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Redes de códigos e formação de categorias

Com essa visualização gráfica das redes de códigos e de suas frequências para formar a categoria “Crise de identidade”, torna-se possível verificar que no conteúdo da comunicação analisada preva- leceu a ideia de “resultado inesperado”. A frequência desse código foi superior a todas as outras, demonstrando que isso foi marcante para os respondentes, entrevistados ou textos de mídia analisados.

Após esse código, a ironia com resultados, surgindo entre múltiplas piadas ou comentários irônicos para extravasar o sentimento de de- cepção frente ao desempenho da seleção na Copa. E, por último, a ideia de humilhação, que também se mostrou presente na análise.

Por meio do Atlas TI, é possível verificar e destacar a citação do códi- go “humilhação”, que teve apenas uma citação (Figura 11).

Figura 11 – Destaque para o código “humilhação”.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

Ao analisar a nomenclatura, pode-se observar que a categoria tende a representar um construto que envolve todos os códigos. Cabe enfatizar que a nomeação das categorias e códigos é um processo sub- jetivo que depende da percepção e da preparação teórica do usuário do Atlas TI ou pesquisador que faz a análise de conteúdo. A categoria

“Crise de identidade” representa a forte conexão da identidade da tor- cida brasileira e mesmo do povo com o futebol. O abalo dessa identi- dade se deu em função de um resultado inusitado, uma reação irônica diante dessa situação e o sentimento de humilhação. Observa-se tam- bém que essa visualização gráfica permite maior precisão na descrição dos resultados, por meio do aproveitamento de todas as ideias.

A segunda categoria, “Segredo do sucesso alemão”, também pôde ser mais bem compreendida pela função “Visão de Redes”

(Network View), conforme mostra a Figura 12.

Figura 12 – Rede de códigos e formação da categoria.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

Observa-se novamente que a densidade foi “zero” para todos os códigos, representando que na análise de conteúdo não foi detec- tada a interdependência entre um código e outro. É curioso observar logo de início que o código com maior frequência é “Sem Neymar não há vitória”, com seis citações. Isso pode ser interpretado pelo pesquisador (usuário do Atlas TI) como um apego à individualidade de um herói, ou mesmo como a inclinação da torcida a relegar a se- gundo plano o “trabalho de equipe”. Conforme veiculado na mídia, o time alemão valorizou o grupismo em detrimento da individualidade.

Outro código relativamente forte (devido ao número de fre- quências) é a “Desorganização do time brasileiro”, que valorizou a individualidade com um time que não treinou tanto tempo junto como o da Alemanha. A mídia também deu destaque ao desem- penho do jogador Fred e ao jogador do time alemão com duas citações em cada um desses códigos. A análise do conteúdo de- monstrou que na percepção das redes sociais e mídias brasileiras, o sucesso do time alemão dependeu mais de aspectos do próprio futebol brasileiro atual (desorganização, individualismo e desempe- nho) do que do próprio futebol alemão.

Por meio do software de apoio à análise de conteúdo (Atlas TI), torna-se possível também destacar os códigos mais convenientes

para a descrição dos resultados, por meio de citações, confome de- monstrado neste capítulo.

Figura 13 – Destaque para o código “Sem Neymar não há vitória”.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

A Figura 13 demonstra como o software facilita o resgate das citações e o destaque para os códigos que podem servir para inter- pretar corretamente o conteúdo das comunicações. Ressalta-se, por exemplo, a crença de que Neymar seria o fator-chave para neutralizar

o time alemão. Uma visão geral do que está contido na análise de conteúdo pode ser apresentada na Figura 14.

Figura 14 – Visão geral da análise de conteúdo e de seus resultados.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

A Figura 14 representa na realidade a “Unidade hermenêuti- ca”, que de acordo com o Atlas TI 6.0, é a terminologia que melhor designa o arquivo que contém uma “análise de conteúdo”. Portanto, dentro de uma unidade hermenêutica, é possível encontrar os do- cumentos primários (textos, entrevistas transcritas e/ou imagens a serem analisadas), os códigos gerados e as categorias (família de có- digos), além da parte gráfica.

Figura 15 – Visão macro dos códigos interligados sob uma “Superfamília”.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

Em função da visão geral do conteúdo da comunicação das redes sociais, observa-se que, analisando as duas categorias juntas (“Crise de identidade” e “Segredo do sucesso alemão”), pode-se utili- zar a ferramenta “Superfamília” para criar uma categoria ainda maior, chamada “Revisão do futebol brasileiro”. Essa categoria contempla as duas anteriores e todos os seus códigos.

Caso o pesquisador queira uma relação dos códigos e citações, o software também permite uma rápida varredura e classificação de todos os segmentos de dados (citações), por meio da utlização da ferramenta “Saída” (Output).

Figura 16 – Revisão do futebol brasileiro.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

As setas vermelhas na Figura 16 representam as ligações entre os códigos e a categoria (“Superfamília”). Já as setas pretas represen- tam os segmentos de dados (citações) obtidos das redes sociais e da mídia esportiva, que são referentes aos códigos. Em termos gerais, esta análise de conteúdo demonstrou que o futebol brasileiro precisa passar por uma revisão, devido à crise de identidade do próprio fute- bol brasileiro e ao segredo do sucesso alemão.

Figura 17 – Validação das categorias.

Fonte: Análise via Atlas TI pelo autor (2014).

Conforme apresentado neste capítulo, a validação das cate- gorias formuladas na análise de conteúdo das redes sociais depen- de da preparação teórica do pesquisador em relação ao tema prin- cipal e à sensibilidade deste na hora da codificação e frequência dos códigos. Todos esses procedimentos permitem confirmar a lógica e a adequação das nomeclaturas, que culminam na validação das categorias empregadas pelo usuário do software, que encaramos aqui como o pesquisador.

Considerações finais

O limite cognitivo de análise de informações por parte do ser humano não é devido à sua incapacidade, mas ao excesso e ao volume

de informações ricas e interconectadas em rede que confundem e se dispersam na comunicação. Esse foi o caso das redes sociais, conforme visto neste capítulo, que envolvem diversidade de informações interes- santes, as quais, se organizadas, geram conhecimentos diversos.

Tomando como exemplo a Copa do Mundo de 2014 e a per- da do Brasil para a Alemanha, este texto mostrou que um software de apoio à análise de conteúdo pode ser empregado para facilitar a organização e a visualização das informações pelo usuário (pes- quisador, estudante, interessado no assunto). Com isso, é possível enriquecer as análises e interpretações, pois todas as informações são facilmente controladas, visualizadas, codificadas e classificadas em categorias pelo software.

Alertou-se também que a análise de conteúdo demanda pre- paração conceitual e teórica por parte do usuário, para que possa otimizar as funcionalidades do software e os resultados da análise.

Referências

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COSTA, C. Goleada sofrida pelo Brasil vira zoação na internet. Tribuna do Ceará, 8 jul. 2014. Disponível em: <http://tribunadoceara.uol.com.br/espor- tes/copa-do-mundo-2014/goleada-sofrida-pelo-brasil-vira-zoacao-na-inter- net/>. Acesso em: 13 ago. 2014.

GODOI, C. K.; BANDEIRA-DE-MELLO, R.; SILVA, A. B. Pesquisa qualitativa em estudos organizacionais: paradigmas, estratégias e métodos. São Paulo: Saraiva, 2006.

MARTELETO, R. M. Análise de redes sociais: aplicação nos estudos de trans- ferência da informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n. 1, p. 71-81, jan./abr. 2001.

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