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O PROCESSO CIVIL E SUAS ESPÉCIES

No documento Monografia Direito Univali. 2009 (páginas 76-82)

Art. 301(...) § - Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo.

Art. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial. § 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos, perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda. § 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento público.

Desta forma pode-se entender que o compromisso arbitral é o ato que as partes interessadas em resolver um conflito este de interesses patrimoniais disponíveis estabelecem o objeto da lide e nomeiam um ou mais árbitros para resolvê-lo, conforme dispõe Teixeira176.

E finalizando os Pressupostos Objetivos temos a inexistência de qualquer das nulidades previstas na legislação processual. Ou seja, para que a ação seja deferida, ela não pode conter nenhuma nulidade elencada na lei. A nulidade nada mais é do que um defeito, vício que torna o ato nulo, ineficácia total ou parcial do ato jurídico, a que falta formalidade ou solenidade que lhe é essencial, é o que dispõe Guimarães177.

Desta forma todos os atos que contenham algum tipo de defeito devem ser considerados como nulos de pleno direito ou anuláveis.

Findos aqui os Pressupostos da Ação e assuntos referentes a esta e dando continuidade passa-se a tratar do Processo Civil e suas Espécies.

Marques178 dispõe que “o direito processual Civil é, grosso modo, o ramo da ciência jurídica que tem por objeto a regulamentação do processo pertinente à jurisdição civil”

Desta forma, o Processo Civil é o Estado exercendo sua função, na solução de conflitos, na regulamentação da jurisdição referente as lides de natureza civil e utilizando processo e dentro deste procedimentos específicos do Direito Processual Civil .

Cintra, Grinover e Dinamarco179 dispõem:

(...) como o instrumento através do qual a jurisdição atua é o processo, também este toma nomes distintos, à vista da natureza do provimento jurisdicional a que tende: processo de conhecimento, processo de execução e processo cautelar.

Desta forma, o Código de Processo Civil para dar mais abrangência e organizar o Processo Civil dividiu-se em três espécies: Processo de Conhecimento, Processo de Execução e Processo Cautelar, que serão tratados a seguir

2.4.1 O Processo de Conhecimento

O Processo de Conhecimento já tem elencado no nome seu conceito, ou seja, no processo de conhecimento o juiz tomará conhecimento do processo, dos fatos, e da pretensão da ação.

Cintra, Grinover e Dinamarco180 esclarecem a função do Processo de Conhecimento:

O processo de conhecimento provoca o juízo, em seu sentido mais restrito e próprio: através de sua instauração, o órgão jurisdicional é chamado a julgar, declarando qual das partes tem razão. Objeto do processo de conhecimento é a pretensão ao provimento declaratório denominado sentença de mérito.

178 MARQUES, José Frederico. Manual de direito processual civil. 9ª ed. Campinas: Millennium Editora Ltda.,2003 p. 7

179 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo. 15ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1999.p. 300

180 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo.p. 301

O Processo de Conhecimento realiza o seu objetivo, como foi transcrito acima, através de categorias que encaixa o tipo de pretensão desejada, sendo Processo Declaratório, Constitutivo ou Condenatório.

Cintra, Grinover e Dinamarco181 explicam cada uma destas categorias.

O processo meramente declaratório visa apenas à declaração da existência ou inexistência da relação jurídica (...). O processo condenatório tende a uma sentença de condenação do réu.

Acolhendo a pretensão do autor, a decisão afirma a existência do direito e sua violação, aplicando a sanção correspondente à inobservância da norma reguladora do conflito de interesse (...).

Chama-se, pois, processo constitutivo aquele que visa a um provimento jurisdicional que constitua, modifique ou extinga uma relação ou situação jurídica.

Como já dito estas categorias servem para destacar a pretensão da parte, o intuito da parte ao procurar a tutela jurisdicional, e obter a aplicação do direito no caso concreto.

Dentro do Processo de Conhecimento se trabalhará também com a parte de defesa daquele que está sofrendo a ação, através da contestação, reconvenção, impugnação e exceções, e ainda todos os recursos cabíveis, chegando assim ao fim da ação e pondo-se à execução da sentença final, execução está tratada no processo de execução que será disposto a seguir.

2.4.2 O Processo de Execução

No Processo de Execução trata-se de cobrar a condenação que a parte contrária recebeu como punição, ou seja, o Processo de Execução exatamente serve para executar a sanção, condenação, imposta.

Marques182 dispõe que:

Proferida a sentença condenatória, a sanção abstrata, que o direito objetivo prevê, transforma-se em sanção concreta, formando-se, assim, o que se denomina de título executivo judicial. A pretensão que a sentença condenatória acolheu, julgando-a procedente, pode,

181 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo. 15ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1999.p. 301

182 MARQUES, José Frederico. Manual de direito processual civil. 9ª ed. Campinas: Millennium Editora Ltda.,2003 p.214

todavia, ficar insatisfeita, se aquele que sofreu a condenação, por inércia ou rebeldia, deixa de cumpri-la.

Desta forma o Processo de Execução tem como principal finalidade a cobrança dessa condenação insatisfeita. A parte autora tem o direito, de pedir uma nova tutela jurisdicional, o Judiciário de certa forma forçará o executado a cumprir a condenação.

