2.3 GESTÃO AMBIENTAL & SUSTENTABILIDADE
2.3.2 Sustentabilidade
A série ISO 140009, resulta do trabalho de cerca de três anos do Comitê Técnico 207 que consensou uma definição bastante sucinta e suficientemente abrangente para o Sistema de Gestão Ambiental. “Parte do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades planejamento, responsabilidades, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a politica ambiental” (TAVARES, 2002, p. 83).
Aplicável a qualquer tipo de organização, esta definição da serie ISO 14000 atenderá não só as exigências de universalização de linguagem ambiental, uma das mais claras necessidades da globalização dos mercados, como também á necessidade de aplicação imediata à linguagem de setores específicos como o de armazenamento e movimentação de carga nos portos (TAVARES, 2002).
A necessidade de um apoio mais consistente, que permita os terminais e portos adotarem práticas ambientais reconhecidas internacionalmente estão definidas na ISO 14001:2004, esta norma especifica os requisitos para que um sistema da gestão ambiental capacite uma organização a desenvolver e implementar política e objetivos que levem em consideração requisitos legais e informações sobre aspectos ambientais significativos.
Sachs (1993) ressalta que a sustentabilidade é um relacionamento entre sistemas econômicos dinâmicos e sistemas ecológicos maiores e também dinâmicos, embora de mudança mais lenta, em que:
• a vida humana pode continuar indefinidamente;
• os indivíduos podem prosperar;
• as culturas humanas podem tornarem-se sustentáveis.
A sustentabilidade é um conceito e um conjunto de práticas construídas coletivamente por indivíduos e instituições do mundo inteiro para a sobrevivência de todos. O novo pensamento a ser adotado apresenta valores e práticas de gestão constituídos de uma visão holística a respeito do que rege as ações e diretrizes de trabalho do Governo, das empresas e da sociedade (ALMEIDA, 2002).
A Figura 5 apresenta de forma simplificada as transformações sofridas por uma empresa que adota uma postura voltada para questões ambientais. Mostra as mudanças em sua atuação fazendo uma comparação entre a abordagem convencional e a abordagem consciente ambientalmente na gestão de uma organização.
Figura 5 - As mudanças na gestão de uma empresa através da abordagem ambiental consciente
Fonte: Valle (1995)
Nessa perspectiva de competitividade empresarial e instabilidade econômica, a gestão ambiental e a responsabilidade social, enfim, tornam-se importantes instrumentos
gerenciais para capacitação e criação de condições de competitividade para as organizações e portos qualquer que seja seu segmento econômico (TACHIZAWA, 2004).
Já para Sachs (2000) todo planejamento de desenvolvimento precisa levar em conta, simultaneamente, as cinco dimensões de sustentabilidade, conforme apresenta a Figura 6.
Figura 6 - Cinco dimensões da sustentabilidade
Fonte: Sachs apud Campos (2001)
Sachs (2000) comenta que o conceito de desenvolvimento sustentável apresenta cinco dimensões:
• Sustentabilidade social: busca por um desenvolvimento que seja justo socialmente, baseado na equidade, de modo a garantir a melhoria da maioria da população e a reduzir a distância de padrões de vida entre as classes mais e menos favorecidas;
• Sustentabilidade econômica: a busca da eficiência econômica pela alocação e gestão mais eficientes dos recursos, através da eliminação de barreiras protecionistas dos países desenvolvidos, da ampliação do acesso pelos países em desenvolvimento a novas tecnologias. A eficiência econômica deve ser avaliada com base em critérios macroeconômicos e não na lucratividade micro empresarial;
• Sustentabilidade ecológica: um desenvolvimento que esteja em harmonia com a natureza, preservando os ecossistemas, substituindo o uso de recursos não renováveis por renováveis ou abundantes, reduzindo os resíduos por meio de conservação e reciclagem e limitando o consumo exagerado;
• Sustentabilidade política ou cultural: um desenvolvimento endógeno, resultante de modelos de modernização e crescimento que contemplem uma pluralidade de soluções particulares que respeitem as especificidades de cada ecossistema, cultura e local;
• Sustentabilidade espacial ou territorial: a busca de um maior equilíbrio e melhor distribuição territorial de população e das atividades econômicas entre os meios rural e urbano, evitando a excessiva concentração em áreas metropolitanas.
