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METODOLOGIA MARES

No documento Cristiano Schwening.pdf - Univali (páginas 99-104)

3. TRABALHOS RELACIONADOS

3.3 METODOLOGIA MARES

Estão disponíveis no modelo três tipos de perfis pré-definidos. O primeiro perfil está focado em gestão de projetos e busca definir processos que permitam a organização cumprir com os compromissos definidos com o cliente. O segundo perfil é destinado à gestão de portfólio e busca minimizar custos evitando retrabalho. No terceiro perfil o objetivo é a empresa e para tanto os recursos da organização devem buscar o cumprimento dos objetivos estratégicos. Além destes perfis pré-definidos é oferecido outro que integra os três anteriores.

Outra contribuição importante desta abordagem é definir um guia para ações de MPS através do PmCOMPETISOFT. Este guia descreve com razoável grau de detalhes os principais passos que um projeto de melhoria deve realizar para obter uma efetiva melhoria nos processos de uma MPE.

Dentre as atividades deste modelo de melhoria existe a “estratégia para seleção e priorização de processos” que tem por objetivo auxiliar na seleção dos processos, porém a descrição desta estratégia, através da analise dos artigos encontrados, não consegue fornecer um roteiro objetivo para esta seleção. O principal instrumento desta estratégia é os processos descritos no Quadro 18, deixando a tarefa de seleção final para a equipe responsável pela melhoria.

Este método tem como ponto positivo seu foco direto em MPEs de software através da definição de diversos componentes e guias que permitem as empresas uma fácil utilização dos processos descritos. Além disso, destaca-se a sua utilização para a elaboração de uma futura norma ISO que normatizará perfis para MPEs. A opção de oferecer perfis pré-definidos possibilita um guia facilitador para as MPEs que desejam iniciar um programa de MPS com poucos recursos.

Porém, os perfis definidos pelo modelo abrangem tipos de empresas muito genéricos o que não permite sua aplicação nos diversos tipos de modelos de negócios das MPEs de software.

Também não existe um detalhamento que permita a compreensão do método utilizado para a definição de cada um dos perfis, além daqueles descritos na matriz. A matriz utilizada para definir os processos possui um conjunto limitado de questões o que pode representar uma dificuldade quando esta for utilizada em organização que possuem modelos de negócios específicos.

3.3 METODOLOGIA MARES

O seu objetivo é auxiliar na avaliação de processos em micro e pequenas empresas de software brasileiras, estimulando a iniciação de um programa de melhoria dos seus processos, considerando suas metas de negócio, características e limitações (ANACLETO, 2004).

O MARES (Metodologia de Avaliação de Processos de Software) foi baseado na ISO/IEC 15504. A norma foi adaptada, através de guias específicos para sua utilização prática em MPEs. Os modelos desenvolvidos no contexto do modelo de avaliação permitem que a avaliação gere resultados além dos definidos na norma auxiliando a empresa na identificação de riscos e possibilidades de melhoria. A execução do método de avaliação é apoiada por diversos documentos padrões que foram desenvolvidos reduzindo ainda mais os custos de uma avaliação MARES (ANACLETO, 2004).

O modelo de avaliação do MARES define outros dois modelos de avaliação. Estes modelos foram definidos com o objetivo formar uma base inicial para suporte à geração de resultados adicionais na avaliação e auxílio para a inicialização de um projeto para MPS.

Modelo Contexto-Processo

O Modelo Contexto-Processo tem por objetivo auxiliar na definição de perfis alvos e na seleção de processos relevantes de serem avaliados e seus respectivos níveis de capacidade para um determinado contexto. Para isso o modelo relaciona explicitamente metas de negócio típicas e aspectos de qualidade aos processos do modelo de avaliação (ANACLETO, 2004).

O modelo identifica relacionamentos genéricos entre as características, metas, aspectos de qualidade, estágio de crescimento de uma organização e processos de software relevantes e níveis de capacidade. Ele é composto de padrões de perfis e heurísticas genéricas para adaptação. Padrões de perfis descrevem um conjunto genérico de processos alvo com respeito a uma meta de melhoria ou estágio de crescimento. A Figura 18 ilustra um padrão de perfil e sua adaptação para uma empresa (ANACLETO et al., 2004).

Figura 18. Exemplo de um padrão de perfil e sua adaptação ao contexto de uma empresa Fonte: Anacleto (2004).

