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RESPONSABILIDADE DOS ENGENHEIROS E ARQUITETOS

Nas construções modernas verifica-se a intervenção de inúmeros profissionais especializados nas diversas áreas da construção civil, não havendo subordinação entre eles, tendo em vista que possuem o mesmo grau de formação científica e a mesma responsabilidade técnica pelo serviço prestado.

O engenheiro, o arquiteto ou a sociedade construtora são autônomos no desempenho de suas atribuições e respondem técnica e legalmente por seus trabalhos, quer os executem pessoalmente, quer os façam executar por prepostos ou auxiliares.

A lei número 6.496/77 instituiu a “A anotação de responsabilidade Técnica” (ART) na prestação de serviço de Engenharia, de Arquitetura e de Agronomia. Á qual fica sujeito todo o contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes ás categorias supralistadas. A ART define, para os efeitos legais, os responsáveis técnicos pelo empreendimento de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia e deve ser efetuada pelo profissional no CREA (conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), conforme Resoluções emanadas do CONFEA94.

A ART é instrumento básico para a fiscalização do exercício da profissão, permitindo identificar se a obra ou o serviço estão sendo realizados por profissional habilitado. Além disso, é a garantia técnica e contratual ao

94 Lei nº 6.496, de 7/12/1977: “Art 1º - Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART)”.“Art 2º - A ART define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia. § 1º - A ART será efetuada pelo profissional ou pela empresa no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), de acordo com Resolução própria do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA)”.

profissional e ao cliente na prestação de serviços ou obras de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia.

A ART é importante para a sociedade por diversos fatores:

em primeiro lugar porque permite que a sociedade identifique os responsáveis por determinado empreendimento e as características do serviço prestado; em segundo, porque, em caso de sinistro e acidentes, a ART identifica individualmente os profissionais responsáveis, auxiliando na respectiva acareação desses junto ao Poder Público; e, ainda, porque a ART garante os direitos básicos estabelecidos no art. 6, inciso I, do CDC, ou seja, a proteção a vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos, pois condiciona tais práticas a profissionais habilitados e identificados como são os engenheiros. Nesse sentido seria interessante que a sociedade técnica estabelecesse uma periodicidade para a realização de vistorias nas edificações, de modo geral, e que, em determinadas situações, depois de longo tempo decorrido da sua conclusão, houvesse a obrigatoriedade de renovação da ART, pois com o passar do tempo verificam-se alterações de toda ordem que podem comprometer o seu desempenho – além de inovações que trazem maior segurança -, sendo benéfico para a sociedade que um profissional assuma novamente a responsabilidade técnica pela edificação, pois isto certamente fará com que sejam revisados todos os subsistemas e instalações, assegurando um desempenho satisfatório durante os anos seguintes95.

Para os profissionais, a ART é importante porque garante os direitos autorais, funciona como contrato de trabalho ou de serviço entre as partes, define os limites de responsabilidade e viabiliza o Acervo Técnico.

Quando a concepção geral que caracteriza um projeto for elaborada em conjunto por profissionais legalmente habilitados, todos serão considerados co-autores do projeto, com os direitos e deveres correspondentes;

quando houver profissionais ou organizações de técnicos especializados que

95 DEL MAR, Carlos Pinto, Falhas responsabilidades e garantias na construção civil, Ed. Pini, 2008, p. 155.

colaboram numa parte do projeto, deverão ser mencionados explicitamente como autores da parte que lhes tiver sido confiada, devendo assinar todos os documentos, como plantas, desenhos, cálculos, pareceres, relatórios, análises, normas, especificações e outros documentos relativos ao projeto96.

Ainda no caso de projetos, o art 21 da Lei número 5.149, de 24 de setembro de 1966, prevê que, sempre que o autor convocar para o desempenho de seu cargo o concurso de profissionais especializados e legalmente habilitados, serão estes havidos como co-responsáveis na parte que lhe diga respeito97. Quando o contrato englobar atividades diversas no campo da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e no caso de co-autoria ou co- responsabilidade, a ART deverá ser desdobrada, por tantos formulários quantos forem os profissionais envolvidos na obra ou serviço98.

