Este estudo tem como objetivo “examinar as relações entre os profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) e sua influência na assistência nas linhas de cuidado da hipertensão e do diabetes, na perspectiva do cuidado e da longitudinalidade, segundo a perspectiva da Análise de Redes Sociais”. Um dos principais desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) é garantir a qualidade da assistência e da gestão (BRASIL, 2012b).
Estratégia de Saúde da Família: estratégia de construção de vínculo
Modelo de Acolhimento e tipos de demandas
Realizar acolhimento com escuta qualificada, realizar classificação de risco, avaliar necessidades de saúde e analisar vulnerabilidades com vistas à resolutividade do atendimento na demanda espontânea caracteriza o processo de trabalho das equipes de AB. A demanda planejada tem como objetivo prestar atendimento agendado aos usuários com diagnóstico de doença ou condição de saúde que exija acompanhamento contínuo; como por exemplo no caso da hipertensão, diabetes, puericultura e pré-natal (BRASIL, 2001).
Principais dificuldades profissionais enfrentadas para o cuidado ao usuário
Corroborando essas informações fornecidas pelos profissionais, temos a afirmação de Marques e Lima (2004, p. 18) de que “a burocratização do acesso e a distribuição de outras tarefas agregadas ao trabalho impedem que os usuários, funcionários e gestores dos serviços de saúde sistema, visualizando o potencial da assistência instalada no ambiente assistencial”. As equipes relatam a dificuldade, pela enorme demanda e pelo despreparo dos trabalhadores, em realizar uma escuta de qualidade, que exige atenção e disponibilidade (BRASIL, 2013b). 2006) apontou que o número de usuários que procuram “atendimento eventual com queixas que necessitam de acompanhamento” ainda é elevado e que há necessidade de adoção de providências nas unidades para que o atendimento seja tanto geral quanto ocasional. pode ser melhor organizado.
Doenças crônicas não transmissíveis: Hipertensão arterial sistêmica e
- Panorama geral das doenças crônicas não transmissíveis
- Hipertensão arterial e Diabetes mellitus
- Hipertensão arterial sistêmica
- Diagnóstico de HAS
- Classificação da pressão arterial
- Diabetes Mellitus
- Classificações do Diabetes Mellitus
- Diagnóstico de Diabetes Mellitus
O Programa Saúde da Família e a construção de um novo modelo de atenção básica no Brasil. Cuidado às condições crônicas na atenção primária à saúde: a necessidade de consolidação da estratégia saúde da família.
Longitudinalidade do cuidado ao usuário com hipertensão e diabetes
Escore de Risco de Framingham
Tabela 7 - Projeção do risco de doença arterial coronariana segundo escore de Framingham (mulheres). Tabela 8 - Projeção do risco de doença arterial coronariana segundo escore de Framingham (homens).
Acompanhamento à pessoa com hipertensão e diabetes: padrões do
Tabela 10 – Classificação de risco cardiovascular, segundo escore de Framingham e frequência sugerida de acompanhamento em consultas médicas, de enfermagem e odontológicas. Fonte: Departamento de Atenção Básica (DAB)/Secretaria de Saúde (SAS)/Ministério da Saúde (MS); BRASIL, 2013d. O número de consultas para pacientes com DM tipo 2 deve levar em consideração a estratificação de risco apresentada.
De acordo com a avaliação da FER e estratificação de risco de DM, é necessário definir metas em relação à pressão arterial e níveis glicêmicos, perfil lipídico, tratamento não médico e medicamentoso, com orientações sobre alimentação adequada, atividade física, importância dos medicamentos, por exemplo. .
Pierre Bourdieu: aproximação dos conceitos e redes sociais à luz de sua
Cada ator social carrega um habitus (ou estruturas pessoais) que moldam a prática (BOURDIEU; CHARTIER, 2010). Para uma breve abordagem do capital, é interessante compreender o que se chama de “física social”, uma vez que Bourdieu construiu a noção de capital como a energia desta física (MINAYO, 2017). A definição de capital social não é favorável à ideia de determinismo económico, mas sim à importância de um conjunto de contactos, relações, conhecimentos, amizades, que conferem ao agente social maior densidade social e poder de ação devido à sua ligação com outras entidades que possuam montante de capital quantitativo e qualitativo semelhante (MARTELETO, 2017; MINAYO, 2017).
Ao criar uma ligação entre os conceitos de Bourdieu e as redes sociais, Deyvyd Andrade e Helena David (2015) enfatizaram a importância que o conceito de capital social tem para a construção dessas redes.
