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4.7 MEIOS SUMÁRIOS

4.7.1 Sindicância

A Sindicância constitui um meio sumário de investigação, destinando-se à apuração preliminar de fatos e enseja, quando for o caso e dependendo da classificação da falta, a instauração do Processo Administrativo Disciplinar.

A sindicância “é realizada sem formalismos do processo”, porém, parte da doutrina entende que nela devem ser observados os princípios do contraditório e da ampla parte, e outra parte compreende que por ser tratar de um meio sumário, sem atender as formalidades processuais não há a necessidade de atender por esses dois princípios249.

Para a efetivação da Sindicância também será constituída uma comissão sindicante que será formada por três membros do funcionalismo público, e se procede da seguinte forma:

Para a realização da sindicância será designada uma Comissão Sindicante de três membros, mas a natureza da irregularidade poderá reduzir esse número a dois ou, conforme o caso, a um só funcionário para o trabalho de investigação preliminar250.

A realização da Sindicância poderá ser levada a efeito sumariamente por servidor de confiança da autoridade251.

Sobre o conceito de Sindicância, na lição de Cretella Júnior:

Sindicância administrativa ou, abreviadamente, sindicância, é o meio sumário de que se utiliza a Administração do Brasil para, sigilosa ou publicamente, com indiciados ou não, proceder à abertura de ocorrências anômalas no serviço público, as quais, confirmadas, fornecerão elementos concretos para a abertura do processo administrativo contra funcionário público responsável; não confirmadas as irregularidades, o processo sumário é arquivado. Não se trata de procedimento temerário da Administração, consistindo, ao contrário, em operação preliminar, realizada ad cautelam, que inúmeras vezes poupa ao Estado processos demorados e dispendiosos, ao mesmo tempo que livra o servidor público de envolver-se, gratuitamente, nas malhas do processo administrativo dentro do qual teria de defender-se, quer fosse ou não envolvido na irregularidade252.

249 ROSA. Márcio Fernando Elias. Direito Administrativo. p. 210.

250 CRETELLA JÚNIOR, José. Direito Administrativo brasileiro. p. 71

251 OCTAVIANO, Ernomar, GONZALEZ, Átila. Sindicância e processo administrativo. p. 33-34.

252 CRETELLA JÚNIOR, José. Direito Administrativo brasileiro. p. 64-65.

A lei não estabelece um procedimento específico para a Sindicância, ela tanto pode ser realizada por servidor ou poderá ser formada uma comissão de funcionário para a realização da Sindicância253.

Muito embora a lei não preveja procedimento específico para o desenrolar da Sindicância, cumpre-se destacar que a Lei n. 8.112/90 que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, prevê a Sindicância para a apuração de irregularidades no campo da Administração Pública em seu art. 143, que assim dispõe, in verbis:

Art. 143 - A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa254. Como já dito anteriormente, não há um pensamento uniformizado na doutrina quanto o meio sumário da Sindicância a atender aos princípios da ampla defesa e contraditório, porém, é interessante destacar que a lei prevê e assegura aos acusados em Sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar aos princípios da ampla defesa e contraditório.

Nesse enquadramento de idéias, a Sindicância é um meio sumário de investigação, que se destina à apuração preliminar de fatos e ensejando quando for o caso a instauração do Processo Administrativo Disciplinar, assim extrai-se de forma mais sucinta um conceito básico, porém, com fundamentos basilares do que seja a Sindicância, nos seguintes termos:

A sindicância é realizada sem os formalismos do processo, mas nela também deverão ser observados os princípios do contraditório e ampla defesa.

Alguns estatutos admitem a sindicância como meio hábil à aplicação de sanções menos severas: multa, repreensão e suspensão, no âmbito da Administração Pública Federal a suspensão tem duração de trinta dias, com possível prorrogação. Normalmente, ela tem natureza de processo preparatório do processo administrativo disciplinar, a sindicância poderá ser inquisitiva ou não observar o contraditório e ampla defesa (inquisitiva – está destinada à produção de provas de interesse da Administração), mas, se detiver caráter punitivo, deverá observar os princípios e regras decorrentes do devido processo legal255.

253 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. p. 605.

254BRASIL. Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8112cons.htm>. Acesso em: 20 jul. 2009.

255 ROSA. Márcio Fernando Elias. Direito Administrativo. p. 210-211.

Assim, nunca será demais frisar que Sindicância não se confunde com o Processo Administrativo Disciplinar. A Sindicância poderá ser instaurada sem indiciado, objetivando a verificação de alguma irregularidade no campo da Administração Pública.

4.7.1.1 Requisitos e razões que informam a sindicância

A Sindicância somente será levada a um bom termo de conclusão, se constituir um apontamento realmente informador, e se observados certos requisitos próprios que informam esse meio sumário e que também são indispensáveis para sua total efetivação. Os requisitos são os seguintes: brevidade, clareza e exatidão256.

