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Art. 39. Sempre que o valor estimado para uma licitação ou para um conjunto de licitações simultâneas ou sucessivas for superior a 100 (cem) vezes o limite previsto no art. 23, inciso I, alínea "c"

desta Lei, o processo licitatório será iniciado, obrigatoriamente, com uma audiência pública concedida pela autoridade responsável com antecedência mínima de 15 (quinze) dias úteis da data prevista para a publicação do edital, e divulgada, com a antecedência mínima de 10 (dez) dias úteis de sua realização, pelos mesmos meios previstos para a publicidade da licitação, à qual terão acesso e direito a todas as informações pertinentes e a se manifestar todos os interessados.

Partindo destes pressupostos, Hely Lopes Meirelles acentua que [...] “está audiência destina-se a divulgar a licitação pretendida, com o objetivo, inclusive, de tornar mais clara para a população interessada a conveniência da obra ou do serviço”155.

Porém, se não efetuada a audiência pública invalida a licitação. “E, se assim é, poder-se-ia, questionar se o resultado dessa audiência seria ou não vinculante ao administrador” 156.

2.3.2 Edital ou convite de convocação dos interessados

A fase de abertura é a primeira etapa do procedimento licitatório, pois ela inicia o procedimento da licitação. “É a oportunidade em que a pessoa licitante noticia a abertura da licitação e aguarda a apresentação das propostas para a realização de negócio do seu interesse” 157.

Assim:

O edital é o ato pelo qual a administração divulga a abertura da licitação, fixa os requisitos para a participação, define o objeto e as condições básicas do contrato e convida a todos os interessados para que apresentem suas propostas. Em síntese, o edital é o ato pelo qual a administração faz uma oferta de contrato

155 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 268.

156 Cf. FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de direito administrativo. p. 48.

157 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 507.

a todos os interessados que atendam às exigências nele estabelecidas158.

Todavia, “nulo é o edital omisso em pontos essenciais, ocorre quando a descrição do objeto da licitação é tendenciosa, conduzindo a licitante certo, sob a falta aparência de uma convocação igualitária” 159, ou quando por exemplo contenha disposições discricionárias ou preferenciais.

O artigo 40 da Lei nº. 8.666/93 prevê que no edital devem ser inseridos vários dados:

Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes160.

Por sua vez, Odete Medauar, acentua que o artigo 40 da Lei nº. 8.666/93 arrola outros dados que devem ser indicados no preâmbulo do edital, veja-se, “objeto da licitação; prazo e condições para a assinatura do contrato;

local onde será examinado e adquirido o projeto básico; condições e formas para a participação da licitação; critérios para julgamento, com parâmetros objetivos e critérios de atualização financeira” 161.

Em síntese, pelo edital, [...] “a licitação adquire publicidade, ao mesmo tempo que vincula a administração e licitantes. É a peça básica da licitação, porque traça as diretrizes de todo o processo ulterior”162.

Mister se faz salientar, que ao cidadão é dado o direito de impugnar o edital por irregularidade, portanto, deve protocolar o pedido até cinco

158 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 383.

159 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 268.

160 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

161 Cf. MEDAUAR, Odete. O direito administrativo moderno. p. 190-191.

162 Cf. CRETELLA JÚNIOR, José. Direito administrativo brasileiro. p. 441.

dias antes da abertura dos envelopes, e a administração pública tem três dias para julgar e responder o pedido.

2.3.3 Recebimento da documentação e propostas

Insta salientar, que a fase de habilitação dos licitantes tem inicio com o recebimento dos documentos e propostas.

Esse ato, que é sempre público, caracteriza-se pela abertura dos envelopes que contêm a documentação e pelo exame da regularidade formal dos documentos de habilitação, lavrando-se as atas e os termos respectivos163.

Neste jaez, explica Odete Medauar, nesta fase verifica-se o teor de cada proposta está em conformidade com os requisitos do edital ou do instrumento convocatório.

Logo, os documentos devem ser abertos e assinados pelos licitantes presentes e pela Comissão, “impedindo qualquer substituição posterior, em benefício ou em prejuízo de um ou outro licitante” 164.

