Figura 8 - Conexões existentes entre as temáticas trabalhadas durante o projeto escolar e as categorias primárias do CTS/CTSA
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).
A pedagogia freireana, baseada numa ideia de educação libertadora, reconfigurada para o contexto escolar, por meio de bases teórico-metodológicos da dinâmica da ATF, segundo Delizoicov; Angotti; Pernambuco (2002) e Silva (2004) considera a realidade de acusações dos contrassensos vividos pelos atores escolares e o anúncio da possibilidade de transformação dessas contradições. Tais ações ocorreriam por meio do desenvolvimento do movimento de investigação temática (FREIRE, 1987), que envolve o processo de obtenção de temas geradores que, por sua vez, condense as contradições vividas. Esses temas têm a função de mediadores do desenvolvimento de currículos críticos para estimular a consciência crítica (MAESTRELLI e TORRES, 2014).
A dinâmica da ATF tem a dimensão mais abrangente que a configuração do currículo escolar tradicional, por exemplo a realidade de trazer à superfície contradições sócio-histórico-culturais para orientar a prática educativa para que sejam compreendidas criticamente e transformadas.
Situação que lhe confere uma dimensão epistemológica. Nesta o sujeito não é neutro, ontológico, epistêmico e coletivo “[...] à medida que interage, estabelecendo relações com o meio físico e social pelas quais se apropria de padrões quer de comportamento quer de linguagem, para uma abordagem do objeto do conhecimento” (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002, p. 184). O objeto do conhecimento nessa abordagem também não é indiferente porque está dentro de um certo “todo” de relações que ele atribui uma significação variável. Quem adota essa dimensão de objeto do conhecimento são os temas geradores.
O trecho da fala do estudante evidencia a importância das discussões realizadas sobre a temática 01, que abordou o tema “Aedes Aegypti”, o que mostra que o estudante foi capaz de produzir conexões entre os conteúdos e a realidade local e regional1 (ABRASCO, 2016).
Professor: Vocês conhece alguém que desistiu de engravidar por causa do medo do Zika?.
Estudante 4: A menina lá da rua de baixo da minha casa, ela estava querendo muito ter. Só que foi no início do ano que ela queria. Só que tinha muito muitos casos de microcefalia, de fetos que estavam tendo microcefalia.
Ela desistiu. Aí ela acabou voltando a tomar remédio para não ter.
Professor: Você acha que isso é uma mudança cultural provocada pela questão do mosquito?
Estudante 4: Sim, com certeza [inaudível]
1 Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Microcefalia e doenças vetoriais relacionadas ao Aedes aegypti: os perigos das abordagens com larvicidas e nebulizações químicas – fumacê. Não às mesmas medidas ineficazes e perigosas. Sim às ações socioambientais transformadoras. Nota técnica e carta aberta à população – janeiro de 2016, p.10.
O trecho da fala do estudante evidencia a importância das discussões realizadas sobre a temática 06, que abordou o tema “miséria brasileira”, mostrando que o estudante foi capaz de produzir conexões entre os conteúdos e a realidade local e regional.
Estudante: - [...] bem, um tempo atrás, eu não sabia não, mas o professor falou que a pobreza no Brasil vem diminuindo. Eu não sabia disso, porque eu vejo que há muita pobreza em todo lugar. Até se a gente for em Serra há gente na rua deitado dormindo. Pessoas que, tipo assim, eu vejo mendigo pedindo dinheiro, comida. Eu olho assim... caramba. É triste, mas é o Brasil.
Também, o segmento da fala do estudante mostra a importância das discussões ocorridas a respeito da temática 06, que abordou o tema “miséria brasileira”, evidenciando que o estudante foi capaz de produzir relações entre os conteúdos e o contexto local e regional.
Estudante 4: -[...] a política econômica estimulou e ainda estimula a concentração de renda. E gera, cada vez mais, desigualdade social. Como a Estudante 2 falou, aquele outro caso, assim, como a Estudante 3 falou.
Estimula a desigualdade social. Como eles usam aquele dinheiro, para aquele dinheiro que era para asfaltar um bairro, fazer um saneamento básico. Eles usam para outros fins. Acaba estimulando cada vez mais. Não sei quem deu exemplo. Não sei. O trabalho que estava apresentando. Acho que teve uma pessoa que falou que em um dos bairros da Grande Vitória de classe média mais alta. Lá não falta água como falta aqui para gente. E significa que a desigualdade social está muito grande. Aí está tendo racionamento de água quase todos os dias da semana. Eles falam que é só final de semana, mas quase todo dia falta água. Lá eles não precisam fazer isso.
