sistemas de indicadores estratégicos de criminalidade usado pela PMERJ. Por isso, é uma condição para a condução de programas de segurança pública a utilização de indicadores não apenas relacionados a crimes, mas também a processos e atendimentos de natureza social. Sem esse tipo de sistema de monitoramento, temos dificuldade para acessar dados e realizar avaliações sobre o desempenho de projetos, em especial na área de segurança pública.
É o que ocorre, por exemplo, com o PSP, em que os dados disponibilizados são elaborados e processados internamente, sendo de grande importância que passem a ser tratados e disponibilizados de forma ampla e aberta para a sociedade, nos moldes do trabalho realizado pelo Instituto de Segurança Pública.
que criou o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), para exercer o controle externo da atividade policial. Diz a referida normativa:
CONSIDERANDO a necessidade de otimização das ações do Ministério Público no tocante ao controle externo da atividade policial e à tutela dos direitos transindividuais relacionados ao sistema carcerário ou prisional, civil ou militar, bem como as atividades e serviços de segurança pública e persecução criminal;
[...] § 1o − O GAESP terá́ atuação em todo o Estado do Rio de Janeiro [...];
(RIO DE JANEIRO, 2015b)
Vale dizermos que o MPERJ não dispõe de recursos humanos suficientes para exercer esse controle sobre uma instituição com o tamanho e complexidade como a PMERJ, acabando por atuar em casos de maior repercussão, ou abrindo inquéritos civis sobre assuntos de caráter geral, como forma de comprometer a instituição por meio de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) a promover determinadas alterações ou revisões que, se atendidas, evitarão a denúncia ao Poder Judiciário.
Já os mecanismos de controle internos são divididos em implícitos ou explícitos. Este último se localiza dentro das forças policiais, e, no caso da PMERJ, a principal instância é a Corregedoria Geral da Polícia Militar (CGPM). O Regimento Interno deste órgão foi formalizado por meio do “Boletim de Instrução Policial nº 214/02”, e definiu a sua estrutura organizacional, estabelecendo normas de administração e fiscalização que deveriam ser implementadas.
A missão da CGPM, de acordo com a referida portaria, é: assessorar o Comandante Geral em matérias inerentes à Justiça e Disciplina; promover e Coordenar a apuração das infrações penais militares e transgressões determinadas pelo Comandante Geral; acompanhar os ilícitos penais e transgressões dos integrantes da PMERJ; promover e Coordenar as atividades de investigações e Perícias Militares; coordenar e fiscalizar os assuntos prisionais da Corporação;
promover a integração com os Órgãos do Poder Judiciário, Ministério Público do estado, Defensoria Pública, Corregedorias e Ouvidorias.
Para promoção da apuração de crimes militares e transgressões disciplinares, a CGPM estabeleceu uma estrutura descentralizada com oito Delegacias de Polícia Judiciária Militar, divididas por região e por finalidade específica, no caso das Unidades de Polícia Pacificadora, a saber:
1ª DPJM – sua sede está situada no bairro do Méier/RJ e exerce sua atividade correcional na área do 1º Comando de Policiamento de Área (Zona Sul, Centro, Zona da Leopoldina e Zona Norte do RJ).
2ª DPJM – sua sede fica na Rua Arindo da Silva Alves, nº 126 - Padre Miguel - CEP.21.740-000, e exerce sua atividade correcional na área do 2º Comando de Policiamento de Área (Zona Oeste do RJ).
3ª DPJM – sua sede está situada no Município de Nova Iguaçu e exerce sua atividade correcional na área do 3º Comando de Policiamento de Área (Baixada Fluminense).
4ª DPJM - sua sede está situada no Município de Niterói e exerce sua atividade correcional na área do 4º Comando de Policiamento de Área (Região Metropolitana e Região dos Lagos).
5ª DPJM – suas instalações, em fase de término, estão sendo construídas no Município de Barra do Piraí. Esta Delegacia exercerá sua atividade correcional na área do 5º Comando de Policiamento de Área (Regiões do Vale do Paraíba e Costa Verde).
6ª DPJM – sua sede está situada no Município de Campos e exerce sua atividade correcional na área do 6º Comando de Policiamento de Área (Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro).
7ª DPJM – sua sede está situada no Município de Nova Friburgo e exerce sua atividade correcional na área do 7º Comando de Policiamento de Área (Região Serrana).
8ª DPJM: sua sede está situada no bairro de Bonsucesso – Zona da Leopoldina e exerce sua atividade correcional nas áreas das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Em relação à articulação com a política prisional referente aos policiais militares que recebem ordem judicial para iniciarem regime fechado, a CGPM coordena o funcionamento de uma Unidade Prisional situada no Município de Niterói, que possuía em 2018 em torno de 250 militares46.
