O plenário do Senado em resposta à crise política deflagrada pela denúncia do "mensalão", escândalo derivado direta ou
33Fonseca; Silva;Tonussi, 2006. Cartilha da Propaganda Eleitoral 2006. Disponível em:<
http://www.tre-df.gov.br/eleicoes2006/arquivos/cartilha_propaganda_eleit2006.pdf>. Acesso em 15 set 2006.
indiretamente, da forma como é realizado o processo eleitoral e político no Brasil, levou o Congresso a aprovar inúmeras normas restritivas à liberdade da propaganda.
O objetivo principal desta Lei é evitar algumas aberrações que vem sendo praticadas pelos candidatos, como por exemplo: prática do caixa dois nas campanhas eleitorais, a utilização da máquina pública como favorecimento dos que já estão no poder, a compra de votos com brindes, dentre outras irregularidades.
O caminho do amadurecimento natural proposto pelo atual sistema é longo e demorado, sendo assim se fez necessário que o Senado tomasse medidas até certo ponto drásticas para moralizar a Propaganda Eleitoral.
A seguir será comentado as mais importantes alterações feitas pela Lei 11.300/2006.
3.1.1 Responsabilidade Solidária
O Art. 20 da lei passa a estabelecer a responsabilidade solidária do chamado tesoureiro de campanha, ou seja, a pessoa designada pelo candidato para fazer a administração financeira de sua campanha.
Esta pessoa será juntamente com o candidato, responsável pela veracidade das informações financeiras e contábeis da campanha, devendo ambos assinar a respectiva prestação de contas.
Art. 20 – O candidato é solidariamente responsável com a pessoa indicada na forma do Art. 20 desta lei pela veracidade das informações financeiras e contábeis de sua campanha, devendo ambos assinar a respectiva prestação de contas.
Anteriormente, na lei 9.504/97 o único responsável era o próprio candidato, o que facilitava o desvio de verbas, gerando irregularidades e evidenciando ainda mais, o abuso de poder econômico de certos candidatos em detrimento dos demais.
3.1.2 Conta de Campanha
O Art. 22 da Lei 9.504/97 estabelecia, a necessidade de cada candidato possuir uma conta específica para registrar o movimento financeiro da campanha.
Art. 22. É obrigatório para o partido e para os candidatos abrir conta bancária específica para registrar todo o movimento financeiro da campanha
Agora com o advento de Lei 11.300/06, é obrigatório que esta conta funcione como o único instrumento para a movimentação financeira da campanha.
Art. 22, § 3º - O uso de recursos financeiros para pagamento de gastos eleitorais que não provenham da conta específica de que trata o caput deste artigo implicará a desaprovação da prestação de contas do partido ou candidato; comprovado abuso do poder econômico, será cancelado o registro da candidatura ou casado o diploma, se já houver sido outorgado.
Implicará na reprovação da prestação de contas do partido ou candidato, a utilização de recursos financeiros que não provenham desta conta específica para pagamento de gastos eleitorais.
Uma vez comprovado o abuso de poder econômico, estará o candidato sujeito a ter cancelado seu registro, ou casado o diploma, se já houver sido outorgado.
3.1.3 Das Doações
O § 4º do Art. 23 da Lei 11.300/06 determina que as doações só possam ser feitas na conta do partido ou do candidato especificamente para a campanha eleitoral.
Para as pessoas físicas permanece a possibilidade de doações em dinheiro, mas o deposito em espécie deve ser devidamente
identificado até o limite de 10% dos rendimentos brutos auferidos no ano anterior á eleição. Já as pessoas Jurídicas podem fazer doações somente por meio de cheques cruzados e nominais ou transferência eletrônica de depósitos.
A lei 11.300/06 acrescentou quatro incisos ao Art. 24, que relaciona as pessoas jurídicas que estão impossibilitadas de doar á partidos e candidatos. Sendo assim ficam impedidas além das figuras já previstas, as entidades beneficentes e religiosas, as entidades esportivas que recebem recursos públicos, as organizações não governamentais que recebem recursos públicos e as organizações de sociedade civil de interesse público.