A dimensão educativa baseada nas concepções de Freire (1987) e Snyders (1988) baseia-se em temas que devem permitir o rompimento dos conhecimentos do senso comum e a aprendizagem de conhecimentos científicos no decorrer do processo de ensino-aprendizagem. Os temas geradores adotam a função de objeto de estudo, indicam a organização do currículo, a escolha dos conteúdos das disciplinas escolares e a abordagem sistematizada das atividades em sala de aula. Os critérios de seleção da conceituação científica devem ser subordinados aos temas geradores e a estrutura do conhecimento científico (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002),
O processo de ensino e aprendizagem na dinâmica da ATF baseia-se em modelo pedagógico que engloba rupturas entre o conhecimento do estudante e o conhecimento científico. Esse se orienta pela dialogicidade e na problematização em torno dos temas geradores. Esse diálogo requer a aprendizagem mutua dos diferentes conhecimentos e práticas, que o sujeito da ação educativa tem a respeito das situações importantes envolvida nos termos geradores. É um diálogo entre conhecimentos cuja linha crucial é a problematização dos conhecimentos.
Investe-se numa dialogicidade tradutora (DELIZOICOV, 1991) na qual o professor adota o papel de tradutor já que os conhecimentos sobre os temas são, em princípio, distintos (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002).
A situação do desenvolvimento da prática evidencia o momento que enfatiza a dialógica, pois se privilegia a fala de vários participantes no debate e não se trata de uma ação comunicativa unilateral; e a problematizadora, porque no desenvolvimento do debate o professor vai acrescentando outras questões, que vão aprofundando a discussão em suas múltiplas aplicações concretas. É possível ainda verificar aproximações da ação de rupturas entre os conhecimentos prévios do estudante e o conhecimento científico, quando os estudantes afirmam conhecer o conceito de evolução e o professor passa a contextualizar a temática relacionada à realidade humana, significando um aprofundamento da questão. O trecho da fala do estudante evidencia a importância das discussões realizadas sobre a temática 01, que abordou o tema “Aedes Aegypti”, mostrando que o estudante foi capaz de produzir conexões entre os conteúdos e a realidade local e regional.
Estudante 3: [...] aí eu vou falar das técnicas e tecnologias utilizadas no combate ao mosquito. [...]E com a tecnologia criada na Inglaterra que é um mosquito muito parecido com o Aedes Aegypti só que ele é modificado para cruzar com as fêmeas e mata ela em poucos dias. Estão utilizando para detonar o mosquito e acabar de vez.
Professor: -[...] parece muito inteligente né. Parece ser mais barato. Evitaria o problema do fumacê. São muitos. Tem gente que é alérgico. E não só isso porque ele não acaba só com os mosquitos. Ele acaba também com o Predador do mosquito. Outros animais morrem por causa do inseticida.
Estudante 2: Acaba desestabilizando a cadeia alimentar. Foi o título do nosso trabalho: Aedes aegypti.
Evolução natural ou problema ambiental? Na verdade, se trata da evolução natural do mosquito e de um problema ambiental. Problema ambiental porque, com o crescimento da urbanização, foi retirada muitas florestas naturais que era o habitat natural do mosquito, principalmente no Brasil que tinha muitas florestas úmidas. E acabou... fronteira agrícola... várias coisas. A urbanização tirou o habitat natural do mosquito. Aí ele se proliferou de uma forma, assim sendo, nas zonas urbanas porque as pessoas costumam deixar muitas coisas de água, para guardar a água como caixa d'água. [...] aí se tornou um ambiente ideal para o mosquito já que ele não tem o habitat natural dele. Então ele procurou aí. É o caso da evolução natural e da adaptação. Ele procurou se adaptar naquilo que ele tem ali. Se ele não tem mais a condição de viver na floresta e ele tem condição de viver na zona urbana, nas cidades, ele vai se adaptar como qualquer outro ser vivo que sofre evolução natural constantemente. Então os seres vivos, eles estão constantemente mudando para se adaptar ao ambiente que eles tem. Para poder. É isso. É os dois problemas. Não é um problema só.
Professor: E nós seres humanos. A gente está inserida nessa questão de evolução natural?
