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Capitulo II
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153. Os livros dos commerciantes podem ser exhibidos, em juizo, a favor de certos interessados, com o direito de exa minal-os minuciosamente, ou a requerimento do litigante, para ser averiguado o ponto relativo á controversia.
No 1.° caso, a exhibição dos livros é plena, por inteiro, integral;
no 2.°, 6 parcial.
O nosso Codigo não designa por denominações particulares essas duas especies de exhibição dos livros dos commerciantes, como aliás fizeram outros codigos (1).
154. Essas duas fórmas de exhibição distinguem-se sub stancialmente.
A exhibição integral suppõe livros communs; a parcial lançamentos, registros ou contas communs (n. 105).
A primeira pode-se dar sem acção corrente em juizo. Sempre na instancia pendente é que se procede á segunda.
O art 18 do Codigo Commercial, definindo os casos da exhibição integral, refere-se a questões de successão, commu-nhão, etc. O vocabulo questões, que o Codigo emprega, é sy-nonymo de assumptos, duvidas ou negocios, e não de causa ou lide, termos que se encontram no art. 19 do mesmo Codigo (2).
A exhibição integral consiste em pôr os livros á disposi-
. (1) A exhibição integral dos livros é denominada: pelo codigo com. francez communication (art. 14), pelo italiano communicazione (art. 27), pelo hespanhol, de 1829 (art. 50), e de 1885 (art. 46) comunicación, entrega ó reconocimiento general, pelo chileno manifestación y reconocimiento general de los libros (art.
42). Na Allemanha, os esoriptores chamam-na Mittei-lung der Handelsbücher.
A exhibição parcial dos livros, para ser verificado o tocante á questão, é chamada pelo codigo commercial francez représentation (art. 15), pelo italiano esibizione (art. 28), pelo hespanhol de 1885 exhibición (art. 46), pelo chileno exhibición parcial (art. 43). Os escriptores allemães denomi-nam-na Vorlegung der Handelsbiicher.
O Instituto dos Advogados Brasileiros empregava para designar: a 1.*, as palavras exhibição por inteiro ou communicação, e a 2.ª, os termos exhibição parcial ou apresentação (vide Revista do Instituto, vol. 1, pags. 119 a 125).
TEIXEIRA DE FREITAS não approva chamar-se communicação á exhibição do art. 18 do codigo, por ser esse vocabulo arremedo do direito francez introduzido pelo Diccionario Commercial de FERREIRA BORGES (Addi-tamentos ao Codigo, pag. 381).
(2) 0 codigo commercial argentino, reproduzindo o art. 18 do nosso Codigo, substituiu as palavras questões de successão, communhão, etc., por juicios de sucesion, comunion, etc. (art. 58).
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ção do interessado, para serem por este compulsados, lidos e examinados minuciosamente desde a primeira á ultima pagina;
ella implica um exame completo, a indagação de todo o estado patrimonial e do movimento doa negocios da casa commercial. A pessoa a favor de quem é ordenada a exhibição integral tem a faculdade de extrahir desses livros quanto lhe possa ser util, por isso que se tracta de livros communs.
A exhibição parcial consiste na apresentação dos livros para serem consultados, na parte onde se acha mencionado o registro ou lançamento, relativo á questão pendente em juizo, extrahindo- se o tocante a esta, porque somente é commum o respectivo registro ou lançamento. O interesse de ver esse registro manifesta-se nas controversias na tela judiciaria, para o fim de instruir a prova.
A exhibição integral dá ao interessado pleno conhecimento do conteúdo dos livros, que, directamente, são postos á sua disposição, ficando elle conhecedor do estado e condições da casa de commercio. Ella é feita á parte interessada, a favor dos interessados declarados no art 18 do Codigo Commercial.
A exhibição parcial é, especialmente, medida de instruc-ção em processo pendente, meio que proporciona ao juiz informações uteis á causa, que tem de sentenciar, elemento que serve de motivos á sua convicção. Esta fórma de exhibição é ordenada, só e exclusivamente, no interesse do juiz e não das partes: «o juiz...
poderá... ordenar que os livros... sejam examinados... para delles se averiguar e extrahir o tocante á questão>>, diz o art.
