Tabela 15. Grau de risco obtido nos 8 subsetores do SR-15.
Subsetores Grau de risco
Subsetor 1 4
Subsetor 2 2
Subsetor 3 4
Subsetor 4 3
Subsetor 5 1
Subsetor 6 3
Subsetor 7 3
Subsetor 8 3
Através da tabela 15 pôde-se confirmar a avaliação realizada em campo e em laboratório, bem como a percepção do risco da defesa Civil, que mostra que os subsetores 1 e 3 apresentam risco muito alto (4); subsetores 4, 6, 7 e 8 apresentam risco alto (3); o subsetor 2 apresenta risco médio (2); e o subsetor 5 apresenta risco baixo.
É possível afirmar que a metodologia adotada mostrou-se eficaz no mapeamento e análise do risco no SR-15. A atribuição de notas e pesos, bem como a realização de médias aritméticas e ponderadas conseguiram atingir a credibilidade esperada para o trabalho, permitindo alcançar desta forma, o objetivo final, que é o mapa de risco, produto final deste mapeamento.
Figura 54. Mapa de risco com o grau de risco (baixo, médio, alto e muito alto) dos subsetores do SR-15.
A fim de apresentar melhor os setores de mesmo risco no mapa final, os subsetores limítrofes de mesmo valor de risco foram agrupados para melhor visualização do grau de risco do SR- 15 como um todo (Figura 55).
Figura 55. Produto final deste trabalho, o Mapa de Risco do SR-15, representando o Risco Baixo na cor verde, Risco Médio na cor amarela, Risco Alto na cor laranja e Risco Muito Alto
na cor vermelha.
De acordo com a representação final do grau de risco observada no mapa acima, 79.230,4 m² ou 33,24% do SR-15 é considerado área de risco muito alto. Considera-se 118.331,5 m² ou 49,65% do SR-15 área de risco alto. Para o risco médio, obteve-se uma área de 23.827,7 m² que representa 10% do setor de risco. E finalmente, com cerca de 7,11%, 16.957,4 m² são considerados de risco baixo no SR-15.
Estes valores comprovam o resultado esperado da avaliação realizada em campo e em laboratório, que resultaram em graus de risco alto e muito alto em 82,89% da área total do SR-15, evidenciando a existência de conflitos relacionados às intervenções humanas nas encostas.
A inexistência de esgotamento sanitário, precariedade no sistema de drenagem de águas pluviais e na execução de obras de contenção ou impermeabilização, ocupação desordenada na crista ou pé das encostas, bem como os cortes realizados inadequadamente e execução de aterros lançados com declividades acima do limite considerado seguro; a altitude e declividade natural demasiadamente altas das encostas, a camada de solo residual de textura arenosa na qual estabelecem-se as moradias, as evidências de movimento de massa e transporte de sedimentos encontradas em campo. Todos esses aspectos combinados e avaliados resultaram nos graus de risco obtidos, onde os locais com as piores condições apresentaram risco maior, validando a análise realizada.
Por fim, a divisão do setor de risco 15 em subsetores de acordo com as feições de encosta permitiu a não generalização dos graus de risco e a representação mais fiel do real risco existente nas encostas do SR-15.
5 C
ONSIDERAÇÕESF
INAISA crescente ocupação das encostas do município de Brusque, muitas vezes de maneira desordenada, aponta para a necessidade de um melhor conhecimento do risco de escorregamentos de suas encostas, em escala de detalhe. Além do dano social, o impacto dos escorregamentos é, também econômico, tendo em vista os custos oriundos da destruição e recuperação de moradias e outras estruturas urbanas e das consequências danosas sobre os serviços básicos de saneamento e transportes.
À medida que as intervenções vão ocorrendo, mudam os fatores que norteiam a indicação do risco. Enquanto a execução de obras, drenagem e restabelecimento de vegetação nas encostas vai reduzir o grau de risco nos locais tratados, a ocupação desordenada ou incorreta destas áreas aumentará o grau inicialmente estimado, devendo portanto o poder público estabelecer um planejamento do ordenamento territorial, com restrições para as intervenções humanas nas encostas.
O Mapeamento de Risco de Escorregamentos no Setor de Risco 15 do município de Brusque resultou na delimitação de 8 subsetores para a aplicação da metodologia de Gusmão Filho et al, num total de 238.346,8 m². Deste total, 33,24% (79.230,4 m²) alcançaram um grau de risco muito alto, 49,65% (118.331,4 m²) chegaram ao risco alto, 10% (23.827,7 m²) representam risco médio e 7,11% (16.957,4 m²), risco baixo. Estes valores comprovam que o SR-15 é problemático, apresentando 82,89% de área considerada de risco alto ou muito alto.
A execução de obras de contenção ou impermeabilização na área de estudo mostrou-se precária e insuficiente, com exceção de poucos casos em que pôde-se considera-las suficientes. Muros de blocos de concreto são largamente utilizados nesta região, por serem considerados de execução fácil e custo baixo, porém, a ausência de sistema de drenagem nessas obras atreladas à deficiência na construção de bases estruturadas, e em alturas demasiadamente altas, tornam estas obras ineficientes e ineficazes, não contribuindo como deveriam para a redução no risco de movimentação ou erosão no talude.