Estudante 2: -[...] também.
O trecho da fala do estudante evidencia a importância das discussões realizadas que perpassou por conceitos como evolução das espécies, o mosquito Aedes Aegypti e as doenças associadas.
Esse relato mostrou que o estudante foi capaz de produzir conexões entre os conteúdos e a prática pedagógica. A função dialógica também é destaque, pois por meio dela o estudante tem a possibilidade de expressar-se e reelaborar seu aprendizado. O sentido da fala do professor é de confirmação das informações, enriquecimento daquilo que é posto pelo jovem e de estabelecer ligações com outros assuntos.
Estudantes: Sim.
Professor: Quem não se adapta acaba morrendo.
Estudante 2: Processo de seleção natural.
Professor: Seleção natural. O mosquito também se torna um agente que pode botar em risco a espécie humana?
Assim. Pode-se tornar? O quê que vocês acham?
Estudante 2: Pode se tornar. Assim, ele tá transmitindo vários vírus. Ele está adquirindo a capacidade de transmitir para as pessoas. E da mesma forma porque esses vírus também podem evoluir. Podem evoluir para vírus mais fortes. Infectar os seres humanos com uma doença mais terrível ainda. Causar a morte de
várias pessoas. Tipo, o ebola da África foi uma coisa que surgiu do nada, uma doença terrível e matou muita gente. Tipo a peste negra na Idade Antiga que assolou a população da Europa. Então, todos os seres vivos estão suscetíveis a isso. Ou seja, eles multam, mudam que podem erradicar uma espécie.
Professor: Agora, o ser humano, ele também se adapta. O ser humano, ele, por exemplo, doenças que matam rapidamente, o ser humano conseguiu reagir e agir a ponto de não deixar a sua espécie acabar.
Estudante 2: Ele se adapta constantemente. Tipo, na Idade média, no tempo da peste negra, eles descobriram que o que causava aquilo tudo era a higiene. Eles comiam com a mão, então eles começaram a criar os talheres, criaram várias coisas. E já melhorou muito desde aquela situação. E os mosquitos também. Já conseguiram criar um mosquito transgênico, fumacê. Então tudo evolui com subida do patamar ali
Estudante 4: Igual a evolução natural desse mosquito transgênico [inaudível]. Se o mosquito proliferar com outras fêmeas e dessas fêmeas causar outro tipo de mutação? E assim ficar mais potente.
Estudante 3: É uma possibilidade. Pode ser.
Estudante 2: Mas eles fazem uma série de estudos para ver antes de soltar esse animal na natureza. Esse inseto na natureza.
Estudante 3: Tipo, eles pegam esse mosquito modificado e o normal e o colocam em um lugar para ver como é que vai ficar a reação dos dois.
Estudante 2: Sim, mas essas espécies estão em constante evolução. Se começou a evoluir no sentido de desenvolver uma espécie mais potente?
Estudante 3: Mas é só uma possibilidade como qualquer inseticida. E não só com mosquito. Qualquer inseticida que você utilizar pode ser uma possibilidade do mosquito se adaptar para ele ficar melhor.
Estudante 2: É o caso da seleção natural. Os que têm mais possibilidades para vencer aquilo. Vão permanecer e transmitir seus genes para as novas gerações. Então vai ter gerações de mosquito cada vez mais resistentes.
Estudante 4: Pode ser uma solução para população sim.
Professor: Pode ser a solução de um problema, mas também pode ser a geração de um outro problema. Porque esse mosquito que foi geneticamente modificado ele pode burlar os cuidados que o homem teve, ter uma alteração genética e, a partir dele, criar um outro problema.
Estudante 2: Toda solução que o ser humano cria pode ser temporária, pode funcionar por um certo tempo.
Professor: Depois do ser humano se adaptar ele tenta resolver o outro problema.
Estudante 2: Sim e ele vai criar outro tipo de solução.
São as situações-limite (FREIRE, 1987), existenciais, originárias da realidade refletida nos temas geradores, que se transformam numa questão a ser investigada. A problematização em torno desta questão representado nos temas geradores, uma vez tomada como um desafio a ser compreendido e encarado pelos estudantes no processo de ensino e aprendizagem, é o que orienta a ruptura com o conhecimento do senso comum e a assimilação de novos conhecimentos científicos.
Desta maneira, na perspectiva da ATF, ocorreria, no contexto escolar, a conscientização (FREIRE, 1987, 2001), por meio da transformação da consciência ingênua à consciência crítica.