Quanto a atividades de perícia, a Corregedoria mantém um Centro de Criminalística localizado no bairro Sulacap/RJ, em instalações da área do CFAP – 31 de Voluntários, e conta com o efetivo de 58 policiais militares, especialistas na área de perícia técnica voltada para a incidência de crimes militares.
Ainda no que tange ao controle interno na PMERJ, temos as instâncias de supervisão que acontecem em três níveis, conforme os itens I a IV do artigo 9º da Instrução Normativa n.º 23, publicada no aditamento ao “Boletim de Instrução Policial nº 027/15”:
46 Excepcionalmente, não apenas policiais militares estão presos na Unidade Prisional (UP). Em 2019 estava na preso na UP o ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (G1 RIO, 2019).
Supervisão de Alto Escalão, que divide-se em Supervisão do Comandante Geral e Supervisão do Estado Maior. Ambas abrangem todo o estado;
Supervisão de Médio Escalão, que divide-se em Supervisão do Comando e seu Estado Maior, e Supervisão dos demais Oficiais. Ambas ocorrem na área de um Comando Intermediário, relativas a uma região do estado;
Supervisão de Pequeno Escalão, que divide-se em três: Supervisão do Comando; Supervisão de Oficiais; e Supervisão de Graduados. São realizadas no âmbito de uma Organização Policial Militar, como um Batalhão.
Supervisão de Oficial e a Supervisão de Graduado ocorrem diuturnamente e são as que tem contato mais direto com o policiamento ordinário e tem as seguintes finalidades: orientar o pessoal de serviço; fiscalizar o cumprimento da missão; apoiar o policiamento; verificar o armamento e o equipamento dos homens e viaturas; e fiscalizar o cumprimento das escalas (Grifo nosso.).
Note-se que em relação à supervisão mais direta e próxima ao policial militar que atua nas ruas está a Supervisão de Oficial e a Supervisão de Graduado. Isso representa um oficial e um praça monitorando todo o efetivo de um Batalhão. Eles devem acompanhar ocorrências de alta complexidade, apoiar a realização de operações, responder a prioridades, garantir que as trocas de turnos ocorram em seu tempo adequado, substituir policiais que tenham problemas de qualquer tipo, enfim, uma série de atividades que tornam muito difícil realizar com o tempo devido às principais atribuições previstas para a Supervisão relacionadas a orientação e fiscalização.
Já o sistema interno implícito depende do grau de comprometimento dos policiais com as próprias normas institucionais. Este controle é fragilizado pelo distanciamento entre o policial de rua de sua supervisão, aliado uma expectativa de ser pouco valorizado pela sociedade e com condições de trabalho desgastantes, o que acarreta resistência a aderir ao conjunto de regras e valores da Instituição. Essa dinâmica acaba fazendo com que sua correção de condutas tenha que ser garantida por um esgarçado controle interno explícito promovido pelas Corregedoria47 e Seções de Justiça e Disciplina que existem em cada unidade policial militar.
Observamos, durante as entrevistas e por meio da observação de campo, que apesar da estrutura da CGPM envolver diferentes unidades, o efetivo e os recursos disponíveis são insuficientes para um trabalho de controle em uma perspectiva preventiva, voltado para orientação e monitoramento do trabalho policial, o emprego do
47 Atualmente designada como Corregedoria Geral da Polícia Militar, a partir da passagem da PMERJ ao estatuto de Secretaria de Estado de Polícia Militar, em 01 de janeiro de 2019.
Anteriormente era nomeada como Corregedoria Interna da Polícia Militar (CIntPM).
uso da força e demais elementos sensíveis para promoção de legitimidade junto à comunidade. O sistema de controle interno implícito acaba por agir a posteriori, de forma reativa, em uma abordagem mais punitiva do que de controle da atividade policial.
Por sua vez, o controle externo inclusivo possui poucos recursos, e foca sua atuação sobre casos de maior envergadura, envolvendo desvios de conduta, buscando através dos TACs uma ação mais preventiva e corretiva, mas que também tem dificuldade de se tornarem efetivas em razão de em geral demandarem grandes investimentos do Estado, que, por sua vez alega queda na arrecadação ou, mais recentemente, regime de recuperação fiscal, para não atender aos dispositivos previstos no Termo.
Diante desse cenário, o sistema de controle interno e externo na PMERJ acaba por enfatizar uma atuação reativa, a posteriori, o que é especialmente preocupante quando o policial é demandado a realizar constantes abordagens a pessoas e a interagir mais frequentemente com o cidadão, como no caso do PSP.