Aproximação com conceito de Rede social
- Laços fortes e fracos
- Redes sociais e saúde
- Análise de redes sociais como metodologia: breve aproximação
- Elementos e variáveis das redes sociais
- Perspectivas sociocêntrica e egocêntrica
Segundo Silva, Avelas, Farina (2013), a análise das redes sociais em relação ao trabalho em saúde fornece ferramentas úteis para a compreensão das interações entre atores de diferentes áreas profissionais durante o cuidado prestado ao paciente. O formal ocorre quando há respeito às hierarquias e disposições do sistema; informal, surgindo através das relações formadas entre profissionais. Dado que a metodologia ARS necessita de informação qualitativa, dadas as suas características, é necessário cumprir algumas técnicas fundamentais, que permitem organizar a informação gerada pelas interações entre os indivíduos, para que essas interações sejam representadas numa rede ou grafo (ALEJANDRO ; NORMAN, 2006).
Por fim, na “centralidade de proximidade” é indicada a distância entre os atores, o que de certa forma possibilita a possibilidade de comunicação com vários indivíduos envolvidos em uma rede, com um número mínimo de intermediários (TOMAÉL; MARTELETO, 2006).
Longitudinalidade e Continuidade do cuidado
Para refletir sobre o contexto “familiar”, vale destacar que Elsen et al. 2009) relataram em seu artigo que nas últimas décadas já houve um “movimento para que a família se tornasse o centro das atenções dos profissionais de saúde”, assim como do indivíduo e da comunidade. Dado que as doenças crônicas estão presentes na maioria das famílias brasileiras, as políticas e estratégias de saúde têm, ao longo dos anos, focado na participação da família (e do cuidador) na prevenção de doenças como hipertensão, diabetes, câncer, entre outros problemas de saúde que poderiam atingir altas taxas de mortalidade. morbidade e mortalidade (ELSEN, 2009). Ainda assim, segundo Starfield, existem vários métodos para avaliar a longitudinalidade, muitos dos quais podem ser adaptados para uso em estudos e pesquisas de base populacional e de unidades de saúde (STARFIELD, 2002).
O processo de reconhecimento do problema de saúde ou reconhecimento de informações sobre a atenção aos problemas é fundamental, pois os profissionais não podem agir até que sejam reconhecidos (STARFIELD, 2002).
Cenário do estudo
Os gráficos apresentados retratam a incidência de casos de diabetes por 100 mil habitantes na cidade em comparação com a média nacional. Os dois últimos gráficos mostram as taxas de incidência de casos de hipertensão no município estudado. É claro que existe uma diferença entre a incidência de casos entre diabetes e hipertensão, sendo que esta última apresenta números mais elevados.
Contudo, vale ressaltar que as taxas de incidência aqui apresentadas podem referir-se à ampliação da captação de casos, e não necessariamente ao aumento do número de casos.
Participantes da pesquisa
Porém, devido à extensão deste trabalho, não foi possível agregar resultados a partir dos resultados e análises referentes às entrevistas com os usuários participantes; entretanto, para complementar os dados na análise da pesquisa referente aos profissionais, foram coletadas informações sobre as falas dos usuários sobre a “vinculação” em algum momento deste estudo. Considerando o aporte teórico e metodológico da pesquisa para a análise das redes sociais dos profissionais participantes, foram adotados os seguintes critérios de inclusão: ser atuante (efetivo) na USF onde ocorreu a pesquisa, ser maior de 18 anos e preferencialmente maior de 2 anos de esforço na unidade de saúde. Vale ressaltar que a falta de detalhamento dos participantes da pesquisa se deve à necessidade de não identificá-los, também por questões éticas.
Assim, houve um total de 35 entrevistados neste estudo, mas foi realizada apenas a análise e discussão dos resultados dos 21 profissionais.
Técnica de coleta de dados
Essa etapa de coleta de dados foi realizada durante 6 dias, sendo 3 dias em cada uma das unidades. As entrevistas com os profissionais duraram em média 30 minutos; foram realizadas individualmente em consultório disponibilizado dentro das unidades, com porta fechada, com cadeira para o entrevistador e o participante da pesquisa, mesa para apoio do material, maca, armário e estrutura climatizada. Para a entrevista com os técnicos de enfermagem foi necessária a realização da entrevista dentro da sala “Procedimentos” devido à solicitação dos usuários para aferição da PA e/ou glicemia e algumas vezes a entrevista teve que ser interrompida para a realização de tais procedimentos.
A utilização de entrevistas como técnica de coleta de dados é uma forma de interação social, uma forma de captar informações sobre um determinado tema, sendo uma conversa entre o autor da pesquisa e os participantes (que podem ser grupos), com o objetivo de obter informações relevantes para .o objeto de pesquisa (MINAYO, 2012).
Instrumento de coleta de dados
Análise de dados
Análise de redes sociais
Análise de conteúdo temático-categorial
Aspectos éticos
Análise de Redes Sociais das unidades estudadas
Análise estrutural da rede (Unidade 1)
- Centralidade de grau (Unidade 1)
- Centralidade de Intermediação (Unidade 1)
Os atores com alto grau de centralidade, com maior número de contatos diretos entre os profissionais da Unidade 1, são aqueles apresentados na Figura 3 como tendo um tamanho maior que os demais nós da rede. Na Tabela 15 seguem as medidas de centralidade de grau dos atores desta rede, que separam os graus de entrada e saída. Na rede (Figura 4), os atores apresentados com maior tamanho são aqueles com maior centralidade mediadora.
