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— “Eu gosto, fiz dois curso de costura, mas nunca pus em prática. Mas tem uma oficina perto de casa e a dona vai me ensinando, tem dia que eu fico o dia todo com ela, vou aprende a mexe com as máquina” (P3).

Essa dinâmica possibilitou um trabalho inter e intrapessoal, pois envolveu a confiança e a cumplicidade do grupo e propiciou que as participantes visualizassem a importância do cuidado e do permitir ser cuidada.

— “[...] vai se bom pra mim, conhece pessoas, e oficina de costura, é assim mesmo, sempre uma conversa diferente a gente tá ouvindo” (P3).

— “[...] mês que vem eu vou faze inscrição na hidroginástica porque eu não tô podendo fica parada dentro de casa, não quero fica pensando...” (P3).

É fato que a mulher, ao longo do tempo, adquiriu culturalmente a incumbência do cuidar. O cuidar dos filhos, da casa, do marido, porém, ao mesmo tempo se excluiu desse cuidado, do cuidado dela mesma e do deixar ser cuidada pelos outros.

Segundo Costa (2006, p. 6), “geralmente as mulheres são vistas e tratadas apenas como provedoras do bem-estar da família ou como meio de bem-estar de outros, como mães e esposas, nunca como sujeitos autônomos com demandas próprias”.

Em suas falas, as participantes relataram que nunca ou raramente se cuidaram, pois o seu tempo é dedicado aos outros componentes da família. Acompanhando essa reflexão, Oliveira (2003) coloca que, na lista de emprego do tempo da mulher, vem o cuidar dos filhos, dos idosos, do companheiro, só não vem tempo para cuidar dela mesma, personagem secundária, última coadjuvante de sua própria vida.

A descodificação e o desvelamento crítico propostos por Freire (2001) apareceram nessa dinâmica. Nas falas das participantes ficou explícita a visualização de suas atitudes, a percepção delas e a intenção em mudar o seu cotidiano, envolvido em alguns momentos por sentimentos de desvalorização, falta de atenção, doação e abdicação.

46 Na sexta oficina, realizada em março de 2013, finalizamos nossos encontros e todas as participantes estavam presentes. Chegaram no horário e estavam animadas, conversando espontaneamente e compartilhando sentimentos.

Percebeu-se que estavam um pouco ansiosas e comentavam que já estavam acostumadas com esse compromisso e como seria no próximo mês. Sentiriam falta, pois era uma oportunidade de se descontrair, trocar ideias, enfim, sair da sua rotina.

Como de costume, fizemos o círculo para então iniciarmos a nossa roda de conversa e sugeriu-se a elas a dinâmica de despedida, que seria realizada com um cartão-presente que trocariam, relembrando tudo o que foi vivenciado e pensando, no que desejar para a colega através de uma palavra, frase, desenho, enfim, o que achassem adequado.

Por meio dessa dinâmica buscou-se, de uma forma lúdica, ter uma visão de como as participantes vivenciaram as oficinas e o que captaram.

A fala das participantes foi importante por revelar o comprometimento e a transformação alcançada no grupo, e foi possível perceber o que foi realizado nas oficinas, como a mudança de atitude, confiança, respeito e companheirismo.

A participante P4 demonstrou sensibilidade ao oferecer a P1 algo que para ela não é relevante, mas respeitou e incentivou a colega a realizar esse desejo:

— “[...] bem, como ela diz que gosta de lê bastante, tira do estresse, então eu fiz um livro pra ela, pra que possa realizar essa vontade e lê bastante já que é o que gosta...” (P4).

— “[...] eu particularmente não gosto de lê, tem que usa óculos e não gosto...” (P4).

— “[...] eu gosto de ler porque a gente aprende muito, é cultura e vai se atualizando...”

(P1).

A participante P1, numa atitude muito afetuosa e solidária, demonstrou seu desejo de mudança na relação da colega com a família:

— “[...] fiz uma flor e com essa flor eu quero levá pra ela a saúde, o amor e a união, a saúde em primeiro lugar porque você tem aquele neto com tanto problema e que Deus abençoe, que ele melhore o mais possível, que haja amor também entre vocês e pra que haja muita união é a minha vontade por toda a tua família” (P1).

