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Personagens e Gimmicks – Formando Personalidades e Atitudes

2.3. Regras? Que regras? – Normas para entender o espetáculo da Luta Livre

2.3.6. Personagens e Gimmicks – Formando Personalidades e Atitudes

A personagem e as gimmicks contribuem para que a Luta Livre se desenvolva. A gimmick seria como ele age dentro e fora de combate, ou seja, sua conduta. Em muitos momentos, a personagem e a gimmick se misturam, principalmente quando ele representa uma personalidade já conhecida, por exemplo, um pirata. As pessoas conhecem como um pirata se veste, como age. Assim, um lutador que dá a vida a um pirata vai agir frente a muitas referências.

Quando uma personagem parte para uma criação própria, a personagem vai ser composta pelo seu nome, forma de falar e se vestir.

Para que a Luta Livre possa acontecer sobre o ringue e assim contar as suas histórias, é preciso de muita ajuda de todos os envolvidos em uma equipe. Isso indica tanto os próprios lutadores profissionais, homens e mulheres, dos bastidores que tomam para si a responsabilidade de levar o entretenimento ao maior número de pessoas possível.

O pagamento real fica pela reação do público e também pelo dinheiro envolvido (FARGIOGIO, 2014, p. 1).

A Luta Livre possui sua própria narrativa e ela começa antes que o sino toca. Uma parte significativa da construção de uma personagem de Pro-Wrestling passa de como ela se conecta ao ser anunciada (PRUITT, 2019, p. 3). Do vilão se esperam as vaias e xingamentos, enquanto que do herói, os aplausos e ovação dos espectadores. Para Pruitt (2019, p. 3) o herói irá cumprimentar a todos, enquanto o vilão irá zombar-lhes. Um tweener, lutador de personalidade ligada em si mesmo, irá apenas passar pelo caminho e entrar no ringue, pois está focado em lutar (PRUITT, 2019, p. 3).

Para Alcott (2019) a influência dos lutadores nas lembranças das crianças passa pela autenticidade. Uma personagem e uma gimmick devem prever isso, pois, dessa forma, foge-se da repetição. “(...) para alcançar e manter a popularidade e o sucesso. Uma estrela da Luta Livre deve manter continuamente seu apelo autêntico em equilíbrio”

(ALCOTT, 2019, p 11). Com isso, a sua percepção busca incansavelmente por ser autêntica e valorosa frente ao relacionamento com os espectadores (ALCOTT, 2019, p.

11).

Os lutadores precisam se transformar em personagens, mas isso não é exclusividade deles. Tal razão se dá, em razão de que os demais participantes que também contribuem para levar entretenimento aos espectadores, da mesma forma,precisam formar uma personalidade. Contudo, é possível que pessoas importantes dentro de uma equipe fiquem apenas nos bastidores. Boroditsky (2003, p. 8 – 9) cita alguns deles, conforme especificado a seguir.

Proprietário: Essa pessoa é a dona da equipe ou detentora da maior parte das ações da promoção. É o responsável por operações comerciais, pagamento de contas etc.

(BORODITSKY, 2003, p. 8).

Promotor: Nessa função podem existir dois tipos de trabalhos. O promotor de

"marca" é responsável em providenciar o local de apresentação e publicidade. A outra forma de ser promotor de Luta Livre é ser responsável por arrumar lutadores para um show. Eles podem ter contratos apenas para aquele show ou serem contratados por longa data (BORODITSKY, 2003, p. 8).

Booker: A responsabilidade desse profissional está em definir como os combates irão desenvolver, que tipo de histórias serão contadas no ringue. Dessa forma, ele repassa aos lutadores, árbitro e até mesmo ao apresentador o que vai acontecer. Essa é a forma para que todos possam passar pelas situações com naturalidade e daí poder repassar a

emoção aos que assistem. O booker delimita o que vai acontecer, mas também dá aos lutadores a oportunidade de colocarem seus melhores golpes e também se satisfazerem (BORODITSKY, 2003, p. 8).

Sobre os promotores e bookers, é possível entender que ambos possuem grande ligação no entretenimento da Luta Livre. Ambos os profissionais tiveram a percepção de que poderiam roteirizar e criar campeões regionais ou nacionais com grandes potencialidades e ter fonte de receita. Isso fez com que eles trabalhassem mais para proteger os campeões e também aqueles que caminhavam para a conquista do mesmo (STODDEN, HANSEN, 2016, p. 3). Foi necessário criar algo que desse sentido ao ódio e dramaticidade que os lutadores vivessem. O kayfabe se tornou a palavra que significasse isso. Junto da nomenclatura, veio o importante papel de proteger que tudo fosse entretenimento de um enredo maior. Com os roteiros e a kayfabe materializada, os promotores e bookers tiveram ainda mais trabalho. Com o kayfabe é que os vilões e heróis tiveram um verdadeiro significado (STODDEN, HANSEN, 2016, p. 3).

Para complementar, os indivíduos que contribuem para a realização de um show de Luta Livre, voltamos a Boroditsky (2003, p. 8 – 9) que retrata a funcionalidade deles.

Gerenciamento de instalações: Tal profissional é responsável por cuidar do bar, do local, dos assentos, da segurança, bem como auxiliar o promotor e os artistas no fornecimento de alimentos e demais suprimentos (BORODITSKY, 2003, p. 8 – 9).

Árbitro: Na Luta Livre, esse profissional faz parte do show, pois ajuda a realizar o enredo desenvolvido pelos bookers com o final premeditado. Isso vai de encontro à satisfação dos promotores (BORODITSKY, 2003, p. 9). Mesmo que para isso seja necessário o árbitro ser agredido ou não ver as trapaças do vilão.

Manager: Um manager tem o papel de acompanhar um lutador e junto dele fazer com que a plateia tenha a reação que se busca. O manager aumenta o drama de uma luta, pois pode interferir em algum momento para ajudar seu companheiro (BORODITSKY, 2003, p. 9). Tal função pode ser realizada por um homem ou mulher.

Para um lutador é preciso de dois fatores para se conectar à multidão, talento em desempenhar muitas manobras de risco no ringue, assim como carisma ao falar no microfone (CANELLA, 2016, p. 1379).

Os lutadores conseguem juntos servir o público com um desempenho de dor, sofrimento e antagonismo. Para eles, mesmo que a rivalidade passe por hostilidade entre ambos, a luta congrega sentimentos empáticos de cooperação, proteção e confiança que

geralmente é sentida por eles. Tudo isso dentro de um cenário de alto risco (SMITH, 2008, p. 159).

Ao se focar em lutadores do bem, é possível entender que a visão acerca deles mudou. Ele deixou de ser loiro e com olhos azuis, algo usado muito no início da Luta Livre no século XX. O herói atual usa tons de preto em suas roupas e se mostra rebelde contra o sistema (JASWAL, 2005, p. 3).

Os heróis e vilões formam a Luta Livre como narrativa. Enquanto os heróis usam de suas habilidades para vencer, os vilões usam de qualquer tática para tal objetivo (TOEPFER, 2006, p. 23). Com a vitória ilegal do vilão, o herói busca a redenção. “Além disso, essa narrativa oficial frequentemente termina com a personagem do bem vencendo com sucesso seu inimigo” (TOEPFER, 2006, p. 24). Isso restaura a ordem social onde o bem triunfa sobre o mal. Como conclusão, Toepfer (2006, p. 24) entende que, se essa narrativa não fosse construída, não existiria nenhuma garantia de que o vilão receberia sua punição pelos seus erros.