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Odete Medauar destaca que nesta fase a autoridade superior examina todos os elementos dos autos, podendo adotar as seguintes decisões:

a) anuência a todos os elementos dos autos, homologando a licitação e, portanto, aceitando a classificação apresentada pela comissão, se houver; b) determinação de retorno dos autos a comissão de licitação para esclarecimento de dados ou retificação de lapsos; c) anulação do processo no todo ou em parte, se verificar a ocorrência de ilegalidade; d) revogação da licitação por razões de interesse público, decorrente de fato superveniente comprovado, suficiente para justificar tal conduta182.

Por fim, a adjudicação ocorre após a homologação, [...]

“adjudicação é o ato pelo qual a Administração, pela mesma autoridade competente para homologar, atribui ao vencedor o objeto da licitação” 183.

Vistos, assim, todos os procedimentos relativos a licitação, conforme entendimento de diversificados doutrinadores na área de direito administrativo, passa-se ao último título do presente capítulo que versará acerca das modalidades de licitação.

IV – concurso;

V – leilão184;

Contudo, com a Medida Provisória editada em 04.04.2000, sob o número de 2.026, hoje Lei nº. 10.520/2002, instituiu uma sexta modalidade, denominada pregão, cujo destino é aquisição de bens e serviços comuns185.

Conforme salienta Diogenes Gasparini, essas modalidades formam dois grupos. “O primeiro composto pelas três primeiras indicadas, chamadas de grupo das modalidades sem finalidade específica, e o segundo formado pelas duas últimas modalidades, denominadas grupo das modalidades com finalidade específica” 186, pois, o concurso serve para a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico e o leilão, apenas para alienações.

Sendo assim, a seguir, abordar-se-á quanto às modalidades de licitação, bem como o conceito de concorrência, tomada de preço, convite, concurso, leilão e pregão.

2.4.1 Concorrência

A definição de concorrência está prevista no artigo 22, § 1º da Lei nº. 8.666/93:

§ 1º - Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto187.

Ensina Hely Lopes Meirelles é a modalidade de licitação [...]

“própria para contratos de grande valor, em que se admite a participação de

184 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

185 Cf. MEDAUAR, Odete. O direito administrativo moderno. p. 183.

186 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 523.

187 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

quaisquer interessados, cadastrados ou não, que satisfaçam as condições do edital, convocados com antecedência mínima prevista em lei” 188.

Nos dizeres de Odete Medauar:

É utilizada, em geral, para contratos de grande valor e para alienações de bens públicos imóveis (art.17, I), podendo esta alienação ocorrer também mediante leilão, nos casos previstos no art. 19. De acordo com o § 3º do art. 23, a concorrência é cabível também nas concessões de direito real de uso e nas alienações internacionais, admitindo-se, neste último caso, a tomada de preços, quando o órgão ou entidade dispuser de cadastro internacional de fornecedores, ou convite, quando não houver fornecedor no país.

Logo, a concorrência é obrigatória nas contratações de

“obras, serviços e compras, dentro dos limites de valor fixados pelo ato competente, que são diversos para obras e serviços de engenharia e para outros serviços e compras” 189.

A lei nº. 8.666/93 fixa no artigo 23 limites para determinados contratos, portanto, os contratos para obras e serviços de engenharia de valor superior a R$ 1.500.000,00 ou R$ 650.000,00 demais contratos deverão sujeitar- se à obrigatoriamente a concorrência190.

2.4.2 Tomada de preço

A tomada de preço está consagrada no artigo 22, § 2º da Lei nº. 8.666/93:

§ 2º - tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderam a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia

188 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 284.

189 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 284.

190 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação191.

Corrobora Diogenes Gasparini, caracteriza-se tomada de preço por [...] “a) destinar-se a contrato de vulto médio; b) permitir unicamente a participação de interessados previamente cadastrados ou habilitados; c) exigir publicidade; d) requerer prévia qualificação dos interessados” 192.

Ademais, é o chamamento endereçado a eventuais contratantes previamente cadastrados e que, no curso da licitação, apenas comprovarão essas circunstância e apresentarão propostas de acordo com o requerido no edital193.

