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A EMENDATIO LIBELLI NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO

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Academic year: 2023

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A ALTERAÇÃO LIBELLI NO JULGAMENTO PENAL BRASILEIRO: Uma Reinterpretação dos Axiomas. juro novit curia e diga mihi factum dabo tibi jus à luz dos princípios constitucionais. A todos os professores do Programa de Mestrado Acadêmico em Direito da UNIVALI, que compartilharam seus conhecimentos e contribuíram direta ou indiretamente para a conclusão deste trabalho.

RESUMO

RESUMEN

INTRODUÇÃO

383 da Lei de Processo Penal, estaria compatível com o devido processo legal, fundamental à observância do sistema acusatório? Em última análise, o referido instituto se confronta com os princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e do próprio sistema acusatório.

O DUE PROCESS OF LAW E OS PRINCÍPOS DECORRENTES DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA

CONSIDERAÇÕES PONTUAIS ACERCA DAS NORMAS (REGRAS E PRINCÍPIOS) CONSTITUCIONAIS

  • Os princípios e sua função ordenadora no ordenamento jurídico O Direito, entendido como condição inerente ao ser humano e expressão
  • Classificação dos princípios e das regras constitucionais
    • Classificação dos princípios constitucionais
    • Classificação das regras (ou preceitos) constitucionais
  • A sede dos princípios e os princípios fundamentais da Constituição
  • Os preâmbulos constitucionais

Nesse sentido, diz Alexy, princípios são normas com alto grau de generalidade. Para José Afonso da Silva, claramente baseado nos ensinamentos de Gomes Canotilho, os princípios constitucionais são basicamente (ou melhor, reduzidos) a duas categorias: “princípios político-constitucionais” e “princípios jurídico-constitucionais”.

NOÇÕES GERAIS ACERCA DOS PRINCÍPIOS, DIREITOS FUNDAMENTAIS E GARANTIAS

Por fim, a quarta proposição, talvez a mais importante, refere-se à relação entre os direitos e as suas garantias. Tal como outros direitos, os direitos fundamentais consistem em expectativas negativas ou positivas, que correspondem a deveres (de benefícios) ou proibições (de danos).

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA COMO PRINCÍPIO NORTEADOR DO ESTADO BRASILEIRO

É certo, porém, que não é fácil conceituar e limitar o alcance da dignidade humana como princípio constitucional. Dessa forma, é fácil perceber a enorme importância da dignidade humana como princípio norteador do Estado brasileiro, bem como da convenção constitucional (e/ou regência), que conjuga todos os direitos fundamentais109 com sua obrigação inalienável. para garantir o seu fiel cumprimento.

O DEVIDO PROCESSO LEGAL COMO PRINCÍPIO REGENTE DO PROCESSO PENAL BRASILEIRO

  • Princípio reitor
  • Aspectos históricos
  • Previsão legal
  • Princípios decorrentes
    • Da ampla defesa

Mendes125 prossegue explicando que “no contexto das garantias do devido processo, o devido processo assume um alcance inédito e um significado único como postulado que traduz uma série de garantias”. Assim, segundo o mesmo autor, os princípios da contradição, da ampla proteção, da publicidade, da motivação e da justiça natural constituem aspectos complementares do processo jurídico regular. Isto implica o compromisso com o devido processo legal como regra processual fundamental e garantia suprema do jus libertatis.

Contudo, ainda há quem as trate como meras garantias processuais decorrentes do devido processo legal.133. Na verdade, é muito comum entre nós referir-se a uma garantia específica, como a do contraditório e da ampla defesa, ou da justiça natural e do devido processo legal.

O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E O PROCESSO PENAL BRASILEIRO

PONDERAÇÕES INICIAIS SOBRE O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

176 Quanto ao desenvolvimento do Estado de Direito, que passa pelo Estado de Direito Liberal, pelo Estado de Direito Social e, finalmente, pelo Estado de Direito Democrático, Lenio L. A novidade do Estado de Direito Democrático não reside na revolução de a estrutura social, mas deve-se notar que esta nova combinação inclui novas características do modelo tradicional. Fundamentos de direito constitucional; eleitos livremente por todos os cidadãos.”179 Assim, fica evidente a importância do princípio democrático para a consubstanciação de um Estado democrático de direito.

Voltando ao cerne da questão, José Afonso da Silva183 ensina que o Estado Democrático de Direito não resulta apenas da união dos conceitos de Estado Democrático e de Estado de Direito. Segundo o autor “É desse vínculo indissociável que se pode chamar o ponto positivo normativo do Estado Democrático de Direito”.

A ROUPAGEM DEMOCRÁTICA DO PROCESSO PENAL EMPÓS A PROMULGAÇÃO DA CARTA MAGNA DE 1988

  • Em busca da finalidade do processo penal
  • Identificando o verdadeiro objeto do processo penal

Na verdade, com a “democratização do processo penal e entrada no modelo transformativo”, como explica Aury Lopez Jr. Esta (alegação acusativa) é a finalidade do processo penal e é nisso que tudo se resume: objeto do processo. Por fim, Rangel242 enfatiza a importância de definir corretamente a finalidade do processo penal, a fim de identificar possíveis litispendências, coisa julgada.

