• Nenhum resultado encontrado

Um Algoritmo para Obter Simetrias de 2EDOs e 1EDPs

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 65-71)

e, como ξ123 = 0, η=σ(x, y, z, u), η1 =∂x[σ] +uxu[σ] =σx+uxσu, η2 =∂y[σ] +uyu[σ] =σy +uyσu, η3 =∂z[σ] +uzu[σ] =σz+uzσu,

X(1) =σ ∂u+ (σx+uxσu)∂ux + (σy +uyσu)∂uy + (σz +uzσu)∂uz. (310) Logo, X(1) aplicado `a EDP (306) ´e

σ(−2u−φz) + (σx+uxσu) + (σy+uyσu)z+ (σz+uzσu)φ=

=σ(−2u−φz) +σx+z σy +φ σzu(ux+z uy +φ uz) =

=σ(−2u−φz) +Dx[σ] + (u2zu−φy)∂u[σ] = 0 pela equa¸c˜ao (298). 2

8. A partir do teorema 5.4 podemos relacionar a simetria da 2EDO (289) com a simetria da 1EDP para a fun¸c˜ao-S associada:

Corol´ario 5.2 A simetria para a 1EDP (306) associada com a 2EDO(289)´e dada por

h

0,0,0, eRxz]ν2 (u+Dx[ln(ν)])2i

, (311)

onde [0, ν] ´e uma simetria de Lie da 2EDO (289) na forma evolucion´aria.

Prova do Corol´ario 5.2 Das hip´oteses (iii), (iv) e (v) do teorema 5.4, temos que

σ(x, y, z, u) = eϕ(x,y,z)

u+ Dxp] νp

2

, onde ϕ= Z

x

2Dxp] νp −φz

,

⇒ σ(x, y, z, u) = e

R

x

h

2Dx[νpνp ]−φz

i

u+ Dxp] νp

2

=eRxz]ν2(u+Dx[ln(ν)])2.2

locais) para muitos casos em que os outros procedimentos dispon´ıveis se tornam invi´aveis e, uma vez de posse dessas simetrias, podemos reduzir (ou mesmo integrar) as 2EDOs em quest˜ao.

5.3.1 A Ideia Central

Nesta se¸c˜ao vamos usar o conhecimento da rela¸c˜aosimetria da 2EDO ↔ simetria da 1EDPpara construir um algoritmo que nos permite (em um grande n´umero de 2EDOs) achar a simetria da 2EDO e da 1EDP para a fun¸c˜ao-S associada. Vejamos como:

Considere a 2EDO z0 =φ(x, y, z), cuja simetria na forma evolucion´aria ´e definida pela fun¸c˜ao ν(x, y, z) que obedece `a 2EDP linear homogˆenea D2x[ν] = φzDx[ν] +φyν. Essa 2EDP, devido `a equivalˆencia formal entre os operadores13 Dx e dx pode, sobre as solu¸c˜oes da 2EDO z0 =φ(x, y, z), ser vista como uma 2EDO linear homogˆenea. Devido `a conex˜ao entre as 2EDOs lineares homogˆeneas e as 1EDOs de Riccati, pudemos, usando a rela¸c˜ao entre as solu¸c˜oes particulares de ambos os tipos de EDOs, relacionar uma simetria da 1EDP de Riccati com uma solu¸c˜ao particular da 2EDP para a simetria da 2EDO na forma evolucion´aria (veja o teorema 5.4 na se¸c˜ao 5.2.3):

σ(x, y, z, u) =eRxz]ν2 (u+Dx[ln(ν)])2, (312) onde −Dx[ln(ν) ´e uma solu¸c˜ao particular da 1EDP de Riccati (306). Podemos enunciar o seguinte corol´ario a esse resultado:

Corol´ario 5.3 Se Sp(x, y, z) ´e uma solu¸c˜ao particular da 1EDP de Riccati (306), ent˜ao νp =eRx[Sp(x,y,z)], onde R

x Dx =Dx

R

x =1, define uma simetria para a 2EDO (289) na forma evolucion´aria.

Prova do Corol´ario 5.3 Substituindo νp = eRx[Sp(x,y,z)] em D2x[ν] = φzDx[ν] +φyν

13Denotaremosdx d dx.

vamos obter

Dxp] =Dxh

eRx[Sp(x,y,z)]i

=eRx[Sp(x,y,z)](−Sp(x, y, z)), D2xp] =Dxh

eRx[Sp(x,y,z)](−Sp(x, y, z))i

=

=eRx[Sp(x,y,z)](Sp2(x, y, z))−eRx[Sp(x,y,z)]Dx[Sp(x, y, z)],

⇒ D2x[ν]−φzDx[ν]−φyν=eRx[Sp](Sp2) +

−eRx[Sp]Dx[Sp]−φz

eRx[Sp(x,y,z)](−Sp

−φyeRx[Sp] =

=−eRx[Sp] Dx[Sp]−Sp2−Spφzy

= 0,

pois, por hip´otese, Sp ´e uma solu¸c˜ao particular da 1EDP de Riccati (306). 2

Considere agora uma 2EDO racional (257). No caso em que a 1EDP de Riccati possui uma solu¸c˜ao racional cujo denominador ´e o denominador da 2EDO racional asso- ciada (o que ´e bastante comum quando a 2EDO racional associada possui um invariante elementar ou Liouvilliano), temos uma simetria na forma ν = eRx[pol/N], onde pol ´e um polinˆomio em (x, y, z). Considerando que a integra¸c˜ao R

