7º Seminário de Pesquisa em Artes da Faculdade de Artes do Paraná Anais Eletrônicos
Anais do 7º Seminário de Pesq. em Artes da Faculdade de Artes do Paraná, Curitiba, p. 129-133, jun., 2012.
A LINGUAGEM MUSICAL NA MUSICOTERAPIA: UMA MUSICALIDADE IMERSA DE SENSIBILIDADE NA EXPRESSÃO INSTRUMENTAL E VOCAL
Clara Márcia de Freitas Piazzetta88 Adriana Fernandes Martinowski Cordeiro89 Faculdade de Artes do Paraná
RESUMO
Este resumo refer-se à pesquisas realizadas no ambito de Música em Musicoterapia e apresenta os resultados parciais do: O estudo da musicalidade como capacidade cognitiva estética no trabalho da Musicoterapia integrado com um trabalho desenvolvido no Programa de Iniciação Científica PIC-FAP/2011-2012. Traz a contribuição de estudos quanto ao entendimento, função e uso da voz e do fazer musical instrumental.
Palavras-chave: musicoterapia; expressão vocal; cognição sensível; experiência musical.
88 Musicoterapeuta; Docente do curso de Musicoterapia da FAP; Integrante dos grupos de Pesquisa NEPIM/FAP- CNPQ e NEPAM/UFG – CNPQ. [email protected].
89 Estudante de Musicoterapia integrante do PIC-FAP 2011/2012. [email protected]
Piazzetta, C. M. F; Cordeiro, A. F. M. A Linguagem Musical na Musicoterapia: uma musicalidade imersa de sensibilidade na expressão instrumental e vocal.
INTRODUÇÃO
Música e Musicoterapia ‘se interconectam’, mas não de modo explicativo uma para outra, a Música não explica a Musicoterapia nem, vice versa. Ambas, Música e Musicoterapia, quando aproximadas evidenciam forças em ação; “forças não-sonoras tornando-se sonoras e forças sonoras tornando-se não sonoras” (CRAVEIRO DE SÁ, 2003, p. 40-41). Diego Schapira (2007) discute o tema de Música e Musicoterapia sobre três aspectos. O primeiro relaciona-se à musicalidade da pessoa atendida e todas as suas possibilidades de interação. O segundo relaciona-se à musicalidade do musicoterapeuta e seus diferenciais para se alcançar o objetivo terapêutico. O terceiro refere-se à Música e a Musicoterapia, ou seja, à função diferenciada que a música adquire na Musicoterapia.
Nessa dimensão a musicalidade passa a ser considerada a matéria prima humana, nas construções sonoras musicais. Assim, não é entendida e significada na Musicoterapia como é na Música. Simplificar o entendimento de musicalidade como
‘habilidade’ para fazer música, não contempla o humano que existe em cada fazer musical. Ou seja, a musicalidade permite à mente humana entender e estar com a música. Envolve, desde os aspectos da habilidade para fazer música até o aspecto cognitivo sensível, inato e constitutivo do ser humano para estabelecer relações com o mundo ao seu redor no aqui e agora, através do sonoro (ZUCKERKANDL, 1973). Um sonoro por meio de instrumentos musicais e ou, da expressão vocal.
Existem vários recursos da voz que podem ser utilizados na emissão de sons, como: registros vocais, ressonância, respiração, intensidade, projeção, articulação, entonação, entre outros. A fisiologia da voz, a respiração, o uso dos registros vocais e da ressonância formam um conjunto que caracterizam uma impressão digital, exclusiva de cada indivíduo.
O uso da voz com intenção terapêutica pode ser através de vocalizações que fazem ressoar partes do corpo, e que pode resultar em uma percepção corporal mais aguçada permitindo uma melhora na qualidade de vida da pessoa (MCCLELLAN, 1994, p. 12, 67).
No trabalho da Musicoterapia a linguagem de interação entre as pessoas é a Música em suas variadas formas de manifestação. Neste resumo apresentamos os resultados parciais de estudos no campo da Musicoterapia quanto à musicalidade e sua função nas interações musicais e interpessoais. Uma pesquisa clínica com foco na produção musical instrumental e pesquisas bibliográficas quanto à expressão vocal embasam o entendimento da musicalidade como parte sensível da interação.
OBJETIVOS
Descrever a musicalidade, presente nas construções musicais instrumentais incluindo os sons que podem ser produzidos vocalmente pela pessoa e, como estão
Piazzetta, C. M. F; Cordeiro, A. F. M. A Linguagem Musical na Musicoterapia: uma musicalidade imersa de sensibilidade na expressão instrumental e vocal.
descritos na bibliografia da Musicoterapia os relatos sobre as vibrações, ressonâncias e outros recursos vocais a fim de compreender a musicalidade na dimensão terapêutica e seus aspectos voltados à cognição sensível.
MÉTODO
Uma pesquisa qualitativa bibliográfica e clínica com participação de academico integrado ao PIC- FAP/ 2011- 2012. Os estudos bibliográficos sobre a voz foram realizados para o PIC e o registro dos atendimentos, estudos e análise dos dados clínicos foram realizados pela pesquisadora responsável. A coleta dos dados bilbiográficos seguiram critérios estabelecidos préviamente quanto à descrição da voz na musicoterapia e estudos sobre a expressão vocal humana. Textos em lingua portuguesa e inglesa foram selecionados e os dados foram tabulados quanto à presença de vibrações, ressonâncias, articulação, ritmo e respiração como elementos utilizados nas atividades musicoterapêuticas com canções. Quatro textos seguiram os critérios: Karam (2009); Oliveira (2007); Zanini (2002); Lelis (2009).
