• Nenhum resultado encontrado

VARIÁVEIS DE PESQUISA PROPOSTAS

No documento A CERTIFICAÇÃO EM SUSTENTABILIDADE (NBR (páginas 169-173)

Uma variável corresponde a todo elemento ou característica observada, registrada e mensurada que varia em um determinado fenômeno (BARROS;

LEHFELD, 2007). É uma unidade racional de análise que pode assumir um ou mais valores e também pode ser definida como característica ou propriedade que varia entre indivíduos ou conjuntos de indivíduos. As variáveis representam as características que podem ser modificadas, assumir qualquer valor de um conjunto determinado e ser organizadas para permitir a definição de relações causais (SCHLÜTER, 2003). Podem ser classificadas conforme o nível de especificação (gerais, intermediárias e empíricas), o caráter escalar ou de mensuração (nominais, ordinais, intervalares e de razão) e a posição ou relação estabelecida (independente, dependente, interveniente e controlada) (BARROS; LEHFELD, 2007).

Na elaboração dos roteiros das entrevistas semiestruturadas das Fases 1 e 2 foram utilizadas diversas variáveis quanti e qualitativas, delineadas a partir dos levantamentos efetuados no referencial teórico, que pudessem relacionar as dimensões e categorias temáticas com os objetivos definidos de estudo junto aos MH nacionais sobre as práticas sustentáveis implantadas e a certificação em sustentabilidade NBR15401.

As variáveis e indicadores propostos para este estudo referentes à decisão estratégica em sustentabilidade constam no Quadro 23, que foi construído de acordo com as dimensões e categorias temáticas de estudo, e traz os principais autores de referência a elas relacionados:

Quadro 23 – Variáveis e indicadores propostos na pesquisa

DIMEN-

SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊN-

CIA

Caracterização da empresa

Perfil do MH

Porte da empresa Número de UH. Número de colaboradores. Faturamento bruto.

Skinner, Font e Sanabria, 2004; Dwyer e Kim, 2003.

Segmento de

atuação Tipo de atuação. Público-alvo.

Categoria de MH

Classificação no SBClass e do nível de serviços prestados. Faixa

de preços praticados.

Propriedade Independente ou de rede.

Continua

Em continuação

DIMEN-

SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊN-

CIA

Recursos Internos

Físicos

Localização Cidade. Região.

Barney, 1991; Grant,

1991;

Rivera, 2000 e 2002;

Melián- González;

García- Falcón, 2003; Kor e

Mahoney, 2004;

Hocayen-da- Silva e Teixeira,

2007;

Massukado- Nakatani e Teixeira,

2009.

Instalações Ano de construção do imóvel e da última reforma ou ampliação.

Maquinário e equipamentos

Compras e uso de equipamentos ecoeficentes.

Capital Humano

Treinamentos

Horas de treinamento por ano.

Número de funcionários capacitados por ano.

Experiência Tempo de serviço médio dos funcionários. Taxa de turnover.

Trabalho da equipe

técnica e gerencial Qualificação da equipe gerencial.

Financeiros Capital monetário Valor de investimentos com capital próprio. Financiamentos obtidos.

Organiza- cionais

Cultura organizacional

Existência de políticas organizacionais. Mensuração do

clima organizacional.

Sistemas de controle, coordenação e

planejamento

Existência de sistemas de controle, coordenação e planejamento e

como são efetuados Arquitetura

Organizacional

Relacionamentos com organizações públicas e privadas

Participação em associações setoriais e programas públicos.

Parcerias estabelecidas.

Decisão estragica em sustentabilidade

Vantagem competitiva

Inimitabilidade Dotação de recurso(s) único(s) de difícil imitação pela concorrência.

Porter, 1980, 1985, 1998;

Collis e Montgomery,

1995;

Crouch e Ritchie,

1999;

Vasconcelos e Cyrino, 2000; Dwyer e Kim, 2003;

Ritchie e Crouch,

2003.

Durabilidade Grau de depreciação do(s) recurso(s) único(s).

Apropriabilidade Valor capturado com o(s) recurso(s) único(s).

Substitutabilidade Grau de substituição do(s) recurso(s) único(s).

Superioridade competitiva

Grau de superioridade proporcionado pelo(s) recurso(s)

único(s).

Certificação em sustentabi-

lidade

Iniciativas e normas de certificação em sustentabilidade.

Existência de política ambiental.

Conhecimento de iniciativas e normas de certificação em sustentabilidade. Participação em

processo de certificação ou rotulagem em sustentabilidade.

Mihalic, 2000; Font e

Tribe, 2001;

Buckley 2002; Boer,

2003;

Bohdano- wicz, 2005;

Darnall, 2008.

Continua

Em continuação

DIMEN-

SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊNCIA

Fatores Influenciadores

Macro- ambiente

Políticas e ações governamentais

Benefícios públicos recebidos.

Legislação aplicada.

Mintzberg, 1973; Porter, 1980, 1985 e

1998.

Economia Taxa de câmbio. Taxa de juros.

Incidência tributária.

Tecnologia

Impactos das novas tecnologias.

Custos de aquisição e manutenção de novas tecnologias.

Sociedade

Pressões socioambientais.

Cumprimento da legislação.

Conduta ética.

Demanda

Qualidade dos serviços. Preço.

Localização. Segurança.