A participante P3, de uma maneira carinhosa, relatou o quanto foi importante o vínculo que se criou entre elas:

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— “[...] não sei falá muito bem e nem desenha, eu fiz um vasinho com uma flor pra você lembra de mim porque eu nunca vou esquece de você, a amizade que a gente fez durante esse tempo aqui, e essa estrelinha pra você brilha e te traze bastante felicidade” (P3).

A participante P4, que durante o percurso do grupo sempre demonstrou liderança em relação às demais, propôs a continuidade desses encontros de uma forma informal para manter o vínculo que se criou e as demais participantes compartilharam a ideia:

— “Eu penso que a gente tinha que continua essa amizade tão legal, penso que a gente podia saí uma tarde pra toma um lanche no centro, não precisa se na casa da gente porque cada uma mora num lado da cidade” (P4).

— “[...] é porque se fosse em casa não dá certo, porque não dão sossego...” (P5).

— “Em casa você convida e acaba se cansando e não tendo tempo pra conversa e assim a gente esquece um pouquinho de casa” (P3).

— “[...] e não precisa faze nada e em casa você tem que ficá fazendo tudo...” (P2).

— “[...] então que vocês acham da gente troca o número de telefone pra gente não esquece...” (P4).

— “[...] que tal nós se reuni na data do nosso aniversário, acho que cada uma faz numa data diferente da outra, eu faço em abril e vocês?” (P4).

A conscientização e a transformação ocorreram, ou pelo menos iniciou-se um processo. Conseguiu-se alcançar as metas propostas com as oficinas. Buscou-se trabalhar com as participantes a partir do que elas mesmas traziam de suas histórias de vida e vislumbrou-se um repensar sobre elas mesmas. Conseguiu-se realizar a educação problematizadora que, segundo Freire, está fundamentada na criatividade e estimula uma ação e uma reflexão verdadeira sobre a realidade.

A participante não será mais a mesma; por menor que tenha sido sua transformação, modificou-se. Sabe-se que algumas participantes não irão modificar sua história, seu cotidiano, seu fazer sobre os acontecimentos, mas implicitamente aquela pessoa que iniciou na primeira oficina conseguiu enxergar novos horizontes e se permitiu ter esse novo contato com a realidade, um pensamento crítico. Nesse processo algo se modificou.

48 Conforme Freire (2001), o ponto de partida para a mudança deve estar sempre nos homens, no seu aqui e agora, que constituem a situação em que se encontram. Somente partindo dessa situação, que determina a percepção que eles têm, podem começar a atuar.

Num segundo momento solicitou-se que as participantes comentassem o que esses encontros representaram para elas e o que levariam dessa experiência para sua vida. Elas falaram emocionadas, manifestando sua impressão sobre as oficinas. A participante P1 demonstrou, através do seu relato, que o grupo propiciou a troca de experiências e isso a fez refletir a respeito de sua vida:

— “[...] foi maravilhoso... às vezes a gente acha que tem problemas e de repente a gente que tem problemas muito maiores que os da gente e isso faz a gente repensar” (P1).

— “[...] às vezes uma palavra é suficiente pra modifica o pensamento que a gente tem e que às vezes não é correto..., troca ideia a respeito do nosso problema e pode dividi, deu um alívio muito grande” (P1).

— “[...] também por estar contribuindo com essa pesquisa, me deu muito ânimo porque é uma maneira de retribuir um pouquinho do carinho que recebemos durante o nosso tratamento pela fisioterapeuta que nos acompanha” (P1).

A participante P2 relatou a contribuição que o grupo lhe proporcionou e o quanto foi importante poder compartilhar seus problemas:

— “[...] foi inexplicável eu consegui fala coisas da minha vida que eu não falo pra ninguém, me abri com vocês, então cada uma de vocês me ajudou bastante, foi muito importante pra mim” (P2).

— “[...] foi muito importante participá dessas reunião, falo isso lá em casa porque o cuidado que ela dedica, preocupa com o bem estar da gente, e não é só o atendimento, ela é atenciosa, amorosa com todas as pessoas eu vejo isso...” (P2).

A participante P3 declarou que o grupo oportunizou a troca de experiências e de ajuda, num grande aprendizado e envolvimento com o outro:

— “[...] aprendi muita coisa, a gente vai conversando, trocando ideia e se ajudando, se consolando com a dor do outro porque faz quatro mês que meu marido faleceu e não é fácil,

49 aprendi aqui que cada um tem a sua dor, o seu problema, cada um passando por uma coisa diferente, a gente sofre e a gente aprende junto...” (P3).