Art 23, § 4º - As doações de recursos financeiros somente poderão ser efetuadas na conta mencionada no Art 22 desta Lei por meio de :
I – cheques cruzados e nominais ou transferência eletrônica de depósitos;
II – depósitos em espécie devidamente identificados até o limite fixado no inciso I do § 1º deste artigo.
Este cuidado com que foi tratada a questão das doações pela minirreforma eleitoral pode ser explicada pela facilitação da corrupção na política, devido às doações.
Sobre o assunto Ramos34 expõe o seguinte: Enquanto ainda não houver um mecanismo eficiente de financiamento público para campanhas eleitorais, se permanece com este inseguro sistema de financiamento
34 Ramos, Wolney. Novas regras para as eleições de 2006. Comentários à minirreforma eleitoral (Lei nº 11.300/2006). Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n.1093,29jun.2006.Disponívelem:<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=858 0>. Acesso em: 20 ago. 2006.
privado, passando a legislador a regulá-lo cada vez com maior rigor e detalhamento.
Cabe ressaltar ainda que, é proibido aos partidos políticos e candidatos receber qualquer forma de ajuda financeira direta ou indiretamente, proveniente de entidade ou governo estrangeiro, órgão da administração pública, ou fundação mantida com recursos provenientes do Poder Público.
3.1.4 Doações feitas por Candidatos
O § 5º do Art. 23 da Lei 11.300/06, passa a vedar uma atividade que realmente é nociva a lisura da disputa eleitoral.
§ 5º Ficam vedadas quaisquer doações em dinheiro, bem como de troféus, prêmios, ajudas de qualquer espécie feitas por candidato, entre o registro e a eleição, a pessoas físicas ou jurídicas.
Trata-se dos antigos “favores eleitorais” ou, criticamente falando, a compra disfarçada de votos”, sendo assim qualquer doação em dinheiro, bem como de troféus, prêmios, ajudas de qualquer espécie feitas por candidato, entre o registro e a eleição, a pessoas físicas ou jurídicas, responderá o mesmo se ficar comprovado, por abuso de poder econômico.
3.1.5 Divulgação das Contas pela Internet
O § 8º do Art. 28 da Lei 11.300/06 se refere à prestação de contas, os partidos políticos, as coligações e os candidatos passam a ser obrigados, durante a campanha eleitoral, a divulgar pela Internet (Rede Mundial de Computadores), nos dias 6 de agosto e 6 de setembro, relatório discriminando os recursos em dinheiro ou estimável em dinheiro que tenham recebido para financiamento da campanha eleitoral com a indicação dos nomes dos doadores e os respectivos valores doados.
Art 28, § 4º - Os partidos políticos, as coligações e os candidatos são obrigados, durante a campanha eleitoral, a divulgar, pela rede
mundial de computadores (internet), nos dias 6 de agosto e 6 de setembro, relatório discriminado os recursos em dinheiro que tenham recebido para financiamento da campanha eleitoral, e os gastos que realizarem, em sitio pela Justiça Eleitoral para esse fim, exigindo-se a indicação dos nomes dos doadores somente na prestação de contas final de que tratam os incisos III e IV do Art 29 desta Lei.
Trata-se de uma iniciativa moderna, que trará transparência ao pleito pois, consiste em um relatório parcial das atividades financeiras, que possibilitará a todos acompanhar a movimentação de recursos pelos candidatos antes do dia da eleição.
