4.5 Da ação revisional
4.5.2 Práticas e cláusulas abusivas
4.5.2.1 Rol de cláusulas abusivas do Decreto 2.181/97
Em 12 de março de 1998, o Ministério da Justiça divulgou rol, através da Portaria 04/98, que veio complementar as cláusulas contratuais consideradas abusivas ao disposto no Decreto 2.181/97, vez que estas estão diuspostas de forma exempleficativa no CDC em seu artigo 51 e no artigo 22 do referido Decreto.
Dispõe a Portaria:
Considerando, ainda, que decisões terminativas dos diversos PROCONS e MINISTÉRIOS PÚBLICOS, pacificam como abusivas as cláusulas a seguir enumeradas resolve:
1 – estabeleçam prazos de carência na prestação ou fornecimento de serviços, em caso de impontualidade, interrupção de serviço essencial, sem aviso prévio;
2 – imponham, em caso de impontualidade, interrupção de serviço essencial, sem aviso prévio;
3 – não restabeleça, integralmente os direitos do consumidor a partir da purgação da mora;
4 – impeça, o consumidor de se beneficiar do evento, constante de termo de garantia contratual, que lhe seja mais favorável;
5 – estabeleçam perda total ou desproporcionada das prestações pagas pelo consumidor, em benefício do credor, que, em razão de desistência ou indimplemento, pleitear a resilição ou resolução do contrato, ressalvada a cobrança judicial de perdas e danos comprovadamente sofridos;
6 – estabeleçam sanções em caso de atraso ou descumprimento de obrigação somente em desfavor do consumidor
7 – estabeleçam cumulativamente a cobrança de comissão de permanência e correção monetária;
8 – elejam foro para dirimir conflitos decorrentes de relações de consumo diverso daquele onde reside o consumidor;
9 – obriguem o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios sem que haja ajuizamento de ação correspondente;
10 – impeçam, restrinjam ou afastemm a aplicação das normas de contratos de transporte aéreo;
11 – atribuam ao fornecedor o poder de escolha entre múltiplos índices de reajuste, entre o admitidos legalmente;
12 – permitam ao fornecedor emitir títulos de crédito em branco ou livremente circuláveis por meio de endosso na representação de toda e qualquer obrigação assumida pelo consumidor;
13 – estabeleçam a devolução de prestações pagas, sem que os valores sejam corrigidas monetáriamente;
14 – imponham limite ao tempo de internação hospitalar, que não o prescrito pelo médico.
Destaque maior para as clásulas abusivas de numero seis, sete, oito onze e doze, as quais aplicam-se diretamente nos contratos bancários. Vale salientar que tais cláusulas são de caráter exemplificativo e não exaustivo.
Esse rol de cláusulas abusivas tem por objetivo, uma vez que a publicidade de tais cláusulas possui, a repercussão de ordem prática entrre consumidores e fornecedores, propiciar a correta execução da Política Nacional das Relações de Consumo, com o exercício dos princípios dessa política, previstos pelo Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (EFING, 2000, p.
196).
5 CONCLUSÃO
O Código de Defesa do Consumidor, promulgado em 1990 surgiu em decorrência da necessidade de regulamentação das relações de consumo dispostas na Constituição Federal de 1988. Todavia pelo impedimento de cláusula pétrea este instituto foi criado por lei ordinária e não complementar no ano de 1990.
O CDC regulamentou de forma abrangente as relações de consumo, enquadrando inclusive os contratos de natureza bancária, financeira e de crédito, protegendo os clientes, repelindo a lesão contratual muito praticada nos contratos de crédito, pois até hoje o consumidor não tem escolha, tendo em vista a grande maioria de estes contratos serem confeccionados unilateralmente pelas instituições financeiras.
As cláusulas abusivas dispostas nestes contratos devem ser consideradas nulas pelo Judiciário através de ações revisionadas propostas, com fundamento na Constituição Federal, no Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil atual, o qual recepcionou este instituto em seu ordenamento.
Esta matéria também foi amplamente amparada em decisões de juízos locais e instancias superiores, em especial o STJ, com emissões de Súmulas e entendimentos de âmbito nacional, coibindo os abusos entre fornecedores e consumidores.
Cláusulas até então não questionadas passaram a ser estudadas para equalização, objetivando o equilíbrio do contrato. O judiciário passou a ter
o poder de rever cláusulas materiais até então intocadas pelo princípio da pacta sunt servanda.
Com o advento do CDC, pode-se observar que a pacta sunt servanda, tratando-se de avença que contempla a relação de consumo ou equiparada a tal, deve ser cuidadosamente analisada visto prevalecer nitidamente a proteção contratual ao consumidor sobre os interesses do fornecedor, razão pela qual, em confronto com a teoria da imprevisão, não poderá prevalecer a condição estática das condições contratuais
Todavia vale ressaltar que a revisão restringe-se a cláusula-preço, resguardando a segurança jurídica dos contratos, caso contrário este instituto restaria fadado ao fracasso por sua insegurança jurídica.
Assim, as ações revisionais são de suma importância na aplicação das normas de proteção ao consumidor, e devem ser analisadas pelo Judiciário com base na lesão contratual, verossimilhança e hipossuficiencia do consumidor na elaboração do contrato, tendo em vista a supremacia econômica e tecnológica das instituições financeiras frente aos contratos firmados.
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