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Política Ambiental Brasileira

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 45-49)

No Século XX, foi observado um rápido crescimento da humanidade, as cidades se multiplicaram, ao mesmo tempo em que as áreas urbanas foram ocupadas sem qualquer estudo, ou seja, desordenadamente. Este fato provocou o surgimento de municípios despreparados e trouxe à tona um problema cada vez mais visível: o espaço e o ambiente urbano. Com isso, os problemas ambientais se intensificaram, dando início a um movimento global, traduzido em inúmeros encontros, conferências, tratados e acordos internacionais, que refletem a ampliação da preocupação.

Desenvolveu-se uma maior participação das comunidades através das organizações governamentais e não governamentais, fazendo com que, no final do Século XX, surgisse uma nova estratégia de desenvolvimento contemplando o meio ambiente, não mais como depositário de restos da civilização, mas como parte integrante e necessária para o progresso que a humanidade quer traçar.

A partir da década de 1980, no Brasil se difundiu a consciência sobre o ambiente. Foi instituída a Política Nacional do Meio Ambiente através da Lei 6.938/1981, dando-se o primeiro passo para a proteção ambiental no Brasil, uma vez que, até então, a tutela do meio ambiente se fazia por legislação fragmentada. Esta lei estabeleceu ainda os fins e mecanismos de formulação e aplicação da Política Ambiental Brasileira.

Distanciando-se da metodologia empregada por seus predecessores legislativos, esta lei lançou bases para a busca do desenvolvimento sustentável; estabeleceu princípios protetivos e garantidores do meio ambiente; instituiu objetivos e instrumentos da política nacional e consolidou no ordenamento jurídico brasileiro o Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Também adotou a Teoria da Responsabilidade Civil Objetiva como forma de responsabilização do agente pelo dano causado ao meio ambiente e a terceiros afetados por suas atividades. Acrescente-se que, em reforço à responsabilidade objetiva, a lei conferiu ao Ministério Público da União e dos Estados, a legitimidade para propor ação de

responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente (BEZERRA;

MUNHOZ, 2001).

Dentre todos estes conceitos, surgem os princípios de gestão ambiental. Princípios são políticas básicas de ação, direcionamentos de onde partem todas as ações e políticas secundárias. Existem diferenças entre os princípios de gestão ambiental pública e privada, no entanto, ambos são formulados por necessidade de resolução de problemas ambientais que afetam a sociedade como um todo, seja por interesse econômico, social, ou cultural (FLORIANO, 2004).

A gestão ambiental internacional baseia-se nomeadamente nos princípios da Declaração do Rio, na Agenda 21 e nos princípios especificados por organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), International Organization for Standardization (ISO) e Organização Mundial do Comércio (OMC), podendo-se incluir ainda as exigências de organizações financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

A Constituição Federal Brasileira de 1988 (BRASIL, 2010) estabelece que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, sendo que, no Brasil, este é o primeiro de todos os princípios que regem a política ambiental. Qualquer ato ou ação contrária a este princípio básico é considerado ilegal. Pode-se citar ainda outros princípios estabelecidos na Constituição, como:

[...] o da sustentabilidade, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defender e preservar o ambiente para a presente e futuras gerações; e o da responsabilidade ambiental, imputando o ônus da recuperação dos impactos e danos ambientais ao agente causador dos mesmos. Os demais princípios básicos da gestão ambiental pública brasileira, derivados dos três primeiros, são estabelecidos na lei 6.938/81, em seu Artigo 2° (FLORIANO, 2004, p. 58).

As diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente (2010) são elaboradas por normas e planos destinados a orientar os entes públicos da federação, em conformidade com os princípios elencados em seu Art. 2º:

Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:

I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo;

II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;

III - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;

IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;

V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;

VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais;

VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental;

VIII - recuperação de áreas degradadas;

IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação;

X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.

Ainda conforme Floriano (2004), na área privada a gestão ambiental é fator de competição comercial, devido à preferência das pessoas em utilizar produtos e serviços ambientalmente corretos. De igual forma, contratos de comércio internacional são facilitados para a organização que opta por sistemas de gestão embasados em normas reconhecidas internacionalmente, como as da ISO e do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC- Brasil).

Por sua vez, os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, distintos dos instrumentos materiais noticiados pela Constituição, processuais, legislativos e administrativos, são apresentados pelo Art. 9º.

Art 9º - São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:

I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;

II - o zoneamento ambiental;

III - a avaliação de impactos ambientais;

IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras;

V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental;

VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas;

VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;

VIII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;

IX - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental;

X - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.

XI - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA;

XII - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando- se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes;

XIII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais.

XIV - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e outros.

Depois da promulgação da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei Federal nº. 6.938/81) a participação popular destaca-se, especialmente quando esta delibera os órgãos

locais do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), propondo que os mesmos se organizem para a proteção e melhoramento do meio ambiente. A partir daí, surgiram muitas experiências de gestão ambiental local, através dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente (FRANCO, 1999).

Pelos Conselhos, a sociedade pode deliberar quanto à política ambiental, e consolidar o processo democrático e participativo das decisões de uma cidade. Essa participação faz ainda com que as pessoas que são menos favorecidas sejam sujeitos e não objetos do desenvolvimento (FRANCO, 1999).

O SISNAMA, liderado pelo seu órgão superior, o Conselho de Governo, que tem a função de assessorar o Presidente da República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais ambientais, com a participação do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal como coordenador da Política Nacional de Meio Ambiente, expressa na Lei Federal N° 6938/81, tendo como órgão consultivo e deliberativo o CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente e, como órgão executivo, o IBAMA – Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Nos Estados, as secretarias de estado de meio ambiente fazem a parte de coordenação, os conselhos estaduais de meio ambiente são os órgãos consultivos e deliberativos e os órgãos executivos tem sido criados, geralmente, como fundações ou empresas públicas que prestam serviços à administração direta (FLORIANO, 2004, p. 55).

O SISNAMA congrega os órgãos e instituições ambientais da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, cuja finalidade primordial é dar cumprimento aos princípios constitucionalmente previstos e nas normas instituídas, apresentando a seguinte composição.

CONSELHO DE GOVERNO

Órgão superior de assessoria ao Presidente da República na formulação das diretrizes e política nacional do meio ambiente

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA)

Planeja, coordena, controla e supervisiona a política nacional CONSELHO NACIONAL DO MEIO

AMBIENTE (CONAMA) Órgão consultivo e deliberativo,

assessora o Governo

INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS (IBAMA)

É vinculado ao MMA. Formula, coordena, fiscaliza, controla, fomenta, executa e faz executar a política nacional do meio ambiente e da preservação e conservação dos recursos naturais.

ÓRGÃOS LOCAIS Órgãos municipais responsáveis pelo

controle e fiscalização de atividades degradadoras.

ÓRGÃOS SECCIONAIS São os órgãos ou entidades estaduais

responsáveis pela execução de programas

Figura 02: Organograma de funcionamento do SISNAMA Fonte: Elaborado pela autora

A Lei 6.938/81 institui alguns instrumentos com os quais visa garantir o alcance de seus objetivos: o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, zoneamento ambiental, Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), licenciamento e fiscalização ambientais, incentivos às tecnologias limpas, criação de unidades de conservação, criação de um sistema nacional de informações ambientais, cadastro técnico federal de atividades e instrumentos de defesa, penalidades disciplinares ou compensatórias e um relatório de qualidade do meio ambiente.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 45-49)