No caso de ampliação, prosseguimento ou conclusão de qualquer empreendimento de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia, dispõe o parágrafo único do artigo 20 da Lei número 5.194/66 que a responsabilidade técnica caberá ao profissional ou entidade registrada que aceitar esse encargo, devendo o Conselho Federal adotar resolução quanto às responsabilidades das partes já executadas ou concluídas por outro profissional99. O que se recomenda

96 Lei nº 5.194, de 24/12/1966: “Art. 19. Quando a concepção geral que caracteriza um plano ou, projeto for elaborada em conjunto por profissionais legalmente habilitados, todos serão considerados co-autores do projeto, com os direitos e deveres correspondentes”.

“ Art 20 Os profissionais ou organizações de técnicos especializados que colaborarem numa parte do projeto, deverão ser mencionados explicitamente como autores da parte que lhes tiver sido confiada, tornando-se mister que todos os documentos, como plantas, desenhos, cálculos, pareceres, relatórios, análises, normas, especificações e outros documentos relativos ao projeto, sejam por eles assinados”.

97 Lei nº 5.194, de 24/12/1966: “Art. 21. Sempre que o autor do projeto convocar, para o desempenho do seu encargo, o concurso de profissionais da organização de profissionais, especializados e legalmente habilitados, serão estes havidos como co-responsáveis na parte que lhes diga respeito”.

98 CONFEA- Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Resolução nº 425, de 18/12/1998. “Art. 2º - A ART define, para os efeitos legais, os responsáveis técnicos pela execução de obras ou prestação de quaisquer serviços de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, objeto do contrato. §1º - Quando o contrato englobar atividades diversas no campo da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia e no caso de co-autoria ou co-responsabilidade, a ART deverá ser desdobrada, através de tantos formulários quantos forem os profissionais envolvidos na obra ou serviço”.

99 Lei nº 5.194, de 24/12/1966: “Art. 20, parágrafo único. A responsabilidade técnica pela

é a elaboração de um laudo sobre as obras executadas para documentar aquilo que já foi feito – e como foi feito – a fim de prevenir responsabilidades.

A fiscalização de obras e serviços técnicos está prevista como atividade do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro agrônomo, no artigo 7º, e da Lei, número 5.194/66100, de modo que o profissional é responsável pelos serviços técnicos de fiscalização que prestar. Se houver, além do construtor, um profissional fiscal da obra ou organização de técnicos designado para essa função, responderão esses solidariamente com o construtor, conforme o contrato, porque ficam todos vinculados profissionalmente e empenhados na perfeição técnica da obra.

Em matéria de construção civil há uma cadeia de responsabilidades que parte do autor do projeto e vai até o seu executor técnico101.

ampliação, prosseguimento ou conclusão de qualquer empreendimento de engenharia, arquitetura ou agronomia caberá ao profissional ou entidade registrada que aceitar esse encargo, sendo-lhe, também, atribuída a responsabilidade das obras, devendo o Conselho Federal dotar resolução quanto às responsabilidades das partes já executadas ou concluídas por outros profissionais”.

100 Lei nº 5.194, de 24/12/1966: “Art 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-agrônomo consistem em: (...) e) fiscalização de obras e serviços técnicos”.

101 MEIRELLES, Hely Lopes, Direito de Construir p. 327.

ANEXO (APRESENTAÇÃO)

Vício (do latim vitium) é um defeito grave que torna uma pessoa ou coisa inadequada para certos fins ou funções; é qualquer deformação física ou funcional.

Defeito (do latim defectum) é imperfeição, deficiência, deformidade, vício, enguiço.

Nos dicionários jurídicos, as palavras vícios e defeito são utilizadas em sentido equivalente, vício representando defeito e defeito representando vício.

Vícios ocultos simples:

São aqueles que apresentam apenas essa característica (de serem ocultos), sem gravidade tal que tornem a coisa imprópria ao uso a que é destinada ou lhe diminuam o valor.

São deficiências reparáveis, sem comprometimento posterior ao uso ou ao valor do imóvel (encanamentos entupidos).

Vícios ocultos redibitórios:

São os vícios ocultos, que a tornam imprópria ao uso a que se destina ou lhe prejudicam sensivelmente o valor.

○ Local sujeito a enchentes

○ Barulho da casa de máquinas, etc.