19 do Codigo.
155. A exhibição dos livros commerciaes tem a sua origem remota no Direito Pretorio.
Os banqueiros (argentarii) exerciam um officio publico:
officium eorum atque ministerium publicam habet causam, dizia GATO (Lei 10, Dig. De edendo). Além disso, os lançamentos em seus livros tornavam-se communs com os seus clientes, meum quodammodo instrumentum (ULPIANO, na Lei 4 § 1.° Dig. De edendo).
O Pretor, sob esses dois fundamentos, admittiu a acção de
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edendo contra os banqueiros para obrigai-os a apresentar os seus livros (1).
Exhibir é dictar ou dar copia do registro ou mostrar o livro diario: edi est vel dictare, vel tradere libellum, vel codi-cem proferre, definia ULPIANO,na Lei 6 § 7.° Dig., De edendo.
Na pratica judiciaria, a acção de edendo foi se ampliando a todos os que tinham legitimo e plausível interesse em tomar conhecimento de títulos ou contas, que se achavam em poder de outrem, que os recusava apresentar voluntariamente (2).
Tal foi a acção que o direito commercial aproveitou, dando- lhe aspecto novo para realizar a exhibiçâo ou apresentação dos livros dos commerciantes em juizo.
A actio ad exhibendum tinha alcance mais vasto do que a actio de edendo; aquella não se referia, especialmente, á exhibição de documentos e papeis.
Ambas as acções, entretanto, fundavam-se nos mesmos prin- cípios e, pode-se dizer, a primeira era o genero e a segunda a especie (3).
156. Os livros devem ser exhibidos pela pessoa a quem pertencem ou em cujo poder estão.
Esse principio racional acha-se expresso, quanto á exhibição integral, no art. 352 do Regul. n. 737.
Os herdeiros, inventariantes, testamenteiros, successores, os socios que, nos termos do art. 352 do Cod. Com., ficaram depositarios dos livros da extincta sociedade, todos elles, tendo em seu poder os livros, são obrigados a exhibil-os, quando judicialmente ordenado, sob as mesmas penas que a lei impõe ao dono originario, se os recusa exhibir (4). Vide n. 172.
(1) ULPIANO,na L. 4 pr. Dig. De edendo. Vide JOUSSERANDOT, L'EDIT
Perpetuel, vol. 1, pag. 23 e segs.
(2) GLÜCK,Pandette, trad. italiana, Livro 2.º, § 286, b.
(3) O Direito Romano concedia, ainda, os interdictos de tabulis exhi-bendis para exhibição dos testamentos, de liberie exhibendis, de uxore exhi-benda, de liberto exhibendo, etc.
(4) O depositario dos livros, no caso de dissolução e liquidação da so- ciedade, é obrigado a exhibil-os, quando os outros socios o exigem para resolver duvidas futuras. Acc. da Rei. de Porto Alegre, de 24 de Fevereiro de 1885. apud ORLANDO,Codigo Commercial, nota 490.
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Desde muito se ensina que a exhibição dos livros cabe ao commerciante ou seus herdeiros.
«Cum peragatur de libris mercatorum, escrevia o juris- consulto italiano ANSALDO DE ANSALDIS, non solum ipse merca-tor, sed etiara illius hredes tenentur exhibere ad instantiam habentium desuper interesse» (1).
O Direito Romano continha identica prescripção: Cogun-, tur et successores edere rationes (Lei 5 § 1.° Dig. De edendo).
Os herdeiros ou successores não podem elidir essa obri- gação, allegando simplesmente que não têm os livros, pois, pre- sumem-se estar em sua posse os livros e papeis da successão:
Hoeres proesumitur habere libros, scripturas ac epistolas de- functi, escrevia CASAREOIS.A elles compete provar que os não possuem e porque.
