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Processo de Aprendizagem

No documento universidade do vale do itajaí - Univali (páginas 70-75)

2.6 APRENDIZAGEM

2.6.1 Processo de Aprendizagem

De acordo com Santos (2001), a prática correta do professor de ensino superior deve estar ajustada a três pontos iniciais: o conteúdo da área na qual ele tem excelência; sua visão de educação, de homem e de mundo; as habilidades e os conhecimentos que lhe permitem uma efetiva ação pedagógica, em sala de aula. Devendo existir uma total interação e influência mútua, entre esses diferentes polos.

Oliveira e Cruz (2007) afirmam que a aula tradicional, fundamentada, exclusivamente, na verbalização, tem se revelado uma estratégia de ensino pouco eficiente para chamar a atenção dos estudantes e garantir o processo de aprendizagem. Alguns recursos tecnológicos e estéticos – como filmes, obras de arte, literatura, teatro, música e dança, constituem estratégias complementares à exposição oral, que podem facilitar a construção e a reconstrução de conhecimentos dos alunos.

Ainda de acordo com Oliveira e Cruz (2007), um dos principais problemas detectados na comunicação docente, no ensino superior, é o excesso de aulas, exclusivamente, expositivas. Dessa forma, as aulas são uma mera transmissão de conhecimento que não possibilita aos alunos compreenderem seu significado e sua aplicação, em situações sociais concretas. Nesse contexto, os recursos tecnológicos são importantes ferramentas colocadas à disposição dos professores, a fim de facilitar a comunicação docente e o processo de aprendizagem. Essas ferramentas estão associadas ao uso da informática, ou seja, ao uso de computadores e da internet, permitindo a conexão da sala de aula com o mundo externo. Sua

utilização é mais abrangente, incluindo, também, a utilização da televisão, do rádio, do DVD e do retroprojetor. Mas é necessário que o professor do ensino superior esteja consciente das vantagens e das limitações da utilização destes recursos tecnológicos de ensino.

Quando analisa as questões relacionadas ao ensino com tecnologia, Gil (2006) defende que o professor, ao decidir utilizar recursos tecnológicos, leve em consideração alguns fatores, tais como: os objetivos e o conteúdo do curso; a atenção dos alunos; a assimilação e aplicação de conhecimentos; a retenção do conteúdo programático; as habilidades docentes e a familiarização dos alunos com os recursos tecnológicos; o conhecimento das ferramentas tecnológicas.

De acordo com Santos (2001), as teorias de Piaget (1969), de Skinner (1968) e de Gagné (1971) indicam alguns conceitos comuns para o entendimento do processo de aprendizagem, sobre os quais podemos dizer que: o agente da aprendizagem é o aluno, sendo o professor um orientador e facilitador; as diferenças individuais entre os alunos devem ser respeitadas e a aprendizagem deve ser acompanhada de maneira mais individualizada; a aprendizagem ou qualquer outro assunto requer uma continuidade ou sequência lógica e psicológica.

Abreu e Masseto (1996 apud SANTOS, 2001), classificam a aprendizagem em três categorias: a cognitiva, ou de conhecimento; a de modificação de valores e atitudes; a de habilidades, aprender a fazer, a usar alguma coisa. Isso indica que o professor lida o tempo todo, não só com o que o aluno aprende, cognitivamente, mas, também, com atitudes e habilidades. Os mesmos autores afirmam, ainda, que há alguns princípios que devem ser comuns a todas as pessoas que se preocupam com a aprendizagem do aluno. São eles: a aprendizagem, a qual precisa ser significativa para o aluno, de modo a não ficar mecanizada, ou seja, relacionada com conhecimentos, experiências e vivências do aluno, permitindo-lhe formular problemas e questões de interesse, entrar em confronto experimental com problemas práticos relevantes, participar do processo de aprendizagem e transferir o que aprendeu para outras situações da vida; a aprendizagem é pessoal; a aprendizagem precisa visar objetivos realísticos; a aprendizagem precisa ser acompanhada de feedback imediato (ser um processo contínuo); a aprendizagem precisa estar embasada num bom relacionamento entre os elementos que participam do processo, isto é, um relacionamento saudável entre aluno, professor e colegas de turma.