Vícios ocultos redibitórios:

Para que o vício seja redibitório, é necessário que atenda cumulativamente o seguinte:

○ Que surja em uma coisa adquirida por contrato comutativo (oneroso);

○ Que o vício exista no ato da contratação;

○ Que seja oculto (desconhecido do adquirente);

○ Que seja grave;

○ Que prejudique a utilização da coisa ou lhe diminua o valor, e

○ Que seja insanável

DIFERENÇA ENTRE VICIO E DEFEITO NO CDC

Vício, o produto ou serviço é viciado quando não apresenta qualidade esperada, mostrando-se inadequado ao uso a que se destina.

Defeito, o produto ou serviço defeituoso é aquele que se mostra perigoso, colocando em risco a segurança do consumidor.

Para praticamente não existir vícios aparentes em um imóvel, algumas construtoras utilizam-se de meios em que ambas as partes ( cliente e construtor) posso checar mutuamente tais vícios e praticamente erradicá-los. Assim utiliza-se um termo de vistoria, onde é feita uma minuciosa checagem de itens pelo adquirente, dando aceite ou não na entrega do imóvel.

CONSTRUTORA XXXXXXXXX

Balneário Camboriú, .

XXXXXXXXXXXXXXXX ED. XXXXXXXXXXXXX

Rua XXXXXX, XXX Aptº XXX Nesta

Prezado Cliente,

TERMO DE VISTORIA — Apartamento XXX — Apresentamos-lhe o presente termo, a fim de que seja efetuada a vistoria do imóvel pra a entrega das chaves.

2. Quando da vistoria, sugerimos a V.Sa. verificar todos os itens relacionados a seguir, marcando com um “X” a respectiva coluna e registrando, no Anexo, as irregularidades por ventura encontradas.

3. Eventuais itens não constantes da relação abaixo deverão ser relacionados no “Relatório de Irregularidades”, anexo, aquelas porventura encontradas.

4. Solicitamos devolver-nos, datada e assinada, uma via deste conjunto.

ITEM DISCRIMINAÇÃO PERFEITO

ESTADO

IRREGULAR (REL. ANEXO)

1 SALA

1.1 Pintura das paredes e tetos

1.2 Funcionamento porta e fechadura

1.3 Funcionamento das esquadrias de alumínio,

1.4 Estado dos perfis, vidros e vedação 1.5 Pisos, azulejos e rejuntamentos 1.6 Soleiras

1.7 Rodapés

ITEM DISCRIMINAÇÃO PERFEITO

ESTADO

IRREGULAR (REL. ANEXO) 2 COZINHA

2.1 Pintura das paredes, portas e tetos 2.2 Funcionamento dos sifões e ligações

2.3 Funcionamento das esquadrias de alumínio, 2.4 Estado dos perfis, vidros e vedação

2.5 Pisos, azulejos e rejuntamentos

2.6 Funcionamento dos registros de pressão 2.7 Porteiro eletrônico

2.8 Churrasqueira

3 BANHEIRO SOCIAL

3.1 Pintura da porta e do teto

3.2 Funcionamento portas e fechaduras

3.3 Funcionamento das esquadrias de alumínio, 3.4 Estado dos perfis, vidros e vedação

3.5 Pisos, azulejos e rejuntamentos 3.6 Soleiras

3.7 Aparelhos sanitários 3.8 Bancada do sanitário

3.9 Funcionamento dos registros de pressão 3.10 Funcionamento dos sifões e ligações

4 BANHEIRO SUÍTE

3.1 Pintura da porta e do teto

3.2 Funcionamento portas e fechaduras

3.3 Funcionamento das esquadrias de alumínio, 3.4 Estado dos perfis, vidros e vedação

3.5 Pisos, azulejos e rejuntamentos 3.6 Soleiras

3.7 Aparelhos sanitários 3.8 Bancada do sanitário

3.9 Funcionamento dos registros de pressão 3.10 Funcionamento dos sifões e ligações

ITEM DISCRIMINAÇÃO PERFEITO ESTADO

IRREGULAR (REL. ANEXO)