Os livros são estabelecidos no interesse geral do comraer- cio, servem de prova aos contractos commerciaes e aos actos de administração praticados pelo dono ou gerente do negocio.
E' de ver que a lei não podia deixar ao capricho e vontade dos successores do commerciante frustar as suas prescri-pções de ordem publica.
O Supremo Tribunal Federal, em accordam de 22 de Março de 1902, concedeu habeas-corpus a um inventariante que, a requerimento de um herdeiro, recusou apresentar os livros do de cujo, sob o fundamento de a disposição do art. 20 do Cod. ser de direito estricto e só applicavel a commerciante e o motivo ou fim da exhibição não ser commercial.
Esta decisão não está de accordo com a lei.
A exhibição integral dos livros commerciaes pode ser or- denada a favor dos interessados em questões de successão (art 18 do Cod. Com.), materia civil.
(l) Discursas legales de commercio, Disc. XLVI,n. 8.
Cod. com. argentino, art. 67, 2.* alínea: «Los herederos dei comerciante se presume que tienen los libros de su autor, y están sujetos á ex-hibirlos en la forma y los terminos que estaria la persona á quien here-daron.»
Se se demonstra que os livros foram adjudicados a um herdeiro, somente este é obrigado á exhibiçâo. Da. SEGOVIA,Explicacion y Critica, vol. 1, nota 264.
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O art. 20 do Codigo Commercial refere-se a commerciante, é verdade, mas se este já não existe, se os livros estão em poder do inventariante, testamenteiro ou liquidante, qualquer delles é obrigado a apresental-os, sob as penas que o Codigo com-minava áquelle.
O Regul. n. 737 deu a verdadeira interpretação ao art. 20 do Codigo, dispondo, no art 352, que, para a apresentação dos livros, fosse citada a pessoa a quem os mesmos pertencessem ou em cujo poder estivessem, sob pena de prisão (1).
Que importa não ter o Decr. n. 763, de 19 de Setembro de 1890, mandado applicar ás causas civeis o processo da acção de exhibição dos livros commerciaes do Regul. n. 737?
A exhibição integral dos livros commerciaes, como prepa- ratorio de acção, é privativa do juizo commercial; somente pendente lite pode ser requerida perante o juiz da causa, embora seja este do civel (vide ns. 166 e 167).
E' perigosa a doutrina do accordam do S. T. F.: no caso de successão, a exhibição integral dos livros commerciaes do succedendo fica ao arbítrio ou vontade de quem delles se apossar.
Por outra: este accordam nega aos herdeiros o direito de exhibição integral dos livros commerciaes do de cujo, em ma- nifesta opposição ao art. 18 do Codigo Commercial
Jurídico parece-nos o julgado da Relação do Rio, em ac- cordam de 21 de Fevereiro de 1902 (2).
157. A pessoa que requer a exhibição dos livros do com- merciante, seu adversario, não precisa provar que este tem os livros exigidos pelo Codigo.
Era essa uma das exigencias do antigo direito, como at- testam CASAREGIS e ANSALDO,mas isso não se coaduna com o direito hodierno, que obrigando o commerciante a ter livros, não admitte aL legação contraria.
(1) No prOprio direito civil a exhibição de instrumentos deve ser proposta contra quem os tenham em seu poder, podendo-se comminar a pena de prisão.
CORRÊA TELLES & TEIXEIRA DE FREITAS,Doutrina das Acções, § 101.
(2) N'0 Direito, vol. 88, pag. 304.
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Todo o commerciante está obrigado a ter indispensavel- mente o Diario e o Copiador, e o fundamento deste dever é o interesse publico (n. 9).
A presumpçâo é que todo o commerciante se conformara ás prescripções da lei, e se não exhibe os seus livros, nos casos e fórma legaes, outra presumpção é que propositalmente os recusa exhibir.
O juiz, para ordenar a apresentação desses livros sob as penas da lei, não se tem de convencer previamente da existencia delles, exigindo prova nesse sentido.
No caso de o commerciante pretextar perda occasional dos livros, fica obrigado a provar o allegado, pois esse facto não se presume.
