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Princípio da Razoabilidade

2.2 DOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS DO SERVIÇO PÚBLICO

2.2.6 Princípio da Razoabilidade

competências de forma imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia, e sempre em prol da qualidade, primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para a melhor utilização possível dos recursos públicos, de maneira a evitar desperdícios e garantir maior rentabilidade social.

A não ser para resgate da nossa pessoa, pra armar cavaleiro o nosso filho mais velho e para celebrar, mas uma única vez, o casamento de nossa filha mais velha; e esses tributos não excederão limites razoáveis. De igual maneira se procederá quanto aos impostos da cidade de Londres104.

Assim, o princípio da razoabilidade deve ser entendido como aquele que exige proporcionalidade, justiça e adequação entre os meios utilizados pelo Poder Público, no exercício de suas atividades, sejam elas administrativas ou legislativas, e os fins por ela almejados, levando-se em conta critérios racionais e coerentes.

O que se exige do poder público é coerência lógica nas decisões e medidas administrativas e legislativas, bem como na aplicação de medidas restritivas e sancionadoras;

estão, pois, interligados, os conceitos de razoabilidade e proporcionalidade105.

Cuida-se o princípio da razoabilidade de um fundamento constitucional implícito que exige a investigação do ato do poder público quanto aos seguintes caracteres: adequação (ou utilidade), necessidade (ou exigibilidade), e proporcionalidade em sentido estrito.

Sobre esse princípio, ressaltam Alexandrino e Paulo:

Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade vêm sendo seguidamente utilizados pelo Supremo Tribunal Federal no controle de constitucionalidade das leis. [...] Seja como for, certo é que, no âmbito do direito administrativo, os princípios da razoabilidade e proporcionalidade encontram aplicação especialmente no controle dos atos discricionários que impliquem restrição ou condicionamento a direitos dos administrados ou imposição de sanções administrativas. [...] Sendo o ato ofensivo aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, será declarada sua nulidade; o ato será anulado, e não revogado106. (grifado como no original).

Aplicado o princípio em questão à Administração Pública, impõe-se que as instituições, órgãos e agentes públicos, no desempenho das funções administrativas, utilizem mecanismos que, para a realização de seus fins, revelem-se adequados, indispensáveis e proporcionais. Como meio adequado, deve ser considerado aquele que promove com sucesso (êxito) o fim desejado; é preciso que se apresente como o menos restritivo a um direito fundamental; e, finalmente, é proporcional em sentido estrito se, e quando, às vantagens que proporciona são superiores (maiores) às desvantagens decorrentes (causadas).

104 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional administrativo, p. 97.

105 PENTEADO FILHO, Nestor Sampaio. Manual de direito administrativo, p.19.

106 ALEXANDRINO, Marcelo. PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 18. Ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2010, p. 205.

Desse modo, podem-se destacar três exigências ao princípio da razoabilidade:

- Adequação (ou Utilidade) – E aquele que exige que as medidas adotadas pela administração Pública se apresentem aptas para atingir os fins almejados. Ou seja, que efetivamente promovam e realizem os fins [...]

- Necessidade (ou Exigibilidade) – Em razão deste subprincípio, impõe-se que a Administração Pública adote, entre os atos e meios adequados, aquele ou aqueles que menos sacrifícios ou limitações causem aos direitos dos administrados. [...]

- Proporcionalidade em sentido estrito – Em face deste subprincípio, deve- se encontrar um equilíbrio entre o motivo que ensejou a atuação da Administração Pública e a providência por ela tomada na consecução dos fins visados.[...] 107. (não destacados no original).

Sendo assim, faltando qualquer um desses requisitos o ato não será razoável, nem proporcional. Uma medida somente será adequada se, para alcançar sua finalidade, causar o menor prejuízo possível e se houver proporcionalidade entre as vantagens e desvantagens que causar.

Na mesma linha de raciocínio, manifestou-se Mendes, ao afirmar que:

Um juízo definitivo sobre a proporcionalidade da medida há de resultar da rigorosa ponderação entre o significado da intervenção para o fim atingido e os objetivos perseguidos pelo legislador (proporcionalidade ou razoabilidade em sentido estrito). O pressuposto da adequação [...] exige que as medidas interventivas adotadas mostrem-se aptas a atingir os objetivos pretendidos. O requisito da necessidade ou da exigibilidade [...] significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelar-se-ia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado108.

Assim, o Poder Público deve moderar sua atuação a fim de impedir um prejuízo de grandes proporções à sociedade civil, no qual se teme a ofensa à consciência moral, ou, ainda, a esperança fundamentada de que se possa alcançar um proveito considerável para todos.

O princípio da razoabilidade utiliza-se da regra do meio-termo aristotélico, que, conforme Kelsen é norma de justiça, ou seja:

107 CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito administrativo, p.50.

108 MENDES, Gilmar Ferreira. A proporcionalidade da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

Repertório IOB de Jurisprudência, n. 23, 1994, p. 473, apud, MORAES, Alexandre de. Direito constitucional administrativo. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007, p 99.

Como norma referida ao modo de tratar os homens, surge também o preceito geral do comedimento, a idéia de que a conduta reta consiste em não exagerar para um de mais nem para um de menos, em manter, portanto, o

‘áureo’ meio-terno109.

Ideia que está caracterizada infraconstitucionalmente na Lei n. 9.784/99, que regula o processo administrativo, exigindo da Administração Pública a observância do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Com efeito, prevê o seu art. 2º, caput¸ da referida lei:

Art. 2º. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência110.(sem grifo no original).

Com a lei específica, procura-se impedir que os administradores públicos extrapolem suas funções/ações, ou seja, cometam abusos. Exige-se limite à discricionariedade administrativa, notadamente no campo das intermináveis discussões processuais protelatórias, sobretudo, quando o Estado é vencido. Particularmente expresso no art. 5º, LXXVIII, da CRFB/88, in verbis:

Art. 5.º [...]

LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação111.

Destaca-se ainda, papel fundamental da EC n. 45/2004 que estabeleceu à Súmula Vinculante, ensejar celeridade processual, almejada pela sociedade e insculpida no referido artigo, anteriormente expresso.

Por fim, para que o Estado possa cumprir com seu objetivo primeiro que é o de prestar o Serviço Público, deve respeitar certos princípios – que em geral são regras de observância permanente e obrigatória para o bom administrador112. Cabe especificar ainda com maior clareza a quem se atribui o título de ‘administrador público’, quem são os

109 KELSEN, Hans. O problema da justiça. Tradução de João Baptista Machado. São Paulo: Martins Fontes, p.

1998, p. 51.

110 BRASIL. Lei n. 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, 1, fev. 1999. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9784.htm>. Acesso em 14 set. 2010.

111 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, 5 out. 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/

ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 14 set. 2010.

112 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro, p. 88.

servidores públicos, ou também conhecidos como agentes públicos, quais suas espécies e características próprias. Sobre esse ponto em especial, segue o Capítulo Segundo.

Até aqui, o presente trabalho destacou alguns aspectos relacionados ao conceito e à abrangência do Serviço Público no Brasil. Além disso, de forma breve, foram tecidas algumas referências aos fundamentos que determinam e orientam a ação no Serviço Público. Entre eles, é possível retomar a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade, a eficiência e a razoabilidade.

Destarte, é preciso especificar outros conceitos igualmente necessários para depois poder estudar e compreender como deve ocorrer o processo de contratação temporária. Assim sendo, apresentam-se alguns comentários, enfatizando a classificação e a função dos agentes públicos, bem como formas de acesso a cargo, emprego e função pública.