5 DORMITÓRIO SOCIAL

5.1 Pintura das paredes, porta e teto 5.2 Funcionamento portas e fechaduras

5.3 Funcionamento das esquadrias de alumínio, 5.4 Estado dos perfis, vidros e vedação

5.5 Pisos, azulejos e rejuntamentos 5.6 Soleiras

5.7 Rodapés

6 DORMITÓRIO SUÍTE

6.1 Pintura das paredes, porta e teto 6.2 Funcionamento portas e fechaduras

6.3 Funcionamento das esquadrias de alumínio, 6.4 Estado dos perfis, vidros e vedação

6.5 Pisos, azulejos e rejuntamentos 6.6 Soleiras

6.7 Rodapés

7 Limpeza geral do apartamento

Atenciosamente,

CONSTRUTORA XXXXXXXXXXXXXXXX

_______________________ _____________________

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Diretor Comercial ENGENHEIRO CIVIL

_________________________________________________________

DECLARO que, nesta data, realizei a vistoria de recebimento da unidade acima identificada, cujo resultado assinalo abaixo:

Todos os itens vistoriados encontram-se em perfeito estado.

Os itens assinalados na coluna “Irregular” encontram-se discriminados no

Relatório de Irregularidades”, anexo.

Solicito suas providências, acaso necessárias, para solucionar as irregularidades assinaladas acima.

Balneário Camboriú,

_______________________

_________________________________

XXXXXXXXXXXXXXXXXX

GARANTIAS NO CÓDIGO CIVIL E NO CÓDIGO DO CONSUMIDOR:

O prazo de garantia é aquele estabelecido na lei ou no contrato, durante o qual o construtor responde pelo vício, independentemente de culpa. Deve repará-lo, salvo se provar uma das causas excludentes da responsabilidade (mau uso, falta de manutenção, ação de terceiro, caso fortuito ou força maior).

A garantia que se extrai do CDC para a construção civil, é de adequação do produto quanto à sua qualidade, quantidade e ao uso que razoavelmente dele se espera, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza. O art. 24 do CDC refere-se expressamente à garantia legal de adequação do produto ou serviço.

Como nem o CC nem o CD tratam especificamente das garantias dos materiais utilizados em uma construção, segue tabela normativa da ABNT que trata deste assunto.

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NORMA DE DESEMPENHO - PRAZOS DE GARANTIA

ABNT/CB-02

PROJETO 02:136.01-001/1 - Tabela D.1 – Prazos de garantia

PRAZOS DE GARANTIA MÍNIMOS Sistemas, Elementos,

Componentes e Instalações 1 ano 2 anos 3 anos 5 anos

Fundações, estrutura principal, estruturas periféricas, contenções e arrimos

Segurança e estabilidade global Estanqueidade de fundações e contenções Paredes de vedação, estruturas auxiliares,

estruturas de cobertura, estrutura das escadarias internas ou externas, guarda-corpos, muros de divisa e telhados

Segurança e integridade

Equipamentos industrializados (aquecedores de passagem ou acumulação, motobombas, filtros, interfone, automação de portões, elevadores e outros)

Sistemas de dados e vos, telefonia, vídeo e televisão

Instalação Equipamentos

Sistema de proteção contra descargas atmosféricas, sistema de combate a incêndio, pressurização das escadas, iluminação de emergência, sistema de segurança patrimonial

Instalação Equipamentos

Porta corta-fogo Dobradiças e molas

Instalações elétricas tomadas / interruptores / disjuntores / fios / cabos / eletrodutos / caixas e quadros

Equipamentos Instalação

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NORMA DE DESEMPENHO - PRAZOS DE GARANTIA

ABNT/CB-02

PROJETO 02:136.01-001/1 - Tabela D.1 – Prazos de garantia

PRAZOS DE GARANTIA MÍNIMOS Sistemas, Elementos,

Componentes e Instalações 1 ano 2 anos 3 anos 5 anos

Instalações Hidraúlicas e Gás

colunas de água fria, colunas de água quente, tubos de queda de esgoto, colunas de gás

Integridade e vedação

Instalações Hidráulicas e Gás

Coletores / ramais / louças / caixas de descarga / bancada / metais sanitários / sifões / ligações flexíveis / válvulas / registros / ralos / tanques

Equipamentos Instalação

Impermeabilização Estanqueidade

Esquadrias de madeira Empenamento

Deslocamento Fixação

Esquadrias de Aço Fixação

Oxidação Esquadrias de alumínio e de PVC Partes móveis

(inclusive recolhedores de palhetas, motores e conjuntos elétricos de acionamento)