Embora os processos de movimentação de massa estejam relacionados a períodos chuvosos, eles são potencializados pelas intervenções humanas, como o lançamento e concentração de águas servidas pela falta de esgotamento sanitário, ou vazamento de tubulações do sistema de abastecimento de água sobre as encostas, agravando as condições de estabilidade por causarem a saturação do solo. Em áreas de encosta com vegetação inalterada, quanto mais madura for a floresta mais complexa será sua estrutura e florística, possuindo sistema radicular mais eficiente, contribuindo, portanto, na estabilidade do meio físico. A supressão
desta cobertura vegetal causa um desequilíbrio no meio, afetando, então, a estabilidade das encostas, como pôde-se observar no SR-15.
A divisão do setor de risco 15 em subsetores de acordo com as feições de encosta permitiu a não generalização dos graus de risco e a representação mais fiel do real risco existente nas encostas do SR-15, tornando este mapa uma ferramenta passível de utilização pelo poder público, no gerenciamento do risco de movimentos de massa e no adequado ordenamento urbano; pela comunidade em geral, para o conhecimento destes locais, seus aspectos e conflitos; pela comunidade do próprio setor de risco, para reconhecerem a realidade em que vivem e manterem-se em alerta em situações de anormalidade ocorrentes no município, como os eventos de alta pluviosidade, deflagradores dos processos de movimento de massa.
Deve-se levar em consideração que fatores ambientais dizem respeito a tudo no que tange ao meio ambiente, englobando geologia, geomorfologia, vegetação, clima etc. Porém, para uma melhor caracterização dos fatores neste trabalho, de acordo com a metodologia de Gusmão Filho et al, consideraram-se fatores ambientais aqueles influenciados por intervenções humanas, separando-se então dos fatores topográficos e geológicos.
Este trabalho não avaliou o aspecto socioeconômico do SR-15, porém, foi possível vivenciar a situação de risco em que se encontram muitas famílias, onde o que mais chamou a atenção no trabalho de campo realizado para a aplicação dos checklists foi a percepção do risco e a resistência dos moradores da área de estudo. Acostumados com os processos de movimento de massa ou transporte de sedimentos ocorridos em seus terrenos ou proximidades, não consideram estes locais áreas vulneráveis. Alguns moradores relatavam com convicção que os taludes, mesmo onde já havia ocorrido movimentos de massa, encontravam-se estabilizados e não apresentavam mais perigo às suas residências, certos de que “como já aconteceu, não acontecerá mais”.
Outros moradores, cientes de que habitam em áreas de risco permanente, quando questionados sobre a possibilidade de se registrarem fotografias e avaliar rapidamente os taludes próximos às suas residências, demonstraram certa apreensão e resistência, alguns até recusando-se e mostrando indiferença e outros perguntando se este trabalho era proveniente de algum órgão público, possivelmente por estarem cientes das condições precárias ou irregulares de suas moradias ou terrenos.
Por fim, como recomendações para trabalhos futuros, ficam as propostas:
Avaliar e caracterizar minuciosamente a vegetação de acordo com o porte, estágio sucessional e espécies exóticas, determinando o grau de risco conforme essa caracterização;
Completar este mapeamento de risco com os fatores socioeconômicos do SR-15, igualmente fundamentais na concepção de risco;
Complementar o trabalho com um mapa de suscetibilidade a escorregamentos do SR-15, para comparar as informações avaliadas em campo e as encontradas em laboratório;
Aplicar a metodologia utilizada neste trabalho em outros setores de risco delimitados pela Defesa Civil no município de Brusque.
6 R
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ANEXOS
ANEXO A – Ficha de Campo proposta por Gusmão Filho no mapeamento de risco no Recife.
ANEXO B – Detalhamento dos atributos por grau de risco aplicado no Recife por Gusmão Filho et al (1993).
ANEXO C – Ficha de Campo utilizada pelo IPT no mapeamento de risco.
ANEXO D – Graus de risco de acordo com os condicionantes apresentados, como a inclinação, tipo de terreno, nível de intervenção e evidências de instabilidade.
Grau de
Risco Descrição
R1 Baixo Risco
1. os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação, tipo de terreno etc.) e o nível de intervenção no setor são de baixa ou nenhuma potencialidade para o
desenvolvimento de processos de deslizamentos e solapamentos.
2. não se observa(m) sinal/feição/evidencia(s) de instabilidade. Não há indícios de desenvolvimento de processos de instabilização de encostas e de margens de
drenagens.
3. mantidas as condições existentes não se espera a ocorrência de eventos destrutivos no período compreendido por uma estação chuvosa normal.
R2 Risco Médio
1. os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação, tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de media potencialidade para o
desenvolvimento de processos de deslizamentos e solapamentos.