Santos183 entende que o Processo de Execução está dividido entre dois termos conforme dispõe:

(...) Assim também se desenvolve o processo de execução entre dois termos: pedido de execução, que é o ato inicial, e aquele ato em que se esgotam as providências executórias solicitadas: entrega da coisa, de quantia certa, ou a prática ou omissão de ato (obrigação de fazer ou não fazer). Tome-se, para exemplo a execução por quantia certa, o exequente faz o pedido de execução e o réu é citado para pagar ou sujeitar-se à penhora, pagando esgota-se o processo de execução, caso contrário, procede-se à penhora de bens do réu, sua avaliação e venda dos mesmos em praça, a fim de que o autor receba o que lhe é devido.

Entende-se que no Processo de Execução trata-se de uma condenação insatisfeita, discute-se uma obrigação que o executado deveria ter feito ou deixado de fazer, que deveria ter pago e deixou de pagar, assim através de uma ação executória, busca-se o cumprimento desta obrigação.

Silva184 dispõe que:

O processo de execução tem por fim satisfazer o direito que a sentença condenatória haja proclamado pertencer ao demandante vitorioso, sempre que o condenado não tenha voluntariamente satisfeito, dando cumprimento ao que lhe fora imposto pelo julgado.

Liebman185 entende ainda que:

Enquanto o processo de conhecimento tem por finalidade a obtenção de uma sentença que decida o conflito de interesses, a execução tem por finalidade satisfazer o direito que a sentença

183 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 25ª ed. v.1. São Paulo:

Saraiva, 2007 p. 276

184 SILVA, Ovídio Araújo Baptista da. Curso de Processo Civil: execução obrigacional, execução real, ações mandamentais. v. 2, 5ª ed., rev., São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2002., p. 29.

185 LIEBMAN, Enrico Tullio, Processo de execução. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1946, p.

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condenatória haja proclamado pertencer ao demandante vitorioso, caso o condenado não a tenha voluntariamente satisfeito.

Pode-se concluir que o objetivo do Processo de Execução é dar uma continuação do Processo de Conhecimento, neste último terá a condenação, no qual o primeiro completará com a execução da condenação não cumprida, ou seja, o processo de Execução é a garantia de que o que foi realizado no processo de Conhecimento tornar-se-á completo, e eficaz.

A seguir tratar-se-á do Processo Cautelar, processo este utilizado tanto no processo de conhecimento quanto no processo de execução.

2.4.3 O Processo Cautelar

O Processo Cautelar pode ser visto como uma opção acessória que serve para garantir alguma pretensão, e resguardar a eficácia do Processo de Conhecimento ou de Execução.

Schilichting186 conceitua a Ação Cautelar como:

A ação Cautelar pode ser conceituada como sendo a ação acessória, provisória e instrumental de outra ação principal, de conhecimento ou de execução, e cuja finalidade é obtenção de medidas urgentes e necessárias que garantam o bom desenvolvimento da ação principal e/ou a devida eficácia da sentença que provirá dela quando julgada procedente a pretensão requerida em tal ação.

Essa garantia, ou melhor dizendo proteção que o Processo Cautelar tem como função, pode ser proposta tanto no inicio da ação principal, sendo a esta Ação Cautelar Preparatória ou no curso da ação principal, denominando-se Ação Cautelar Incidental187.

186 SCHLICHTING, Arno Melo. Teoria geral do processo: Concreta, objetiva, atual. v.2. 3ª ed.

Florianópolis: momento atual,2007.p.49

187 SCHLICHTING, Arno Melo. Teoria geral do processo: Concreta, objetiva, atual. v.2. 3ª ed.

Florianópolis: momento atual,2007.p. 47

Para a propositura da ação Cautelar necessita-se de alguns requisitos sendo estes o periculum in mora e o fumus boni iuris, que Marques188 explica:

São pressupostos da jurisdição cautelar: a) o periculum in mora, ou seja, quando, pela demora processual, for provável a ocorrência de atos capazes de causar lesões, de difícil e incerta reparação, ao direito de uma das partes, b) o fumus boni iuris, isto é, a probabilidade de êxito, no processo de conhecimento ou de execução, de litigante que pediu a providencia cautelar.

É exatamente pela fato de a função da cautelar ser de proteção que ela tem como pressupostos para sua propositura que autor desta esteja correndo o risco de sofrer um dano irreparável ou de difícil reparação no transcurso do processo, e que esse dano influenciará no resultado da Ação Principal, com a propositura da Cautelar e a procedência desta, poderá garantir o resultado tanto do processo de conhecimento quanto do de execução.

Finalizam-se aqui as Espécies de Processo, e o segundo Capítulo onde foi tratado sobre a Ação, Jurisdição e Processo. Dar-se-á continuidade a esta pesquisa com o 3º Capítulo onde terá como assunto principal a Súmula Vinculante.

Abordar-se-á no próximo Capítulo o Sistema Jurídico Civil Law, a parte Histórica, o Conceito, Edição, Revisão e o Cancelamento da Súmula Vinculante e sua Relativização (ou não) Frente ao Princípio da Persuasão Racional do Juiz.

188 MARQUES, José Frederico. Manual de direito processual civil. 9ª ed. Campinas: Millennium Editora Ltda.,2003 p. 216

No documento Monografia Direito Univali. 2009 (páginas 76-82)