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Procedimentos de análise dos dados

Na categoria 3 segue-se a lógica dos Cursos no sentido de relacionar o objetivo da formação com as dificuldades específicas dos EPAEE. Assim, procedeu-se à avaliação dos PPCs considerando as especificidades de cada Curso:

a) Curso de Licenciatura em Matemática: disciplinas que poderiam trabalhar conteúdos e estratégias de ensino, materiais didáticos ligados aos problemas com a aprendizagem dos saberes matemáticos e que são observados em algumas pessoas do público alvo da Educação Especial;

b) Curso de Licenciatura em Língua Portuguesa: disciplinas que poderiam trabalhar conteúdos ligados aos problemas com a aprendizagem de conhecimentos da leitura e escrita da língua escrita padrão observados em algumas pessoas do público alvo da Educação Especial;

c) Cursos de Licenciatura em Letras Inglês e em Espanhol: disciplinas que poderiam favorecer o aprendizado da língua estrangeira voltados para EPAEE e TEA.

d) Curso de Licenciatura em Letras Libras: disciplinas que abordariam a inclusão de EPAEE para além da educação de surdos.

e) Cursos de Licenciatura em Artes, em Teatro e em Música: disciplinas que relacionassem conteúdos que favorecessem a discussão da arte, do teatro e da música enquanto áreas que potencializam a aprendizagem de EPAEE e se apresentam como elementos imprescindíveis ao movimento da inclusão escolar e social.

f) Curso de Licenciatura em Informática: disciplinas que poderiam trabalhar o estudo de softwares específicos já existentes, bem como a elaboração de outros para o desenvolvimento de conteúdos ligados ao ensino de EPAEE.

g) Curso de Licenciatura em Geografia: disciplinas que poderiam promover adaptações específicas em materiais didáticos essenciais ao ensino da Geografia:

mapas em braille, etc.

h) Curso de Licenciatura em História: disciplinas que poderiam promover a discussão e o uso de materiais adaptados ao ensino de história, como a construção de vídeos áudios- descritivos para explicar o conteúdo.

i) Cursos de Licenciaturas em Física, Química e Ciências Biológicas: disciplinas que poderiam trabalhar conteúdos ligados aos problemas com a aprendizagem de conceitos específicos das áreas para elaboração de material didático adaptável, além de propor elaboração de vídeos áudio-descritivos com esses conceitos.

j) Curso de Licenciatura em Pedagogia: disciplinas que poderiam abordar metodologias específicas com estratégias de ensino e materiais adaptados aplicáveis ao desenvolvimento da aprendizagem dos conteúdos do ensino fundamental anos inicias, ou seja, que colaborem para o processo de escolarização dos EPAEE.

k) Cursos de Licenciaturas em Filosofia e Ciências Sociais: disciplinas que poderiam abordar os avanços e retrocessos da sociedade brasileira na educação de EPAEE e o movimento da inclusão social e escolar.

l) Curso de Licenciatura em Educação Física: disciplinas que abordariam os esportes adaptados como modalidades esportivas de inclusão de EPAEE na escola.

Na categoria 4 buscou-se, ao longo do PPC, elementos que indicassem a presença de acessibilidade pedagógica, atitudinal e arquitetônica e comunicacional. Para isso foram considerados: metodologias, estratégias, conteúdos afins e descrição de ações vinculadas, bem como planejamentos, previsão de ações voltados para essa finalidade.

Na análise desses dados, coletados na primeira etapa, observaram-se os referenciais teóricos sobre currículo, formação de professores para EPAEE e a estes vincularam-se também as análises de conteúdo realizadas junto aos dados da segunda etapa, cujos dados obtidos foram analisados a partir das orientações propostas por Bardin (2009) utilizando-se, para tanto, procedimentos de análise de conteúdo.

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. (BARDIN, 2009, p. 42).

Para além da análise de conteúdo, há que se considerar:

Como técnica analítica para os dados de grupo focal, sugere-se a utilização dos conteúdos das discussões, das codificações sistemáticas ou das análises de conteúdo. Se pensarmos no ponto de referência nas comparações, pode-se tentar tomar isoladamente os enunciados dos participantes e compará-los, fazendo um cruzamento com todos os grupos – o que pode ser difícil em função da dinâmica de grupo e do desenvolvimento desigual de cada grupo.

Por isso, a segunda alternativa será mais adequada, o que significa dizer tomar-se o grupo isolado como uma unidade e compará-lo com outros grupos já trabalhados anteriormente. A comparação então se concentra nos tópicos mencionados, na variedade de atitudes para com esses tópicos entre os membros no grupo, nas etapas que a discussão examinou e nos resultados da discussão em cada grupo (FLICK, 2009, p. 189).

Sobre a construção de categorias analíticas vale lembrar os seguintes ensinamentos:

Não existem normas fixas nem procedimentos padronizados para a criação de categorias, mas acredita-se que um quadro teórico consistente pode auxiliar uma seleção inicial mais segura e relevante. [...] Em primeiro lugar [...] faça o exame do material procurando encontrar os aspectos relevantes.

