1) Associações civis, movimentos comunitários e sujeitos sociais envolvidos com causas sociais ou culturais do cotidiano, ou voltados a essas bases, como são algumas Organizações Não Governamentais (ONGs). São expressões locais e/ou comunitárias da sociedade civil organizada, como por exemplo os núcleos dos movimentos de sem-terra, sem-teto, associações de bairro etc.
2) Fóruns da sociedade civil, associações nacionais de ONGs e as redes de redes, que buscam se relacionar para o empodera- mento da sociedade civil. É através dessas formas de mediação que se dá o contato entre a sociedade civil e o Estado. Essas articulações também se tornaram possíveis porque há meios que as viabilizam, como a internet e os e-mails, que são práticas cotidianas das redes do novo milênio.
3) São as mobilizações na esfera pública, fruto da articu- lação de atores dos movimentos sociais localizados, das ONGs, dos fóruns e das redes de redes que buscam transcender seus
“espaços” para grandes manifestações em praça pública, in- cluindo a participação de simpatizantes, com a fi nalidade de pro- duzir visibilidade por meio da mídia e efeitos simbólicos não só para os manifestantes, como para a sociedade em geral, como uma forma de pressão política das mais expressivas no espaço público contemporâneo. Alguns exemplos dessa forma de orga- nização são a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, de Goiânia a Brasília (maio de 2005), organizada por articulações de base como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Grito dos Excluídos e o próprio MST. Também foram realizadas articulações com uni- versidades, comunidades, igrejas, através do encaminhamento de debates prévios às marchas. A Parada do Orgulho Gay tem au- mentado expressivamente a cada ano, desde seu início em 1995 no Rio de Janeiro, fortalecendo-se através de redes nacionais, como a ABGLT, de grupos locais e simpatizantes. Vale destacar que essas organizações em rede se abrem para a articulação da diversidade, mas com limites de absorção de posturas ideológi- cas ou políticas confl itivas, e tendendo a se separarem quando e se os confl itos se tornam não negociáveis.
Como captação de recursos materiais para sustentação dos movimentos, ocorrem apoios fi nanceiros governamentais e tam- bém de agências não governamentais nacionais e internacionais.
O resultado de todo esse processo de articulação vai cons- tituindo as redes de movimento social, que signifi cam a identi- fi cação de sujeitos coletivos em torno de valores, objetivos ou projetos em comum de combater e transformar as situações de desigualdade e exclusão social.
O terceiro setor é constituído por organizações sem fi ns lucrativos e não governamentais, que têm como objetivo gerar serviços de caráter público.
Lembra da tripartite Estado/Mercado/Sociedade Civil? O primeiro setor é o governo, que é responsável pelas questões sociais. O se- gundo setor é o privado, responsável pelas questões individuais.
Com a falência do Estado, o setor privado começou a ajudar nas questões sociais, através das inúmeras instituições que compõem o chamado terceiro setor.
A voz da igualdade
Que tal assistir a um fi lme sobre o primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público nos Estados Unidos? Um líder norte- americano capaz de cativar e mobilizar massas.
Recomendamos Milk – a voz da igualdade. Para saber um pouco mais antes de ir à locadora, veja a sinopse do fi lme:
Ativista dos direitos homossexuais. Político. Lutador. Ícone. Herói. Har- vey Milk era considerado dessa forma pelas multidões que o acom- panhava. Uma das fi guras mais vibrantes da política conservadora americana. Sob a direção de Gus Van Sant – razão pela qual já vale assistir ao fi lme – e protagonizado por Sean Penn, numa atuação ex- traordinária que lhe deu o Oscar 2009 de melhor ator, Milk acompanha a trajetória política e pessoal desse personagem que, nos anos 1970, mudou-se para São Francisco, onde se tornou mentor da causa gay, um dos representantes do poder público da cidade e o principal alvo do supervisor na Câmara de São Francisco, que divergia completamente das suas ideias. Milk emociona, empolga e escancara a vida de um
Conclusão
O aspecto que se destaca no contexto brasileiro recente é o entrelaçamento da desigualdade e também da exclusão com a questão dos direitos e da cidadania. Diante da inoperância ou insufi ciência do Estado em promover o término dos desvios so- ciais, a sociedade civil se mobiliza e concentra esforços para ori- ginar ações para combater esses perigos. Os “excluídos” passam a ser os atores, capazes de realizar mudanças e de conquistar oportunidades de acesso e atuação na esfera pública.
Parece promissor, mas não devemos esquecer que mesmo com objetivos e buscas distintas de Estado e mercado, a socie- dade civil, ainda que representando os interesses e os valores da cidadania através do encaminhamento de ações em prol de polí- ticas sociais e públicas, protestos sociais, manifestações simbó- licas e pressões políticas, não está isenta de relações e confl itos de poder, de disputas por hegemonia e de representações sociais e políticas diversifi cadas e antagônicas.