A participante P4 demonstrou o reconhecimento da força que a colega teve frente à cirurgia e isso para ela foi uma lição, bem como a superação de colegas que sofreram perdas:

— “[...] aprendi muito, porque a colega que fez a mesma cirurgia que eu, ela teve mais força que eu, que quase fiquei em depressão e também aprendi bastante com as colega que passaram momentos difíceis com a perda de alguém da família, eu aprendi muito mesmo com vocês” (P4).

A participante P5 falou sobre o reconhecimento de seu lugar no cotidiano e ressaltou a satisfação de poder participar do grupo:

— “[...] quando ela me convidou pra participá eu andava meio desanimada porque a vida da gente é só trabalha, trabalha...e eu me senti importante, é um compromisso você sente como se fosse um trabalho, te anima a saí de casa e vê outras pessoa, porque só em casa cansa” (P5).

Percebeu-se, no feedback das participantes, que as palavras que mais apareceram foram: aprender, amizade, mudanças, ajuda.

As falas das mulheres do grupo mostraram que este possibilitou um controle maior sobre as decisões e atitudes que afetam as suas vidas e as oportunidades reais que têm a seu favor.

Segundo Freire (1974), processo e resultado podem ser concebidos como emergindo de um processo de ação social, no qual os indivíduos tomam posse de suas próprias vidas pela interação com outros indivíduos, gerando pensamento crítico em relação à realidade, favorecendo a construção da capacidade pessoal e social e possibilitando a transformação de relações sociais de poder. No pensamento crítico, os sujeitos passam a questionar a redefinição de seus papéis perante os outros.

50 Nessa perspectiva, o empoderamento, como processo e resultado, pode ser concebido como emergindo de um processo de ação social no qual os indivíduos tomam posse de suas próprias vidas pela interação com outros indivíduos, gerando pensamento crítico em relação à realidade, favorecendo a construção da capacidade pessoal e social e possibilitando a transformação de relações sociais de poder (BAQUERO, 2012, p. 181).

As oficinas propiciaram às participantes um novo olhar sobre a vida, um olhar mais crítico e menos submisso. Elas se conscientizaram de que a mudança depende da pessoa, revendo seus valores, seus costumes, de maneira a assumir sua autonomia e se tornar ativa na busca de soluções para os problemas enfrentados no cotidiano.

A segunda parte da apresentação dos resultados juntamente com a análise das oficinas, através da percepção das participantes está apresentada, a seguir, no formato de artigo científico, o qual permitiu que fosse construída uma categoria temática grupo- entendido como espaço para reflexão, acolhimento e busca de soluções da qual emergiram as subcategorias " cuidado de si" e ''criação de vínculos".

51 ARTIGO

A contribuição do grupo na reabilitação fisioterápica

The contribution of the group physical therapy rehabilitation

Rosani Aparecida Chaves Recco1; Stella Maris Brum Lopes2

RESUMO

A educação em saúde envolve um processo tanto de subjetivação quanto de estabelecimento de vínculos comunitários. Nesse campo, o trabalho com grupos constitui uma estratégia privilegiada pelos profissionais de saúde para uma intervenção mais humanizada. Partindo desse pressuposto, desenvolveu-se um grupo de mulheres em tratamento pós-operatório de ombro no ambulatório de fisioterapia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, instalado na cidade de Curitiba, com o objetivo de potencializar os efeitos da fisioterapia convencional, oportunizando, a essas mulheres, condições para melhor lidar com suas dores e limitações funcionais. Para o desenvolvimento desse grupo, realizou-se pesquisa qualitativa cuja abordagem possibilitou o estabelecimento de um processo descritivo em relação ao fenômeno grupal e o contato direto e prolongado com os sujeitos da pesquisa por meio de seis oficinas que foram promovidas mensalmente no período de outubro de 2012 a março de 2013. O relato das mulheres apontou o grupo como um espaço acolhedor, de descontração, onde partilharam experiências de vida, conquistaram amizades e aprenderam com o outro. Isso permitiu um repensar sobre seu próprio comportamento, o cuidado de si e as possibilidades de mudança de atitudes. Enfim, as oficinas propiciaram às participantes um novo olhar sobre a vida, mais crítico e menos submisso. Concluiu-se que, diante da necessidade de humanização do atendimento com vistas a uma atenção integral, a utilização de grupos como apoio no processo fisioterápico pode ser uma excelente estratégia para uma prática menos reducionista e mais humanizada que reconheça a necessidade do outro.

