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Os Princípios Informativos do Procedimento

No documento Monografia Direito Univali. 2009 (páginas 37-44)

1.3 OS PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL E O PROCESSO CIVIL

1.3.2 Os Princípios Informativos do Procedimento

Os atos processuais são desenvolvidos de modo oral, sempre que possível, desde que tal ato seja transcrito nos autos.

O Princípio da Oralidade está presente a partir do momento em que se discute oralmente a causa em audiência, no momento da instrução e julgamento. Este princípio é tido como fator importantíssimo, diminuindo desta forma os atos processuais, Theodoro Junior75.

Conceituando ainda este princípio Nogueira76 dispõe em seu artigo que o princípio da oralidade, em seu sentido mais tradicional:

(...)consiste em um conjunto de princípios distintos, embora intimamente relacionados entre si...", que são: o da "prevalência da palavra falada sobre a escrita"; da "imediação entre o juiz e as

75 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. 44ª. ed. Rio de Janeiro. Forense, 2006, p33

76 NOGUEIRA JÚNIOR, Alberto. Algumas considerações sobre o princípio da identidade física do juiz. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1166, 10 set. 2006. Disponível em:

<http://jus.uol.com.br/revista/texto/8905>. Acesso em: 15 fev. 2011.

pessoas cujas declarações ele deva apreciar"; da "identidade da pessoa física do juiz, isto é, o juiz que colher a prova é que deve julgar a causa"; da "concentração dos trabalhos de colheita da prova, discussão da causa e seu julgamento em uma só audiência, ou em poucas audiências próximas no tempo, para que as impressões do julgador se mantenham frescas"; e da "inapelabilidade das interlocutórias para não suspender o curso da causa", todos esses princípios objetivando "que a causa seja julgada pelo juiz que colheu as provas produzidas oralmente.

A lei 9.099/9577 que regula os procedimentos do juizado especial traz com mais rigor a regra da oralidade, sendo que no Brasil a forma oral pura não é adotada, pois se exige que os atos e termos do processo sejam documentados. E é exatamente como traz Gonçalves78:

Ao longo dos anos, a oralidade perdeu o significado original de procedimento, em que todos os atos eram realizados oralmente. Hoje em dia, com a expressão “princípio da oralidade” quer-se significar a necessidade de o julgados aproximar-se o quanto possível da instrução e das provas realizadas ao longo do processo.

Conforme discorre Schlichting79 mesmo não sendo o método usado de forma pura no Brasil, além deste princípio proclamar o uso da palavra pelas partes, está relacionado também com a celeridade ao processo e é um dos meios de convencimento do julgador que é o destinatário das provas.

Desta forma observa-se que o Princípio da Oralidade, permite em certos momentos do processo no ordenamento brasileiro, que as partes se expressem melhor, tragam o caso de uma maneira mais clara, que ajudem o juiz a entender melhor os fatos, auxiliando-o até mesmo em sua decisão, e muitas vezes evitando um prolongamento desnecessário do processo.

1.3.2.2 O Princípio da Publicidade

Via de regra, o ato processual é público, exceto nos casos em que o processo corre em segredo de justiça. O Princípio da Publicidade representa

77 BRASIL. Lei nº 9.099/95, de 26 de setembro de 1995. Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9099.htm. Acesso em: 15 fev. 2011.

78 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual Civil. v.1. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005 .p.38

79 SCHLICHTING, Arno Melo. Teoria geral do processo: Concreta, Objetiva, Atual. v.1. 3ª ed.

Florianópolis: Momento atual, 2007.p.55

que todos os atos processuais são públicos, tendo como exceção aqueles cuja publicidade possa afetar a intimidade ou o interesse social, conforme Santos80.

É um Principio Constitucional, pois está disposto na Constituição da Republica Federativa do Brasil81 artigos 5º inciso LX e art. 93, inciso IX, o qual declara que lei somente restringirá a publicidade quando a intimidade ou a defesa Social estiverem ameaçadas.

Gonçalves82 ainda dispõe que:

A publicidade é necessária para que a sociedade possa fiscalizar seus juízes, preservando-se com isso o direito à informação, garantido constitucionalmente. No entanto, muitas vezes, ela pode ser nociva, quando houver interesse público envolvido ou a divulgação puder trazer danos às partes. Por isso, justifica-se a imposição de restrições para estranhos, em determinadas circunstâncias, tenham acesso ao que se passa no processo.:

Este princípio iniciou-se com a Revolução Francesa, que reagiu contra os juízos secretos e de caráter inquisitivo do período anterior. O sistema da publicidade dos atos processuais situa-se entre as maiores garantias de independência, imparcialidade, autoridade e responsabilidade do juiz segundo Cintra, Grinover e Dinamarco83, que dissertam:

O princípio da publicidade do processo constitui uma preciosa garantia no tocante ao exercício da jurisdição. A presença de público nas audiências e a possibilidade do exame dos autos por qualquer pessoa representam o mais seguro instrumento de fiscalização popular sobre a obra dos magistrados, promotores públicos e advogados. Em último análise, o povo é o juiz dos juízes.