Tractando-se de livros auxiliares, que tambem estão sujeitos á exbibição integral e á parcial (n. 158), se o commerciante allega que os não tem, é mister, então, que a parte interessada prove a existencia delles. Nesse sentido resolveu o accordam da Relação do Bio, de 24 de Outubro de 1879 (1).
158. Os livros auxiliares estão sujeitos tambem á exbibição (2). Vide n. 110.
(1) N'O Direito, vol. 20, pag. 680.
O Trib. de Justiça de S. Paulo, em accordam de 10 de Agosto de 1898 (na Revista Mensal, vol. 9, pag. 197), parece ter decidido que, para a exhi-bicão integral dos livros commeroiaes, é mister provar a existencia delles em poder do exhibente.
A doutrina do Tribunal de S. Paulo não é jurídica, e não tem a seu favor o invocado apoio da Relação do Rio no accordam de 24 de Outubro de 1879 e a licção de TEIXEIRA DE FREITAS.Esta Relação nada decidiu quanto á exbibição dos livros obrigatorios, mas somente se referiu a livros auxiliares.
O mesmo Tribunal de Justiça de S. Paulo, em accordam de 11 de Fe- vereiro de 1904 (no S. Paulo Judiciario, vol. 4, pag. 163) insiste no grave erro, proferindo a seguinte decisão injurídica e absurda: para que se dèm as duas sancções estabelecidas no art. 20 do Cod. Com., quer quanto ao deferimento do juramento suppletorio, quer quanto á applicação da pena de prisão até á apresentação dos livros, é indispensavel que se prove que o recusante possue livros commerciaes.
(2) Contra: no direito francez, BOISTEL,Court de Droit Commercial, a.
116; MATER,Le Secret des Affaires Commerciales, pag. 105, sob fundamento de que os livros auxiliares são propriedade do commerciante e sem texto fórmal não pode elle ser privado deste direito; no direito italiano, BOLAFFIO,no Gommentario de Turim vol. 1, n. 313.
A favor da doutrina que acceitamos: no direito francez, LYON-CAEN et
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Quanto á exhibição integral, sendo communs todos os livros, balanços geraes e papeis de uma casa de commercio (n. 154), os interessados, a cujo favor é ordenada, têm o direito de compulsar e examinar os livros auxiliares (n. 170).
A lei é expressa quanto ao socio (Cod. Com., art 290. verbis:
«todos os livros, documentos ... etc.»), e quanto aos credores na fallencia do devedor (Lei n. 859, art. 69 § 1.°).
Não são casos excepcionaes esses, mas disposições explicativas para maior garantia dos interessados.
Devemos generalizar e ter como certo que aquelle, em cujo poder se acham os livros auxiliares, deve apresental-os com os livros obrigatorios, quando a exhibição destes fôr ordenada judicialmente, sob a pena comminada no art. 20 do Codigo Commercial.
Quanto á exhibição parcial, convém applicar com criterio os princípios.
A faculdade que tem o juiz quanto á apreciação da prova (Regul.
n. 737, art. 230) justifica a exhibição dos livros auxiliares; elles são, porém, adminiculo para a prova que dos livros obrigatorios pode emanar (n. 110), e. como se não presume a sua existencia, o que se dá com estes ultimos (n. 157), se o dono recusa apresental-os, não incorre na pena comminada no art 19 do Codigo Commercial, isto é, não se defere juramento suppletorio ao adversario nem se attribue plena fé aos seus livros regulares despidos das circumstancias mencionadas em o n. 118.
Provada, entretanto, a existencia dos livros auxiliares e sendo estes indispensaveis para o esclarecimento do ponto controvertido, parece-nos não ser justo deixar sem a pena do art 19 do Codigo aquelle que, caprichosamente ou de má fé, recusa exhibil-os.
Esta recusa o menos que poderá produzir é fortíssima presumpçâo contra o proprietario dos livros.