Palavras-chave: grupo; fisioterapia; integralidade.

1 Fisioterapeuta (UTP-PR), mestranda em Saúde e Gestão do Trabalho (Univali).

2 Fonoaudióloga (PUC-PR), doutora em Saúde Pública (USP), coordenadora do Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho (Univali), orientadora do trabalho.

52 ABSTRACT

Health education involves a process of both subjectivity and the establishment of community bonds. In this field, working with groups constitutes a privileged strategy by health professionals for a more humanized intervention. Based on this assumption, it was developed a group of women in post- operative treatment of shoulder in the ambulatory of physical therapy of the Clinical Hospital of the Federal University of Paraná (Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná), located in the city of Curitiba, in order to enhance the effects of conventional physical therapy, providing opportunities and conditions for these women to better cope with their pain and functional limitations. For the development of this group, it was held qualitative research of which approach enabled the establishment of a descriptive process in relation to the group phenomenon and direct and prolonged contact with the study subjects through six workshops that were organized monthly from October 2012 to March 2013. The report of the women indicated the group as a welcoming space for relaxation, where they shared life experiences, made friend sand learned from each other. This allowed them to rethink about their own behavior, self-care and the possibilities of changing attitudes. In short, the workshops offered a new perspective on life to the participants, a more critical and less submissive one. It was concluded that, given the need for humanization of care aiming at comprehensive care, the use of groups as support to the physical therapy process can be an excellent strategy for a less reductionist and more human practice which acknowledges the

needs of others.

Keywords: group; physiotherapy; integrality.

53 Introdução

No campo da fisioterapia, não raro se questiona como é possível contribuir para amenizar o sofrimento das pessoas em processo de reabilitação, o que vai muito além de uma incapacidade funcional. Percebe-se a necessidade de realizar um trabalho diferenciado para oferecer atendimento integral às necessidades dessas pessoas, contrariando, em certa medida, uma formação acadêmica que muitas vezes leva a uma visão mecanicista e reducionista que segue o modelo biomédico.

Tradicionalmente, o fisioterapeuta tem uma formação direcionada para a doença e é visto como “profissional da reabilitação”, ou seja, aquele que atua exclusivamente quando a doença, lesão ou disfunção já foi estabelecida (Gallo, 2005). No entanto, de acordo com o Ministério da Educação (MEC), o fisioterapeuta é um profissional generalista capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, não devendo ficar restrito às ações curativas e reabilitadoras (Deliberato, 2002).

A integralidade é um dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e, numa visão ampliada de saúde, pressupõe ações integradas e uma prática plena de possibilidades.

Reconhecer a importância da integralidade é assumir a intersubjetividade nas práticas em saúde, o que envolve uma relação dialógica entre os profissionais dessa área e os sujeitos por eles atendidos no sentido de definir ações que possam ser desenvolvidas, entre elas o aconselhamento e as práticas de educação em saúde (Mattos, 2004).

Refletindo sobre integralidade na fisioterapia, questiona-se como inserir, no processo de reabilitação ambulatorial, a clínica ampliada, que exige dos profissionais de saúde um exame permanente dos próprios valores e toma como objeto de ação sujeitos singulares que vivenciam determinado sofrimento, agravo ou doença que demanda um atendimento integral (Cunha, 2005).

54 Faz-se necessário qualificar a intervenção sobre o sofrimento e a doença e valorizar o encontro do profissional e do usuário como um espaço de produção partilhada de relações e de intervenções no qual há um jogo entre as necessidades dos usuários e os modos tecnológicos do agir em saúde (MERHY; ONOCKO, 2002).

Ao longo do trabalho no ambulatório de fisioterapia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), observou-se que mulheres em processo de reabilitação fisioterápica pós-operatória de ombro apresentavam dor, limitação funcional e diminuição da autoestima, o que acabava interferindo negativamente em sua recuperação.