Ramos (2006, p.--) faz uma crítica a este procedimento da seguinte forma: “Resta saber como funcionará na prática, principalmente nas eleições municipais, onde possivelmente existe um grande número de candidatos a vereador que desconhecem as facilidades pela informática moderna”
3.1.6 Registro dos Gastos Eleitorais
Como conseqüência das alterações realizadas pela nova lei houve uma mudança significativa no Art. 26 da Lei 9.504/97 (anexo). A modificação, passou a considerar também como gastos eleitorais: as despesas com transportes ou deslocamento de candidato e de pessoal a serviço das candidaturas ( inciso IV), a realização de comícios ou eventos destinados à promoção de candidatura (inciso IX), e ainda foi incluído como gastos eleitorais, a produção de jingles, vinhetas e slogans para propaganda eleitoral (inciso XVII).
No entanto foram revogados pela Lei 11.300/06 os incisos XI e XIII, que consideravam gastos de campanha o pagamento de cachê de artista ou animadores de eventos relacionados a campanha eleitoral e, os gastos na confecção, aquisição e distribuição de camisetas, chaveiros e outros brindes de campanha.
3.1.7 Coibição de Irregularidade
Na tentativa de conter as irregularidades envolvendo políticos e partidos políticos em relação ao fundo financeiro para o financiamento das campanhas eleitorais, a Lei 11.300/06 criou um mecanismo capaz de penalizar os responsáveis, caso fique comprovado o abuso do poder econômico no decorrer da disputa eleitoral.
Art. 30 A – Qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça Eleitoral relatando fatos e indicando provas e pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas e desacordo com as normas desta Lei, relativas à arrecadação e gastos de recursos.
§ 1º - Na apuração de que trata este artigo, aplicar-se-á o procedimento previsto no Art 22 da Lei complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, no que couber.
§ 2º - Comprovados captação ou gatos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, será negado diploma ao candidato, ou casado, se já houver sido outorgado.
Sendo assim, de acordo com o Art 30- A, qualquer partido político ou coligação, tem o direito e o dever acionar a Justiça Eleitoral pedindo a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo com as normas relativas á arrecadação e aos gastos eleitorais. brasileiro De acordo com o novo Art. 30 da LEI 9.504/97, recém- incluído, qualquer partido político ou coligação poderá representar á Justiça Eleitoral relatando fatos e indicando provas para pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo normas relativas à arrecadação e gastos de recursos.
Nesta apuração poderá ser relatado fatos e indicadas provas que auxiliarão na aplicação do procedimento previsto no Art. 22 da Lei Complementar nº 64/90 (anexo), que estabelece um procedimento específico para
o caso de apurar a ocorrência de irregularidade por parte dos partidos e candidatos concorrentes à eleição.
Dentre estes se destaca no Art. 22, inciso I, as alíneas a, b e c, que determinam além da notificação de representado, a suspensão das atividades supostamente irregulares, assim como a possibilidade de indeferimento do pedido de forma liminar.
Destaca-se ainda os incisos XIV e XV, que em caso de procedência, sancionam o candidato com a inelegibilidade de 3 (três) anos, além de remeter os autos ao Ministério Público par os fins previstos no Art. 14, §§ 10 e 11 da CF (Ação de Impugnação de Mandato).
3.1.8 Pesquisas Eleitorais
O Art. 35-A da Lei 11.300/06, que proibia a divulgação das pesquisas desde o décimo quinto dia anterior ao pleito foi rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral, pois foi considerado inconstitucional, tendo em vista que viola os direitos constitucionais que asseguram a liberdade de expressão.
Art. 35A – É vedada a divulgação de pesquisas eleitorais por qualquer meio de comunicação a partir do décimo quinto dia anterior até ás 18 (dezoito) horas do dia do pleito.
No dia 06 de setembro de 2006, os Ministros do Supremo Tribunal declararam procedente em parte, as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), propostas por três Partidos Políticos contra todo o texto da chamada “Minirreforma Eleitoral”, aprovada pelo Congresso no início do ano35.
Por unanimidade, o Plenário do Superior Tribunal Federal manteve a lei, declarando a inconstitucionalidade apenas do Art. 35 – A, parte que faz restrições à divulgação de pesquisas eleitorais nos meios de comunicação.