x ´e a opera¸c˜ao inversa de Dx, n˜ao podemos, em geral, ‘operar’ a integra¸c˜ao assinalada. Contudo, podemos supor que, se alguma parte (dependente apenas dex) puder ser integrada, devemos ter um formato geral do tipo

νp =e

f(x) + Z

x

g(x) P

N

, (313)

ondeg(x) ´e uma fun¸c˜ao racional de x, f(x) ´e uma fun¸c˜ao racional de xou um logaritmo neperiano de uma fun¸c˜ao racional dex,P ´e um polinˆomio em (x, y, z) eN ´e o denominador da 2EDO racional (257). Substituindo (313) na 2EDP para a simetria, vamos obter Dx2[f] +Dx

gP

N

+

Dx[f] +gP N

2

Dx[f] +gP N

φz−φy = 0. (314)

Como f e g dependem apenas de x e N ´e um polinˆomio conhecido (o denomidador da 2EDO), podemos pensar em um algoritmo para resolver / reduzir a 2EDO:

Os passos do algoritmo:

1. Fa¸ca n= 1.

2. Construa um polinˆomio P de grau nnas vari´aveis (x, y, z) com coeficientes indeter- minados ai.

3. Substitua P na equa¸c˜ao (314) e expanda a equa¸c˜ao resultante em potˆencias de y e z.

4. Resolva o sistema de equa¸c˜oes obtido para f, g e para os ai.

5. Caso obtenha solu¸c˜ao, construa a simetria e v´a para o passo 6. Caso contr´ario, fa¸ca n =n+ 1 e v´a para o passo 2.

6. Para cada solu¸c˜ao, encontre um invariante do grupo definido porνp (que define uma 1EDO reduzida).

7. Resolva a(s) 1EDO(s) reduzida(s) e encontre a solu¸c˜ao geral da 2EDO.

Observa¸c˜ao 5.3 : Cada solu¸c˜ao n˜ao trivial do sistema de equa¸c˜oes para f, g e os ai

leva a uma simetria da 2EDO definida por νp =e(f(x)+Rx[g(x)PN]).

Observa¸c˜ao 5.4 : Caso obtenhamos duas solu¸c˜oes independentes, teremos, ap´os o passo 6, resolvido totalmente o problema, ou seja, n˜ao ser´a necess´ario (obviamente) integrar as duas 1EDOs reduzidas que obtivemos.

Observa¸c˜ao 5.5 : A descri¸c˜ao dos passos do algoritmo ´e mais did´atica do que t´ecnica, no sentido que alguns passos s˜ao muito mais complexos que outros. Os passos 4 e 6, por exemplo, s˜ao muito extensos (e complexos), ou seja, realiz´a-los nem sempre ´e uma tarefa simples. O ponto aqui ´e que esses passos podem ser tratados de maneira mais simples que outras alternativas ao processo como um todo. Para mais informa¸c˜ao, veja o cap´ıtulo 6, que apresenta uma discuss˜ao do desempenho do pacote computacional que implementa este algoritmo.

Observa¸c˜ao 5.6 : O algoritmo descrito acima ´e, na verdade, um semi-algoritmo, uma vez que ele pode n˜ao terminar.

5.3.2 Um Estudo de Caso

Vamos aplicar o algoritmo que construimos (descrito na subse¸c˜ao anterior) a uma 2EDO racional para ilustrar a aplica¸c˜ao do m´etodo na pr´atica: considere a 2EDO racional z0 = x3yz+ 2x3z2−zx3−3x2zy−3x2z2 + 3x2z−y2−yz+z2+y−z

x3y−x3+y . (315)

Vamos aplicar o algoritmo passo a passo:

Passo 1: n= 1.

Passo 2: P =a1+a2x+a3y+a4z.

Passo 3: Substituindo P na equa¸c˜ao (314) e separando em potˆencias de y e z, obtemos (omitimos a dependˆencia de x nas equa¸c˜oes para simplificar a nota¸c˜ao):

−2x3+g a4+ 3x2−1

−x3+g a4−1

= 0, (316)

(2a4x3+ 2a4)g−4x6+ 6x5−6x3+ 6x2−2

f0+ (a4x3+a4)g0+

+2g2a3a4+ (−4a3x3+ 6a3x2−3a4x2−2a3)g = 0, (317) ...,

onde omitimos quatro equa¸c˜oes para simplificar a apresenta¸c˜ao.