Desta forma, os documentos para a habilitação estão consagrados no artigo 27 da Lei nº. 8.666/93:

Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados, exclusivamente, documentação relativa a: I - habilitação jurídica; II - qualificação técnica; III - qualificação econômico-financeira; IV - regularidade fiscal; V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7o da Constituição Federal.

(Incluído pela Lei nº 9.854, de 1999)165.

Portanto, após o recebimento das propostas o próximo ato será o da classificação das propostas, [...] “tal ato não necessita ser público,

163 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 268.

164 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 383.

165 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

mormente porque a Comissão que preside a licitação poderá precisar da informação de algum órgão técnico” 166, que será analisado do item 2.4.5.

2.3.4 Apuração da idoneidade ou habilitação dos licitantes

Em envelopes fechados, a administração pública examina as condições especificadas no edital, bem como, os requisitos de ordem moral, financeira e técnica.

No primeiro momento, examina-se o conteúdo do 1º envelope, separando-se a seguir dois grupos de licitantes – o dos aptos e o dos inaptos: o dos idôneos e dos inidôneos. É nesse momento que a Comissão julgadora lavra ata circunstanciada do resultado do exame efetuado. Aos considerados inidôneos devolva-se, intacto, o 2º envelope167.

De seu turno, corrobora Hely Lopes Meirelles, ressalta que

“habilitação ou qualificação é o ato pelo qual o órgão competente, examinada a documentação, manifesta-se sobre os requisitos pessoais dos licitantes, habilitando ou inabilitando-os” 168.

Define Odete Medauar que, “habilitação é a fase do processo licitatório em que verifica-se os licitantes detêm condições para celebrar e executar o futuro contrato”169.

Sendo assim, “habilitado é o licitante que demonstrou possuir os requisitos mínimos de capacidade jurídica, capacidade técnica, idoneidade econômica – financeira e regularidade fiscal” 170.

166 Cf. FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de direito administrativo. p. 485.

167 Cf. CRETELLA JÚNIOR, José. Direito administrativo brasileiro. p. 441.

168 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 276.

169 Cf. MEDAUAR, Odete. O direito administrativo moderno. p. 191.

170 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 277.

2.3.5 Classificação e Julgamento das propostas

Concluída a habilitação, inicia-se a fase da classificação das propostas, a comissão de licitação abre os envelopes contendo as propostas dos licitantes habilitados.

Hely Lopes Meirelles aduz:

Classificação das propostas é a ordenação das ofertas pelas conveniências que apresentam para o serviço público. Colocando- se em primeiro lugar a mais vantajosa, segundo os termos do edital.

Assim, se todas as propostas forem classificadas, realiza-se o julgamento, no qual se confrontam as propostas classificadas. O julgamento ocorre imediatamente após a classificação, conforme se depreende do procedimento do artigo 43 da Lei nº. 8.666/93.

Art. 43. A licitação será processada e julgada com observância dos seguintes procedimentos:

I - abertura dos envelopes contendo a documentação relativa à habilitação dos concorrentes, e sua apreciação;

II - devolução dos envelopes fechados aos concorrentes inabilitados, contendo as respectivas propostas, desde que não tenha havido recurso ou após sua denegação;

III - abertura dos envelopes contendo as propostas dos concorrentes habilitados, desde que transcorrido o prazo sem interposição de recurso, ou tenha havido desistência expressa, ou após o julgamento dos recursos interpostos;

IV - verificação da conformidade de cada proposta com os requisitos do edital e, conforme o caso, com os preços correntes no mercado ou fixados por órgão oficial competente, ou ainda com os constantes do sistema de registro de preços, os quais deverão ser devidamente registrados na ata de julgamento, promovendo- se a desclassificação das propostas desconformes ou incompatíveis;

V - julgamento e classificação das propostas de acordo com os critérios de avaliação constantes do edital;

VI - deliberação da autoridade competente quanto à homologação e adjudicação do objeto da licitação171.

