3 Resultado das Auditorias
4.1 Resolução das Questões de Auditoria
4.1.2 Município de Lages
QUESTÃO 1: De forma geral, faltam alguns ajustes e melhorias em relação a esse aspecto, destacando-se:
• Necessidade de realização de ações para uma maior educação ambiental e de campanhas de conscientização da população para a efetivação da segregação do lixo reciclável dos demais, nas suas próprias residências. Conforme verifica- do, atualmente, o município consegue reciclar 8,34% dos resíduos sólidos urba- nos. Um estudo feito pela empresa que presta serviço de coleta domiciliar, em conjunto com a Administração Municipal, demonstrou que há possibilidade de reciclagem de 35,1% do lixo coletado. Ressalta-se que o lixo reciclado transfor- ma-se em matéria-prima que não é depositada no aterro sanitário, aumentando sua vida útil. Logo, esse valor levantado no estudo (35,1%) é um número a ser perseguido pela Administração Municipal. A princípio, a área atingida pela Coleta Seletiva (mesma área da coleta comum) e a frequência estão de acordo, logo, resta apenas o incremento na quantidade de lixo reciclado.
• Conforme levantado, o valor gasto para a realização da coleta seletiva e recicla- gem, através da cooperativa, é pertinente.
• Além disso, ressalta-se a necessidade de melhorar as condições de trabalho em ambos os galpões da cooperativa.
QUESTÃO 2: Assim como o ocorrido em relação à coleta seletiva e reciclagem, de forma geral, também faltam alguns ajustes e melhorias nesse aspecto, destacando-se:
• Necessidade de caracterização e procedência do lixo coletado e incinerado.
• Ênfase, por parte da Administração, para os geradores, da importância da segre- gação, atividade realizada no próprio estabelecimento gerador, separando corre- tamente os resíduos de saúde, dos demais, inclusive daqueles comuns, que de- vem ir para um aterro sanitário. Quanto melhor for executada a segregação pelos estabelecimentos, menor a quantidade de resíduo gerado, e menores os custos para a Administração Pública, já que o custo do tratamento de um resíduo de saú- de é extremamente elevado se comparado ao tratamento de resíduos comuns.
• Estudo da Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n.º 306, de 07.12.2004, da Agência Nacional da Vigilância Sanitária - Anvisa, que trata do Gerenciamento dos Resíduos de Saúde, que veio a substituir a RDC n.º 33, para analisar a nova classificação dos resíduos de saúde, adequando-se à tal resolução, sugerindo-se inclusive a emissão de um novo ofício circular a ser encaminhado a todos os gera- dores de resíduos de saúde, acerca da nova Resolução RDC n.º 306, da Anvisa.
• Necessidade de incrementar a receita advinda do serviço de coleta e incineração do lixo hospitalar, uma vez que é apenas um pequeno grupo que gera esse tipo de resíduo, precisamente, 116 estabelecimentos de saúde (clientes). A popula- ção em geral não deve arcar com as despesas referentes à coleta e tratamento desse resíduo, que é um resíduo especial.
• Renovação anual do alvará sanitário de cada um dos estabelecimentos de saú- de só seja efetivada após o pagamento da taxa de coleta de resíduos de saúde, taxa compatível com os custos existentes (frequência de coleta).
• Especial atenção às clínicas patológicas, não só na destinação do descarte das peças que sofreram análise nessas clínicas, como também dos produtos quí- micos utilizáveis para tais análises, que necessitam de especialíssima atenção devido a sua toxidade. Nessa atenção deve ser incluído também o IML de Lages, cujos descartes de materiais deve ser motivo de preocupação da Vigilância Sa- nitária Municipal.
• Necessidade de um veículo reserva, para o caso de haver quebra, ou ainda, pre- cisão de manutenção do veículo que atualmente faz essa coleta, em conformida- de com as leis existentes. Caso o veículo atual, por qualquer motivo, não possa
realizar a coleta, todo o sistema de tratamento dos resíduos de saúde ficaria comprometido, ainda mais se tal paralisação durar dois ou mais dias.
• Necessidade de existência de um plano “B” para o tratamento final dos resídu- os de saúde, mesmo que provisório, mas que atenda aos critérios ambientais, podendo ser a existência de um outro incinerador, ou a adoção de valas sépti- cas, ou ainda outro método de tratamento, uma vez que o atual incinerador deve precisar de manutenção, ou mesmo, quebrar, ficando o município, da forma que está atualmente, sem possibilidade de tratamento desses resíduos.