35 Ministro Ricardo Lewandowski. Relatório publicado no dia 06/09/2006 pelo Supremo Tribunal Federal. Disponível em: < http://www.stf.gov.br/imprensa/pdf/ADI3471relatorio.pdf>. Acesso em 25 ago 2006.
As alegações foram no sentido de que, o citado artigo é uma ofensa às conquistas de liberdade garantidas pela Constituição de 1988, notadamente aquelas contidas em seu Art. 5º, ou seja, que versa sobre as garantias e direitos fundamentais.
O ministro relator sugeriu a declaração de inconstitucionalidade da Art. 35 – A, ficando desta forma autorizada a divulgação das pesquisas.
Uma outra alegação foi o desrespeito ao Art. 16 da Constituição de 1988 que diz o seguinte:
Art. 16 – A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando á eleição que ocorra até uma no da data de sua vigência.
Nos termos do voto do relator Ricardo Lewandowski, os ministros entenderam que as alterações realizadas pela Minirreforma Eleitoral não modificam o processo eleitoral, mas tem apenas caráter procedimental a fim de tornar mais igualitária a disputa eleitoral.
3.1.9 Boca de Urna e Distribuição de Brindes
Uma das mais tradicionais práticas eleitorais, a boca de urna é utilizada nas campanhas eleitorais como atividade eleitoral de última hora, que não foi bem vista pelo legislador.
O Art. 39, § 6º da Lei 11.300/06 veda expressamente a prática da propaganda em boca de urna, bem como a divulgação de qualquer espécie de propaganda de partido políticos ou de seus candidatos mediante publicações, cartazes, camisas,bonés, broches ou dísticos em vestuário, prática esta chamada anteriormente de “boca de urna silenciosa” que era aceita pela Justiça Eleitoral.
A distribuição de brindes, camisetas, chaveiros, bonés, canetas, cestas básicas ou qualquer outro benefício que possam proporcionar vantagem ao eleitor também estão terminantemente proibidas.
Art. 39, § 6º - É vedada na campanha eleitoral a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor.
Cabe ressaltar que não estão incluídos nesta categoria os adesivos, bandeirolas, e flâmulas de propaganda eleitoral.
3.1.10 Showmícios e Outdoors
Fica proibida também a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos, essa é mais uma tentativa do legislador de tornar mais igualitária a disputa eleitoral.
Tal proibição visa resgatar o verdadeiro objetivo dos comícios, que antes era centrado na propostas dos candidatos, acabou virando diversão da classe menos favorecida.
Art. 39, §7º - É proibida a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidato, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar comício a reunião eleitoral.
Sobre o tema é pertinente a seguinte consulta:
É possível a utilização de trios elétricos e palcos fixos durante os comícios?Quanto à indagação acerca da possibilidade de utilização de trios elétricos e palcos fixos durante os comícios, entendemos, primeiramente, com relação aos trios elétricos, que há que se ter em conta as mesmas premissas até aqui expostas para se sugerir não seja permitida a utilização dos mencionados
DVD’s.Como é de conhecimento, as despesas com shows e assemelhados com vistas a promoção de candidatos, estão, certamente, entre os mais expressivos numerários financeiros despendidos pelos candidatos, podendo conduzir a desvios contábeis que poderiam dificultar a avaliação acerca dos gastos realmente efetivados pelos candidatos”. (Resolução TSE nº 22.267/2006 – CTA nº 1.261).Relativamente ao uso de palco fixo, a dizer que não se encontra este entre as vedações da lei, no entanto, oportuno ressaltar que, a depender de suas dimensões ou recursos tecnológicos, não está imune a possível configuração de abuso de poder econômico”. (Resolução TSE/SC nº 22.267/2006 – CTA nº 1.261)
Mais uma forma de conter o abuso de poder econômico de determinados candidatos é a proibição do uso de “outdoors” nas campanhas eleitorais. A Lei 11.300/06 veda expressamente a propaganda eleitoral mediante outdoors, sujeitando a empresa responsável, os partidos políticos, coligações e candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa.