Diógenes Gasparini explica, [...] “por esse processo de comparação chega-se à proposta vencedora, ou seja, a mais vantajosa para a administração pública licitante, e a partir daí arrolam-se em função do mérito” 172.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro sintetiza que o julgamento das propostas deve ser objetivo e realizado em conformidade com os tipos de licitação previstos no edital173. Segundo esse critério adotado no ato convocatório, os tipos de licitação que estão previsto no § 1º do artigo 45 da Lei nº. 8.666/93, são os seguintes:

I – a de menor preço; II – a de melhor técnica; III – a de técnica e preço; IV – a de maior lance ou oferta174.

Conseqüentemente, menor preço é o critério de julgamento em que o menor preço é ofertado, ou seja, será vencedora da licitação a propostas que oferecer o menor preço175.

Logo, melhor técnica é quando a administração pública [...]

“pretende obra, serviços, equipamentos ou matérias mais eficiente, mais durável, mais aperfeiçoado, mais rápido, mais rentável, mais adequado” 176.

Na licitação de técnica e preço explica Maria Sylvia Zanella Di Pietro:

171 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

172 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 523.

173 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 389.

174 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

175 Cf. MEDAUAR, Odete. O direito administrativo moderno. p. 195.

176 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 284.

Observar-se-ão, para classificação das propostas técnicas, os mesmos critérios estabelecidos para a licitação de melhor técnica, ou seja, serão classificadas as propostas técnicas de acordo com os critérios estabelecidos do ato convocatório; a seguir, será feita a classificação das propostas de preços; finalmente, a classificação dos proponentes far-se-á de acordo com a média ponderada das valorações atribuídas às propostas, de acordo com os pesos preestabelecidos no instrumento convocatório (art. 46 § 2º)177.

Para tanto, elucida Diógenes Gasparini, para esse tipo de licitação é usado três envelopes, “o primeiro para os documentos, ou de nº. 1, o segundo para a proposta técnica, ou de nº. 2, e o terceiro para a proposta financeira, ou de nº. 3” 178.

A lei nº. 8.666/93, ainda prevê a licitação do tipo maior lance ou oferta, que [...] “é adequado para venda de bens, outorga onerosa de concessões e permissões de uso de bens ou serviços públicos e locação em que a administração pública é a locadora, cuja proposta vencedora é a que faz a maior oferta” 179.

2.3.6 Homologação e Adjudicação

De acordo com a redação inserida no artigo 43, inciso VI, da Lei nº. 8.666/93, consagrou como ato final do procedimento da licitação, a

“deliberação da autoridade competente quanto à homologação e adjudicação do objeto da licitação” 180.

Assim, esse procedimento tem como objeto a homologação do julgamento e de todo o procedimento licitatório pela autoridade superior competente181.

177 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. p. 392.

178 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 523.

179 Cf. GASPARINI, Diógenes. Direito administrativo. p. 523.

180 Cf. BRASIL, Lei 8.666 de 21 de Junho de 1993, que dispõe sobre as Normas para licitações e contratos da Administração e dá outras providências.

181 Cf. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. p. 284.

Odete Medauar destaca que nesta fase a autoridade superior examina todos os elementos dos autos, podendo adotar as seguintes decisões:

a) anuência a todos os elementos dos autos, homologando a licitação e, portanto, aceitando a classificação apresentada pela comissão, se houver; b) determinação de retorno dos autos a comissão de licitação para esclarecimento de dados ou retificação de lapsos; c) anulação do processo no todo ou em parte, se verificar a ocorrência de ilegalidade; d) revogação da licitação por razões de interesse público, decorrente de fato superveniente comprovado, suficiente para justificar tal conduta182.

Por fim, a adjudicação ocorre após a homologação, [...]

“adjudicação é o ato pelo qual a Administração, pela mesma autoridade competente para homologar, atribui ao vencedor o objeto da licitação” 183.

Vistos, assim, todos os procedimentos relativos a licitação, conforme entendimento de diversificados doutrinadores na área de direito administrativo, passa-se ao último título do presente capítulo que versará acerca das modalidades de licitação.

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