Contudo, alerta que a chamada “intenção criminosa”, amplamente utilizada no direito penal e processual, não seria a verdadeira finalidade do processo penal. Portanto, o objeto do processo penal não é a imputação, mas sim aquilo que foi imputado, ou seja, o objeto dessa imputação.

O SISTEMA PROCESSUAL PENAL .1 Noções iniciais

  • Modalidades de sistemas processuais penais
    • Sistema inquisitivo
    • Sistema acusatório
    • Sistema misto
  • O sistema adotado pela Constituição brasileira

Pode-se dizer que a estrutura do processo penal de uma nação nada mais é do que um termómetro para os elementos corporativos ou autoritários da sua constituição. Resumidamente, Mirabete288 afirma que “No Brasil, a Constituição Federal assegura o sistema de Ministério Público nos processos criminais”. A doutrina tem procurado distinguir alguns princípios característicos do processo penal moderno, principalmente no que diz respeito ao sistema acusatório.

Daí a confirmação já sugerida de que o processo penal moderno é essencialmente de natureza inquisitorial; e, formalmente, em relação aos processos conduzidos na segunda fase da persecução penal, acusatória. Segundo Tucci, “o processo penal moderno é substancialmente inquisitorial em sua essência; e formalmente, em relação ao procedimento realizado na segunda fase da persecução penal, acusatória.”. apud NUCCI, Guilherme de Souza.

Além disso, o referido autor312 explicou que a dignidade da pessoa humana (e a sua ligação íntima e indissociável com os direitos fundamentais) é um dos postulados em que se baseia o direito constitucional moderno, cuja protecção deve ser o objectivo permanente da humanidade, o Estado e direito. Desta forma, o respeito fiel pelos direitos e garantias individuais torna-se essencial para que o homem “conserve a sua dignidade”.314 Por esta razão, Nucci assinala muito bem que o princípio da dignidade humana é “a base e o objectivo do governo democrático”. direito, que não pode ser contrariado ou afastado de qualquer cenário, especialmente do contexto penal e processual penal.”315. Assim, não deve ser menosprezada a influência da dignidade da pessoa humana como “princípio fundamental” das mudanças e desenvolvimento do sistema penal e principalmente do sistema processual.

Assim, deve-se estabelecer que existe uma estreita relação, ou uma grande influência, entre o princípio da dignidade da pessoa humana e a regulação processual, que é garantida constitucionalmente a todos os réus do país. Daqui decorre que Castanho de Carvalho319 muito bem conclui que o princípio da dignidade humana está constitucionalmente protegido pelo direito processual, que garante ao arguido não só “o direito de ser julgado de forma legal e justa”, mas também “o direito provar, contestar, repreender e defender-se de forma ampla, em processo público, com igualdade de tratamento em relação à outra parte na relação processual.”

O CONFRONTO ENTRE A EMENDATIO LIBELLI E OS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA (COROLÁRIOS DO

SISTEMA ACUSATÓRIO)

NOTAS INTRODUTÓRIAS

Em contrapartida, o fato na concepção do direito penal é uma entidade extraída de uma situação hipotética, de tipo penal, e não um fato concreto realizado pelo autor e introduzido no processo por meio de imputação. Se assim não fosse, cada vez que fosse proferida uma absolvição estaríamos perante um julgamento sem objecto. Em suma, o juiz trabalha com a hipótese da ocorrência de determinado fato que se diz ter acontecido concretamente.

O processo penal gira em torno da atribuição de uma situação real e concreta, e não de um tatbestand. Se o objecto do procedimento for um facto imputado, é um facto processual, é um facto concreto, um facto real e indivisível.

ASPECTOS DESTACADOS ACERCA DAS EXPRESSÕES JURA NOVIT CURIA E NARRA MIHI FACTUM DABO TIBI JUS

“IURA NOVIT CURIA” é um aforismo latino de grande importância no domínio do direito substantivo e processual. A partir desta estrutura etimológica podemos determinar que o aforismo latino “IURA NOVIT CURIA” significa “O tribunal reconhece os direitos”. A partir desta estrutura etimológica podemos determinar que o aforismo latino “IURA NOVIT CURIA” significa “O tribunal reconhece os direitos”.

Nos processos penais aplica-se o princípio do juro novit curia (princípio da livre dicção da lei), pelo qual se entende que o juiz conhece a lei, o que confirma o princípio narra mihi factum dabo tibi jus (diga-me o fato e você eu farei justiça).337 . A pretensão também decorre do princípio juro novit curia (o juiz conhece a lei), consubstanciado na regra narra mihi factum dabo tibi jus (diga-me o fato e eu lhe darei a lei).338.

A EMENDATIO LIBELLI NO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL BRASILEIRO

Nesse caso, há mudança na finalidade do processo, mas a reclamação ou reclamação não sofre nenhuma modificação ou mutação. O juiz pode, sem modificar a descrição do facto contido na denúncia, dar-lhe uma definição jurídica diferente, ainda que em consequência tenha de aplicar uma pena mais severa. 1. Se, em consequência de outra definição legal, houver possibilidade de propor a suspensão condicional do processo, o juiz procederá nos termos da lei.