A pesquisa aqui relatada pretendeu desenvolver um grupo para potencializar os efeitos da fisioterapia convencional, dando a essas mulheres condições para melhor lidar com suas dores e limitações funcionais e ainda identificar facilidades e dificuldades em relação a reinserção social no processo pós-cirúrgico além de favorecer a troca de experiências e busca de soluções no próprio grupo e finalmente analisar as possibilidades de inserção do grupo na rotina do ambulatório de fisioterapia.A formação do grupo teve como pressuposto a humanização, tomada na perspectiva de Ayres (2004), como encontro entre subjetividades, no sentido dado por Paulo Freire em sua filosofia de educação dialógica, problematizadora e emancipatória.

Freire (1987), em sua obra “Pedagogia do oprimido”, propõe uma visão de mundo orientada a partir de práticas voltadas à educação emancipatória, pela qual haveria, com base no respeito à subjetividade e à cultura, uma transformação social. A educação que leva à autonomia deve se pautar em uma relação entre educando e educador norteada pela socialização da experiência, na prática crítica de ambos, afastando dessa relação ideologias e abordagens dogmáticas (Freire, 1987).

55 Buscou-se, através dessa ação em saúde, evitar a adoção do modelo reducionista da prática cotidiana e propor uma intervenção mais eficaz e integral que proporcione maior satisfação tanto ao profissional quanto ao usuário.

Integralidade: aplicação na assistência

A atenção integral se configura como uma “imagem- objetivo”, o que significa a meta a ser alcançada e que direciona a ação, apontando o caminho para algumas transformações necessárias para o que se almeja (Mattos, 2001; Gondim et al., 2011).

A integralidade é um valor a ser sustentado e defendido nas práticas dos profissionais de saúde, expresso na forma como os profissionais respondem aos pacientes que os procuram.

Isso não implica deixar de lado conhecimentos sobre as doenças, mas envolve o uso prudente desse conhecimento, guiado por uma visão abrangente das necessidades dos sujeitos (Mattos, 2004).

Esse princípio doutrinário do SUS parte de uma concepção ampliada de saúde, com a compreensão do indivíduo a partir das dimensões biopsicossociais que permeiam a oferta integrada de serviços de prevenção de doenças, de promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde. Contudo, o aspecto mais importante da integralidade é o reconhecimento da necessidade do outro, a partir do qual se desencadeiam atitudes e ações humanizadas; portanto, a humanização é consequência da aplicação do princípio da integralidade (Oliveira e Cutolo, 2012).

Humanizar é integrar, ao conhecimento técnico-científico, a responsabilidade, a sensibilidade, a ética e a solidariedade no cuidado tanto do paciente como de seus familiares (Silva, Araújo e Puggina, 2010). A humanização, como valor, aponta para a dimensão em que o cuidar da saúde implica encontros entre subjetividades que, progressiva e simultaneamente,

56 esclarecem e reconstroem as necessidades de saúde, o que se entende por vida com qualidade e o modo moralmente aceitável de buscá-la (Ayres, 2004).

No que se refere à humanização, o tratamento fisioterapêutico é um dos que permitem maior proximidade e longo tempo despendido no convívio com o paciente. O profissional que atua nessa área não pode deixar de se preocupar com a qualidade humanitária do seu atendimento, já que a rotina diária e complexa que envolve os serviços de saúde faz com que, às vezes, o toque, a conversa e o ouvir o ser humano que está sendo atendido sejam atitudes esquecidas. Em muitos casos, quando a dinâmica de trabalho é muito intensa, o atendimento humanizado se torna impraticável (Vila e Rossi, 2002; Shiguemoto, Giordani e Chiba, 2009;

Abrão e Tufanin, 2012).

Na perspectiva do atendimento humanizado, procura-se aliviar a dor e o sofrimento do outro, tratando-o com compaixão, respeitando sua dignidade e sua autonomia. Humanizar o atendimento é também compreender o significado da vida e valorizar a dimensão humana do paciente, independentemente de sua patologia (Silva, Araújo e Puggina, 2010).

Reconhecendo-se que a integralidade e a humanização estão interligadas, faz-se necessário que os profissionais de saúde adotem atitudes humanizadas, mas isso somente ocorrerá a partir de uma visão ampliada da saúde e do ser humano.

Grupos na prática da assistência

Etimologicamente, a palavra “grupo” tem origem no termo italiano groppo ou gruppo, que teria derivado do antigo provençal grop, com o significado de “nó”. Esse vocábulo teria ainda outra origem, do germânico ocidental kruppa, no sentido de mesa arredondada, fazendo menção a uma forma circular, que se relaciona às imagens dos Cavaleiros da Távola Redonda

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