Aprender não é a mesma coisa que ensinar, já que aprender é um processo que acontece com o aluno e do qual o aluno é o agente essencial. Assim, torna-se essencial que o professor compreenda, adequadamente, esse processo, entendendo o seu papel como

facilitador da aprendizagem de seus alunos, no qual ele deve se mostrar mais preocupado em ajudar o aluno a aprender (SANTOS, 2001).

De acordo com Brandão (2008), aprender implica em mudança de conhecimentos, de habilidades ou de atitudes. Aprender constitui uma mudança, relativamente, duradoura, na capacidade ou no comportamento da pessoa, transferível para novas situações com as quais ela se depara. A aprendizagem pode ser vista como um processo dinâmico, que gera mudanças qualitativas na forma pela qual uma pessoa vê, experimenta, entende e conceitua algo.

Jansen, Vera e Crossan (2009) resumem os processos de aprendizagem, propostos por Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (1998), da seguinte forma: a intuição é um processo subconsciente que ocorre no nível do indivíduo, é o início da aprendizagem e deve acontecer em um único pensamento; a interpretação, em seguida, retoma os elementos conscientes dessa aprendizagem individual e ações ao nível do grupo; a integração, por conseguinte, estabelece mudanças no entendimento coletivo, ao nível do grupo, e pontes, ao nível de toda a organização; a institucionalização a qual incorpora a aprendizagem à organização, encaixando-a em seus sistemas, suas estruturas, suas rotinas e suas práticas. Esses processos estão representados, na figura, a seguir.

Figura 2: Processos de aprendizagem

Fonte: Jansen, Vera e Crossan (2009 apud JESUS, 2012, p. 114)

De acordo com Fleury e Fleury (2001), os psicólogos destacam a necessidade de distinguir entre o processo de aprendizagem, que ocorre internamente à pessoa que aprende, e as respostas emitidas por esta pessoa. Essas respostas podem ser observáveis e mensuráveis.

Duas vertentes teóricas sustentam os principais modelos de aprendizagem, já citadas ao longo deste estudo, o modelo behaviorista e o modelo cognitivista. Diante disso,

Os processos de aprendizagem são sintetizados em aprendizagem como um processo social, que surge das interações sociais ocorridas no ambiente organizacional;

experiencial, que compreende a aprendizagem como um processo, muitas vezes, contínuo e não um produto; informal, que pode ser intencional, controlada pela própria pessoa que aprende; incidental, que é não intencional e ocorre por meio de experiências no trabalho; e formal, que é institucionalizada, estruturada e baseada na sala de aula (CAMILLIS, ANTONELLO, 2010 apud JESUS, 2012, p. 114).

De acordo com Jesus (2012), foi realizada uma pesquisa, por meio do Portal de Periódicos da CAPES, para identificar a produção científica internacional e brasileira, publicada entre 2006 e 2011, a qual tratasse dos processos de aprendizagem que desenvolvem competências, especialmente, em ambiente de mudança. Nessa pesquisa, foram encontradas algumas abordagens, conforme quadro, a seguir.

TEMA ABORDAGEM

APRENDIZAGEM EM

ORGANIZAÇÕES

A aprendizagem, em organizações, pode ser definida como a capacidade de aprender integrada à formação de infraestrutura, para sustentar os processos de aprendizagem, bem como aos diversos conhecimentos, habilidades, valores e insight (AYAS, 1997).

Deve ser compreendida, não só, como uma questão de aprendizagem cognitiva, mas, também, de valores, de emoção e de comportamento (PAWLOWSKY, 2003).

Há duas perspectivas: a) a abordagem cognitiva que percebe a aprendizagem, em organizações, como processo que possibilita, à organização, processar, interpretar e responder informações, oriundas de seu ambiente; b) abordagem social, como o resultado de interações sociais a partir da interpretação ou atribuição de significados às experiências dos indivíduos, no trabalho (EASTERBY-SMITH et. al., 2003).

Pode ser baseada nas redes sociais, as quais ajudam a identificar ou a repensar problemas, a legitimar ideias e ações, possibilitando uma abordagem crítica, que evidencie oportunidades e permita que as dificuldades sejam distribuídas, da melhor maneira, pelo trabalho dividido (FLIASTER et. al., 2008).