A existencia dos livros auxiliares é facilmente provada
REINAULT,Traité, vol. 1, ns. 201 ter, e 299; no direito italiano, VIDARI,Corto, vol 3, da 5.ª ed., n. 2483 e 2484; VIVANTE,Trattato, vol. 4.º 2ª ed., n. 1592.
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por testemunhas, podendo servir como taes os propostos da casa de commercio, ou pelos peritos, encarregados do exame.
No curso de uma acção ordinaria, processada no fôro do Recife, no anno de 1888, o juiz do commercio ordenou ex officio que os auctores apresentassem a exame os seus livros auxiliares.
Declarando os auctores que os não tinham, o juiz mandou que o réo prestasse juramento suppletorio.
Fundamentava o juiz a sua decisão nestes termos:
«O § 3.° do art. 10 do Codigo não se refere unicamente aos livros exigidos pelo art. 11, mas sim a toda a escriptura-ção, correspondencia e mais papeis pertencentes ao gyro com-mercial, estando ahi manifestamente comprehendidos os livros auxiliares.
Desde que a escripturação do Diario dos suppli-cantes não foi feita com a individuação e clareza, exigidas no art. 12, é indispensavel a apresentação dos livros auxiliares, nos quaes se baseiou aquella escripta (que só assim pode ser regular, estando lançada englobadamente), pois somente em vista delles pode ser esclarecido o ponto controvertido. Se taes livros foram extraviados não podem os supplicantes fugir ás consequencias desta falta.»
Os auctores aggravaram, com fundamento no art 669 § 15 do Regul. n. 737, e, em sua minuta, fizeram, entre outras, as seguintes considerações:
«A disposição do art. 10 § 3 não pode ser interpretada isoladamente e sim de accordo com os demais paragrapbos e com os artigos subsequentes.
No art. 11, o legislador diz expressamente que os nego- ciantes são obrigados a ter o Diario e o Copiador de cartas e não podia cogitar de outros quaesquer livros, porque manda lançar naquelle todas as transacções do negociante, sem se referir a outro qualquer auxilio ao Diario. Ora, se o legislador não exige outros livros além do Diario e Copiador de cartas; se o negociante não está obrigado a ter outros, nem pode soffrer pena alguma por uma falta, não prevista em lei; é claro que a palavra escripturação somente pode ser entendida como se referindo aos alludidos Diario e Copiador de cartas. A elles é que o negociante deve conservar em boa guarda.
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A palavra papeis usada pelo legislador no art. 13 § 3 é equivalente a documentos avulsos e nunca foi comprehensiva de livros auxiliares. Nessas condições, é claro que o illustrado juiz a quo manifestamente excedeu-se da disposição legal, quando mandou os aggravantes exhibirem os auxiliares. E' tambem engano do illustrado juiz a quo entender que toda a escripturação é feita á vista de auxiliares: pode ser compilada de facturas, documentos e correspondencia e até de memoria, como já procedeu um honrado commerciante desta praça, quando foi victima de um incendio em seu estabelecimento e residencia. »
O Tribunal da Relação de Pernambuco, em accordam de 7 de Agosto de 1888, deu provimento ao aggravo para «mandar que o juiz a quo decidisse a causa conforme entendesse conveniente independente do juramento suppletorio ordenado, visto como a essa diligencia não pode o juiz recorrer arbitrariamente, embora para esclarecer e melhor julgar nos termos do art. 230 do Regul. n. 737, porque ella somente cabe nas condições restrictas declaradas no art 20 do codigo commer-cial, quando o negociante se nega a apresentar os seus livros, o que no caso se não havia dado, porque os aggravantes trouxeram a exame aquelles que pelas disposições do citado codigo devem ter e não os auxiliares, que declararam não possuir e nem a lei lhe impunha similhante obrigação» (1).
A doutrina desse accordam somente é acceitavel por que a parte interessada no exame não provou a existencia dos livros auxiliares, quando o adversario negava possuil-os (vide n. 157).
(1) Este accordam e outras peças foram publicados no Diario de Per- nambuco, de 31 de Agosto e dos primeiros dias de Setembro de 1888.
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