Através do princípio da publicidade a responsabilidade que recai sob o juiz na hora de tomar uma decisão, assume outra dimensão, claro que com exceções existentes como os processos que dizem respeito a casamento, à

80 SANTOS, Ernani Fidélis dos. Manual de direito processual civil: processo de conhecimento.

V.1.12ª. Ed. São Paulo: saraiva,2007, p.45

81 BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em: 17 fev. 2011.

82 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual Civil. v.1. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005 .p.36

83 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo. 25ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009.p 66

filiação, à separação, à conversão desta em divórcio, aos alimentos e à guarda de menores, que correrão em segredo de justiça, conforme elucidam Cintra, Grinover e Dinamarco84.

E são essas exceções de publicidade comentadas acima que estão elencadas em nosso Código de processo civil85 no art. 155 que dispõe:

Art. 155 - os atos processuais são públicos. Correm, todavia, em segredo de justiça os processos: I - em que o exigir o interesse público; II - que dizem respeito a casamento, filiação, separação dos cônjuges, conversão desta em divórcio, alimentos e guarda de menores.

Finalizando, a publicidade dos atos processuais constitui projeção da garantia constitucional do direito à informação, em sua específica manifestação referente ao processo. Os agentes públicos, atuando como personificação viva do próprio Estado, dão conta de sua atividades aos sujeitos diretamente interessados, aos seus próprios superiores hierárquicos, aos órgãos de fiscalização institucionalizada e ao público, a bem da transparência destinada a permitir o controle interno daquilo que fazem ou omitem, discorre Dinamarco86.

Portanto, os atos processuais são públicos, com a ressalva das hipóteses nas quais o interesse público exige o sigilo das informações, bem como nos processos que tenham por objeto casamento, filiação, separação dos cônjuges, conversão em divórcio, alimentos e guarda de menores.

1.3.2.3 O Princípio da Economia Processual

O processo deve ser desenvolvido de modo célere e, para tanto, deve-se buscar o maior resultado possível com o mínimo de atividade processual.

O Processo Civil deve se inspirar no ideal de propiciar às partes uma justiça barata e rápida, do que se extrai a regra básica de que deve

84 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo.p. 66

85 BRASIL. Lei nº 5.869/73,de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L5869.htm. Acesso em: 17 fev. 2011.

86 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. São Paulo: Malheiros editores Ltda., 2000,p.234

tratar-se de obter o maior resultado com o mínimo de emprego de atividade processual. É ai que se encaixa o princípio da economia processual, conforme Theodoro Junior 87.

Segundo Cintra, Grinover e Dinamarco88:

[...] se o processo é um instrumento, não pode exigir um dispêndio exagerado com relação aos bens que estão em disputa. E mesmo quando não se trata de bens materiais deve haver uma necessária proporção entre fins e meios, para equilíbrio do binômio custo- benefício. É o que recomenda o denominado princípio da economia, o qual preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais.

A Economia deve sempre orientar os atos processuais, e desta forma evitar gasto de tempo e dinheiro inutilmente. O juiz deve indeferir a petição inicial inepta, ou a que revela impossibilidade de alcançar seus fins (art.295); as diligências inúteis ou protelatórias devem ser indeferidas (art.130); no procedimento ordinário, permite-se o julgamento antecipado da lide (art.330), ainda que as partes protestem por provas orais, assim dispõe Santos89.

Mas da mesma forma que à importância do princípio da economia processual como dispôs Cintra, Grinover e Dinamarco90 na citação acima, estes também advertem:

Apesar da importância do princípio da economia processual, é inegável que deve ser sabiamente dosada. A majestade da Justiça não se mede pelo valor econômico das causas e por isso andou bem o ordenamento brasileiro ao permitir que todas as pretensões e insatisfações dos membros da sociedade, qualquer que seja seu valor, possam ser submetidas à apreciação judiciária (Constituição, 5º, inc. XXXV); e é louvável a orientação do Código de Processo Civil, que permite a revisão das sentenças pelos órgãos da denominada jurisdição superior, em grau de recurso, qualquer que seja o valor e natureza da causa.