O juiz poderá dar ao fato uma definição jurídica diferente da constante da acusação, embora o acusado receba pena mais severa." (BRASIL. Código de Processo Penal). 3. Se, em decorrência de definição jurídica diferente, for possível propor a suspensão condicional do processo, o juiz procederá de acordo com o disposto na lei.

A CORRELAÇÃO ENTRE ACUSAÇÃO E SENTENÇA EM CONFORMIDADE COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PARA O SISTEMA

  • Do Princípio da Correlação, Congruência ou Correspondência De acordo com Reinaldo Alves, “vigora no processo penal o princípio da
  • A importância da leitura do princípio da congruência no contexto do contraditório, da ampla defesa e do sistema acusatório

Aury Lopes Jr.371 enfatiza, assim, o quão fundamental é a leitura conjugada do princípio da congruência com os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa, bem como sua correlação com o sistema do contraditório, uma vez que está vinculado ao princípio da inércia da jurisdição ( ne procedat iudex ex officio), destaca uma série de pontos relevantes que precisam ser considerados. Não há mais razão para aceitar a exclusão das questões jurídicas do princípio da correlação no contexto do processo penal constitucional, pois há uma necessidade imperiosa de (re)ler o art. Da mesma forma, entende que seria uma forma de reducionismo pensar o princípio da congruência no sentido da acusação binomial, pois “não pode ser admitida uma decisão sobre matéria que não seja passível de contradição.

Em virtude do princípio da correlação entre sentença e pedido, é sempre imprescindível que o Ministério Público junte o pedido no caso de mutatio ou alteratio, bem como, em obediência ao princípio da ampla defesa, o acusado se manifeste especificamente sobre o além disso, e deve novamente ser citado e questionado. 387 que a aplicação (ou alcance) do princípio da correlação não se limitaria apenas entre a acusação e a sentença, de forma simplista nesta bilateralidade superficial, mas entre a acusação, a defesa, a instrução e a sentença.

A EQUIVOCADA INTERPRETAÇÃO DO INSTITUTO: UMA RELEITURA DOS AXIOMAS JURA NOVIT CURIA E NARRA MIHI FACTUM DABO

13, §2°, a, do Código Penal é irrelevante, pois o réu se defende das circunstâncias denunciadas e não da capitulação dada pela acusação. Segundo Paulo Rangel398, da aplicação do princípio da ligação entre acusação e pena, surge a seguinte máxima: “o arguido defende-se dos factos relatados na denúncia e não do que foi apurado na investigação, ou talvez, do crime capitulação dada a esse facto". Daí a afirmação corrente no domínio do direito penal, segundo a qual o arguido se defende dos factos descritos na denúncia ou denúncia e não da capitulação dada ao facto.

Da mesma forma, José Eulálio Figueiredo de Almeida404 afirma que “o arguido não se defende da classificação feita no recurso ou reclamação, mas sim da imputação que lhe é dirigida”. Ou seja, a changeio libelli significa que o réu se defende contra os fatos descritos na denúncia ou reclamação, e não contra a qualificação jurídica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ou seja, consubstancia-se na segurança real da participação na simetria da paridade entre as partes no processo penal. Segundo a primeira hipótese, “a alteração da qualificação jurídica do ato criminoso, diretamente pelo juiz no momento da sentença, sem ouvir as partes no processo, causa prejuízo considerável à defesa do réu”. Esta perda decorre não só da surpresa de ser condenado por um crime diferente daquele discutido durante a acusação, mas também da possibilidade de ser condenado por crimes cujas penas são mais elevadas ou existem outras circunstâncias que possam agravar a condenação. . acusado. De acordo com a segunda hipótese, “o arguido em processo penal defende-se não só dos factos descritos na acusação e na queixa-crime, mas também contra a própria capitulação no final organizada pelo autor do facto criminoso”. Como já referido, para além dos factos descritos na acusação, a defesa do arguido apoia-se na sua definição jurídica, ou seja, no tipo jurídico do crime de que é acusado, sendo esta classificação do crime, sem dúvida, responsável pela orientação da defesa do réu.

E esta constatação é facilmente comprovada pelo fato de o acusado passar de simples objeto do processo a sujeito processual, detentor de alguns direitos (expectativas), mecanismos (garantias) necessários ao efetivo exercício do contraditório e ampla proteção. , nos processos públicos, com igualdade de tratamento em relação à acusação, além da necessária imparcialidade do órgão judiciário. Contudo, tais dispositivos perdem o sentido de existirem ao lado dos princípios e bases da Carta Maior, se não forem fielmente observados pela legislação inferior, especialmente o Código de Processo Penal.

Altera o disposto no Decreto-Lei n.º 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal relativo à suspensão do processo, modificação da difamação, mutatio da difamação e processo. A efetividade dos direitos fundamentais: notas a partir de uma visão abrangente do conceito segundo Gregorio Peces-Barba.

Referências

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