizes gerais básicas estabelecidas nas atividades técnicas da Resolução CONAMA, que vão medir as conseqüências que determinado empreendimento pode causar ao Meio Ambiente. O referido estudo de impacto ambiental é uma preocupação constitucional, com referência ao apontado no art. 225, § 1º, IV da Constituição Federal de 1988, nos seguintes termos: “exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade”.
Da mesma forma, a Lei 7.661/98 estabeleceu o gerenciamento costeiro sob responsabilidade municipal, estadual e federal, em especial o uso e atividade, conservação e proteção na zona costeira. A Lei 9.795/99 instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental voltada para a sustentabilidade, buscando a conscientização de que a degradação do Meio Ambiente provocada pela ação humana pode ser também uma das causas de Enchentes e de Inundações.
Também a Lei 9.433/97 que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos tem como um dos seus objetivos “a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais”(art.2º, III)102, assim como a lei nº 9.984/02, que dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas - ANA, implementa a Política Nacional de Recursos Hídricos e tem como uma das diretrizes “planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e Inundações, no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
101 BRASIL. RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de 23 de janeiro de 1986, Publicado no D. O . U de 17 /2/86. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acessado em: 23/05/2012.
102 BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acessado em 02/03/2012