la introducción del miembro viril en el cuerpo de la víctima por vía vaginal, anal u oral, independientemente de su sexo.
Vale ressaltar que o artigo 214 do Código Penal foi revogado, porém, não houve o fenômeno de “abilitio criminis”, ou seja, quando uma lei deixa de considerar crime determinado ato. O ato descrito anteriormente como atentado violento ao pudor foi incorporado ao crime de estupro, portanto, o que era proibido ainda continua proibido
Outra sensível mudança é a criação do artigo 217-A, estupro de vulnerável.
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com
menor de 14 (catorze) anos:
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.
§ 2o (VETADO)
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
§ 4o Se da conduta resulta morte:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
No Código Penal havia o artigo 224, presunção de violência.
Este artigo previa a violência sexual quando a vítima era menor de 14 anos, alienada ou débil mental (quando o agente conhecia a circunstância), ou, quando a vítima não estava incapacitada de oferecer qualquer resistência. O artigo 224 foi revogado, o que trouxe um desfecho às discussões doutrinárias quanto a sua constitucionalidade, pois afirmavam ser este artigo incondizente com nosso Estado Democrático de Direito. O texto legal do novo artigo é mais plausível aos nossos valores democráticos, pois a presunção de violência possui uma denotação carregada de subjetivismo. O texto do novo artigo 217-A traduz uma conduta positiva descritiva, tornando o enunciado encorpado de alguns princípios gerais do direito penal, quais sejam, princípio da legalidade e da anterioridade.[1]
É de suma importância ressaltar que não importa se o menor de 14 anos, pessoa enferma ou deficiente mental (parágrafo primeiro do novo artigo) consentiram ao realizar o ato, o crime de estupro vulnerável já está consumado quando se pratica qualquer ato com esses sujeitos passivos.
Para finalizar a primeira parte da discussão sobre as principais mudanças trazidas ao nosso Código Penal pela Lei nº 12.015, não podemos deixar de abordar a alteração na Lei de Crimes Hediondos.
A Lei de Crimes Hediondos tem a finalidade de elencar os crimes considerados de maior gravidade social. O individuo que pratica os crimes ditos hediondos possuem menos benefícios, conforme previsão expressa da Constituição Federal. Assim dispõe o artigo 5º, inciso XLIII:
A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
A Lei nº 12.015 alterou os incisos V e VI, do artigo 1º da Lei de Crimes Hediondos. Antes, o inciso V tratava do antigo estupro; agora, trata da nova conduta descrita no crime de estupro. Atualmente, o inciso VI traz o crime de estupro de vulnerável; anteriormente, crime de atentado violento ao pudor.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A intenção deste estudo foi a de suscitar algumas questões e desenvolver um entendimento sistemático da presunção de violência nos delitos sexuais do nosso ordenamento criminal pátrio.
Inseri-se no presente trabalho questionamentos quanto à presunção de violência em decorrência das constantes mudanças morais e sociais, relativamente à adolescência, dando aos adolescentes maior consciência sobre a sexualidade, possibilitando o ingresso à atividade sexual antes do previsto no Código Penal.
Por tudo já exposto, nota-se uma tendência tanto da Doutrina, como dos Tribunais à aplicação da presunção relativa de violência nos crimes contra os costumes.
A norma penal não acompanha os reflexos aos reflexos das mudanças, não consegue acompanhar a evolução dos costumes e a moral da sociedade, ferindo assim, a liberdade de cada um e o princípio de presunção de inocência, caracterizado como direito fundamental do indivíduo e previsto pela Constituição Federal de 1988.
O princípio da presunção de inocência, que se encontra exposto na Constituição Federal, no artigo 5°, inciso LVII, entre outros, é ignorado em decorrência de o Código Penal vedar que o menor de 14 anos tenha direito à liberdade sexual, restringindo esse direito da vítima, mesmo em casos em que o próprio menor ou família deste alegue o contrário.
Quanto ao estudo doutrinário foi visto que divide-se em duas correntes: a que considera a presunção de violência absoluta e, pois absolutamente inválido o consentimento da menor de 14 (catorze) anos; e a que considera a presunção relativa, ou seja, em sendo provado que houve consentimento da vítima e que ela tinha plena consciência de seus atos sexuais, a presunção cairia, não restando, então, caracterizada a conduta criminosa.
Feitas, então, considerações acerca do assunto, é possível verificar que há pontos fundamentais da interpretação jurídica, a qual orienta na verificação da constitucionalidade ou inconstitucionalidade do dispositivo em exame e na busca de uma solução que atenda aos requisitos constitucionais.
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