Uma variável corresponde a todo elemento ou característica observada, registrada e mensurada que varia em um determinado fenômeno (BARROS;
LEHFELD, 2007). É uma unidade racional de análise que pode assumir um ou mais valores e também pode ser definida como característica ou propriedade que varia entre indivíduos ou conjuntos de indivíduos. As variáveis representam as características que podem ser modificadas, assumir qualquer valor de um conjunto determinado e ser organizadas para permitir a definição de relações causais (SCHLÜTER, 2003). Podem ser classificadas conforme o nível de especificação (gerais, intermediárias e empíricas), o caráter escalar ou de mensuração (nominais, ordinais, intervalares e de razão) e a posição ou relação estabelecida (independente, dependente, interveniente e controlada) (BARROS; LEHFELD, 2007).
Na elaboração dos roteiros das entrevistas semiestruturadas das Fases 1 e 2 foram utilizadas diversas variáveis quanti e qualitativas, delineadas a partir dos levantamentos efetuados no referencial teórico, que pudessem relacionar as dimensões e categorias temáticas com os objetivos definidos de estudo junto aos MH nacionais sobre as práticas sustentáveis implantadas e a certificação em sustentabilidade NBR15401.
As variáveis e indicadores propostos para este estudo referentes à decisão estratégica em sustentabilidade constam no Quadro 23, que foi construído de acordo com as dimensões e categorias temáticas de estudo, e traz os principais autores de referência a elas relacionados:
Quadro 23 – Variáveis e indicadores propostos na pesquisa
DIMEN-
SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊN-
CIA
Caracterização da empresa
Perfil do MH
Porte da empresa Número de UH. Número de colaboradores. Faturamento bruto.
Skinner, Font e Sanabria, 2004; Dwyer e Kim, 2003.
Segmento de
atuação Tipo de atuação. Público-alvo.
Categoria de MH
Classificação no SBClass e do nível de serviços prestados. Faixa
de preços praticados.
Propriedade Independente ou de rede.
Continua
Em continuação
DIMEN-
SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊN-
CIA
Recursos Internos
Físicos
Localização Cidade. Região.
Barney, 1991; Grant,
1991;
Rivera, 2000 e 2002;
Melián- González;
García- Falcón, 2003; Kor e
Mahoney, 2004;
Hocayen-da- Silva e Teixeira,
2007;
Massukado- Nakatani e Teixeira,
2009.
Instalações Ano de construção do imóvel e da última reforma ou ampliação.
Maquinário e equipamentos
Compras e uso de equipamentos ecoeficentes.
Capital Humano
Treinamentos
Horas de treinamento por ano.
Número de funcionários capacitados por ano.
Experiência Tempo de serviço médio dos funcionários. Taxa de turnover.
Trabalho da equipe
técnica e gerencial Qualificação da equipe gerencial.
Financeiros Capital monetário Valor de investimentos com capital próprio. Financiamentos obtidos.
Organiza- cionais
Cultura organizacional
Existência de políticas organizacionais. Mensuração do
clima organizacional.
Sistemas de controle, coordenação e
planejamento
Existência de sistemas de controle, coordenação e planejamento e
como são efetuados Arquitetura
Organizacional
Relacionamentos com organizações públicas e privadas
Participação em associações setoriais e programas públicos.
Parcerias estabelecidas.
Decisão estratégica em sustentabilidade
Vantagem competitiva
Inimitabilidade Dotação de recurso(s) único(s) de difícil imitação pela concorrência.
Porter, 1980, 1985, 1998;
Collis e Montgomery,
1995;
Crouch e Ritchie,
1999;
Vasconcelos e Cyrino, 2000; Dwyer e Kim, 2003;
Ritchie e Crouch,
2003.
Durabilidade Grau de depreciação do(s) recurso(s) único(s).
Apropriabilidade Valor capturado com o(s) recurso(s) único(s).
Substitutabilidade Grau de substituição do(s) recurso(s) único(s).
Superioridade competitiva
Grau de superioridade proporcionado pelo(s) recurso(s)
único(s).
Certificação em sustentabi-
lidade
Iniciativas e normas de certificação em sustentabilidade.
Existência de política ambiental.
Conhecimento de iniciativas e normas de certificação em sustentabilidade. Participação em
processo de certificação ou rotulagem em sustentabilidade.
Mihalic, 2000; Font e
Tribe, 2001;
Buckley 2002; Boer,
2003;
Bohdano- wicz, 2005;
Darnall, 2008.
Continua
Em continuação
DIMEN-
SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊNCIA
Fatores Influenciadores
Macro- ambiente
Políticas e ações governamentais
Benefícios públicos recebidos.
Legislação aplicada.
Mintzberg, 1973; Porter, 1980, 1985 e
1998.
Economia Taxa de câmbio. Taxa de juros.
Incidência tributária.
Tecnologia
Impactos das novas tecnologias.
Custos de aquisição e manutenção de novas tecnologias.
Sociedade
Pressões socioambientais.
Cumprimento da legislação.
Conduta ética.
Demanda
Qualidade dos serviços. Preço.
Localização. Segurança.
Infraestrutura. Diferenciação.