Borrachas, escovas, articulações, fechos e roldanas

Perfis de alumínio, fixadores e revestimentos em painelde alumínio

Fechaduras e ferragens em geral Funcionamento Acabamento

Vidros Fixação

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NORMA DE DESEMPENHO - PRAZOS DE GARANTIA

ABNT/CB-02

PROJETO 02:136.01-001/1 - Tabela D.1 – Prazos de garantia

PRAZOS DE GARANTIA MÍNIMOS Sistemas, Elementos,

Componentes e Instalações 1 ano 2 anos 3 anos 5 anos

Revestimentos de paredes, pisos e tetos internos e externos em argamassa / gesso liso / componentes de gesso acartonado

Fissuras Estanqueidade de

fachadas e pisos molháveis

Má aderência do revestimento e dos componentes do sistema Revestimentos de paredes, pisos e tetos em

azulejo / cerâmica / pastilhas

Revestimentos soltos, fretados, desgaste excessivo

Estanqueidade de fachadas e pisos molháveis Revestimentos de paredes, pisos e teto em

pedras naturais (mármore, granito e outros)

Revestimentos soltos, gretados, desgaste excessivo

Estanqueidade de fachadas e pisos molháveis Pisos de madeira

Tacos, assoalhos e decks

Empenamento, trincas na madeira e destacamento Piso cimentoado, piso acabado em concreto,

contrapiso

Destacamentos, fissuras, desgaste excessivo

Estanqueidade de pisos molháveis

Selantes, componentes de juntas e rejuntamentos

Aderência

Pintura / verniz (interna / externa) Empolamento,

descascamento, esfarelamento, alteração de cor ou deterioração de acabamento

RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR E RESPONSABILIDADE PELA SOLIDEZ E SEGURANÇA DA OBRA:

O período de responsabilidade é aquele durante o qual o construtor responde pela boa execução do contrato. Em princípio é maior que o prazo de garantia. Decorre da obrigação contratual assumida pelo construtor de entregar a obra em perfeitas condições, de acordo com a boa técnica, e por essa obrigação pode ser chamado a reparar as falhas durante todo o prazo prescricional, que se inicia com a entrega ou conclusão dos serviços, ou, dependendo do caso, do surgimento do vício ou defeito. O vício de construção constitui uma inexecução da obrigação.

Em princípio, a responsabilidade pela perfeição da obra e pela sua solidez e segurança é integral e única do construtor, mas pode ser transferida ao autor do projeto ou partilhada com os seus equiparados (incorporador), ou que nele interfiram, conforme a culpa de cada um.

Se houver, além do construtor, um profissional fiscal da obra ou organização de técnicos designada para esse trabalho, responderão esses solidariamente com o construtor, conforme o contrato, porque ficam todos vinculados profissionalmente e empenhados na perfeição técnica da obra.

Há uma cadeia de responsabilidades que parte do autor do projeto e vai até o seu executor técnico .

A jurisprudência tem admitido a responsabilidade do construtor por defeitos referentes à solidez e segurança, mesmo depois de decorridos cinco anos.

Jurisprudência do STJ:

Entendimento de que a responsabilidade do construtor pelos vícios, manifestados no prazo de cinco anos, decorre da cláusula de garantia.

Essa regra não exclui a ação de indenização uma vez comprovada a culpa do construtor .

Entendimento de que as falhas de construção como decorrentes de inexecução contratual e da falta de solidez e segurança do prédio, prescrevem em 10 anos.

POR QUANTO TEMPO SUBSISTE A RESPONSABILIDADE DO CONSTRUTOR POR VÍCIOS DE SOLIDEZ E SEGURANÇA?

1. GRUPO QUE DEFENDE POR TEMPO ILIMITADO:

Na doutrina anterior ao cdc e ao cc de 2002, formou-se o entendimento no sentido de que os vícios referentes à solidez e segurança deveriam surgir no prazo de 5 anos, e poderiam ser reclamados no prazo prescricional de 10 anos.

A jurisprudência passou a admitir que os vícios referentes à solidez e segurança poderiam ser reclamados do construtor, mesmo que surgidos depois do prazo de 5 anos da entrega da obra ou conclusão dos serviços, mas não estabeleceu uma limitação de tempo para o surgimento desses vícios.