Como mostra o grau de centralidade, os atores de maior destaque foram os responsáveis pela assistência direta ao usuário (no caso do médico) e pela organização e gestão dos cuidados e cuidados de saúde (enfermeiro e auxiliar administrativo).
Análise estrutural da rede (Unidade 2)
- Centralidade de grau (Unidade 2)
- Centralidade de Intermediação (Unidade 2)
Os atores com maior grau de centralidade (maior número de contatos diretos) nesta rede de profissionais são, como pode ser visto na figura 6 e será mostrado na tabela 17, o enfermeiro e o médico da unidade, ACS 1, os auxiliares administrativos , equipe técnica de enfermagem, ACS e Facilitador do SisReg. Abaixo estão as medidas de centralidade de grau para os atores desta rede, que separam os graus de entrada e de saída (tabela 17). Nesta rede, o médico e o enfermeiro têm o mesmo valor em termos de centralidade de grau: 11; o ingresso dos enfermeiros foi superior ao dos médicos, o que demonstra que eles são mais utilizados/procurados e, portanto, possuem maior capital social em comparação aos atores da rede.
Portanto, fica claro que as medidas de centralidade de grau e centralidade de intermediação não são diretamente proporcionais.
Análise de conteúdo temático-categorial das entrevistas
Categoria 1 – Processo de trabalho
- A centralidade do modelo biomédico
- Fluxo intenso de trabalho na ESF
- Alto número de demandas espontâneas e usuários cadastrados
- O enfermeiro burocratizado, líder e intermediador de processos
O destaque do modelo biomédico no processo de trabalho na ESF não é novidade nos estudos acadêmicos. A autora afirma ainda que para a produção do cuidado é necessária orientação sobre o processo de trabalho por meio das relações estabelecidas entre profissionais e usuários no momento do encontro. A realidade vivenciada em relação ao fluxo de trabalho nas unidades estudadas dificulta o processo de prevenção e promoção da saúde.
Seja pelo excesso de tarefas, como o intenso fluxo de trabalho assistencial e gerencial na ESF, seja pelo elevado número de demandas espontâneas.
Categoria 2 – Longitudinalidade
- Conhecimento dos profissionais acerca do conceito de Longitudinalidade
- Estratégias para continuidade do cuidado
- Vínculo e longitudinalidade
Sem compreender o conceito de longitudinalidade, alguns dos profissionais, quando questionados sobre estratégias que realizam para acompanhamento de pacientes com hipertensão e diabetes, oferecem depoimentos que demonstram determinadas estratégias para o que conceituamos como “continuidade do cuidado”. Porém, conforme discutido anteriormente, é possível haver continuidade do cuidado sem longitudinalidade a partir do momento em que não há vínculo ou relações interpessoais de longo prazo envolvidas. Portanto, percebemos a importância das relações interpessoais, do contato, da “afinidade” entre profissional e usuário, expressa por uma das técnicas de enfermagem, levando a uma maior possibilidade de cuidado longitudinal ao paciente.
Esse fato aponta para uma possível falha no tempo de atendimento nessas unidades, seja pelo perfil especial e individual dos profissionais, seja pelas dificuldades encontradas no processo de trabalho, como mencionado por alguns ACS.
Categoria 3 – Dificuldades no sistema
- Falta/falha de serviços, equipamentos, material e pessoal
- Troca de equipe básica
- Sistema de referência e contrarreferência
Nunca recebo feedback por escrito sobre o que aconteceu com o paciente, o que foi feito pelo especialista. As pessoas, quando tentam ir às unidades onde foram atendidas por esses especialistas, elas têm muita dificuldade de retornar, então tem sido um bloqueio enorme, tem sido muito difícil nessa área - retorno dos pacientes, a continuidade desses pacientes , não só com o clínico porque o clínico dá assistência e tudo, mas é importante que eles procurem os especialistas e o feedback deles tem sido difícil. Ressalta-se que esses dois últimos profissionais pertencem a categorias que normalmente não têm acesso a informações referentes a questões técnicas de encaminhamento de usuários.
Mesmo com outros profissionais das mesmas categorias respondendo durante a entrevista que não sabiam do que seria o sistema de referência e contrarreferência, demonstraram que não apenas sabiam do que se tratava, mas também deram respostas completas e coerentes. com a realidade exposta pelos médicos da unidade e pela enfermeira da U1.
Categoria 4 – Capitais em jogo
- Capitais sociais em jogo e ARS
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012c. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_atencao_basica.pdf. Disponível em: http://www.firjan.com.br/ifdm/consulta-ao-indice/ifdm-indice-firjan-de-development-municipal-. Disponível em:
Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/1786/1522 Acesso em: 08 ago.