2. observa-se a presença de algum(s) sinal/feição/evidência(s) de instabilidade (encostas e margens de drenagens), porem incipiente(s). Processo de instabilização em
estágio inicial de desenvolvimento.
3. mantidas as condições existentes, e reduzida a possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no período
compreendido por uma estação chuvosa.
R3 Risco
Alto
1. os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação, tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de alta potencialidade para o
desenvolvimento de processos de deslizamentos e solapamentos.
2. observa-se a presença de significativo(s) sinal/feição/evidência(s) de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes, etc.). Processo de instabilização em pleno desenvolvimento, ainda sendo possível monitorar a evolução do processo.
3. mantidas as condições existentes, e perfeitamente possível a ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no período
compreendido por uma estação chuvosa.
R4 Risco Muito Alto
1. os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação, tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de muito alta potencialidade para o
desenvolvimento de processos de deslizamentos e solapamentos.
2. os sinais/feições/evidencias de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes, trincas em moradias ou em muros de contenção, arvores ou postes inclinados, cicatrizes de deslizamento, feições erosivas, proximidade da moradia em
relação a margem de córregos, etc.) são expressivas e estão presentes em grande número ou magnitude. Processo de instabilização em avançado estágio de desenvolvimento. E a condição mais crítica, sendo impossível monitorar a evolução do
processo, dado seu elevado estágio de desenvolvimento.
3. mantidas as condições existentes, e muito provável a ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no período
compreendido por uma estação chuvosa.
APÊNDICES
APÊNDICE A – Ficha de Campo elaborada e adaptada ao SR-15
FICHA DE CAMPO PARA O MAPEAMENTO DE RISCO Data: Ficha n°:
ID subsetor:
Lat: Lat: Lat: Lat:
Lon: Lon: Lon: Lon:
FATORES TOPOGRÁFICOS 1. TIPO DE FEIÇÃO
(A) encosta (B) talude de corte (C) aterro lançado
2. MORFOLOGIA DA ENCOSTA
FATORES GEOLÓGICOS 3. LITOLOGIA
(A) solo residual (B) saprolito
(C) rocha metamórfica
4. EVIDÊNCIAS DE MOVIMENTO E TRANSPORTE DE MASSA (A) ravinamento superficial
(B) ravinamento profundo (C) voçoroca
(D) erosão na encosta (E) escorregamento (F) ausente
FATORES AMBIENTAIS 5. CORTES
(A) próximo à crista (B) meio da encosta (C) próximo ao pé (D) desordenados (E) em patamares
6. OBRAS DE CONTENÇÃO (A) suficiente
(C) insuficiente (D) inexistente
7. DRENAGEM DE ÁGUAS PLUVIAIS E SERVIDAS
(A) suficiente (B) insuficiente (C) inexistente
8. NÚMERO DE CASAS 9. RESIDÊNCIAS INTERDITADAS
APÊNDICE B – Fichas de Campo aplicadas no SR-15
FICHA DE CAMPO PARA O MAPEAMENTO DE RISCO Data: 25/09/2014 Ficha n°: 01 ID subsetor: acesso pela rua José Rudolf Júnior, AC-011, Alfredo Comandolli
P242 P243 P244 P245 P246
Lat: 27°08”52,9’S Lat: 27°08”54,9’S Lat: 27°08”54,5’S Lat: 27°08”54,6’S Lat: 27°08”54,7’S Lon: 48°53”48,7’W Lon: 48°53”48,1’W Lon: 48°53”50,1’W Lon: 48°53”44,7’W Lon: 48°53”45,5’W P247 P248 P254 P255 P256 Lat: 27°08”52,5’S Lat: 27°08”52,9’S Lat: 27°08”50,6’S Lat: 27°08”50,9’S Lat: 27°08”51,3’S Lon: 48°53”43,6’W Lon: 48°53”46,0’W Lon: 48°53”39,4’W Lon: 48°53”44,7’W Lon: 48°53”49,8’W
FATORES TOPOGRÁFICOS 1. TIPO DE FEIÇÃO
(A) encosta
(B) talude de corte (C) aterro lançado
2. MORFOLOGIA DA ENCOSTA
FATORES GEOLÓGICOS 3. LITOLOGIA
(A) solo residual (B) saprolito
(C) rocha metamórfica
4. EVIDÊNCIAS DE MOVIMENTO E TRANSPORTE DE MASSA
(A) ravinamento superficial (B) ravinamento profundo (C) voçoroca
(D) erosão na encosta (E) escorregamento (F) ausente
FATORES AMBIENTAIS 5. CORTES
(A) próximo à crista (B) meio da encosta (C) próximo ao pé (D) desordenados (E) em patamares
6. OBRAS DE CONTENÇÃO (A) suficiente
(C) insuficiente (D) inexistente
7. DRENAGEM DE ÁGUAS PLUVIAIS E SERVIDAS (A) suficiente
(B) insuficiente (C) inexistente 8. NÚMERO DE CASAS
13
9. RESIDÊNCIAS INTERDITADAS 6