Trata-se de processo organizacional, ao invés de individual, relacionado à experiência, sendo que o resultado organizacional é partilhado e validado (SHRIVASTAVA, 1983).

COMPETÊNCIA

Enfoque no indivíduo, com a interpretação da competência como um conjunto de qualificações as quais tornariam a pessoa apta a exercer determinado trabalho (MCCLELLAND, 1973; BOYATSIS, 1982;

SPENCER JR.; SPENCER, 1993).

Enfoque nas competências organizacionais, que são construídas sobre as competências das pessoas, o que provoca mudanças em todos os subsistemas de recursos humanos (BRANDÃO; BORGES-ANDRADE, 2007).

As competências essenciais originam as habilidades da organização que transmite um valor agregado diferenciado aos seus clientes, frente aos concorrentes, sendo um diferencial competitivo determinante às organizações (PRAHALAD; HAMEL, 1990).

As competências organizacionais são competências coletivas, que se associam aos elementos da estratégia – missão, visão e intenção estratégica (RUAS, 2005) e enfocam as capacidades dinâmicas internas à organização, como elementos fundamentais à estratégia competitiva (PRAHALAD; HAMEL, 1990).

Competência associa-se à noção de aprendizagem, pois é resultado da

aplicação de conhecimentos, de habilidades e de atitudes recebidos pelo indivíduo, em processos de aprendizagem, sejam eles naturais ou induzidos (BRANDÃO, 2007).

PROCESSOS DE APRENDIZAGEM

Processos de aprendizagem propostos por Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (1998): intuição; interpretação; integração e institucionalização (JANSEN; VERA; CROSSAN, 2009).

As vantagens competitivas das organizações se sustentam, a partir do conhecimento e da capacidade de criação do conhecimento, sendo, portanto, o processo de aprendizagem organizacional um dos fatores mais importantes (NONAKA; RYOKO, 2003).

Processos de aprendizagem que geram competências e impactam no desempenho são motivados pelo contexto (MARCH, 1991).

PROCESSOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVI-

MENTO DE

COMPETÊNCIAS

Competência, em aprendizagem contínua, é, cada vez mais, uma parte fundamental do trabalho bem sucedido, sendo que há características do trabalho gerencial que podem exigir a aprendizagem contínua de gerentes, em exercício. Todavia, não existem diferenças associadas à idade, em uma necessidade percebida de aprendizagem contínua (MAURER; WEISS, 2010).

Os processos de aprendizagem social são importantes para a construção de adaptabilidade. Aprendizagem social pode ajudar a lidar com a incerteza de informação; a reduzir a incerteza normativa; a construir consenso sobre os critérios para o monitoramento e avaliação; a capacitar as partes interessadas, para tomar medidas de adaptação; a reduzir os conflitos e a identificar sinergias entre adaptações; melhorar a equidade das decisões e ações (GROTHMANN; SIEBENHÜNER, 2010).

Os processos de integração ocorrem durante a realização de diversas tarefas de aprendizagem profissional, o que acaba por conduzir à competência profissional (BAARTMAN; BRUIJN, 2011).

Quadro 15: Síntese das abordagens sobre os temas pesquisados Fonte: Jesus (2012, p. 117-120)

Fleury e Fleury (2001), afirmam que é por meio dos processos de aprendizagem que a organização desenvolve as competências essenciais para a efetivação de suas estratégias de negócio.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para Bruyne et. al. (1977, p. 29), “A metodologia é a lógica dos procedimentos científicos em sua gênese e em seu desenvolvimento [...]”. Kaplan (1969, p. 25) informa que o método deve apontar os “[...] procedimentos como os da formação de conceitos e de hipóteses, os de observação e da medida, da realização de experimentos, construção de modelos e de teorias, da elaboração de explicações e da predição”.

Considerando as afirmações acima, o capítulo referente à metodologia, empregada nesta pesquisa, está dividido em cinco seções, a saber: as abordagens e estratégias utilizadas;

o universo e amostra que nortearam a pesquisa; o instrumento para coleta de dados; as análises realizadas para a obtenção dos resultados; o protocolo de pesquisa.

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