Aí está a função da escola no desenvolvimento da consciência crítica dos sujeitos escolares, para auxiliar no processo de formação de cidadãos críticos, transformadores.
O seguinte trecho do Tema 06 – Miséria brasileira revela um olhar mais cuidadoso dos estudantes sobre a questão bem como reconhece uma necessária ação de fiscalização por parte da população a respeito da busca do bem público. Ou seja, é possível interpretar que houve um passo no processo de amadurecimento do cidadão.
Professor: - [...] finalizando então. Olhando tudo aí. Um ponto positivo do que vocês perceberam.
Estudante 1: -[...] embora a gente. De não ver muito, mas o Brasil como o governo antes. Ele põe muito programa para ajudar. Entendeu?
Professor: Então tem vários programas para ajudar a diminuição da quantidade de pessoas na extrema pobreza no Brasil. E também a quantidade de pessoas que entraram na classe média aumentou. E ponto negativo o quê que vocês puderam perceber?
Estudante 1: Há muito. Como posso dizer?
Professor: Ainda tem muita desigualdade né?
Estudante 3: - [...] eles investem mais em pessoas de classe alta. Eles investem na saúde Professor: Ainda a classe mais alta continua privilegiada.
Estudante 5: [inaudível] não está bem distribuído em algumas partes. Tem gente que não precisa e recebe. Tem gente que precisa muito e ainda não recebe.
Professor: Caminhos para melhorar. Alguém tem uma ideia?
Estudante 1: Eu acho que a gente tem que participar mais [inaudível. Quem fiscaliza não são eles mesmos. São a gente entendeu? Isso é um caminho para ser seguido.
Professor: Então a fiscalização para melhorar seria se interessar um pouco mais por política. Até porque a política é que vai definir.
Estudante 1: -[...] é isso. E querendo ou não. Quero falar uma frase: o Brasil não é pobre é extremamente rico.
Concordam?
Estudantes: -[...] sim. Aplausos.
Cada turma foi dividida em 6 grupos de trabalho (GT) que recebeu um tema sociocientífico para estudar. Foram seis temas elencados pelos estudantes e distribuídos por três turmas de ensino médio, de tal forma que cada tema foi abordado por 3 GT. Durante as reuniões semanais [rodas de conversa] que duraram 60 min, todos os GT tinham que se manifestar sobre o andamento dos estudos. Reis e Galvão (2008) sugerem que sejam utilizados temas sociocientíficos para discutir conteúdos de ciências articulados às questões morais, éticas, de valor, sobretudo, criar situações nas quais as pessoas sejam obrigadas a se posicionarem, provocando um processo de reflexão sobre seus conceitos, credos, valores, mitos e pensamentos. Devido a isto, o indivíduo diante de uma questão controversa é convidado a revisar sua visão de mundo, as suas verdades construídas ao longo da vida, sobretudo, as questões construídas socialmente (SADLER, 2011).
Conforme trechos da fala do professor, a etapa de seleção dos temas sociocientíficos de sociologia foi fundamental para garantir a situação de fronteira do conhecimento,
potencializando a discussão de temáticas da humanidade e da educação científica. Assim, temos:
Professor: – [...] o processo de escolha dos temas envolveu a sensibilidade para que houvesse conexões entre diferentes saberes. Certo nível de polêmica era visto com bons olhos, pois, seria fonte de um debate sobre questões da educação em humanidades. As questões da educação científica foram também reconhecidas como pontos fundamentais. [...] parece que foi potencialmente decisivo para o rumo das discussões [...].
Vale lembrar que o GT1 tratou da temática do mosquito Aedes Aegypti e as doenças topicais associadas – Dengue Chikungunya e Zika. O GT2 tratou da tragédia de Mariana (MG), que ocorreu com o rompimento de uma barragem, causando mortes, desabastecimento de água ao longo das cidades do entorno do Rio Doce. O GT3 abordou o envelhecimento da população, cujo fenômeno é cada vez mais significativo no Brasil. O GT4 abordou a questão do acesso a TV Aberta e Paga. O GT5 abordou a questão do acesso ao ensino superior e algumas políticas públicas que surgiram na última década. O GT6 abordou a questão da miséria brasileira e as contradições.