87 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. 44ª ed. Rio de Janeiro. Forense, 2006, p 34

88 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo. 25ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009.p79

89 SANTOS, Ernani Fidélis dos. Manual de direito processual civil: processo de conhecimento.

v.1.12ª. ed. São Paulo: saraiva, 2007, p.45

90 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel.

Teoria geral do processo. 25ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009.p 80

Desta forma o Princípio da Economia Processual está inteiramente voltado à economia do tempo na realização de um processo, juntamente com a economia dos recursos financeiros. Deve haver uma proporcionalidade, como a reunião de processos quando há conexão, e ainda a reconvenção que a parte ao mesmo tempo em que se defende da acusação, também faz um pedido pleiteando seu direito, claro que tudo feito da forma mais justa para ambas as partes.

1.3.2.4 Principio da Eventualidade ou da Preclusão

O Princípio da Eventualidade ou da Preclusão traz ao ordenamento jurídico que cada ato processual deve acontecer em seu momento, em sua fase.

E é desta forma que Theodoro Júnior91 esclarece mais sobre o assunto:

O processo deve ser divido numa série de fases ou momentos, formando compartimentos estanques, entre os quais se reparte o exercício das atividades tanto das partes, como do juiz. Dessa forma, cada fase prepara a seguinte e, uma vez passada à posterior, não mais é dado retornar à anterior, assim, o processo caminha sempre para frente, rumo à solução de mérito, sem da ensejo a manobras de má-fé de litigantes inescrupulosos ou maliciosos. Pelo princípio da eventualidade ou da preclusão, cada faculdade processual deve ser exercitada dentro da fase adequada, sob pena de se perder a oportunidade de praticar o ato respectivo.

Ou seja, a eventualidade demonstra que os atos têm momento certo para se realizar, e a preclusão representa que se este ato não foi realizado no momento certo, ocorrendo à perda da faculdade de praticar tal ato processual.

O princípio da eventualidade, ainda segundo Calamandrei, citado por Wilson de Souza Campos Batalha92:

(...) é aquele por força do qual as partes, para não perderem a faculdade de fazer valer as deduções de mérito e de rito que possam parecer úteis à sua defesa, devem apresentá-las cumulativamente no

91 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. 44ª. ed. Rio de Janeiro. Forense, 2006, p36

92 BATALHA, Wilson de Souza Campos. Tratado de direito judiciário do trabalho. 3ª.ed. v. 2. São Paulo: LTr, 1995. p. 39.

termo preclusivo fixado para tal fim, ainda que algumas delas, destinadas a valer apenas subordinadamente (isto é, apenas na eventualidade de não serem acolhidas as outras alegações apresentadas em caráter principal), não apresentem interesse atual no momento de sua apresentação.

Pelo que já foi disposto acima este princípio está interligado com as fases processuais no qual os atos devem ser realizados, sendo estas a postulatória onde é feito o pedido do autor e a resposta do réu; o saneamento onde são solucionadas as questões meramente processuais ou formais para preparar o ingresso na fase de apreciação do mérito; a instrução onde é feita a coleta dos elementos de prova e, por fim, a fase do julgamento onde é solucionado o mérito da causa, como esclarece Theodoro Júnior93.

Os atos que não forem realizados na fase do correta do processo, no momento que assim deveria ter sido feito, o sujeito, poderá perder seu direito, tornando este principio tão essencial quanto os outros na realização dos atos processuais.

1.3.2.4.1 Princípio da Persuasão Racional do Juiz.

Além dos Princípios Informativos citados acima o Direito Processual também possui os Princípios Gerias do Direito Processual, que são aqueles que dão forma e caráter ao Direito Processual. Alguns princípios abrangem todos os sistemas processuais outros somente em um determinado ordenamento.

Neste trabalho será matéria de estudo o Princípio da Persuasão Racional do Juiz, o qual dispõe que o juiz para dar sua decisão deve formar um convencimento utilizando as provas existentes no processo. O Princípio será melhor abordado e discutido no 3º Capítulo desta pesquisa.

A seguir tratar-se-á da Jurisdição, Ação e Processo, quanto ao conceito, as características e as espécies de Jurisdição, estrutura do Poder Judiciário e por fim a competência no Processo Civil. O estudo passará para a ação no processo civil, e por fim abordar-se-á o processo civil e suas espécies.

93 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. 44ª ed. Rio de Janeiro. Forense, 2006, p36

No documento Monografia Direito Univali. 2009 (páginas 37-44)