Considera-se “outdoor” os engenhos publicitários explorados comercialmente, equiparando-se ao mesmo os cartazes luminosos (front-light), cartazes (tri-show), painéis com imagens (mídia board) ou assemelhados. (Art. 39, § 8°, Lei n° 9.504/97, c/c o Art. 13 da Resolução TSE nº 22.261/2006).
O Art. 42 da Lei 9.504/97 que regulava minuciosamente o uso de “outdoor” foi revogado pela Lei 11.300/06. Continua permitida a pintura em muros de propriedades particulares.
Art. 39, § 8º - É vedada a propaganda eleitoral mediante outdoors, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, coligações e candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a 15.000,00 (quinze mil reais).
Em relação aos painéis (ou placas) colocados em propriedades particulares o TSE os permitiu, desde que não ultrapassem o
tamanho de 4 metros quadrados, ou seja, com a proporção cinco vezes menor que o “outdoor”, que possui em média dimensão de 20 metros quadrados.
3.1.11 Propaganda na Imprensa
Uma restrição temporal foi imposta em relação à propaganda na imprensa, anteriormente era permitida até o dia das eleições, inclusive no dia, agora somente é permitida até a antevéspera das eleições.
Art 43 – É permitida, até a antevéspera das eleições, a divulgação paga, na imprensa escrita, de propaganda eleitoral, no espaço máximo, por edição, para cada candidato, partido ou coligação, de um oitavo da página de jornal padrão e um quarto de pagina de revista ou tablóide.
Parágrafo único. A inobservância do disposto neste artigo sujeita os responsáveis pelos veículos de divulgação e os partidos, coligações ou candidatos beneficiados a multa no valor de R$
1.000,00 ( mil reais) a R$ 10.000,00 ( dez mil reais) ou equivalente ao da divulgação paga, se esta for maior.
O efeito provocado por tal alteração é mínimo, pois o eleitor consciente já decidiu seu voto no período de campanha eleitoral e a outra parte indecisa acaba votando em quem está ganhando ou decide seus voto nas ruas.
3.1.12 Programa apresentado ou comentado por candidato
O Art 45 § 1º da Lei 11.300/06 alterou a data que veda às emissoras de rádio e televisão transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção.
A restrição compreendida de 1º de agosto até às eleições, ou seja, os apresentadores passam a encerrar suas atividades no rádio ou na televisão a partir do resultado da convenção.
Art. 45, §1º - A partir do resultado da convenção, é vedado, ainda as emissoras transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção.
Este afastamento do candidato apresentador ou comentarista é mais uma tentativa do legislador de conter o chamado “Abuso de Poder da mídia”, o que interfere diretamente na vontade do eleitor.
3.1.13 Doação de bens e valores pela Administração Pública
O Art. 73, § 10 da Lei 11.300/06, mostra que o legislador retorna ao tempo do “clientelismo oficial”, autoriza que os governos pratiquem a distribuição de bens, valores ou benefícios em anos eleitorais, mesmo que de caráter nitidamente assistencialista e com forte influencia no processo eleitoral.
Deixa apenas a ressalva de que, a distribuição seja classificada como “programa social”, e tenha embasamento legal e já esteja em execução orçamentária no exercício anterior.
Art. 73, § 10 - No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte de Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa.
Esta prática torna mais fácil a possibilidade da reeleição dos chefes do poder executivo, e ganhou uma atenção especial dos governantes, pois constitui o “carro-chefe” das administrações públicas.
Estas atividades assistencialistas são ótimas para os governantes, uma vez que tornam a população eternamente dependente dos governos, tendo em vista que, certos governantes, para esconder a corrupção de seu governo, passam a corromper o povo.