2. GRUPO QUE DEFENDE POR TEMPO LIMITADO

Nos sistemas construtivos para os quais a sociedade técnica estima uma vida útil superior a 10 anos (estrutura - vida útil de 40/60 anos) a questão é complexa, porque envolve o confronto de princípios jurídicos e há diferentes enfoques do assunto.

O entendimento respalda-se em dois dos princípios consagrados pela constituição federal, que são os da segurança e da estabilidade das relações jurídicas.

Baseia-se na premissa de que os prazos, de modo geral, não podem permanecer indefinidos, sob pena de as relações sociais e jurídicas permanecerem sujeitas indefinidamente a revisões.

A lei limita o direito no tempo, para que seja atingida a almejada estabilidade nas relações. Desse modo operam a prescrição e a decadência, ora extinguindo o direito, ora a pretensão, pelo decurso do tempo.

Quer seja pelo princípio da estabilidade, quer seja pelo princípio da segurança das relações jurídicas, parece razoável a fixação de um tempo de prova da construção ou edificação, a partir do qual o construtor ficaria exonerado de suas responsabilidades. (uma presunção técnica - probabilística).

Como já foi mencionado, o setor da construção é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. Por isso, da importância de tomar medidas que garantam a sua qualidade, nomeadamente no que à cobertura de danos diz respeito. A realidade nacional carece de um sistema de responsabilidades e garantias que confira uma maior proteção aos proprietários de novos imóveis, bem como de imóveis alvo de obras de manutenção, reparação e reabilitação.

A legislação no Brasil encontra-se dispersa e é, por vezes, ambígua, o que dificulta não só o seu estudo, mas também a sua interpretação.

Ao longo deste trabalho procurou reunir-se a legislação existente sobre esta matéria como forma de facilitar a sua análise, bem como para fornecer um documento útil a possíveis estudos posteriores.

No que concerne as garantias e responsabilidades, pode constatar-se que no Brasil carece da implementação de algumas medidas. Nas obras particulares apenas está prevista uma garantia de cinco anos, independentemente do tipo de defeito, não existindo qualquer seguro associado.

Já a responsabilidade é tratada de uma maneira mais detalhada, especificando todos os possíveis tipos de responsabilidade tanto do construtor ou empreiteiro como de seus responsáveis técnicos, engenheiros, projetistas entre outros.

Apôs este estudo teórico, quanto as hipóteses, têm-se que:

A hipótese 3 restou a mais adequada, pois tanto o Código Civil como o Código de Defesa do Consumidor se complementam quando tratam das responsabilidades e garantias.

É fundamental que o setor invista em melhoria contínua da qualidade, o que certamente diminuirá o número de falhas no processo do produto. Outro aspecto importante a ser construído é o de relacionamento. As experiências com programas de relacionamento entre clientes e fornecedores vêm constituindo não só uma das principais formas de disseminar os conceitos de

qualidade, como tem sido também ferramentas multiplicadoras para o seu aprimoramento, garantia de sucesso e competitividade, quando calcadas no comprometimento mútuo em atender ás responsabilidades e obrigações em uma relação de parceria, baseada na confiança.

Procedimentos voltados para a parceria no relacionamento clientes/fornecedores, no caso específico da indústria da construção, têm-se mostrado, na prática, para as empresas que os buscam, ora como alternativas de sobrevivência, ora como vantagem competitiva, principalmente procurando solucionar problemas de qualidade do produto final, prazo, produtividade, desperdício e custos, sem, no entanto, estarem sendo motivo de ações com fundo legal.

Com a realização deste trabalho reuniu-se legislação, vigente no Brasil, que até a data se encontrava dispersa, o que dificultava o estudo das práticas vigentes relativamente à cobertura de danos na construção. A informação reunida ao longo deste trabalho constitui um documento que poderá ser útil para estudos posteriores relativos a responsabilidades, garantias e seguros na cobertura de danos na construção. Em nível de desenvolvimentos futuros seria interessante se a análise realizada neste estudo fosse explorada e se estendesse a países, que aqui não foram abordados.

As considerações aqui apresentadas indicam a importância da temática na análise da prática destas responsabilidades e garantias e a necessidade de reflexão e busca contínua e coletiva de toda empresa para a superação de seus defeitos e conflitos, assim como para a utilização consciente e adequada dessa ferramenta legal visando o constante aperfeiçoamento das empresas de construção civil.

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