A figura 9 mostra as possíveis conexões estabelecidas com os conteúdos programáticos abordados a partir de cada temática, mediadas a partir da prática pedagógica. Por exemplo, ao abordar a temática Aedes Aegypti e as doenças tropicais associadas – Dengue, Chikungunya e Zika, os debates poderiam ter perpassado por temáticas e conteúdos tais como a relação indivíduo e sociedade, comportamentos sociais, movimentos sociais, sociedades/comunidades e grupos, globalização, global versus local, entre outros.
Outra temática foi a tragédia de Mariana e o rio Doce, cujos debates poderiam ter perpassado por temáticas e conteúdos tais como realidade social brasileira, constituição e produção simbólica, trabalho e emprego, entre outros. Quando se debateu a temática de envelhecimento humano poderiam ser discutidos o conceito de cultura, tribos urbanas, ideologia e alienação, etc. A temática de ensino superior produziu debates que perpassou por universo social juvenil, Fordismo e Taylorismo, o mundo do trabalho, democracia representativa e participativa, entre outros. Outro tema foi a mídia brasileira, que produziu debates envolvendo temáticas e conceitos como poder, política e estado, cultura material e imaterial, entre outros conceitos.
Figura 9 - Fluxos de possibilidades de relações entre conteúdos programáticos e os temas de estudo.
Fone: Elaborado pelo autor (2017).
O projeto escolar apresentou uma grande variabilidade de oportunidades de debates envolvendo conceitos programáticos do currículo de Sociologia. Analisando a relação entre as seis temáticas trabalhadas e o documento de referência para a elaboração dos Planos de Ensino de 2015, da Secretaria de Estado de Educação do Espírito Santo, foi possível perceber que a prática pedagógica estava alinhada com a perspectiva curricular adotada pelo Estado em 2016. O quadro 10 evidencia essas conexões.
Quadro 3 - Relação entre conteúdos programáticos de Sociologia e temas de pesquisa do projeto escolar.
Conteúdos Programáticos de Sociologia do Ensino Médio
Aedes Aegypti e as doenças
tropicais
Tragédia de Mariana - O Rio Doce
Envelhecimento
A mídia brasileira - conteúdo da
TV
O que fazer no futuro? Ensino
superior.
Miséria Brasileira Importância do estudo da Sociologia: pesquisa
social X X X X X X
Sociologia como ciência da sociedade:
Conhecimento científico versus senso comum. X X X X X X
As relações indivíduas – sociedade X X X X X X
As instituições sociais e o processo de
socialização. X X X X X X
Introdução aos clássicos e os principais conceitos. X X X X X X
Sociedades, Comunidades e grupos. X X X X X X
Global versus local e produção de identidade. X X X X X X
Realidade social brasileira X X X X X X
Formação étnica e cultural da sociedade brasileira. X X X X X X
Constituição e produção simbólica das identidades
nacionais. X X X
Conceitos de cultura. X X X X X X
Universo cultural juvenil. X X X X
Tribos Urbanas. X X X X
Conceito de Trabalho e Emprego. X X X X X
Trabalho na sociedade capitalista: classes sociais
e mais-valia. X X X X X
Ideologia e Alienação. X X X X X X
Socialismo. X X X
Fordismo, Taylorismo e Toyotismo. X X X X
As mudanças no Mundo do Trabalho:
neoliberalismo; globalização dos mercados;
divisão internacional do trabalho; desemprego estrutural; terceirização; sustentabilidade.
X X X X X X
Direitos civis, políticos e sociais. X X X X X X
Democracia representativa e participativa. X X X X X X
Poder, política e Estado. X X X X X X
Jovem e participação política. X X X X X X
Cultura material e imaterial. X X X X X X
Etnocentrismo e Alteridade. X X X X X X
Identidade Cultural e Multiculturalismo X X X X X X
Globalização X X X X X X
Diversidade Cultural X X X X X X
Instituições Sociais X X X X X X
Economia e trabalho X X X X X X
Comportamento Coletivo e movimentos sociais X X X X X X
Mudança Social, População, urbanização e meio
ambiente X X X X X X
Comportamento e culturas juvenis: relação com as
novas tecnologias. X X X X X X
Movimentos sociais contemporâneos e a problematização das identidades hegemônicas
(Movimento Negro, LGBT, Feminista, Ambientalista, MST etc.).
X X X X X X
Militância cultural e internet; as performances ganham às ruas e às mídias como táticas de ação
política
X X X X X X
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).