Por um longo período, embora isso ainda ocorra, as iniciativas dos governos eram quase que exclusivamente de caráter corretivo, isto é, eles só enfrentavam os problemas ambientais depois que já haviam sido criados. Esse modo de agir produziu ações fragmentadas, apoiadas em mediadas pontuais, pouco integradas e de baixa eficácia (BARBIERI, 2007).
Portanto, a solução dos problemas ambientais, ou sua minimização, exigem uma nova atitude das empresas, portos, que precisam considerar o meio ambiente em suas decisões e adotar concepções administrativas e tecnológicas que contribuam para ampliar a capacidade de suporte de nosso planeta.
A gestão ambiental portuária é a administração das demandas ambientais visando o desenvolvimento sustentável da atividade produtiva e a redução de custos ambientais, como soluções coletivas do tratamento de resíduos, tratamento de efluentes, ações de emergência e monitoramento (CUNHA, 2009).
Para as empresas, atuarem de maneira sustentável requer a adoção de práticas que abranjam a constante melhoria da própria reputação e o bem estar de seus stakeholders10. As crescentes iniciativas voltadas para a questão ambiental provocam reflexões sobre o verdadeiro papel da gestão ambiental da empresa. Reflexões de âmbito mercadológico envolvem o gerenciamento da reputação, que é um bem intangível e fator determinante para o mercado em diversos casos. (CUNHA, 2009, p. 59).
O estabelecimento de diretrizes que compreendam ações integradas e que consideram o atendimento das necessidades atuais e futuras de todos os atores é de extrema importância durante o processo de busca de equilibro entre as dimensões ambiental, econômica e social.
Fernandez (2011, p. 115) adota a seguinte definição de sustentabilidade:
O conceito de sustentabilidade delineia-se com base na especificação das diversas funções ecológicas envolvidas no processo, em particular a capacidade do meio ambiente de suprir o funcionamento dos sistemas produtivos com recursos naturais e, no sentido inverso, sua aptidão para absorver os resíduos correspondentes.
10 Atores que influênciam direta ou indiretamente nos processos da empresa.
É importante notar que, embora a sustentabilidade esteja relacionada ao meio ambiente, estas duas palavras não são sinônimas. Não se pode restringir o conceito sustentável ao meio ambiente, visto que ser sustentável está muito além de cuidar de assuntos ambientais.
Envolve questões como saber agregar vantagem competitiva em suas ações, resultando no bem estar das gerações presentes e futuras. Enfim, sustentabilidade é uma propriedade de todos (TADEU et al., 2012).
Desenvolvimento sustentável leva em conta o equilíbrio entre as questões da natureza econômica, política, social, cultural e ambiental, de modo a satisfazer as necessidades da geração atual sem comprometer as necessidades das gerações futuras (ANTAQ, 2012).
Portanto a relação existente entre gestão ambiental, sustentabilidade e Logística Reversa, utiliza a recente lei brasileira sobre a problemática dos resíduos sólidos, sendo principal objetivo dessa lei criar diretrizes gerais aplicáveis em todo território nacional no manejo de resíduos sólidos (PEREIRA, et al., 2012).
Segundo Bechara (2013), atingir novos padrões sustentáveis de produção, consumo e disposição ambientalmente adequada deve ser objetivo constante da sociedade para seja possível atender as necessidades das atuais e futuras gerações sem comprometer a qualidade ambiental.
O mercado internacional registra mudanças significativas a favor de um caminho sustentável e do fortalecimento de negócios e ações na área portuária.