3.1.14 Bens Particulares (Placas, Faixas, Cartazes e Pinturas)
Independe de licença municipal e de autorização da Justiça Eleitoral autorização o uso de placas, cartazes, pinturas, painéis ou inscrições (tamanho máximo de 4m2), em bens particulares, tal ato de Propaganda Eleitoral está condicionada apenas à autorização do proprietário. (Art. 37, § 2°, da Lei n°
9.504/97, c/c o Art. 10, “caput”, da Resolução TSE nº 22.261/2006).
No entanto ficam proibidas a colocação em bens particulares de placas, cartazes, ou outro tipo de propaganda eleitoral, em tamanho, características ou quantidade que possa configurar abuso do poder econômico (Art. 10, § 1º, da Resolução TSE nº 22.261/2006).
Vejamos alguns julgados, neste sentido:
Consulta. Partido político. Propaganda eleitoral mediante placas em bem particular. Limites. É lícita a afixação de várias placas de propaganda eleitoral na fachada de um mesmo imóvel particular, sem prejuízo, contudo, de eventual caracterização de abuso do - poder econômico, nos termos do parágrafo único do art. 13 da Res.-TSE no 20.988. – (TSE/SC - Res. nº 21.148, de 01/7/2002, rel. Min. Sepúlveda Pertence).
Propaganda eleitoral irregular. Caminhões. Coleta de lixo.
Propriedade particular. Inscrições. Municipalidade. Serviço. Art. 37 da Lei no 9.504/97. Condenação. Multa. Prévio conhecimento.
Indícios. Configuração.Veículo particular que esteja prestando serviço ao município não pode ostentar propaganda eleitoral.A comprovada circulação de veículos em todo o município a fim de recolher lixo indica, no caso, o prévio conhecimento do candidato beneficiado pela propaganda eleitoral.(TSE/SC - Ac. no 21.436, de 18.5.2004, rel. Min. Fernando Neves.)
Tem total liberdade, os Partidos Políticos para inscrever, na fachada de suas sedes e dependências, o nome que os designe (Art. 244, incisos I e II, do Código Eleitoral, c/c o Art. 8º, inciso I, da Resolução TSE nº 22.261/2006).
3.1.15 Bens Públicos de Uso Comum
Esta terminantemente proibida a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta, fixação de placas, estandartes, faixas e assemelhados nos bens públicos. Incluem-se na proibição muros, tapumes de obra pública, meio-fios, asfaltos, paredes, cercas, jardins, postes, etc.
Bens de uso comum ou aqueles cujo uso dependa de cessão ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam, e nos de uso comum, inclusive postes de iluminação pública e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus, orelhões, cabines telefônicas, bancas de revistas, táxis, ônibus, vans, etc. (Art. 37 da Lei n° 9.504/97, c/c o Art. 9º da Resolução TSE nº 22.261/2006).
O Art 9º, §2º da Resolução TSE nº 22.261/2006 considere para efeitos eleitorais, bens de uso comum, além dos definidos pelo Código Civil, também aqueles que a população em geral tem acesso, tais como: cinemas, clubes, lojas, shoppings, igrejas, ginásios, estádios, escolas, faculdades, hotéis, etc, ainda que seja de propriedade privada.
No Art. 9º, § 3º, da Resolução TSE nº 22.261/2006, o legislador permite ainda a colocação de bonecos e de cartazes não fixos ao longo das vias públicas, desde que não dificulte o bom andamento do trânsito. Art. 9º, § 3º, da Resolução TSE nº 22.261/2006.
Essa permissão de objetos não fixos ao longo das vias públicas engloba faixas, placas e bandeiras, na dimensão máxima de 4m2, sendo, contudo, vedada a aglomeração de pessoas (ex: "bandeiraço") que prejudique o bom andamento do trânsito.
O Tribunal Superior Eleitoral esclarece o seguinte:
Em terrenos particulares poderão ser utilizadas placas com tamanho máximo de 2m x 2m, ou seja, 4m2, e que os abusos serão resolvidos caso a caso, servindo o referido tamanho (4m2)