Os dados clínicos foram organizados a partir de registro de seis atendimentos clínicos após o aceite do Comitê de Ética em Pesquisa da FAP. Para análise dos dados utilizamos Ethnographic Descriptive Approach to Video Microanalysis (HOLCK, 2007).
Esse instrumento é adequado quando o musicoterapeuta quer estar ciente das interações que ocorrem e estão em parte ou totalmente fora de sua consciência, ou porque é um dado adquirido, ou por causa de 'pontos cegos' na forma como eles são percebidos (HOLCK, 2007, p. 29). Desenvolve-se em quatro etapas: seleção dos dados, transcrição; padrão de generalização – análise vertical e horizontal, e, interpretação.
RESULTADOS
As experiências musicais oportunizadas pelo musicoterapeuta nos permitiram entrar com contato, também, com os aspectos de sua musicalidade. Sua liberdade criativa voltada à sua responsabilidade clínica/terapêutica, seu conhecimento musical integrado à sua espontaneidade criativa e sua intuição relacionada à sua intenção controlada. Os sinais estéticos sensíveis’ quanto à sensacionalidade, afetividade, emotividade e superficialidade foram visíveis nos primeiros fragmentos analisados quanto a aspectos da dinâmica musical e mudanças no ritmo.
Em se tratando de recursos vocais, dos quatro trabalhos, todos apresentaram o uso de ressonâncias, três apresentam o uso de vibrações, apesar de Oliveira, que não apresenta o termo vibrações, utiliza frequência, que é o que produz as vibrações. Três deles deram importância à respiração, e Lelis apenas cita respiração na descrição de seu trabalho. Oliveira, Karam e Zanini, incluem a articulação nos recursos vocais e Karam e Lelis o ritmo. Na descrição dos recursos vocais de Zanini, dividiu-se entre teoria e prática, porque em sua dissertação ela descreve recursos no início do seu
Piazzetta, C. M. F; Cordeiro, A. F. M. A Linguagem Musical na Musicoterapia: uma musicalidade imersa de sensibilidade na expressão instrumental e vocal.
trabalho retirados de bibliografias (teoria), e também descreve recursos que ocorreram na sua experiência com o coro terapêutico (prática).
CONCLUSÃO
Conforme o que se viu acima, dos recursos vocais, conclui-se que os mais citados são os de ressonância, vibrações, articulação e respiração. Ao estudar o tema Voz na Musicoterapia percebe-se que a utilização desses recursos está incluída nas canções, mas o foco na prática da Musicoterapia não está na voz, e sim nas canções e na análise das mesmas. Assim, entende-se que mesmo com todas as descrições dos elementos utilizados como recursos vocais, o objeto de estudo dos autores não se aproxima da escuta dessa voz, sua musicalidade, e o quanto se ganha com trabalhos com a ressonância, vibração, articulação e respiração
Nos trabalho instrumentais ao acompanharmos a interação nos encontramos com a musicalidade. O seu papel na relação musicoterapêutica não se limita à capacidade musical, mas permite alterações de comportamento e movimento em ambos. Movimentos corporais do participante e musicais do musicoterapeuta.
Piazzetta, C. M. F; Cordeiro, A. F. M. A Linguagem Musical na Musicoterapia: uma musicalidade imersa de sensibilidade na expressão instrumental e vocal.
Anais do 7º Seminário de Pesq. em Artes da Faculdade de Artes do Paraná, Curitiba, p. 129-133, jun., 2012.
REFERÊNCIAS
CRAVEIRO DE SÁ, Leomara. A teia do tempo e o autista: música e musicoterapia.
Goiânia: Editora UFG, 2003.
HOLCK, Ulla. An Ethnographic Descriptive Approach to Video Microanalysis. In WOSCH, Thomaz; WIGRAM, Tony. Microanalysis in Music Therapy. London: Jessica Kingsley Publishers, 2007. p.29 – 40.
KARAM, Joana Haar. Voz em Musicoterapia – Contribuições do canto na prática musicoterapêutica. Anais XIII SBMT, 2009, Curitiba: Griffin, 2009, 18-24.
LELIS, Cláudia Maria Carrara. Corpo: lugar de sons e ressonâncias. Anais Simpósio Brasileiro de Musicoterapia, XIII, 2009, Curitiba. Curitiba: Griffin, 2009, 155- MCCLELLAN, Randall. O Poder Terapêutico da Música. Tradução de Tomás Rosa Bueno.
São Paulo: Siciliano, 1994.
OLIVEIRA, Fabiana Teixeira de. Os efeitos do canto na musicoterapia. São Paulo, 2007.
68f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Musicoterapia). FPA-SP.
http://www.sgmt.com.br/tcc_oliveira_osefeitosdocantonamusicoterapia.pdf.
10/11/2011.
SCHAPIRA, Diego; FERRARI, Karina; SÁNCHEZ, Viviana; HUGO, Mayra. Musicoterapia:
Abordagem Plurimodal. Buenos Aires: ADIM Ediciones, 2007.
ZANINI, Claudia Regina de Oliveira. Coro Terapêutico: um olhar do musicoterapeuta para o idoso no novo milênio. Goiânia, 2002. 154f. Dissertação (Mestrado em...). Universidade Federal de Goiás.
ZUCKERKANDL, Victor. Man the Musician: Sound and symbol. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1973.