Verifique se certos temas, observações e comentários aparecem e reaparecem em contextos variados, vindos de diferentes fontes e diferentes situações. Esses aspectos que aparecem com certa regularidade são a base para o primeiro agrupamento da informação em categorias. Os dados que não puderem ser agregados devem ser classificados em um grupo à parte para serem posteriormente examinados (LUDKE; ANDRÉ, 1986, p. 43).

Lüdke e André (1986, p. 48) destacam que “O primeiro passo nessa análise é a construção de um conjunto de categorias descritivas. O referencial teórico do estudo fornece geralmente a base inicial de conceitos a partir dos quais é feita a primeira classificação de dados.”

A categorização dos dados não é obrigatória na análise de conteúdo (BARDIN, 2009), mas para esta pesquisa entendemos ser importante pois a coleta de dados resultou num conjunto significativo de elementos de interpretação. Entende-se por categorias as “[...]

rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo (sic), no caso da análise do conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão das características comuns destes elementos” (BARDIN, 2009, p. 145).

Neste caso, elaboração de categorias descritivas foram importantes para análise dos dados orais para os quais recorremos ao referencial teórico e ao material de estudo e pesquisa usado no grupo focal, cuja teoria referia-se se ao conteúdo específico sobre inclusão de EPAEE nos cursos de formação de professores. Mas importante se fez selecionar o tipo de Unidade de Contexto e a Unidade de Registro que segundo Ludke e André (1986) trata-se de uma importante decisão para a Unidade de Análise.

Os dados foram então organizados em duas categorias, criadas a partir dos conteúdos oriundos do debate entre os participantes no grupo focal em consonância com os objetivos da pesquisa. São elas:

• Categoria 1: Acessibilidade Atitudinal;

• Categoria 2: Acessibilidade Pedagógica.

Os conteúdos registrados a partir das falas dos participantes evidenciaram várias sub categorias que se destacaram a partir das temáticas constatadas nas Unidades de Registros.

Definidas após a categorização, as Unidades de Análise foram compostas por Unidades de Registo separadas por temáticas e posteriormente pelas Unidades de Contexto.

Essas categorias de análise foram importantes elementos de discussões teóricas e práticas em torno das três Unidades de Registro identificadas para a etapa de análise de dados.

De acordo com Bardin (2009, p. 130) a Unidade de Registro (UR) “é a unidade de significação a codificar e corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base, visando a categorização [...]. Efectivamente, executam-se certos recortes a nível semântico, o <<tema>>, por exemplo [...].”

As Unidades de Registro se constituíram como temas que foram discutidos ao longo das sessões do grupo focal: Inclusão de surdos; a presença de pessoas com deficiência intelectual na Universidade e os Desafios da inclusão da pessoa com síndrome de asperger na Educação Superior. Dentro desses temas, novas unidades de registro foram identificadas e levadas a unidade de contexto.

O tema na UR corresponde “[...] a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo certos critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura.”

(BARDIN, 2009, p. 131). A análise temática compreende a descoberta de núcleos de ideias e compõe-se de recortes que geram a unidade de registro, tendo o tema por base.

As Unidades de Contexto foram organizadas considerando o que os participantes da pesquisa elaboraram e refletiram a partir das discussões nos grupos focais e apresentadas em quadros ou organogramas analisados a luz do referencial teórico.

Para Bardin (2009, p. 133) a Unidade de Contexto (UC) “[...] serve de unidade de compreensão para codificar a unidade de registro e corresponde ao segmento de mensagem, cujas dimensões (superiores às da unidade de registo) são óptimas para que se possa compreender a significação exacta da unidade de registro.”

Na análise dos dados foram consideradas as palavras e os seus significados, o contexto em que foram colocadas as ideias, a consistência interna, e a extensão dos comentários, a especificidade das respostas, e a importância de identificar grandes ideias tal qual o proposto por Ribeiro e Ruppenthal (2002).

A construção da análise foi composta por citações, com relatos orais dos participantes, ou seja, tendo por base a sistematização codificada exigida na análise de conteúdo.

As duas formas básicas e complementares de análise de grupos focais são o resumo etnográfico e sistemática codificação através da análise de conteúdo.

Na abordagem etnográfica são relevantes as citações diretas da discussão do grupo, enquanto que na análise de conteúdo é valorizada a descrição

numérica dos dados. A semelhança entre grupos focais com outros métodos de pesquisa qualitativa fica mais evidente no relatório da pesquisa, em virtude da inexistência de regras rígidas para sua confecção. O relatório é composto por citações, resumo das discussões e tabelas, mapas e esquemas, os quais contém as informações básicas obtidas em cada dos grandes tópicos da discussão (OLIVEIRA; LEITE FILHO; RODRIGUES, 2007, p. 11).

Para finalizar cabe observar que a organização é algo imprescindível no método da Análise de Conteúdo. Na sessão que segue, os dados serão devidamente apresentados e analisados a luz do referencial teórico construído, acrescidos contéudos específicos relativos aos EPAEE e TEA que foram introduzidos pela pesquisadora durante a condução das sessões reflexivas junto ao grupo focal.

5 APRESENTAÇÃO DOS DADOS E ANÁLISE DOS RESULTADOS

5.1 O currículo das licenciaturas: o que expressam e o que omitem na formação de