Dentro dessas premissas dos requisitos que informam a Sindicância, o rito sumário e informal deve sempre ser observado e cumprido, nessa forma de averiguação administrativa.

Assim, chama-se a atenção para o entendimento dos doutrinadores Octaviano e Gonzalez, que assim se manifestam a respeito do requisito brevidade:

A brevidade possível na coleta de informações conduz certamente à precisão destas. Averiguações morosas implicam na deturpação dos fatos no decurso do tempo, acabando por influir negativamente nos elementos formadores de convicção257.

Nesse sentido, o requisito da brevidade é tido como sinônimo de rapidez, esse requisito busca a celeridade nas averiguações, porém, tudo será instituído de forma concisa e prudente258. Agora, far-se-á destaque para o outro requisito, a clareza.

A clareza é outro requisito indispensável ao procedimento sindicante. Eiva de luz os fatos, fornece segurança, favorece a elaboração do relatório conferindo-lhe objetividade própria, legal e administrativamente exigível. Informações obscuras conduzem ao erro e à dúvida, incutindo temeridade no apreciador dos autos, ao ensejo da solução do problema259.

Desse modo, o requisito clareza ou objetividade é forma pela qual o relatório elaborado pelos membros da comissão sindicante refletirá os resultados dos elementos colhidos durante a averiguação e, ensejará a formação da peça básica e insubstituível para o futuro Processo Administrativo Disciplinar260.

256 OCTAVIANO, Ernomar, GONZALEZ, Átila. Sindicância e processo administrativo. p. 30.

257 CRETELLA JÚNIOR, José. Direito Administrativo brasileiro. p. 68.

258 SILVA, Edson Jacinto. Sindicância e processo administrativo disciplinar: teoria e prática. p. 86.

259 OCTAVIANO, Ernomar, GONZALEZ, Átila. Sindicância e processo administrativo. p. 30.

260 CRETELLA JÚNIOR, José. Direito Administrativo brasileiro. p. 68.

Assim, a exatidão, ou precisão é outro requisito de relevante valor para a Sindicância, para que esse meio sumário alcance seus objetivos. Desta forma, destaca-se a exatidão, nos termos em que segue:

A comissão sindicante diligenciará no sentido de instruir devidamente os autos, colhendo provas, esclarecendo pontos dúbios, reproduzindo com fidelidade as declarações, apreciando cada um dos documentos juntados e conferindo ao relatório uma exatidão capaz de levar a autoridade à efetiva realidade do problema, dando-lhes condições seguras de bem apreciar e decidir a questão em pendência261.

Porém, é sempre bom lembrar que para o sucesso de uma Sindicância depende basicamente do trabalho dos membros da comissão sindicante e, necessariamente a Sindicância atingirá os seus próprios objetivo, como um documento informador que apurou determinada falta, se estiver presente todos os seus requisitos, conforme foi delineado acima em linhas breves, porém, preciso262.

Nesse contexto, a autoridade deve ter muita prudência ao determinar a abertura de uma Sindicância, visto que uma atitude precipitada lhe causará sérios problemas dentro da Administração Pública, bem como o desprestígio da própria dependência de chefia263.

Portanto, as razões que justificam a abertura da Sindicância em repartição são as seguintes: “a) tenha ocorrido um ato ou fato de certa e ponderável gravidade; b) não haja elementos capazes de provar, suficientemente, a existência ou autoria dos mesmos”. Não se abrirá sindicância para a apuração de ato ou fato que não represente um dano, uma turbação, um desprestígio aos serviços264.

Ensina Braz que, no “Direito Administrativo Disciplinar, o processo é a regra, a sindicância é a exceção265”.

Desta forma, são plausíveis as razões que justificam a abertura da Sindicância quando o ato ou fato, exigir maiores esclarecimentos da infração cometida, sobre os quais também não justificarem imediatamente o reconhecimento da instauração do Processo Administrativo Disciplinar266.

261 OCTAVIANO, Ernomar, GONZALEZ, Átila. Sindicância e processo administrativo. p. 30.

262 SILVA, Edson Jacinto. Sindicância e processo administrativo disciplinar: teoria e prática. p. 86.

263 OCTAVIANO, Ernomar, GONZALEZ, Átila. Sindicância e processo administrativo. p. 31.

264 OCTAVIANO, Ernomar, GONZALEZ, Átila. Sindicância e processo administrativo. p. 31.

265 BRAZ, Petrônio. Tratado de Direito Municipal. p. 180.

266 CRETELLA JÚNIOR, José. Direito Administrativo brasileiro. p. 71.