Apoiando-se no ramo do Direito Eleitoral, mais especificamente nesse universo da propaganda eleitoral e de acordo com Ferreira14, se faz necessário conceituar os diversos tipos de comunicação
13 A propaganda tem sua origem do latim do verbo “propagare” que significa multiplicar, espalhar, disseminar, difundir, divulgar.(Gomes, 2003,p. 68).
14 FERREIRA, Megbel Abdala Tanus. Aspectos Fundamentais da Propaganda Eleitoral.São Luis:
s/ªDisponivel em : http://.tj.ma.gov.br/Artigos/artigos09.pdf. Acesso em: 14.abr.2006.
persuasiva15, de acordo com as peculiaridades da cada uma, voltadas ao âmbito do Direito Eleitoral.
1.7.1 Propaganda Política e Partidária
Propaganda Política é todo tipo de publicidade que deve conduzir consigo o sentido político-filosófico-constitucional, a fim de determinar a forma ou modalidade de organização e divulgação que deve revestir a propaganda partidária, a eleitoral e a governamental. (Ferreira, 2000, p. --).
Já a Propaganda Partidária, em sentido amplo, como bem mostrado nos termos do Artigo 45, da Lei nº 9.096/9516 , busca difundir os programas partidários, transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário, dos eventos com este relacionado e das atividades congressuais do partido e divulgar a posição do partido em relação a temas político-comunitários.
1.7.2 Propaganda Eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral – TSE, define como:
Ato de propaganda eleitoral aquele que leva ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada, a candidatura, mesmo que apenas postulada, a ação política que se pretende desenvolver ou razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício de função pública. Sem tais características, poderá haver mera promoção pessoal, apta, em determinadas circunstâncias a configurar abuso de poder econômico (AC TSE nº 16.183/2000, rel. Min. Eduardo Alckmin).
É permitida somente após o dia 05 de julho do ano da eleição, consoante o disposto no Artigo 36 caput da Lei nº 9.504/97 . Tem o objetivo de procurar conquistar ou captar votos para os candidatos a cargos
15 Na opinião de Brewster Smith, comunicação persuasiva se caracteriza por ser persuasão deliberada, orientada a conseguir determinados efeitos, utilizando técnicas de comunicação e psicológicas de certas formas coercitivas. (1975 apud GOMES, 2003, p. 35).
16 Lei dos Partidos Políticos
eletivos escolhidos em convenção e indicados pelos partidos políticos ou coligações.(Ferreira, 200-, p.--).
É o momento em que o candidato a cargo eletivo escolhido pelo seu partido ou coligação pretende fazer-se conhecido, realizando propaganda de seu nome e de sua imagem, mostrando plataforma, planos e programa de atuação para realizar no caso de ser eleito.(Ferreira, 200-, p. --).
Em relação à legislação vigente e de acordo com a doutrina dominante, a Propaganda Eleitoral classifica-se em Lícita ou Ilícita.
A Propaganda Lícita não carece de conceituação, ao contrário da propaganda irregular e criminosa. Tem ela por pressuposto o Princípio da Liberdade da Propaganda Política. Será lícita toda propaganda, por qualquer forma executada, que não for proibida por lei comum ou criminal. (Candido, 2001, p. 160)
Por sua vez a Propaganda Eleitoral Ilícita dividi-se em Irregular ou Criminosa. A Propaganda Ilícita pode ser conceituada da seguinte forma:
A propaganda eleitoral ilícita há que ser aquela em que o pré- candidato atua como se candidato fosse, visando influir diretamente na vontade dos eleitores, mediante ações que traduzem um propósito de fixar sua imagem e suas linhas de ação política, em situação apta, em tese, a provocar um desequilíbrio no procedimento eleitoral relativamente a outros candidatos, que somente após as convenções poderão adotar esse tipo de propaganda. (Rollo, 2002. p.47).
A Propaganda Eleitoral Irregular pode ser considerada como aquela que a legislação eleitoral proíbe, restringe, limita, sem tipificá-la como crime eleitoral, ou seja, está sempre sujeita às sanções de natureza administrativo-eleitoral. (Ferreira, 200-, p. --).
A lei prevê uma série de medidas e conseqüências decorrentes do exercício da propaganda irregular. São elas de ordem eleitoral,
stricto sensu, administrativa e até de ordem civil. É possível citar como exemplo as seguintes: (Candido, 2001, p.163)
cassação do registro do candidato (Art. 334 do CE);
cassação do direito de transmissão da propaganda partidária gratuita pelo rádio e pela televisão (Art. 45, §2º, da LOPP);
anulabilidade da votação (Art. 222 da CE);
solidariedade dos partidos na responsabilidade imputada aos candidatos e adeptos pelos excessos que cometerem (Art. 241 e 243,§ 1º, do CE);
inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 3 (três) anos subseqüentes à eleição em que se verificou o ato, além da cassação do registro do candidato (LC º 64/90, Art. 22,inciso XIV).
Nesse caso, os meios de apuração judicial, em face do Direito Processual Eleitoral, se perfazem em sedes de Reclamação ou de Representação Eleitoral, que podem ser promovidas por qualquer partido político, coligação, candidato ou pelo Órgão do Ministério Público Eleitoral. (Ferreira, 200-, p. --).
Por se tratar de matéria de ordem pública e regulada por leis cogentes é necessária a atuação constante e vigilante do Ministério Público, que poderá atuar como parte ou como custos legis (fiscal da lei) da lei eleitoral, pois tem legitimidade prevista na Lei Eleitoral17 , Art. 24 e incisos e pela Lei Processual Civil, Art 81 à 85, subsidiariamente, assim como em todos os processos submetidos à apreciação da Justiça Eleitoral.
Sobre este assunto, cabe a oportuna preleção:
As atribuições do Ministério Público, neste setor, ao contrário do que se poderia imaginar, ante a observação do clássico
desempenho do Órgão, não se exaure na lei eleitoral, onde praticamente não aparece. Mas ao contrário do que isso possa parecer, a primeira vista, onde mais presto e desenvolvo age o Ministério Público, é em matéria Eleitoral. Com efeito, se alguém, em detalhado e minucioso ordenamento legal, recebe cem ou mais atribuições funcionais, por mais que sejam, seus poderes se esgotam no ponto em que tais atribuições se completam. Mas ao contrário, se alguém recebe poderes para agir, sem que tais venham a ser delimitados, em seqüencial listagem, seus poderes serão tantos quanto necessários se fizerem. É o que vem a ocorrer, com o Ministério Público Eleitoral, face a problemática da propaganda [...]. (Vieira Filho,1989, p. 28).
No entanto, a Propaganda Eleitoral Criminosa é a que se apresenta como resultado de uma ação mais grave e, por essa razão, o legislador tipificou-a como crime eleitoral, cuja apuração, muitas vezes, provém de Ação Penal Eleitoral, que começa com a fase pré-processual que é a investigação criminal, em suas diversas provas, e termina com a ação penal propriamente dita, resolvida por sentença ou acórdão. (Ferreira, 200 -, p.--).
Na aplicação da pena, o julgador, além das sanções de fundo administrativo-eleitoral, pode valer-se das penas previstas no Código Eleitoral Brasileiro (Lei nº 4.737/65) e da legislação que integra o universo do Direito Eleitoral.
1.7.3 Propaganda Governamental
Pode ser chamada também de Publicidade Oficial. Serve para advertir que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos tenham caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizam promoção pessoal de autoridades ou serviços públicos. (Ferreira, 200 -, p. --).
17 Código Eleitoral – Lei nº 4.737, de 15 de junho de 1965