Infraestrutura. Diferenciação.

Micro- ambiente

Grau de rivalidade Número de concorrentes. Existência de parcerias e associações locais.

Mintzberg, 1973; Porter, 1980, 1985 e

1998.

Fornecedores

Número de fornecedores locais.

Grau de dependência dos fornecedores.

Produtos ou serviços substitutos

Existência de produtos e serviços substitutos. Impactos de produtos e

serviços substitutos.

Consumidores

Poder de escolha do consumidor.

Nível de exigências. Relação custo x benefícios. Cobranças por práticas

sustentáveis.

Novos entrantes Barreiras existentes. Grau de diferenciação dos serviços.

Decisão Estragica em Sustentabilidade

Decisão em sustentabi-

lidade

Tomada de decisão Processo de tomada de decisão.

Decisores principais.

Mintzberg, 1973;

Vithessonthi, 2009.

Práticas e atitudes sustentáveis

Práticas socioambientais

Práticas adotadas. Meios de mensuração dos resultados.

Knowles et al., 1999; Hobson

e Essex, 2001; Ayuso,

2007;

Vithessonthi, 2009.

Decisão sustentável

Motivos da decisão sustentável.

Objetivos almejados. Tempo de adoção de práticas sustentáveis.

Capital investido.

Incentivos ao turismo sustentável

Políticas e programas públicos

de turismo sustentável

Existência de programas públicos de turismo sustentável. Incentivos de adesão aos programas públicos de

turismo sustentável.

Hobson e Essex, 2001;

Buckley, 2002; Rivera, 2000 e 2002;

Boer, 2003;

Rivera e Leon, 2005; Le et

al., 2006;

Ayuso, 2006 e 2007;

Tomazzoni, Zanett e Laidens, 2009.

Parcerias e programas privados de turismo

sustentável

Existência de parcerias e programas privados de turismo sustentável.

Incentivos de adesão aos programas privados de turismo sustentável.

Reconhecimento em turismo sustentável

Obtenção de prêmio e/ou selo em turismo sustentável.

Continua

Em continuação

DIMEN-

SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊNCIA

Desempenho do MH

Desempenho Econômico

Ocupação e vendas

Taxa de ocupação das UH. Taxa de satisfação dos clientes. Valor

das vendas totais.

Mihalic, 2000;

Rivera, 2000 e 2002; Bader, 2005; Rivera e

Leon, 2005;

Koens, Dieperink e

Miranda, 2009; Robinot

e Gianneloni, 2010; Tarí et

al., 2010;

Kozak e Martin, 2012.

Preços praticados Preços das diárias. Margem de lucro.

Custos Custo médio por diária.

Faturamento Faturamento bruto anual.

Desempenho Social

Apoio à comunidade

Apoio às iniciativas socioculturais locais. Número de fornecedores

locais. IH, 2004b;

Medina, 2005;

Robinot e Gianneloni, 2009 e 2010.

Força de trabalho

Número de trabalhadores locais.

Porcentagem de pessoas portadoras de deficiência.

Porcentagem de mulheres em cargos gerenciais. Taxa de

turnover.

Desempenho Ambiental

Recursos naturais

Recursos naturais poupados.

Consumo de água e energia.

Compra de insumos sustentáveis.

Rivera, 2000 e 2002; IH, 2004b; Cunha

e Cunha, 2005.

Tecnologias ambientais empregadas

Existência de sistema de gestão ambiental. Uso de tecnologias limpas. Uso de fontes renováveis

de energia.

Resíduos gerados

Geração de resíduos (hóspede por noite). Porcentagem de resíduos

destinados a reciclagem.

Desse modo, na Fase 1 de pesquisa as entrevistas foram efetuadas com base em 28 questões, conforme constantes no Apêndice I, que versaram sobre a caracterização do MH (primeiro bloco) e sobre as influências e impactos da decisão estratégica em sustentabilidade (quatro blocos), quanto: aos fatores (ambientais ou externos); aos recursos internos; à vantagem competitiva; e, ao Desempenho (econômico, social e ambiental).

A Fase 2 de pesquisa seguiu base similar, conforme constante no roteiro da Fase 1, com um total de 29 questões divididas em 5 blocos, conforme o Apêndice J.

Houve a necessidade de realização de perguntas diferenciadas para captar fatores e condições ligadas ao fato dos MH não serem certificados pela NBR15401.

Houve ainda a perspectiva de obter dados relativos às variáveis e indicadores para a tomada de decisão em sustentabilidade durante as visitas e entrevistas com os gestores de modo a validar os itens propostos no Quadro 22. Todavia na etapa de contato inicial com os gestores para marcação das visitas e das entrevistas nos dois grupos de pesquisa foi efetuado questionamento sobre a existência de metodologias internas de mensuração que fornecessem dados sobre a gestão e os impactos de adesão à sustentabilidade. Apenas dentre os MH da Fase 1 foram citados alguns indicadores existentes. Nos MH da Fase 2 inexistem tais indicadores, o que tornou inviável realizar comparações quantitativas entre os MH dos grupos de pesquisa. Desta feita, a validação dos instrumentos de coleta de dados (roteiros de entrevistas) ocorreu com base na fundamentação teórica do estudo.

No documento A CERTIFICAÇÃO EM SUSTENTABILIDADE (NBR (páginas 169-173)