A lei nº. 8.666/93 fixa no artigo 23 limites para determinados contratos na modalidade tomada de preço, portanto, os contratos para obras e serviços de engenharia de valor superior a R$ 1.500.000,00 ou R$ 650.000,00 demais contratos deverão sujeitar-se à obrigatoriamente a esse limite194.

A tomada de preços “é admissível nas contratações de obras, serviços e compras dentro dos limites de valor estabelecidos na lei e corrigidos por ato administrativo competente” 195.

2.4.3 Convite

O § 3º do artigo 22 da Lei nº. 8.666/93 define a modalidade de licitação convite:

§ 3º - Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade

191 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

192 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 523.

193 DALARRI, Adilson Abreu. Aspectos Jurídicos da licitação. 6. ed. Atual., ver. E ampl. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 81.

194 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

195 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 300.

administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com a antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas apresentação das propostas196.

Portanto, “convite é a modalidade de licitação mais simples, destinada às contratações de pequeno valor, consistindo na solicitação escrita a pelo menos a três interessados do ramo”197.

A lei nº. 8.666/93 também fixa no artigo 23 limites para determinados contratos na modalidade convite, portanto, os contratos para obras e serviços de engenharia de valor superior a R$ 150.000,00 ou R$ R$ 80.000,00 demais contratos deverão sujeitar-se à obrigatoriamente a esse limite198.

Assim sendo, Maria Sylvia Zanella Di Pietro relata que é a única modalidade de licitação em que a lei não exige publicação de edital, pois a

“comprovação se faz por escrito, com antecedência de 5 dias úteis (art. 21, § 2º, IV), por meio da chamada carta – convite”199.

2.4.4 Concurso

Nos ensinamentos extraídos de Hely Lopes Meirelles concurso é [...] “a modalidade de licitação destinada à escolha de trabalho técnico ou artístico, predominantemente de criação intelectual” 200.

A Lei nº. 8.666/93 no artigo 22, § 4º também prevê o conceito de concurso:

§ 4º - Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou

196 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

197 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 301.

198 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

199 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 392.

200 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 301.

artístico, mediante a instituição de prêmios ou remunerações aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias201.

Corrobora Diógenes Gasparini, não se pode confundir esta modalidade de licitação com o concurso público para provimento de cargos e empregos públicos (art. 37, II, da CF/1988), a lei ao referir remuneração ao vencedor prevê como sinônimo de prêmio, e não como pagamento pelo trabalho realizado, pois desnaturaria o concurso.

2.4.5 Leilão

O leilão está consagrado no artigo 22, § 5º da Lei nº.

8.666/93:

§ 5º - Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a Administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para alienação de bens imóveis prevista o art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação202.

Por sua vez, Maria Sylvia Zanella Di Pietro conceitua como sendo um procedimento licitatório [...] “apropriado para a alienação de bens pelo melhor preço, por isso é desnecessária uma fase de habilitação para investigar alguma peculiaridade do interessado” 203 é característica do leilão [...]

“oferecimento de lances pelos participantes, considerando vencedor quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação” 204.

201 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

202 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

203 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 390.

204 Cf. MEDAUAR, Odete. O direito administrativo moderno. p. 184.

2.4.6 Pregão

Conforme visto no item 2.5 deste capítulo, foi a Medida Provisória editada em 04.04.2000, sob o número de 2.026, hoje Lei nº.

10.520/2002, que instituiu o pregão.

Com efeito, para Diógenes Gasparini:

A finalidade do pregão é a seleção da melhor proposta para a aquisição de bens e a execução de serviços comuns, conforme estabelece o art. 1º da nova lei. A seleção da melhor proposta é feita pelo critério do menor preço, considerando-se as propostas escritas e os lances verbais, sendo esta uma das características da nova modalidade licitatória205.

Por fim, o pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, para qualquer que seja o valor estimado da contratação, na qual a disputa pelo fornecimento é feita em sessão pública, por meio de propostas e lances, para classificação e habilitação do licitante com a proposta de menor preço206.

Apreciados os requisitos norteadores da licitação, passa-se ao estudo do terceiro capítulo, que versará acerca da dispensa no órgão público.

205 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 496.

206 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 381.

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