Passo 4: Resolvendo a primeira equa¸c˜ao (316) parag(x), obtemosg(x) = 2x3−3ax2+1

4

ou g(x) = x3a+1

4 . Substituindo g(x) = 2x3−3ax2+1

4 na segunda equa¸c˜ao (317), obtemos 3x a4(x3 +x−2) = 0 ⇒ a4 = 0, inviabilizando esta solu¸c˜ao. Substituindo g(x) = x3a+1

4

na segunda equa¸c˜ao (317) e resolvendo para f0, obtemos f0 =−aa3

4 ⇒ f =−aa3

4 x. Subs- tituindo f =−aa3

4 x eg(x) = x3a+1

4 nas equa¸c˜oes restantes vamos obter o seguinte sistema de equa¸c˜oes alg´ebricas:

a2 = 0, a22 = 0, 4a2 = 0, −3a2 = 0, a2 = 0, −a1−a4 = 0, 3a1 + 3a3 = 0, 6a1 + 6a3 = 0, a1 + 6a4 = 0, −3a1+ 6a2 −3a3 = 0, −a1 + 4a2 −a3 = 0, a1+a2 +a4 = 0, 5a2 +a3 −a4 = 0, 4a1−6a2 +a3 + 3a4 = 0, a12+a1a4 = 0, 2a1a2 +a2a4 = 0, −3a1a4 + 2a22−3a3a4 = 0, 2a1a2 + 2a2a3 +a2a4 = 0, 4a1a2 + 2a2a3+ 2a2a4 = 0, 2a12 + 2a1a3 + 2a1a4 −a2a4+a3a4 +a42 = 0,

a12 + 2a1a3 +a1a4 −4a2a4+a32+a3a4 = 0. (318) A solu¸c˜ao do sistema ´e a1 =−a4, a2 = 0, a3 =a4, a4 =a4 e, portanto,f =−x.

Passo 5: Usando a solu¸c˜ao a1 =−a4, a2 = 0, a3 = a4, a4 =a4, f =−x, g(x) =

x3+1

a4 , podemos construir ν:

νp =e

−x+ Z

x

(x3+ 1)(z+y−1) x3y−x3+y

. (319)

Passo 6: Usando a simetria encontrada, podemos chegar ao invariante I = e−x(zx3 −y)

z+y−1 . (320)

Passo 7: A partir da 1EDO definida pelo invariante (I = C1) z= ye−x+ C1y− C1

e−xx3− C1 , (321)

podemos resolvˆe-la usando o m´etodo de simetrias de Lie. Por exemplo o comandosymgen da plataforma simb´olica MAPLE encontra a simetria

ξ= 0, η = e

−x− Z

− x3+ 1 x3−ex+kdx

, (322)

levando `a solu¸c˜ao geral y(x) =

Z

− C1e

R C1+e−x

exx3C1dx

e−xx3− C1−1

dx+ C2

e

R C1+e−x

exx3C1dx

. (323)

Como a 1EDO (321) foi constru´ıda a partir deI = C1, sua solu¸c˜ao geral (323) ´e tamb´em a solu¸c˜ao geral da 2EDO (315).

6 IMPLEMENTAC¸ ˜AO COMPUTACIONAL

Neste cap´ıtulo vamos apresentar uma implementa¸c˜ao dos algoritmos (dicutidos nos cap´ıtulos anteriores) em um ambiente computacional e estudar o seu desempenho quando aplicado a casos concretos. Os algoritmos ser˜ao implementados em dois pacotes com- putacionais na plataforma MAPLE14. Escolhemos a plataforma MAPLE de computa¸c˜ao simb´olica por ser muito vers´atil e male´avel e, por isso, permitir uma implementa¸c˜ao de ferramentas de an´alise (e de algoritmos complexos) bem mais eficiente do que ´e poss´ıvel em outras linguagens simb´olicas. O cap´ıtulo ser´a organizado da seguinte maneira:

Na primeira se¸c˜ao descreveremos o primeiro pacote, que foi desenhado para a busca de simetrias e posterior solu¸c˜ao de 1EDPs em duas vari´aveis. Usamos os algoritmos discutidos nos cap´ıtulos 1 e 3.

Na se¸c˜ao seguinte descreveremos o segundo pacote que aproveita-se da rela¸c˜ao entre 1EDPs polinomiais quase-lineares em trˆes vari´aveis e 2EDOs racionais desenvolvida teo- ricamente no cap´ıtulo 3. Implementamos algoritmos capazes de encontrar simetrias (at´e n˜ao locais) e invariantes de 2EDOs racionais e solu¸c˜oes particulares de 1EDPs polinomiais quase-lineares em trˆes vari´aveis.

Na ´ultima se¸c˜ao comentaremos o desempenho desses dois pacotes em compara¸c˜ao a implementa¸c˜oes computacionais em MAPLE. Novamente escolhemos o MAPLE por ser, provavelmente, a plataforma que apresenta as implementa¸c˜oes mais poderosas (e abrangentes) na ´area.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 65-71)

Documentos relacionados