O modelo apresenta algumas heurísticas, que buscam indicar a relevância dos processos e/ou seus respectivos níveis de capacidade. Estas heurísticas baseiam-se em:

Metas de negócio e melhoria, por exemplo, se a meta de negócio é a redução de custos, os processos importantes a serem considerados seriam Planejamento de Projetos e Monitoramento e Acompanhamento de Projetos (ANACLETO, 2004);

Características do produto, por exemplo, no que se refere a aspectos de qualidade, por exemplo, se um aspecto crítico é a confiabilidade, os processos de Gerencia de Requisitos, Definição de Requisitos, Verificação, Validação, Garantia da Qualidade, podem ser relevantes (ANACLETO, 2004);

Estágio de crescimento da empresa, de acordo com o modelo de ciclo de vida a empresa pode estar em algum dos estágios apresentados o que pode definir ou afetar a decisão de quais processos devem ser melhorados.

Modelo Processo-Risco

O modelo processo-risco objetiva fornecer um suporte sistemático para indicação de riscos e sugestões de melhoria, relacionados aos processos avaliados com base na capacidade dos processos.

Este modelo apresenta uma estrutura a ser utilizada na derivação de riscos e sugestões de melhoria, porém, ainda precisa ser alimentado e continuamente evoluído agregando novas experiências e informações adquiridas pela análise dos resultados de futuras avaliações realizadas.

Como mostra a Figura 19, o modelo relaciona o não atendimento a um elemento dos atributos de processo a um risco específico, à origem ou causas para os riscos, assim como sugestões de melhoria no intuito de prevenir as causas apontadas.

Figura 19. Exemplo do processo e riscos e sugestões de melhoria Fonte: Anacleto (2004).

O alvo deste modelo é fornecer os riscos e sugestões de melhoria indicados como resultados adicionais de uma avaliação com o propósito de fornecer maior suporte para a melhoria de processos. Eles são inferidos de desvios existentes entre o perfil alvo do processo e seu perfil avaliado. Com base no não atendimento a um elemento de um atributo de processo, o modelo indica riscos potenciais, suas causas e sugestões de ações de melhoria (ANACLETO, 2004).

Observa-se também que o MARES dispõem de um processo de contextualização (PROC.2) que é realizado antes da execução da avaliação detalhada e tem por objetivo obter informações sobre a empresa em que a avaliação é executada, seus produtos/projetos e, principalmente, sobre os

processos de software que são executados no contexto da empresa. A partir dos resultados da contextualização são derivados os perfis alvo dos processos indicando quais processos de software são relevantes e os seus respectivos níveis de capacidade para a empresa no seu estado atual para atender às suas metas de negócio e de melhoria (ANACLETO, 2004).

3.3.2 Discussão sobre a abordagem

Esta metodologia objetiva, inicialmente, a avaliação dos processos de software com o propósito de fornecer subsídios para um posterior programa de MPS na organização que solicitou a avaliação.

Dentre as ferramentas utilizadas para alcançar uma avaliação final dos processos existe um conjunto de métodos e atividades que são desenvolvidas para a obtenção de um perfil de capacidade de processos.

No processo de contextualização são extraídas informações estratégicas da organização com o propósito de detectar os processos principais da organização. Em seguida é utilizado o método Contexto-Processo para apoiar na seleção de um perfil alvo pré-definido e na posterior seleção dos processos, e respectivos níveis de capacidade, que deverão ser avaliados. Para definir o perfil avaliável se identifica os relacionamentos genéricos da organização, processos de software relevantes e níveis de capacidade.

Após a definição do perfil de processos que será avaliado na organização, o método Processo-Risco é aplicado para determinar os potenciais riscos relacionados a cada um dos processos selecionados, para isso é analisado o não atendimento de parte de algum atributo de cada processo e também os desvios que o perfil avaliado sofre com relação ao perfil alvo. Este método também fornece as possíveis causas, de cada risco, e sugestões para realizar melhorias.

Este método tem como ponto positivo seu propósito em auxiliar as MPEs de software fornecendo uma metodologia composta de um método, processo e artefatos necessários para a realização de uma avaliação de processos. Os artefatos desenvolvidos podem ser utilizados pelas empresas para orientar a seleção dos processos.

Além disso, ele busca identificar as organizações utilizando as definições de estágios de crescimento, uma das técnicas propostas neste trabalho. Ele também sugere a utilização de padrões

de perfis e heurísticas genéricas para adaptação, ou seja, o método definido neste trabalho poderá ser acrescentado ao MARES para fornecer os padrões de perfis e as adaptações necessárias.

No documento Cristiano Schwening.pdf - Univali (páginas 99-104)