Micro- ambiente
Grau de rivalidade Número de concorrentes. Existência de parcerias e associações locais.
Mintzberg, 1973; Porter, 1980, 1985 e
1998.
Fornecedores
Número de fornecedores locais.
Grau de dependência dos fornecedores.
Produtos ou serviços substitutos
Existência de produtos e serviços substitutos. Impactos de produtos e
serviços substitutos.
Consumidores
Poder de escolha do consumidor.
Nível de exigências. Relação custo x benefícios. Cobranças por práticas
sustentáveis.
Novos entrantes Barreiras existentes. Grau de diferenciação dos serviços.
Decisão Estratégica em Sustentabilidade
Decisão em sustentabi-
lidade
Tomada de decisão Processo de tomada de decisão.
Decisores principais.
Mintzberg, 1973;
Vithessonthi, 2009.
Práticas e atitudes sustentáveis
Práticas socioambientais
Práticas adotadas. Meios de mensuração dos resultados.
Knowles et al., 1999; Hobson
e Essex, 2001; Ayuso,
2007;
Vithessonthi, 2009.
Decisão sustentável
Motivos da decisão sustentável.
Objetivos almejados. Tempo de adoção de práticas sustentáveis.
Capital investido.
Incentivos ao turismo sustentável
Políticas e programas públicos
de turismo sustentável
Existência de programas públicos de turismo sustentável. Incentivos de adesão aos programas públicos de
turismo sustentável.
Hobson e Essex, 2001;
Buckley, 2002; Rivera, 2000 e 2002;
Boer, 2003;
Rivera e Leon, 2005; Le et
al., 2006;
Ayuso, 2006 e 2007;
Tomazzoni, Zanett e Laidens, 2009.
Parcerias e programas privados de turismo
sustentável
Existência de parcerias e programas privados de turismo sustentável.
Incentivos de adesão aos programas privados de turismo sustentável.
Reconhecimento em turismo sustentável
Obtenção de prêmio e/ou selo em turismo sustentável.
Continua
Em continuação
DIMEN-
SÃO CATEGORIA VARIÁVEL INDICADOR REFERÊNCIA
Desempenho do MH
Desempenho Econômico
Ocupação e vendas
Taxa de ocupação das UH. Taxa de satisfação dos clientes. Valor
das vendas totais.
Mihalic, 2000;
Rivera, 2000 e 2002; Bader, 2005; Rivera e
Leon, 2005;
Koens, Dieperink e
Miranda, 2009; Robinot
e Gianneloni, 2010; Tarí et
al., 2010;
Kozak e Martin, 2012.
Preços praticados Preços das diárias. Margem de lucro.
Custos Custo médio por diária.
Faturamento Faturamento bruto anual.
Desempenho Social
Apoio à comunidade
Apoio às iniciativas socioculturais locais. Número de fornecedores
locais. IH, 2004b;
Medina, 2005;
Robinot e Gianneloni, 2009 e 2010.
Força de trabalho
Número de trabalhadores locais.
Porcentagem de pessoas portadoras de deficiência.
Porcentagem de mulheres em cargos gerenciais. Taxa de
turnover.
Desempenho Ambiental
Recursos naturais
Recursos naturais poupados.
Consumo de água e energia.
Compra de insumos sustentáveis.
Rivera, 2000 e 2002; IH, 2004b; Cunha
e Cunha, 2005.
Tecnologias ambientais empregadas
Existência de sistema de gestão ambiental. Uso de tecnologias limpas. Uso de fontes renováveis
de energia.
Resíduos gerados
Geração de resíduos (hóspede por noite). Porcentagem de resíduos
destinados a reciclagem.
Desse modo, na Fase 1 de pesquisa as entrevistas foram efetuadas com base em 28 questões, conforme constantes no Apêndice I, que versaram sobre a caracterização do MH (primeiro bloco) e sobre as influências e impactos da decisão estratégica em sustentabilidade (quatro blocos), quanto: aos fatores (ambientais ou externos); aos recursos internos; à vantagem competitiva; e, ao Desempenho (econômico, social e ambiental).
A Fase 2 de pesquisa seguiu base similar, conforme constante no roteiro da Fase 1, com um total de 29 questões divididas em 5 blocos, conforme o Apêndice J.
Houve a necessidade de realização de perguntas diferenciadas para captar fatores e condições ligadas ao fato dos MH não serem certificados pela NBR15401.
Houve ainda a perspectiva de obter dados relativos às variáveis e indicadores para a tomada de decisão em sustentabilidade durante as visitas e entrevistas com os gestores de modo a validar os itens propostos no Quadro 22. Todavia na etapa de contato inicial com os gestores para marcação das visitas e das entrevistas nos dois grupos de pesquisa foi efetuado questionamento sobre a existência de metodologias internas de mensuração que fornecessem dados sobre a gestão e os impactos de adesão à sustentabilidade. Apenas dentre os MH da Fase 1 foram citados alguns indicadores existentes. Nos MH da Fase 2 inexistem tais indicadores, o que tornou inviável realizar comparações quantitativas entre os MH dos grupos de pesquisa. Desta feita, a validação dos instrumentos de coleta de dados (roteiros de entrevistas) ocorreu com base na fundamentação teórica do estudo.