Atividade Final
Atende aos Objetivos 1, 2 e 3
Não existem dúvidas sobre os aspectos simbólicos e culturais da exclusão e mesmo sobre o fato de que ela tende a reforçar os aspectos materiais. Outra questão é como vão sendo quebrados os laços simbólicos e rompidos os sentimentos de fi liação e se aceita o estereótipo, o preconceito e a estigmatização. Os perfi s a seguir demonstram que as mais diversas camadas da população podem estar em maior ou menor risco de exclusão social.
Perfi l A – operário qualifi cado, nascido no bairro onde vive, paga sua casa à previdência, trabalha numa grande fábrica, faz com- pras no shopping e vai assistir aos jogos de futebol, esporte que praticou quando mais jovem, no estádio. Tem fi lho na universida- de e fi lha que já trabalha.
Perfi l B – trabalhador pouco qualifi cado, emigrante de outra re- gião do país, trabalha eventualmente em uma pequena ofi cina, vive em condomínio popular, faz compras no supermercado e seu lazer é assistir televisão.
Perfi l C – família de imigrantes africanos que vive do que ven- de na economia informal. Está em um país miscigenado, fala a língua do país, mas é discriminada pela cor da pele. Os fi lhos ajudam a família, mas não vão à escola.
Você acredita que o Brasil caminha para menos exclusão social a médio ou a longo prazo? Justifi que sua resposta.
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Resposta Comentada Uma pergunta interessante, pois nela há a afi rmação (ou previsão?) de que o Brasil conseguirá diminuir a exclusão social, restando sa- ber apenas se isso se dará em médio ou em longo prazo. Mais uma vez, não há resposta certa ou errada. Vimos que com o aparecimento dos movimentos sociais, que já avançaram até para redes de movi- mentos sociais, o advento da exclusão sofreu mudanças. É como se a gente se tocasse que a solução ou parte da solução está em nossas mãos. Eu penso que o Brasil não caminha para menos exclusão, e sim para uma “sensação de menos exclusão”. Esses movimentos acabam por realizar “inclusões setorizadas”, e as pessoas retomam aquele sentimento de fi liação, de pertencimento. Penso também que o número de brasileiros indigentes se reduzirá. É um pouco do que os programas do Governo conseguem realizar...
Quanto à redução da exclusão em médio ou longo prazo, fi co com a segunda opção.
Resumo
A negação dos direitos mínimos que formam a cidadania dos indi- víduos – inventados pela Europa – se estabeleceu no Brasil, atra- vés do colonialismo e da escravidão.
Até chegou-se a ter uma certa estruturação do mercado de traba- lho, entre 1930 e 1970, mas as reformas agrária, tributária e prin- cipalmente a social não foram realizadas. O resultado foi a socie- dade dividida entre os incluídos e os excluídos, despossuídos do progresso econômico. Com o avanço do processo de democratiza- ção, pós-ditadura, o termo “exclusão” reaparece no debate sobre pobreza. A exclusão se explica a partir de um encadeamento de fatores que convergem de forma contínua e repetitiva na vida das pessoas, grupos e territórios. Sua base material se traduz nos cir- cuitos empobrecedores de privação dos meios para subsistência, como as origens familiares, níveis baixos de escolarização. Forma- ção profi ssional escassa ou reduzida, falta de trabalho, trabalho precário ou sazonal, alimentação defi ciente, salários reduzidos, moradias inadequadas ou em más condições, doenças crônicas ou estado de saúde debilitado, falta de acesso aos serviços públicos.
Neste momento, a sociedade brasileira inicia movimentos pela mu- dança necessária e urgente da situação de forte exclusão social.
Entram em cena novas alianças pelo combate à exclusão e engaja- mento de todos, e os movimentos sociais ganham ênfase.
Temos então contato com o conceito de sociedade civil, que está relacionado à defesa da cidadania e às formas de organização em torno de interesses públicos e valores, incluindo-se o de gratuida- de/altruísmo, que é o que distingue a sociedade do Estado e do mercado, que são orientados pelas racionalidades do poder, da regulação e da economia. A sociedade então passa a se organizar e percebe cada vez mais a necessidade de se articular com outros grupos com a mesma identidade social ou política, a fi m de ganhar visibilidade, produzir impacto na esfera pública e obter conquistas para a cidadania. O resultado de todo esse processo de articulação vai constituindo as redes de movimento social, que signifi cam a identifi cação de sujeitos coletivos em torno de valores, objetivos ou projetos em comum de combater e transformar as situações de desigualdade e exclusão social.
3 Panorama latino-americano
Patrícia Carmo dos Santos