• Adoção de duas equipes para coleta e incineração da seguinte forma: trabalha- riam independentemente, em turnos distintos, uma coletando os resíduos pela manhã (em um determinado roteiro) e incinerando os resíduos à tarde, e outra, fazendo o inverso (com um outro roteiro), coletando os resíduos à tarde e inci- nerando-os pela manhã, no outro dia. Dessa forma, inclusive, estaria resolvido o problema de atualmente haver apenas um veículo em condições de realizar a coleta. Caso houvesse a necessidade de parada para manutenção de algum dos veículos, uma equipe poderia utilizar, provisoriamente, o veículo da outra.
Além disso, não haveria necessidade de o incinerador funcionar até tarde da noite, como também, de pagamento de horas extras aos funcionários, uma vez que atualmente trabalham das 8 horas até próximo à meia-noite. A existência de duas equipes possibilita também uma melhor adequação de substituição de fun- cionários em função de férias, licenças prêmios, doenças, etc., além de facilitar o controle dos resíduos, classificando-os e pesando-os.
• Necessidade de obtenção das Licenças Ambientais, sugerindo-se ao município de Lages uma maior cobrança junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente – Fatma, visando agilizar o processo de licenciamento do tratamento de resíduos de saúde. Durante esse processo, a municipalidade poderá fazer as adequações que se fizerem necessárias para o funcionamento do incinerador dentro dos pa- drões ambientais.
QUESTÃO 3: Em relação ao aterro sanitário, especificamente, não há nada de positivo praticado pelo município. Primeiramente, não existe um aterro sanitário, ape- sar de, desde 1997, a Fatma já alertar sobre as irregularidades existentes no Lixão.
Segundo, as células emergenciais executadas com o objetivo de solucionar provisoria- mente a questão do lixo domiciliar em Lages não foram operadas de maneira correta e seu funcionamento é precário, inclusive o sistema de tratamento de líquidos percolados (chorume), contaminando as nascentes próximas. Terceiro, o lixão propriamente dito
não foi ainda devidamente recuperado, faltando diversas obras e serviços, e fechado para recebimento de resíduos. Por fim, o lixão / células emergenciais ainda recebe todo o tipo de resíduo, inclusive industriais e de particulares.
O município deve, urgentemente, solucionar de maneira definitiva o problema do lixo em Lages, definindo uma área para a implantação do aterro sanitário (Índios ou Fazenda Boa Vista – áreas com estudos iniciados e que apresentam bons indicativos) e provisoriamente, até a conclusão do aterro sanitário, dispor o lixo em um lugar que atenda a todos os quesitos ambientais, devidamente autorizado pela Fatma, além de recuperar definitivamente o atual lixão, e definir uma solução para a deposição correta dos resíduos industriais.
Constata-se que a Administração do município de Lages não possui vontade sufi- ciente para solucionar esse problema, considerando que, a partir de 2000, quando foi assinado o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Estadual, foram encontradas apenas soluções provisórias, que poderiam atender a al- guns aspectos ambientais, mas que muitas vezes sequer foram cumpridos. A solução de- finitiva, que é a implantação de um Aterro Sanitário, tem sido constantemente postergada.
Além disso, destaca-se também a necessidade de alteração no posicionamento da balança de pesagem de resíduos, facilitando o acesso e reduzindo as manobras dos ca- minhões, diminuindo o risco de acidentes, bem como incremento da receita advinda do serviço de coleta e tratamento de resíduos sólidos urbanos, com o objetivo de custear todas as despesas relativas a esse serviço.
REFERÊNCIAS
MATTJE, Alysson; SEIBERT, Ernesto Rodolfo. Relatório n.º DCO 002/2005 - Auditoria Operacional de Desempenho no Sistema de Tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos de Lages, com foco na: 1) Coleta Seletiva e Reciclagem; 2) Resíduos de Serviços de Saúde; 3) Implantação e Operação do Aterro Sanitário. Tribunal de Contas do Estado-SC.
MATTJE, Alysson; SEIBERT, Ernesto Rodolfo. Relatório n.º DCO 081/2005 - Auditoria Operacional de Desempenho no Sistema de Tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos de Tubarão, com foco na: 1) Coleta Seletiva e Recicla- gem; 2) Resíduos de Serviços de Saúde; 3) Implantação e Operação do Aterro Sanitário. Tribunal de Contas do Estado-SC.